sábado, abril 20, 2024

"O Dever dos Vereadores: Responsabilidade na Prevenção da Corrupção e da Improbidade Administrativa"


"O mal não deve ser imputado apenas àqueles que o praticam, mas aqueles que poderiam tê-lo evitado e não o fizeram", com poucas e honrosas excessões, esse pensamento se encaixa muito bem nos vereadores de Jeremoabo principalmente da situação que foram omissos e prevaricaram, isso porque se os vereadores  cumprissem com seu dever de fiscalizar e denunciar o prefeito Deri do Paloma e seus secretários com certeza não teriam praticado as improbidades e corrupção que tanto comentam da tribuna. da Câmara.

Primeiramente, é fundamental reconhecer que os vereadores têm o dever de representar os interesses da comunidade e fiscalizar as ações do executivo local. Isso inclui não apenas acompanhar de perto as atividades da administração municipal, mas também agir proativamente para evitar irregularidades, abusos de poder e corrupção.

Ao deixar de cumprir com suas responsabilidades de fiscalização e denúncia, os vereadores podem ser vistos como coniventes ou, no mínimo, negligentes em relação aos atos ilícitos que ocorrem na gestão pública. Isso pode gerar um sentimento de desconfiança por parte da população em relação aos seus representantes e minar a credibilidade das instituições democráticas.

Por outro lado, é importante reconhecer que nem sempre é fácil para os vereadores detectar e denunciar casos de corrupção ou improbidade administrativa. Muitas vezes, essas práticas são realizadas de forma dissimulada e exigem investigações detalhadas para serem descobertas. Além disso, os legisladores podem enfrentar pressões políticas e até mesmo ameaças caso decidam confrontar o poder executivo.

No entanto, isso não os isenta de sua responsabilidade moral e ética de agir em prol do interesse público e do bem-estar da comunidade que representam. As exceções honrosas mencionadas na frase inicial destacam a importância de reconhecer e valorizar aqueles que agem com integridade e coragem, mesmo diante de adversidades.

Portanto, podemos concluir que os vereadores têm uma parcela significativa de responsabilidade na prevenção e combate à corrupção e à improbidade administrativa. Ao falharem nessa missão, eles podem ser considerados cúmplices indiretos dos atos ilícitos cometidos pelos membros do poder executivo. Essa reflexão reforça a importância da vigilância cidadã e do engajamento político para promover uma gestão pública transparente, ética e responsável.

Nota da redação deste blog - Alguns exemplos da omissão dos vereadores de Jeremoabo:

1 - Demolição do Parque de Exposição;

2 - Nepotismo,

3 - O Juazeiro Centenário que não foi denunciado,

4 - Os mourões e ripões do Parque de Exposição que desapareceu e nenhu vereador apurou,

5 - Desvio de finalidade do dinheiro do Covid-19 que não foi apurado e denunciado.

6 - A Praça em frente ao Cemitério paar construção de uma Igreja, não denunciada.

7 - A Praça no Parque de Junior supostamente invadida por um funcionário da Prefeitura, que os vereadores não apuraram,

8 - O suposto desaparecimento de emenda paralamentar de R$ 7.000.000,00 que os vereadores não apuraram qual o destino.

9 - As quentinhas se denunciaram ninguém sabe, ninguém viu...

10 - Os vereadores da situação alugando veículos para a prefeitura ew colocando laranjas para receber o aluguel, se denunciram, ninguém sabe, ninguém viu.

A lista é longa, por enquanto vou parando por aqui.

Com leis ruins e funcionários bons ainda é possível governar. Mas com funcionários ruins as melhores leis não servem para nada.

 



: Alguns políticos costumam dizer: "quem não é visto não é lembrado", por outro lado, quando tratamos de amizade sem interesse, que se resuma a cordialidade e bem estar, quando presentes, dizemos que o verdadeiro amigo não precisa estar presente para ser lembrado, bastando saber que ele/ela existe, logo, vejo a cobrança da presença, como sendo uma necessidade de estabelecer controle sobre o outro, assegurar o apoio até às eleições, já que, passado o pleito, a presença frequente do eleitor passa a ser vista como um estorvo, mais um pedinte na lista que habitualmente cresce, alguns em razão da necessidade e promessas não cumpridas, já outros, pelo habitual hábito de pedir, entretanto, em qualquer das situações, suas presenças passou a serem um incômodo para o eleito, prova é, que passadas as eleições, raramente alguém é lembrado ou chamado para a convivência dos momentos que precedem o pleito, aí se contasta o velho ditado que diz: pão comido é pão esquecido ou, serviço prestado, soldado esquecido!

Por já conhecer esta realidade, faço minhas as palavras de Sun Tzu - 544-496 a.C.

Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo lutará cem batalhas sem perigo de derrota.

Para aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, as chances para a vitória ou para a derrota são iguais.

Aquele que não conhece nem o inimigo e nem a si próprio, será derrotado em todas as batalhas.

 Os tolos dizem que aprendem com os próprios erros, eu prefiro aprender com os erros alheiros ( Otto Von Bismarck).

(Mensagem encaminhada por leitor deste Blog)

sexta-feira, abril 19, 2024

Em plena crise mundial, três Poderes criam tempestade política no Brasil

Publicado em 19 de abril de 2024 por Tribuna da Internet

A charge do Alpino | VEJA

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

José Casado
Veja

Governo, Congresso e Judiciário parecem empenhados em produzir uma tempestade perfeita na política, na economia e na ordem jurídica nacional. Esses conflitos institucionais, quase sempre motivados pelo personalismo, estão sendo enunciados no meio de uma crise mundial.

As debilidades do país começam a ser realçadas numa conjuntura marcada por duas guerras em andamento (Ucrânia e Gaza), a terceira começando (Israel-Irã) e taxas de juros subindo nos Estados Unidos.

MAIS GASTANÇA – O governo resolveu aumentar os gastos no curto prazo, sem indicar compromisso de controle futuro. A exceção é a previsão de um corte significativo nas despesas com saúde e educação (de 1,33% do PIB neste ano para 1,15% até 2028), conforme o projeto de lei de diretrizes orçamentárias enviado ao Congresso.

À princípio, a expansão de gastos tende a ser financiada com endividamento e por manobras constitucionais para flexibilização nas despesas hoje classificadas como obrigatórias.

Isso, porém, dependerá de autorização do Congresso, que está em conflito aberto com o governo e o Judiciário.

GUERRA DE EGOS – Na Câmara começou a guerra de egos. Arthur Lira, presidente da Casa, não se entende com parte do ministério de Lula e resolveu reagir anunciando a criação de CPIs requisitadas pela oposição. Naturalmente, o alvo é o governo.

Lula acha que Lira, em fim de mandato na presidência da Câmara, não pode nem deve ter o tratamento preferencial que deseja nos cargos governamentais e nas planilhas orçamentárias.

Nos plenários do Senado e da Câmara predomina a tensão nas relações institucionais com o Supremo Tribunal Federal. Extremistas do bolsonarismo passam o tempo planejando situações de confronto.

LIRA E PACHECO – O deputado Arthur Lira e o senador Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, acalentam planos para influenciar nas próprias sucessões. Isso significa, entre outras coisas, afirmação de autoridade pessoal e das instituições que representam.

O adversário escolhido é o Judiciário, que amplia sua jurisdição em zonas cinzentas ou vácuos legislativos — dos direitos civis aos privilégios de funcionários públicos, com ou sem mandato.

Resultado: a economia está fragilizada, governo e Congresso já não se entendem e a tensão com o Judiciário vai ao limite em decisões legislativas excêntricas.

CONFUSÃO GERAL – A mais recente controvérsia é a da criminalização total do porte de drogas, sem normas específicas de distinção entre usuário e traficante, como impõem a realidade dos presídios e a regra constitucional.

Uma leitura possível é a de que o Senado atropelou o Supremo e repassou à polícia o poder de interpretar a Constituição.

Nada mais esdrúxulo e extemporâneo, nessa bagunça institucional.

EUA não permitem que Assange invoque a emenda sobre a liberdade de expressão


Londres fará em  audiência no caso de extradição de Assange para 20  de maio | Brasil 247

nova audiência de Assange será feita no dia 20 de maio

Deu na Carta Capital
(France Presse)

A esposa de Julian Assange denunciou, nesta terça-feira 16, a falta de garantias oferecidas pelos Estados Unidos após o pedido da Justiça britânica para sua eventual extradição. No âmbito do processo de extradição de Assange, a quem os Estados Unidos querem julgar por um enorme vazamento de documentos confidenciais sobre suas atividades militares e diplomáticas, a Justiça britânica pediu novas garantias em relação ao tratamento que seria dado ao fundador do WikiLeaks caso ela seja extraditado.

As garantias que os Estados Unidos devem oferecer serão examinadas em 20 de maio pela Justiça do Reino Unido.

NÃO-GARANTIA – Em um comunicado, Stella Assange afirmou que os Estados Unidos ofereceram uma “não garantia” sobre a possibilidade de o australiano de 52 anos invocar em sua defesa a primeira emenda da Constituição americana, sobre a liberdade de expressão, e uma “garantia padrão” em relação a uma hipotética condenação à morte.

Segundo a esposa de Assange, os Estados Unidos alegam que seu marido não pode invocar a primeira emenda por não ter a nacionalidade americana.

Ela acrescentou que os Estados Unidos “se limitam a uma formulação cínica e pouco clara que afirma que Julian pode ‘tentar invocar’ a primeira emenda se for extraditado”.

“ISOLAMENTO” – A nota diplomática não faz nada para aliviar a extrema consternação de nossa família em relação ao seu futuro, com a perspectiva sombria de que passe o resto de sua vida em regime de isolamento em uma prisão americana por publicações jornalísticas que receberam prêmios”, lamentou Stella Assange.

A reação contrasta com a que seguiu o anúncio do exame por parte dos Estados Unidos de uma solicitação apresentada pela Austrália para que retirassem as acusações contra o fundador do WikiLeaks.

Na quarta-feira, o presidente americano, Joe Biden, disse em uma entrevista que Washington estava examinando um pedido australiano para que se abandonassem as acusações contra Assange.

BOM SINAL – O anúncio feito pelo presidente americano foi qualificado por Stella Assange como “um bom sinal”.

Processado por ter tornado públicos desde 2010 mais de 700.000 documentos confidenciais sobre as atividades militares e diplomáticas americanas, em particular no Iraque e no Afeganistão, Assange pode ser condenado pela Justiça americana a até 175 anos de prisão.

Julian Assange está há cinco anos lutando nos tribunais britânicos para tentar evitar a extradição.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Assange é a maior vítima da liberdade de expressão que os Estados Unidos fingem adotar e respeitar(C.N.)


Cantor Matheus Emis se prepara para gravar primeiro DVD de carreira e planeja shows na Bahia

 Por: Fábio Almeida





Um dos novos nomes de destaque da nova geração da música, o cantor Matheus Emis, se prepara para gravar o primeiro DVD de sua carreira. A gravação será no próximo dia 04 de maio, em uma das principais casas de shows do Espírito Santo, a Embrazado, que fica na capital Vitória. Mesmo tendo nascido por lá, Matheus é representante autêntico do pagodão baiano, estilo musical com o quem sempre se sintonizou e que faz seu coração bater mais forte. “O pagodão baiano é quente, faz o corpo se mexer mesmo que a pessoa não saiba dançar. É algo muito visceral e desde criança admiro artistas e acompanho o cenário musical da Bahia”, conta. O primeiro DVD contará com músicas inéditas, que o artista prepara para esse novo ciclo, além de algumas regravações. “Estamos preparando tudo com muito carinho e tenho certeza de que o resultado será incrível”, antecipa.

Matheus, que recentemente lançou uma música “Senta com Carinho”, gravou um clipe (https://youtu.be/5xE1oZwfw9o?si=BttQEtnkSay5Ernd) 

desse trabalho e tem feito sucesso no stream, tem apenas 27 anos e esbanja talento e carisma. Ele começou na música quando ainda era muito pequeno e sempre encantou os ouvintes com sua voz poderosa. Embora tenha nascido no Espírito Santo, se criou imerso na rica cultura musical do estado de Minas Gerais, absorvendo influências que se tornaram fundamentais na carreira. 

Pela presença de palco, irreverência e excelente forma física, Matheus é comumente apelidado de “Léo Santana Capixaba” e

“Tony Salles Cover”, e fica lisonjeado com as comparações, com seus grandes ídolos. Cantor, musicista, produtor, compositor, já teve passagem por Bandas Gospel e pela Cadillac de Luxo, antes de optar pela carreira solo.

O cantor assinou recentemente uma parceria com a CDC Entretenimento e  com a Usinamixx, que já estão se movimentando para que o artista faça os primeiros shows na Bahia!

"Uso Indevido de Recursos Públicos: Prefeito Transporta Cerveja em Veículo Oficial Enquanto Doentes Ficam Sem Transporte"

 Nota da redação deste Blog -  A situação descrita revela uma clara violação da confiança pública e do uso apropriado dos recursos governamentais. Quando um funcionário público, especialmente um prefeito, utiliza veículos ou outros recursos da prefeitura para fins pessoais ou não relacionados ao interesse público, isso representa uma grave falha de responsabilidade e ética.

Primeiramente, a prioridade dos recursos públicos deve ser direcionada para atender às necessidades essenciais da comunidade, como o transporte de doentes e o funcionamento adequado dos serviços públicos. O transporte de cerveja para uma festa particular não só desvia recursos essenciais, mas também indica uma má administração dos recursos municipais.

Além disso, o contraste entre a falta de transporte para os doentes e o uso inadequado dos veículos da prefeitura para eventos privados ressalta a desigualdade e a falta de priorização das necessidades reais da população. É uma questão que não apenas prejudica a confiança dos cidadãos na gestão pública, mas também pode ter consequências diretas na saúde e no bem-estar da comunidade.

Nesse contexto, é fundamental que os vereadores e o Ministério Público investiguem e apurem os fatos com seriedade e imparcialidade. Os representantes eleitos têm a responsabilidade de fiscalizar as ações do poder executivo municipal e garantir que esteja agindo de acordo com os interesses da população. Da mesma forma, o Ministério Público, como guardião dos interesses sociais e da legalidade, deve investigar possíveis irregularidades e tomar as medidas necessárias para garantir a transparência e a responsabilidade na gestão pública.

A transparência, a prestação de contas e o respeito pelos princípios éticos são fundamentais para a legitimidade e eficácia do governo local. Portanto, casos como esse devem ser tratados com seriedade e rigor, visando não apenas corrigir as falhas individuais, mas também fortalecer as instituições democráticas e a confiança dos cidadãos na administração pública.

                                    Foto Divulgação - WhatsApp

                                    

Confronto entre o Congresso e o Supremo provoca reflexos no governo Lula

Publicado em 19 de abril de 2024 por Tribuna da Internet

Charge do J. Bosco (oliberal.com)

Pedro do Coutto

O confronto entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal tem se refletido no governo Lula  na medida em que a derrubada de matérias julgadas pela Corte Suprema transformam-se em matérias constitucionais. Até a saidinha de presos de bom comportamento em datas festivas também se transformou em matéria da Lei Maior. O Congresso está usando a derrubada de veto do presidente Lula para impor as suas disposições em questões de conteúdo pouco relevantes, mas que custam recursos financeiros ao governo e sobretudo o enfraquecem junto à opinião pública.

A temperatura na Praça dos Três Poderes assim se eleva. Como consertar isso, não se sabe, pois o Congresso está fazendo pressão para obter decisões que beneficiem correntes nele representadas. A articulação política do governo com o Legislativo, por sua vez, não é das melhores. Assuntos surgem e são imediatamente colocados numa tabela de interesses do Poder Legislativo, invadindo atribuições do Executivo.

DIVISÃO –  O problema de conteúdo é fundamental. Ele abrange e até supera a capacidade de legislar, pois não se pode compreender que o Legislativo assuma poderes do Executivo e também do Judiciário. Afinal,se existem Três Poderes é porque uma divisão precisa ser estabelecida. Atravessar esses limites é uma questão complexa. Só o espírito público poderá resolver. A lógica está faltando no debate político do país, especialmente na área do Legislativo.

No meio dos problemas que se desenrolam, surge agora uma negociação absurda com empresas que foram multadas pelo processo da Lava Jato, inclusive negociando o pagamento de dívidas relativas às multas. As organizações atingidas reconhecem as suas participações nas ilegalidades, mas agora desejam agora um desconto de 50% na área financeira que totaliza R$ 4 bilhões, segundo se calcula.

Não sei de onde surgiu essa negociação, mas só o fato dela girar no cenário de ações judiciais, ultrapassam os acordos na ocasião. As empresas desejam essa redução sob a alegação de que a dívida como está hoje choca-se com a realidade inflacionária do país. São absurdos que ocorrem no Brasil, demonstrando a fragilidade institucional.

Maierovitch diz que Supremo não pode continuar sendo um “tribunal político”

Publicado em 19 de abril de 2024 por Tribuna da Internet

Wálter Maierovitch analisa ação da PF contra empresários bolsonaristas que defenderam golpe

Maierovitch pergunta se os líderes do golpe serão presos

Heitor Mazzoco
Estadão

Ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o jurista, professor e escritor Wálter  Maierovitch diz ser positiva a condução de Luís Roberto Barroso à frente do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem atribui uma posição equilibrada. É neste ponto que, para Maierovitch, a Corte Suprema deve voltar a ser técnica, depois da turbulência causada por quatro anos de Jair Bolsonaro (PL) no poder e dos atos indicativos de golpismo contra a democracia.

Muito do que acontece no Congresso, entre oposição e situação, acaba no Supremo. A judicialização é perigosa?
Eu tenho uma visão diferente desse problema da judicialização. Eu acho importante o controle constitucional. O que não se pode é ter, de repente, ministros que passam a não ser mais técnicos e viram políticos. Mas essas são questões de segurança. Eu acho que se a situação é de conflito, bata à porta do Supremo para ver se é constitucional ou não. Eu acho isso salutar à democracia. Muita gente fala: “Ah, por que está tudo judicializado?” Porque emperra, porque, de repente, tem decisão monocrática que o cara põe na gaveta.

Como assim?
Veja que o Luiz Fux colocou na gaveta auxílio moradia aos juízes. Parou durante mais de um ano. E ele também não se deu por impedido. A filha dele é a desembargadora no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O Brasil passa por uma fase em que nenhum ministro se dá por impedido. E você pega o caso do Alexandre de Moraes, onde ele é vítima. Isso abre um caminho, e o Supremo não está percebendo, está no caminho para os bolsonaristas terem um discurso. E, às vezes, com razão. Então, num país polarizado, o Supremo dá muita coisa de bandeja para o bolsonarismo de matriz fascista.

Inquéritos que não foram encerrados ainda são exemplos?
Veja bem, o que diz o Código de Processo Penal? Diz que o inquérito com relação ao indiciado, ou ao suspeito solto, tem duração de 90 dias. Você não pode eternizar.

E a decisão sobre juiz poder julgar casos que envolvam escritórios de parentes? É legítima?
Isso é um pontapé na história. Os romanos já falavam que não basta a mulher de César ser honesta, tem que parecer honesta. Imagina alguém advogando, vamos pegar o caso concreto, que foi com a mulher do (ministro Dias) Toffoli. Um caso bilionário de multa da J&F. Hoje se fala muito disso, que são advogados associados. Um escritório com 80 advogados associados. A mulher do ministro é uma delas. E ela não estava na procuração. Se fala isso. Pergunta-se: “Advogados associados no final do mês dividem o lucro?” Ou falam: “Não, nós vamos tirar isso aqui porque você é mulher do ministro, então você não vai entrar na partilha. Você não assinou a inicial”.

E a mulher do Gilmar Mendes?
Ela também não assina inicial nenhuma. E ela é, por competência, diga-se, a que chefia o maior escritório do Brasil, em Brasília. Então, ministro do Supremo, com relação a esposa, irmão, prima, o que tiver, é sempre problemático. Alguém vai falar: “Mas a mãe, a mulher não pode trabalhar?” Mas não é isso. É o contrário. É ele que deve se declarar impedido.

O impedimento é mais, digamos, grave do que a suspeição…
Sim. Não sei se existe ainda no Tribunal de Justiça, quando você era promovido por um desses tribunais, você colocava uma lista, porque a distribuição é eletrônica, para já se dar por impedido. Se é do escritório e tal, estou impedido. E funcionava. Se um ministro, um juiz, que a mulher trabalha num escritório, mesmo sem procuração, sem assinar, por motivo de foro íntimo, tinha que se dar por suspeito, por impedido.

Se torna um efeito cascata…
Exatamente. Gera uma desconfiança, uma desconfiança com procedência, evidentemente, não é uma desconfiança sem fundamento, não. Então, eu acho péssimo. O Supremo tinha que voltar a ser um tribunal técnico, e não mais um tribunal onde se está verificando é um tribunal político. Parece que houve uma união no Supremo para se combater, para se preservar a Constituição e o Estado de Direito. Houve uma união, e o Supremo tem essa atividade. Num momento em que o Brasil não tinha o procurador-geral da República, porque essa é a função dele. Nós tivemos o (Alexandre de) Moraes usurpando funções do procurador-geral da República, que era filo-bolsonarista, e a gente viu que era. Agora, isso acabou.

E o caso do Musk?
Se você vê essa briga com o Elon Musk, estão tomando o lugar do procurador-geral da República. Está na hora do Ministério Público, que falhou ao tempo do Augusto Aras, e o Conselho Federal do Ministério Público também falhou ao tempo do Aras, porque podia tacar um processo administrativo contra ele. E o Senado falhou duplamente, porque está na Constituição que o Senado pode dar o cartão vermelho para o procurador-geral da República a qualquer tempo do mandato, pode cassar o procurador-geral da República. Além de não fazer isso, reelegeram o Aras. Eu acho que agora nós tivemos essa turbulência, tivemos um risco, mas esse risco não existe mais. Bolsonaro não é mais presidente da República, não é mais chefe de Estado e nem de governo. Está na hora do Brasil voltar a respirar ares de Estado de Direito e se aperfeiçoar nisso.

Cabe ao STF julgar o casos dos golpistas que invadiram a Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro?
Tem um ataque ao Estado Democrático de Direito, um golpe de Estado, mas nós temos também uma Constituição que não estabelece o foro sendo o Supremo Tribunal Federal. Acho que não deve ficar no STF. Não tem competência, não tem legitimação. E, dentro de uma política judiciária, o Supremo deve ficar como órgão revisor, mantidas as instâncias. A última palavra vai ser dele, lá em sede de revisão, se chegar. Mas eu acho que usurpação de instâncias não é bom. Como também é péssimo essa decisão de mudança de foro por prerrogativa de função. A jurisprudência estava amadurecendo, porque data de 5, 6 anos. Porque está claro, se tem o foro por garantia, é uma garantia esse foro, uma garantia de imagem, por prerrogativa de uma função. Se a função acabou, acabou o foro.

Como é que o Bolsonaro ainda tem foro por prerrogativa de função?
Bolsonaro deixou a Presidência da República no dia 31 de dezembro de 2022. Quase um ano e meio depois o STF vai mudar a regra e, digamos, regularizar a questão e deixar os inquéritos no STF… Veja, é sempre difícil para um legalista, porque às vezes falam: “Você está com esse raciocínio favorecendo o bandido ou aquele apontado como bandido”. Mas, veja, será que só a justiça do Supremo é boa? Só ele sabe julgar? O que está fazendo o (Chiquinho) Brazão no Supremo? Ele tem foro por prerrogativa de função? Ele era vereador quando ocorreram os fatos. Tem correlação entre os dois homicídios e uma tentativa? A tentativa da assessora no caso Marielle Franco. Tem alguma correlação com a função dele à época de vereador? Olhando claramente, o que diz a Constituição com relação à prisão de parlamentar? Só pode ser em flagrante delito. Tem situação de flagrância? E como é que se decreta isso? Então, fica sempre uma suspeita de que é tudo um ajeito político.

O que o senhor acha da atuação do ministro Alexandre de Moraes?
Eu acho que o Alexandre de Moraes ultrapassa o sinal. Ele invade atribuições do Ministério Público. Em vários casos. Inclusive desses dos inquéritos. Inclusive chamando a competência, inclusive não se afastando em alguns casos. E, às vezes, promovendo coisas risíveis, como o episódio no aeroporto de Roma. O juiz tem que saber engolir sapos. O Alexandre de Moraes vai até o extremo a que ele se habilitou como assistente de acusação no caso de Roma. O Alexandre de Moraes, acho que ainda não vestiu a toga. Ele continua com a beca de promotor de Justiça.

E os réus do 8 de Janeiro?
Você viu um monte de golpistas processados e presos. São golpistas que foram usados como massa de manobra. E aí? E o resto? Cadê? Terça-feira, aconteceu uma fase de operação da Polícia Federal  e disseram: “Estamos atrás dos que financiaram o golpe”. Tinha quatro ou cinco aí de financiadores suspeitos. E os militares? Pegaram esse pessoal de massa de manobra. Não estou dizendo que são inocentes, ao contrário, são golpistas. Pena exagerada, exageradíssima. Na cúpula, provavelmente, não vai se chegar. Quem aproveitava tudo isso a não ser o Bolsonaro? O Bolsonaro está aí. Livre, leve e solto.

Em destaque

Senado impõe sigilo sobre entradas de nomes ligados ao escândalo do Banco Master

Publicado em 10 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Ouvidoria do Senado é comandada por Ciro Nogueira Ra...

Mais visitadas