quarta-feira, janeiro 31, 2024

Instituições são como uma fossa entupida, na política, na Justiça e na ajuda a ricos

Publicado em 31 de janeiro de 2024 por Tribuna da Internet

Veredas do Tempo: Charge: Corrupção, Cicero Lopes | Cícero, Corrupção, Verdades

Charge do Cicero (Arquivo Google)

Vinicius Torres Freire
Folha

“As instituições estão funcionando” é uma frase de quem passa pano para a crise democrática e econômica brasileira. De tão batida, no seu emprego irrealista ou picareta, se tornou cediça, podre, e motivo de sarcasmo gaiato. Além de defeitos de base, por beneficiar quem tem mais poder ou sustentar hierarquias nefastas, o funcionamento das instituições se tornou ainda pior desde 2013, lama da qual não saímos.

Basta dar uma olhada no noticiário para notar várias instituições funcionando como uma fossa séptica entupida.

BATIDA POLICIAL – A Polícia Federal deu uma batida na casa e em escritórios do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) e de agentes da PF, suspeitos de montarem um centro de espionagem na Abin, a serviço dos Bolsonaro.

Por causa disso e algo mais, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, maior partido da Câmara, chamou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de “frouxo”.

Costa Neto, velho corrupto, ora bolsonarista, reclama que Pacheco não defende parlamentares de avanços do Supremo, queixa que é um ponto programático do parlamento negocista desde a Lava Jato, um dos motivos do levante contra Dilma Rousseff e mote de projetos de manietar o Judiciário.

PÉS PELAS MÃOS – A queixinha pega bem no Congresso também porque, de fato, o Supremo faz década e meia mete os pés pelas mãos, em patadas da esquerda à direita; politizou-se por iniciativa própria e com a ajuda de presidentes da República —há bancadas políticas no STF. É um mafuá institucional.

Reportagens desta Folha têm mostrado como a cúpula militar e a do sistema de Justiça (Judiciário e Ministério Público) abocanham fatia desproporcional e despropositada dos fundos públicos por meio de salários, aposentadorias e pensões exorbitantes e gordas de penduricalhos.

Pacheco, aliás, quer inflar ainda mais os dinheiros do pessoal do sistema de Justiça.

PERVERSÃO FUNCIONAL – Aqui, uma instituição informal está funcionando. Até onde a vista alcança, desde quando começou a se formar uma burocracia estatal profissional, nos anos 1930 e 1940, as classes médias altas ou altas dão um jeito de legitimar a extração de renda do Estado com a conversa de que precisam de compensação legítima pelos serviços prestados à ordem ou ao progresso nacional.

Precisam, sim, mas a conta foi muito além da que pode pagar este país pobre. Essa instituição informal perverte a instituição do serviço público, que precisa de reforma.

Por falar em rendas estatais, considerem-se as políticas industriais, ditas desenvolvimentistas. A maior parte da esquerda brasileira é engraçada. Faz 70 anos e lá vai fumaça, se dedica a promover a “burguesia nacional” ou apelidos sucedâneos mais modernos.

SÓCIOS DA FIESP – Muita fortuna foi engordada dos anos 1950 aos 1990 com proteção tarifária, juros de pai para filho, subsídios diretos ou taxas de câmbio amigas, tudo em nome do “desenvolvimento nacional”. É um tanto menos agora, mas ainda é. Nunca privatizaram os sócios da Fiesp.

Essa esquerda mal fala de creche e escola para criança pobre, de SUS ou de contribuições da universidade para fomentar a pesquisa para o “desenvolvimento nacional”, universidade bancada com dinheiro público e autônoma além da conta.

Logo depois de aparecer a nova política industrial, que até dá para discutir, o governo diz que quer ajudar a indústria naval e criar um fundo de socorro para companhias aéreas falidas. Com base em quê? Em qual estudo?

E O CONTROLE? – Qual instituição relativamente autônoma vai controlar o custo, a eficácia e os beneficiários da nova política de desenvolvimento, para não falar da inauguração desse novo hospital de empresas?

Não existe uma instituição específica para colocar um cabresto nos favores para empresas e cobrar resultados. O mau funcionamento do país é institucionalizado.

(Artigo enviado por Lafaiete De Marco)


Ministros do STF e aliados pressionaram Lula a demitir toda a cúpula da Abin

Publicado em 31 de janeiro de 2024 por Tribuna da Internet

Alessandro Moretti deve deixar a Abin

Lula aceitou demitir Alessandro Moretti, o diretor-adjunto

Vera Rosa
Estadão

O presidente Lula não resistiu à pressão e demitiu quase toda a cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Lula jogou ao mar o número 2 da Abin, Alessandro Moretti e seis diretores,  Quatro deles estão sendo substituídos por mulheres. Foi preservado o diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, que sempre foi homem da sua confiança.

Nos bastidores, porém, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e aliados cobram do presidente a substituição de Corrêa e a mudança no modelo da Abin, que há tempos se tornou uma central de arapongagem de adversários.

SEM EXPLICAÇÃO – Em conversas reservadas, ministros do STF dizem não ver explicação para o fato de Luiz Fernando Corrêa ter escalado Moretti, conhecido por suas ligações com Bolsonaro, para ser seu braço-direito na Abin.

Dois desses magistrados fizeram chegar ao Planalto a avaliação de que Corrêa tem “responsabilidade política” e, se não for trocado, a crise baterá com mais força à porta do Palácio do Planalto.

O diagnóstico é o de que o “personograma”, nesse momento, é mais importante do que o “organograma”. Lula ainda resiste a dispensar Corrêa, que chefiou a PF no seu segundo governo, de 2007 a 2010, e no início da gestão de Dilma Rousseff, em 2011.

SNI SECRETO – “É uma situação política grave”, admitiu o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE). “A Abin deve passar por uma profunda reformulação e deixar de ser polícia política, que fica bisbilhotando adversários. Do jeito que está, a agência virou um SNI secreto”, emendou o deputado, numa referência ao Serviço Nacional de Informações, que funcionou na época da ditadura militar.

Deputados do PT já começam a se debruçar sobre projetos de lei para apresentar ao Congresso, com o objetivo de reformar a Abin. Uma das ideias é exigir que apenas oficiais da carreira comandem a agência. Se aprovada, a medida impedirá que integrantes da Polícia Federal, ainda que aposentados, ocupem esse cargo.

Além de Corrêa, Ramagem e outros diretores-gerais da Abin eram oriundos da PF. Atualmente, Ramagem é pré-candidato à Prefeitura do Rio, com apoio do clã Bolsonaro, e as acusações de que teria ajudado a família do ex-presidente com informações privilegiadas sobre inquéritos e operações podem comprometer sua entrada no páreo.

CONTAMINAÇÃO – A retirada de integrantes da PF dos quadros da Abin não garante, no entanto, a “descontaminação” pretendida pelo governo. Em março do ano passado, por exemplo, dois meses após os atos golpistas de 8 de Janeiro, a Abin saiu do guarda-chuva militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Não foi isso que resolveu o problema.

O Congresso é, até hoje, o grande ausente nessa discussão. Em carta aberta à sociedade, a União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) destacou que a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência tem se mostrado “pouco atuante” nas sucessivas legislaturas.

“Como é possível proteger o Brasil da espionagem estrangeira, do terrorismo e do extremismo antidemocrático sem executar ações de caráter sigiloso?”, perguntam os signatários do documento.

IMPORTÂNCIA DE ABIN – “Uma instituição de Estado pode ser utilizada de forma indevida por seus dirigentes, especialmente se estes tiverem pretensões político-partidárias, como é o caso que ora se investiga. Porém, o debate sobre seus quadros técnicos e sobre a utilidade da instituição para a sociedade precisa ser desvinculado de discussões conjunturais sobre eventuais desvios promovidos por gestões passadas”, diz a carta aberta.

A disputa entre grupos da Polícia Federal e da Abin é antiga e, por isso, o governo também deve agir com cautela para não fazer uma caça às bruxas de forma apressada. De qualquer forma, tudo leva a crer que os “encanadores” aloprados de Bolsonaro vazaram segredos de Estado.

Bolsonaro diz ser vítima de uma “perseguição implacável” e nega que, em seu governo, tenha sido montado um “gabinete do ódio”, como revelado pelo Estadão, para atingir adversários. “Agora vão para cima da tal Abin paralela. Isso não existe, meu Deus do céu”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A melhor saída para Lula era mesmo passar o rodo, mas o atual diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, é amigo pessoal do presidente. Só será demitido se dona Janja mandar. (C.N.)

TRE do Paraná marca o julgamento de Moro, que a imprensa já decidiu “cassar”

Publicado em 31 de janeiro de 2024 por Tribuna da Internet

Desembargador libera ações que podem levar à cassação de Sérgio Moro | Exame

“Cassar” Moro será uma decisão abjeta e antijurídica

Rafael Moraes Moura
O Globo

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) reservou para o dia 19 de fevereiro o julgamento das ações movidas pelo PT de Lula e pelo PL de Jair Bolsonaro que podem levar à cassação do senador Sergio Moro (União Brasil-PR). O julgamento foi agendado após o relator das ações, o desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, liberar os casos para análise dos colegas na tarde desta terça-feira e pedir a inclusão dos processos “na primeira data possível”.

A data foi sugerida pelo próprio relator, mas ainda passará pelo crivo da presidência do TRE do Paraná, que não teria sido consultada por Falavinha.

PRIORIDADE TOTAL – O desembargador priorizou o caso Moro ao longo dos últimos dias e deixou para segundo plano os processos sob a sua responsabilidade que tramitam no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), corte onde também atua. Falavinha pediu uma licença de duas semanas do TJ do Paraná, entre 8 e 20 de janeiro, para a “prestação de serviços à Justiça Eleitoral”, informou a assessoria do tribunal ao blog.

Com o agendamento da sessão para depois do carnaval, deve dar tempo de o TRE do Paraná superar o “apagão” e ter quórum máximo de sete juízes para analisar o caso de Moro.

Isso porque, na semana passada, chegaram ao fim os mandatos do juiz Thiago Paiva e de seus dois substitutos, o que na prática provocou um “apagão” que impede a Corte Eleitoral de reunir os sete titulares para julgar a cassação de Moro.

QUORUM MÁXIMO – Para a análise de casos como a eventual cassação de Sergio Moro, a legislação eleitoral exige que o TRE tenha quórum máximo. “As decisões dos tribunais regionais sobre quaisquer ações que importem cassação de registro, anulação geral de eleições ou perda de diplomas (mandatos), somente poderão ser tomadas com a presença de todos os seus membros”, diz o Código Eleitoral.

Conforme informou o blog, o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, decidiu acelerar o andamento da lista tríplice para preencher a vaga aberta no TRE do Paraná com a saída de Thiago Paiva e, assim, permitir que a Corte tenha sua composição completa em breve.

No despacho de 20 de janeiro, Moraes determinou a publicação “com urgência” do edital para a vaga do TRE do Paraná. Na prática, a medida destravou a tramitação da lista tríplice, permitindo que já se abra a contagem do prazo para que os nomes sejam alvos de impugnação – e, com isso, o TSE possa aprová-la com celeridade, em fevereiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A grande imprensa está dando como certa a cassação de Sérgio Moro. Mas isso só acontecerá quando não existirem mais juízes em Curitiba. Cassar Moro significará a criação de uma lei que não existe, proibindo que um cidadão seja candidato a presidente da República, troque de partido no prazo legal e prefira se candidatar a senador. Em síntese, é isso que estão tentando fazer com Moro, mais ou menos a mesma coisa que fizeram com Deltan Dallagnol, cassado por “presunção de culpa”, algo inexistente no Direito Universal. Dallagnol foi inocentado por unanimidade no TRE e cassado por unanimidade no TSE. E ainda chamam isso de Justiça. Mas desta vez não teremos a participação do insigne ministro Benedito da Silva, aquele cujo filho gosta de exibir em público seu enriquecimento ilícito. E vida que segue, diria João Saldanha. (C.N.)

Diplomacia pessoal de Lula atolou no jogo pesado de Emmanuel Macron


O presidente Lula (PT) junto do mandatário francês, Emmanuel Macron, após encontro no Palácio do Eliseu, em Paris

O ditado não mudou: “Amigos, amigos, negócios à parte”

Elio Gaspari
O Globo/Folha

Até as pedras sabiam que o presidente francês Emmanuel Macron se opunha ao acordo de comércio da União Europeia com o Mercosul, mas ao anunciar que as negociações deveriam ser interrompidas ele jogou pesado. Uma coisa é divergir, o que vem acontecendo desde que as conversas começaram, há 25 anos, outra é fechar a porta. No século passado, americanos e vietnamitas negociavam em Paris, enquanto Hanói e Haiphong eram bombardeadas.

Macron falou grosso porque agricultores franceses sitiaram Paris. Bloqueada, a cidade tem três dias de comida. Sua atitude foi truculenta, porém compreensível. Na França, enfrentar os agricultores é suicídio. Eles defendem seus interesses.

FIM DE PAPO – O petardo partiu da assessoria de Macron: “Entendemos que a comissão instruiu seus negociadores a encerrar a sessão de negociação em andamento no Brasil e, em particular, a cancelar a visita do vice-presidente da comissão, que estava prevista para haver uma conclusão.”

Quem ficou pendurado na brocha foi Lula, com sua diplomacia palanqueira. Quando a França mostrou sua má vontade, ele disse: “Fiz um apelo ao Macron para deixar de ser tão protecionista”.

Não se pode saber se Lula acredita que, fazendo apelos ou metendo-se numa disputa como a da Ucrânia ou a de Gaza, sua presença altera o quadro. É possível que acredite, mas é provável que tenha começado a cair na real.

DIA DA VITÓRIA – Na noite de 30 de outubro de 2022, quando Lula derrotou Bolsonaro, ele foi festejado internacionalmente e pode ter visto no aplauso um reconhecimento pessoal. Um dos primeiros a felicitá-lo foi Macron. Enganou-se. Como ocorreu com uma parte dos seus 60 milhões de votos, aplaudia-se a ida de Bolsonaro para casa. De lá para cá, Lula desperdiçou um pedaço do seu patrimônio internacional.

Na agenda do comércio, falas do tipo “fiz um apelo ao Macron” iludem quem o apoia e fazem rir quem está do outro lado da controvérsia.

Um fabricante de automóveis brasileiro considera-se elogiado quando um concorrente o acusa de ser protecionista ao defender a taxação dos carros importados. O agricultor francês é protecionista, com muito orgulho, e se mexe quando o governo pensa em ferir seu negócio.

CALIBRAR A RETÓRICA – É no aspecto da ilusão interna que Lula deveria calibrar sua retórica e, noutro patamar, a turma do agronegócio brasileiro deveria redesenhar seu discurso.

No ano que vem, realiza-se em Belém a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP-30. Em um ano de governo, Lula mostrou que o Brasil abandonou a condição de pária orgulhoso e tem números para mostrar o efeito de seu trabalho.

Daqui até lá, estará fraca a pilha do antibolsonarismo, que tanta energia ainda dá ao governo.

IGUAL A MACRON – Há fortes sinais de que a turma que joga com as pretas pretende demonizar uma parte do agronegócio brasileiro.

Seria uma linha parecida com o joelhaço de Macron. Se os interessados do lado de cá se derem conta de que chamá-los de protecionistas é um elogio, o Brasil poderá sair bem da COP.

(Faça-se de conta que não interessam as dificuldades logísticas de Belém para receber uma reunião desse tamanho. Se o governo começar a trabalhar esse assunto hoje, elas poderão ser superadas.)

O recurso emergencial da Lei Paulo Gustavo foi transferido pelo Ministério da Cultura em julho de 2023, porém, encontra-se dormindo na conta corrente da prefeitura de Jeremoabo

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O descumprimento da Lei Paulo Gustavo em Jeremoabo é uma situação grave que tem gerado descrédito, desconfiança e indignação na classe artística. O governo Federal repassou os recursos para incentivar a cultura local, mas a secretária de educação com o aval do prefeito não pagam.

O recurso emergencial da Lei Paulo Gustavo foi transferido pelo Ministério da Cultura em julho de 2023, porém, encontra-se dormindo na conta corrente da prefeitura de Jeremoabo. Isso significa que os artistas e produtores que foram selecionados no edital da lei ainda não receberam os recursos que deveriam receber para realizar seus projetos culturais.

Essa situação é injustificável e precisa ser resolvida o quanto antes. Os artistas e produtores são os mais prejudicados, pois estão impedidos de realizar seus projetos e gerar renda para si e para suas famílias.

É importante ressaltar que os artistas e produtores também são responsáveis por cobrar o cumprimento da Lei Paulo Gustavo. Eles já deveriam ter protocolado representações no Ministério Público Federal (MPF) para pressionar a prefeitura de Jeremoabo a liberar os recursos.

A seguir, são apresentadas algumas ações que os artistas e produtores podem tomar para cobrar o cumprimento da Lei Paulo Gustavo em Jeremoabo:

  • Protocolar representações no MPF e na Controladoria Geral da União (CGU);
  • Realizar manifestações públicas, como protestos e passeatas;
  • Contatar a imprensa para divulgar o caso;
  • Entrar em contato com os vereadores e deputados da cidade para pressionar a prefeitura.

É importante que os artistas e produtores se unam e ajam juntos para cobrar o cumprimento da Lei Paulo Gustavo. Essa é uma luta importante para a cultura local e para a democracia brasileira.

Observe o extrato de pendência do município de Jeremoabo perante o Tesouro Nacional, os vereadores devem cobrar explicações e encaminhar denúncias ao TCM e Ministério Público

 

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Nota da redação deste Blog -  É lamentável que a Prefeitura Municipal de Jeremoabo continue agindo de forma irregular, colocando em risco a transparência e a lisura na gestão dos recursos públicos.

Prefeitura não encaminhou relatório de transparência com recursos públicos,  o não envio do relatório de transparência, conforme determina a lei, é uma grave irregularidade que impede a população de acompanhar a aplicação dos recursos públicos. Isso pode levar a desvios de verbas, desperdícios e ineficiência na gestão pública.

A falta de transparência na gestão pública é um problema que afeta todos os cidadãos. O Tesouro Nacional é o responsável por encaminhar os recursos financeiros para os entes federados, municípios e estados, oriundos de repasses como FPM, convênios e emendas. Para que o município possa firmar novos convênios para investir em obras, saúde, educação, esporte, cultura e outras áreas, é necessário estar regularizado com o Tesouro Nacional


  • O povo deve entrar em contato com os vereadores e representantes da prefeitura para cobrar explicações e ações para resolver o problema, inclusive protestar contra a falta de transparência;
  • Encaminhar denúncias ao TCM-BA e outros órgãos de controle;
  • Divulgar a situação da prefeitura nas redes sociais e outros meios de comunicação.

A participação da sociedade é fundamental para garantir que os gestores públicos cumpram a lei e atendam às demandas da população.

Judiciário fecha cerco a Bolsonaro e mantém protagonismo político




STF, que vem prorrogando inquéritos permanentemente, reembaralha as cartas todo o tempo

Por César Felício (foto)

A operação da Polícia Federal que teve como alvo o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos) foi desencadeada horas depois do lance inaugural do clã para as eleições desse ano, uma "superlive" (expressão deles) de Carlos, do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por coincidência, transmitida da mesma casa em Angra dos Reis (RJ) de onde o patriarca e Carlos foram encontrados durante o mandado de busca e apreensão.

Essa circunstância, em um primeiro momento, energiza a base eleitoral da extrema-direita no Brasil. Assim como acontece com a de Donald Trump nos Estados Unidos, também sob cerco judicial. Assim como aconteceu com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi preso em 2018.

Como “Carluxo” sabe de cátedra, o eleitor capturado por uma liderança carismática seleciona os fatos nos quais acredita. Só ganha o selo de verdade aqueles acontecimentos que coincidem com suas vontades.

O problema são as consequências objetivas que podem surgir depois de vencido o curto prazo. Lula não pôde concorrer em 2018 e Bolsonaro está inelegível. Uma condenação judicial ou mesmo prisão de Trump nos Estados Unidos tende a inviabilizar sua eleição. O vereador Carlos Bolsonaro não dispõe de foro privilegiado e uma condenação tende a interromper sua carreira política ao menos por um tempo, dentro de médio ou longo prazo. Além do caso Abin ser potencialmente muito mais letal para o grupo político do que outros escândalos.

Bolsonaro, seus aliados e seus familiares são suspeitos de aparelhar o Estado para perseguir inimigos políticos, fazer proselitismo e obstruir a Justiça. É difícil imaginar algo mais grave. Perto disso a venda de relógios recebidos de presente torna-se um episódio minúsculo. No caso dos dados que teriam sido obtidos ilicitamente da Abin, é possível que estejamos diante de um “smoking gun”, algo que não se tem na outra grave suspeita que envolve o ex-presidente, que é a de ter tentado um golpe de Estado para não passar o poder para seu adversário.

A ação dessa segunda-feira contra Carlos também demonstra que a Lava-Jato pode ter terminado, mas o Judiciário continua caindo como uma lâmina no cenário político. O Supremo Tribunal Federal, com os inquéritos que toca sendo permanentemente prorrogados, reembaralha as cartas todo o tempo.

Por isso mesmo entre aliados de Lula a ofensiva do Judiciário contra seus opositores é vista com uma ponta de apreensão há algum tempo. “Pau que dá em Chico dá em Francisco”, comentou recentemente um veterano dirigente do PT.

Valor Econômico

  

Ramagem, Carlos Bolsonaro e a arapongagem institucionalizada




Alexandre Ramagem, Carlos Bolsonaro

Não se trata de “perseguição à oposição”, “vingança” ou qualquer classificação vitimizadora que a narrativa bolsonarista busque impingir. 

Por Guilherme Macalossi 

Ninguém pode se surpreender com as recentes operações da Polícia Federal, primeiro contra o deputado Alexandre Ramagem e, mais recentemente, contra Carlos Bolsonaro, o filho 02 do ex-presidente. Não se trata de “perseguição à oposição”, “vingança” ou qualquer classificação vitimizadora que a narrativa bolsonarista busque impingir para deslegitimar a necessária investigação sobre o suposto uso indevido do aparato tecnológico e dos serviços de inteligência que deveria servir apenas o Estado.

O próprio termo “Abin paralela” não é novo. As buscas e apreensões, bem como o conteúdo da investigação contra Ramagem, que foi diretor da agência entre 2019 e 2022, apenas materializam as declarações dadas por Gustavo Bebbiano ao programa Roda Viva em 2020, quando cunhou a expressão ao relatar a ocasião em que Carlos Bolsonaro apareceu “com o nome de um delegado federal e três agentes, que seria uma Abin paralela”. Segundo o ex-ministro, que morreu pouco tempo depois, essa ideia surgiu da “paranoia familiar de não confiar em ninguém”.

O que se evidencia, entretanto, é que a simples “paranoia” não limitou as atribuições dessa organização secreta incrustada na estrutura pública. Mais do que apenas municiar o clã com informações ilegais, as investigações apontam para uma rede de monitoramento que vigiou cerca de 30 mil pessoas, dentre elas autoridades que os Bolsonaro tomavam como “inimigos”, caso de Alexandre de Moraes, Rodrigo Maia e Gilmar Mendes.

“Sistemas de informações: o meu funciona. O meu particular funciona. Os ofi… que tem oficialmente, desinforma. E voltando ao … ao tema: prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho”, chegou a dizer o ex-presidente durante a malfadada reunião ministerial de abril de 2020. Aquela mesmo que foi usada por Sergio Moro como prova de que Bolsonaro queria intervir na Polícia Federal.

Em entrevista para a rádio Jovem Pan, o ex-presidente, disse que o objetivo da operação deflagrada contra Ramagem e seu filho era “esculachar”, e tentou justificar o que seria a sua “inteligência particular”: “Eu tinha minha inteligência particular. O que é a minha inteligência? Não é um braço da Abin. Não é um braço da PF. Ninguém. A minha inteligência particular são as pessoas que eu conheço não só no Brasil como ao redor do mundo. Sempre que algo acontece, eu ligo para essas pessoas”, falou.

Nas últimas duas semanas, em que se seguiram as buscas e apreensões no âmbito da operação “Vigilância Aproximada”, sedizentes liberais condenaram as investigações e as ações tendo parlamentares da oposição bolsonarista como alvo. Mas isso é desviar a atenção com falsa polêmica para o que é realmente alarmante, e, em certa medida, até inédito na história recente do Brasil: uma agência de inteligência posta para arapongar todo e qualquer indivíduo que seja identificado como alvo de um grupo político. Um aparato que, se comprovado, será digno de regime policial.

Gazeta do Povo (PR)

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