sexta-feira, outubro 20, 2023

O terror não precisa vencer o inimigo, basta humilhá-lo pela impotência e pelo desespero

Publicado em 19 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

Palestino carrega corpo de criança morta em ataque aéreo israelense contra Khan Yunis no sul da Faixa de Gaza

Palestino carrega criança morta durante um ataque israelense

Dorrit Harazim
O Globo

Em tempos de precipício, alguma clareza ajuda: não pode haver espaço para relativizar a barbárie do terrorismo islâmico. Ela é absoluta e implacável. Nosso compasso humano não precisa saber se os bebês judeus foram degolados, carbonizados ou fuzilados pelos atacantes para nos situar como humanos.

De início, a matança espetaculosa desencadeada pelo Hamas contra Israel na manhã do último dia 7 não conseguiu desencadear uma guerra com mais atores. Foi, essencialmente, um atentado terrorista de crueldade máxima contra o maior número possível de judeus.

OBJETIVO ALCANÇADO – Planejado e executado com ferocidade calculada pelo Hamas (acrônimo, em árabe, de Movimento de Resistência Islâmica, a entidade controladora dos 2,3 milhões de palestinos de Gaza), o ataque conseguiu o que pretendia: aterrorizar os civis, humilhar os militares e atrair as Forças Armadas do governo de Benjamin Netanyahu para o ardil de uma invasão ao enclave palestino.

Os 36 artigos da fundação do Hamas, criado em 1987, a que foram acrescidos outros 42 elaborados em 2017, deixam tudo às claras, por escrito — a necessidade de obliteração total de Israel, o estabelecimento de um Estado palestino teocrático do Mar Mediterrâneo até o Rio Jordão, a proibição de qualquer negociação, iniciativa internacional ou proposta de acordo, a purificação de crianças pela sharia, a conformidade obrigatória à lei islâmica da idealizada nação. O futuro e solução para o povo palestino seria um só, a qualquer preço: a jihad, guerra santa.

O poder do terror reside em fazer crer que é capaz do impossível. É a propaganda por meio do ato, a pedagogia por meio do assassinato — a propaganda e o produto.

SEM CONQUISTAS – Não precisa sequer vencer o inimigo, basta humilhá-lo por meio do horror, impotência e desespero que gera. É comum grupos terroristas não terem pátria nem precisarem de conquistas territoriais para se sentir vitoriosos.

Em 2001, os 19 jihadistas da Al-Qaeda que sequestraram quatro aviões comerciais, derrubaram as Torres Gêmeas, deixaram Nova York e Washington de joelhos e causaram a morte de mais de 3 mil civis aleatórios em pouco mais de uma hora não conquistaram 1 centímetro de terra. Não era seu propósito.

Tampouco imaginaram conseguir afundar o governo de George W. Bush e a sociedade americana em duas décadas de guerras de retaliação — ambas equivocadas, invencíveis e ruinosas, ambas com gritantes violações do Direito internacional. E ambas com crimes de guerra comparáveis aos atos do terror.

MANUAL DA GUERRA – Sim, também guerras têm um manual de regras. Ele vem sendo aperfeiçoado e frequentemente violado depois de cada conflito mundial. O recurso a armas químicas, o sequestro de civis, o genocídio, a execução de prisioneiros civis ou militares, ataques a populações não combatentes constituem alguns dos crimes de guerra ou contra a humanidade acordados pelas nações. Que não se aplicam a grupos terroristas, justamente por estarem fora de qualquer lei.

Mas o Hamas parece ter calculado com assustadora precisão como arrastar as Forças de Defesa de Israel, as temidas e invencíveis FDI, para o pântano de uma guerra suja em vielas espremidas de Gaza. Fez mais de uma centena de reféns entre jovens, crianças, famílias inteiras, idosos civis e militares, e os entocou no enclave para usá-los como escudo humano e abominável trunfo. Ainda é difícil saber o objetivo final do Hamas para além da matança-surpresa.

É fácil, em contrapartida, imaginar a prioridade para Israel: a erradicação, a qualquer custo, da capacidade tentacular do grupo extremista. Primeiro foi cortado o suprimento de água, luz, comida e possibilidade de vida à população de Gaza, sublinhada por dias e noites de bombardeios ferozes.

O ULTIMATO – Na sexta-feira, o ultimato para que 1,1 milhão de palestinos do Norte abandonassem tudo e fugissem para o Sul prenunciava o pior. O resgate dos reféns, a possibilidade de um corredor humanitário, o destino de estrangeiros sem porta de escape daquela terra condenada — era tudo incerteza. Cinquenta anos atrás, uma colossal ofensiva militar da Síria e do Egito também pegou Israel de surpresa. Foram 19 dias de combates ferozes que transformaram a cena política do país e da região. Golda Meir, chefe do governo trabalhista que erguera Israel das cinzas do Holocausto, renunciou ao cargo por não ter prevenido o duplo assalto. Deixou aos inimigos uma das frases mais profundas e amargas da História:

— Eu não os odeio por terem matado nossas crianças. Eu os odeio por terem me levado a matar as vossas crianças.

A causa palestina de um Estado independente, laico e de convívio com Israel precisa ser possível, precisa ser viável. Não é mais possível desviar o olhar do que está à nossa frente: um povo em busca de existência.

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Ao lado da Ucrânia, o Brasil já é um dos emergentes mais endividados, diz o FMI

Publicado em 19 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

pri-1405-gastos eixo capital -  (crédito: Caio Gomez)

Charge do Caio Gomez (Correio Braziliense)

Edla Lula
Correio Braziliense

O Brasil, ao lado da Ucrânia, é o terceiro país mais endividado entre os emergentes, segundo o relatório Monitor Fiscal, do Fundo Monetário Internacional (FMI). O documento, divulgado durante o encontro anual do organismo com o Banco Mundial, projeta que a dívida pública bruta do país vai ficar em 88,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023. Segundo o FMI, o indicador chegará a 96,2% do PIB em 2028.

De acordo com o documento, o Egito tem o maior endividamento bruto, correspondente a 92,7% do PIB. A vizinha Argentina, que passa por uma grave crise financeira, está em segundo lugar, com 89,5% do PIB.

RELAÇÃO PIB/DÍVIDA – O PIB equivale à soma de tudo o que é produzido no país em bens e serviços. Pelas previsões do Fundo, o brasileiro vai alcançar US$ 2 trilhões.

A relação dívida/PIB é usada pelo organismo para acompanhar a capacidade do país de honrar os compromissos com os credores. O relatório do FMI estima que o endividamento médio dos países emergentes vai ficar em 68,3% do PIB em 2023.

O documento observa que “a dívida pública global está substancialmente mais alta” e prevê que cresça consideravelmente mais rápido do que nas projeções pré-pandemia.

DÉFICIT PRIMÁRIO – Em relação ao resultado das contas públicas, o Fundo Monetário Internacional projeta que o governo central do Brasil terminará este ano com saldo negativo (déficit primário) de 1,2% do PIB.

A estimativa é melhor do que a previsão anterior, divulgada em abril, de deficit de 2%. Pelas projeções, as contas permanecerão negativas em 2024, com deficit de 0,2%, revertendo para superavit de 0,2% em 2025.

O relatório do FMI aponta que “as projeções fiscais para 2023 refletem a política (econômica) em vigor”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Lula prometeu mostrar que os livros de Economia estão ultrapassados, mas até agora, nada. E disse que “o dinheiro ia sai de onde está, para ser usado onde deveria estar”. A ideia é ótima, mas só funciona se houver dinheiro. Aliás, está faltando dinheiro e acabamos de pegar um empréstimo de U$ 1 bilhão no banco dos Brics, para ativar a economia, certamente sob esses critérios revolucionários inventados por Lula. (C.N.)   

Guerra de Gaza é vitória dos extremistas, que só se saciam aniquilando o inimigo

Publicado em 20 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

Guerra em Israel: Crianças feridas e centenas de mortos: as FOTOS do  bombardeio - Blog do Everaldo

As maiores vítimas do extremismo são sempre as crianças

Maria Hermínia Tavares

Há uma história por trás do massacre de israelenses pelo Hamas e da guerra terrível que certamente se seguirá à barbárie do 7/10. É a história do fracasso de uma saída negociada capaz de permitir a convivência de dois povos que consideram seu o mesmo pedaço de terra —uma derrota devastadora para todos quantos por ela se bateram e nela ainda acreditam.

Pelo menos duas oportunidades foram perdidas. A primeira, em 1947, quando os países árabes rejeitaram a proposta de partilha da Palestina. Em consequência, no ano seguinte, tentaram varrer do mapa o recém-criado Estado de Israel. É bom que se diga: os territórios então destinados aos árabes dali eram maiores do que os em disputa hoje.

SEGUNDA CHANCE – Em 1995, depois de duas guerras, anexações e múltiplos conflitos sangrentos, a segunda oportunidade surgiu com os Acordos de Oslo, que plantaram no horizonte a solução dos dois Estados, mediante a criação da Autoridade Palestina, passo inicial para o reconhecimento da sua completa soberania sobre Gaza e os territórios da Cisjordânia, sob ocupação israelense desde 1967.

Os acordos foram perdendo substância sob o ataque simultâneo da extrema direita israelense e dos fundamentalistas do Hamas. Saiu das fileiras dos ultras de Israel o assassino do premiê Yitzhak Rabin, a voz de seu país em Oslo.

Foram eles ainda que multiplicaram os assentamentos na Cisjordânia, inviabilizando um Estado palestino com território contínuo. E são eles, ao fim e ao cabo, o pilar do governo racista de Netanyahu.

MUITOS ÓBICES – De seu lado, por quase uma década os militantes do Hamas perpetraram ataques terroristas em solo israelense, minando a autoridade das lideranças moderadas dos dois lados. Com elas foi por sangue abaixo o já difícil esforço de construção de confiança mútua necessária à troca de territórios por paz.

Entre os muitos relatos do desalento que se seguiu ao fracasso de Oslo está o duro documentário “A Oeste do Rio Jordão”, do cineasta israelense Amos Gitai.

Os ultradireitistas religiosos têm no Hamas sua imagem espelhada. Uns e outros só se saciarão com o aniquilamento do inimigo.

IRMÃOS XIPÓFAGOS – Os radicais dos dois lados se equivalem, pois são igualmente fundamentalistas, autoritários, misóginos, homofóbicos —numa palavra, extremistas.

São eles os vitoriosos de hoje; é sua a responsabilidade por remeter a esperança de paz para um futuro remoto — e por despertar o antissemitismo mundo afora.

Entende-se o entusiasmo dos populistas de direita, em todo o mundo, com o radicalismo de Netanyahu. Mas a tolerância de certos progressistas com o terrorismo do Hamas é, no mínimo, sintoma de desorientação política e de perda de bússola moral.


Planos de saúde amargam crise agravada pelas “boas intenções” dos parlamentares

Publicado em 20 de outubro de 2023 por Tribuna da Internet

SOU+SUS: A saúde brasileira em charges - Planos de Saúde

Charge do Bier (Arquivo Google)

Hélio Schwartsman
Folha

Durante a pandemia, os planos de saúde se deram bem. Os gastos que tiveram com a Covid foram amplamente compensados pela forte redução da demanda por outros serviços. Pacientes atrasaram cirurgias eletivas e deixaram de procurar o médico, o que levou a uma diminuição momentânea nos novos diagnósticos de cânceres e outras doenças de alto custo.

É claro que não duraria para sempre. E não durou. A pandemia passou, a demanda reprimida explodiu, e a situação dos planos hoje é de crise. A maioria deles amarga prejuízo operacional, e vários já atrasam pagamentos a prestadores e reembolsos a clientes.

DUAS QUEIXAS – Planos obviamente não são santos. Há uma lista telefônica de táticas abusivas que eles usam sem pudor contra segurados. Mas há duas queixas dos administradores que procedem.

A primeira são as fraudes. Elas sempre existiram, mas, de uns anos para cá, foram profissionalizadas. Hoje há grupos especializados em extrair mais reembolsos, nem sempre devidos. A segunda é a generosidade de legisladores e reguladores, que estão sempre ampliando as coberturas e retirando restrições.

O Congresso derrubou o rol taxativo que fora reconhecido pela Justiça. Retiraram-se os limites para consultas com fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos etc.

PAGAR O PREÇO – Não há nada errado em ampliar coberturas, desde que se aceite pagar o preço por isso. Mas nem todos podem. As mensalidades sobem bem mais do que a inflação, e é crescente o número de jovens que, confiando na própria juventude, opta por não contratar um plano. Não é uma decisão irracional, já que podem contar com o SUS.

O problema é que isso cria uma seleção adversa. As pessoas com mais problemas de saúde fazem de tudo para manter seu plano, enquanto as mais saudáveis arriscam a sorte.

Isso faz com que a sinistralidade aumente, o que torna os planos ainda mais caros, num complicado círculo vicioso.

Mantidas essas premissas, não há como dar certo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente análise de Hélio Schwartsman. Na prática, o direito constitucional à vida se divide entre os que têm plano de saúde e os que dependem do SUS, no qual um exame de sangue ou um simples raios-X pode demorar três meses nos postos de saúde, acredite se quiser. Apenas na emergência o atendimento anda mais rápido, porém a fila é grande, dá no mesmo. Acredito que um país somente seja democrático quando o serviço de assistência médica for igual para todos. Na educação, a mesma coisa. Quando não há oportunidades iguais para as crianças, a democracia não existe na prática. É só conversa fiada. (C.N.)


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A vida interrompida sob o inútil fogo cruzado nas favelas do Rio

 

A vida interrompida sob o inútil fogo cruzado nas favelas do Rio


Andrezza pede para eu ligar mais tarde; está colocando o filho para dormir a soneca da tarde. Há dez dias, Raí, 4 anos, está sem aulas, assim como outras 17 mil crianças e adolescentes que estudam na Maré. Desde que começou a mais recente operação policial, em 9 de outubro de 2023, 44 escolas fecharam na região, onde vivem 140 mil famílias. Só neste ano, já são 20 dias sem aulas. 

A situação é pior para Lua, 7 anos, que está em fase de alfabetização: sua escola fica em Ramos, fora da Maré, e por isso não para por causa de mais uma operação policial, mas não há como levá-la ao colégio. “Ela me diz todos os dias: ‘Mãe, eu não aguento mais ficar sem ir na escola’”, conta Andrezza, igualmente angustiada. “As provas dela estão chegando, ela sente que está ficando defasada porque foi uma semana intensa de leitura e ela está perdendo”. 

Pergunto se ela não vai à escola porque os acessos da Maré estão fechados, mas a resposta de Andrezza me pega como um soco. “A gente não tem como sair porque é muito perigoso. Mesmo nessa operação, que não está tendo um número tão grande de vítimas, tem confronto. Agora, por exemplo, está tendo um tiroteio”. 

“Agora, enquanto você está falando comigo?”, insisto. Ela confirma: “Sim. Agora. Estamos fechados em casa. Eu, as duas crianças e o meu marido, nós dois sem poder trabalhar. É isso, a gente fica com a renda completamente comprometida e com as crianças muito estressadas, porque eles ouvem né? É muito pesado para eles, enfrentar essa realidade assim tão pequenos”.

De acordo com dados do Fogo Cruzado, 268 crianças e adolescentes foram mortos em operações policiais no Rio nos últimos sete anos. 

Andrezza Paulo, 28 anos, mora na Maré desde os 7 anos de idade. Para se graduar em Comunicação Social na Universidade Federal Fluminense (UFF) teve que superar muitos obstáculos, inclusive operações policiais que várias vezes a impediram de ir às aulas, como vê se repetir com seus filhos. Em 2014, quando a Maré foi ocupada pelo Exército, sua família assistia a um jogo do Brasil na Copa do Mundo em um restaurante, quando a avó, então com 67 anos, levou um tiro de borracha de um soldado. “Foi no dia do 7 a 1 para a Alemanha. Um dos soldados cismou que um dos rapazes que estava assistindo o jogo estava olhando pra ele, ficou aquela briga e ele simplesmente começou a atirar para todos os lados e pegou na minha avó. Ela tem a marca do tiro na barriga até hoje. Isso em um restaurante cheio de gente, com meus sobrinhos de 6 anos, na mesa”, diz, com indignação na voz. 

Hoje ela trabalha no Maré de Notícias, jornal comunitário que também ficou impedido de circular durante a operação policial. A publicação faz parte da Redes da Maré, organização fundada em 1997 por moradores e ex-moradores com diversos projetos educacionais e de cidadania, incluindo o monitoramento da violência nas operações policiais e assistência jurídica para os moradores. A entidade também está entre aquelas que se mobilizaram pela ADPF 635, a ADPF das Favelas, ação no STF que em 2020 suspendeu as operações policiais nas favelas durante a pandemia e conseguiu decisões favoráveis da Corte para garantir o direito dos moradores nas ações policiais.

De sua vivência na comunidade ao estudo dos dados dessas operações, Andrezza tem uma certeza: as operações policiais trazem apenas sofrimento para os moradores da Maré. “Com a ADPF 635, algumas violações diminuíram bastante. As operações que eram sanguinárias, vamos colocar assim, diminuíram absurdamente, são pontuais. Antes da ADPF pelo menos uma vez ao mês tinha uma operação que levava no mínimo três, quatro, cinco mortes. Agora tivemos uma pessoa morta na operação. Mas o Bope continua a entrar sem câmera nos uniformes, apesar da decisão do STF”, aponta, ecoando as denúncias registradas pelo jornal em que trabalha. “E a constância dessas operações, hoje é o sexto dia de operação em dez dias no mês, atrapalha muito também. Porque efetivamente não é uma operação de sucesso. Eles nem chegam perto dos chefões do crime organizado, enquanto os chefes de família ficam sem trabalhar. Meu marido tem uma barbearia que ele não pode abrir, assim como os muitos empreendedores, e estamos falando de empreendedores de necessidade. Qual é o foco dessas operações?”, questiona.

Sem controle externo da polícia, iniciativas como a Redes de Maré, que acompanham as operações in loco, coletam dados e documentam denúncias acabam funcionando como “um sinal para as autoridades de que tem gente olhando”, como diz o professor da UFF, Daniel Hirata, doutor em Sociologia e pesquisador do Núcleo de Estudos de Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

“Já faz 40 anos que, de forma mais ou menos ininterrupta, as operações policiais são o principal instrumento de ação pública na área de segurança do Rio de Janeiro. Nós já mostramos em diversos relatórios que a maior parte dessas operações são absolutamente ineficientes tanto para o controle da criminalidade comum como da criminalidade organizada”, explica o pesquisador, acrescentando que os relatórios também demonstram “que há um direcionamento muito maior das operações policiais para o tráfico de drogas do que para as milícias”. 

Para Hirata, as operações continuam “porque são ações de alta visibilidade, espetaculares, que transmitem a ideia de que se está combatendo o crime”. “Elas têm um apelo comunicacional e portanto um retorno do ponto de vista político-eleitoral que é bastante importante. Isso me parece a grande eficácia das operações policiais”, aponta.

O mais triste é que o país já tem estudos e pesquisadores para propor um modelo mais humano e eficaz de segurança pública. “Eu estava conversando com um epidemiologista outro dia, e ele estava falando como se conseguiu erradicar rapidamente tantas doenças no Brasil com decisões acertadas e políticas públicas eficientes. Na área de segurança é a mesma coisa. Não adianta insistir em operações policiais que não atingem os dois pilares de sustentação dos grupos armados: sua base econômica, os negócios, e o amparo político que sustenta a existência desses grupos. Tem maneiras muito mais eficientes de combater a criminalidade, sem impactar tanto a vida, a saúde, a educação e a renda das comunidades”, afirma. 

Enquanto isso, no sétimo dia de operações na Maré, Andrezza e seus filhos continuam trancados em casa, entre tiros e sonhos partidos. “A gente tem que manter a cabeça fria mesmo muito preocupados porque não tem nenhuma previsão de quando isso vai acabar”, ela me disse. “Já vai ser muito difícil de recuperar esse tempo que nós estamos sem trabalhar, as crianças sem estudar em época de provas na escola, eu fico pensando também em quem tem filhos no Ensino Médio, com o Enem batendo na porta. É o futuro que se perde, não tem como recuperar”. 

 



Marina Amaral
Diretora executiva da Agência Pública

marina@apublica.org

Em Jeremoabo até a fonte da Rosa Mística secou, que (des)governo é esse?

.


É lamentável que o governo atual de Jeremoabo esteja sendo marcado pela demolição, corrupção, nepotismo e destruição. Os relatos sobre o estado das escolas e colégios, do Parque de Exposição, do Parque Infantil da Praça do Forró e da fonte luminosa da Praça da Rosa Mística são preocupantes.

A demolição do Parque de Exposição foi um ato de vandalismo que destruiu um patrimônio histórico e cultural da cidade. O Parque Infantil da Praça do Forró também foi desmanchado de forma inconsequente, deixando as crianças sem um espaço de lazer seguro. A fonte luminosa da Praça da Rosa Mística, que era um cartão-postal da cidade, está agora seca e suja, com peixes mortos e mosquitos.

O nepotismo é outra grave acusação que pesa contra o governo atual. A nomeação de parentes e amigos do prefeito para cargos públicos é uma forma de desvio de recursos e de privilégios.

É importante que a população de Jeremoabo se mobilize para exigir que o governo atual tome medidas para resolver esses problemas. É preciso que o prefeito seja responsabilizado por sua gestão desastrosa.

Aqui estão algumas sugestões de ações que a população pode tomar:

  • Realizar manifestações e protestos contra o governo atual, inclusive dando a resposta nas próximas eleições.
  • Solicitar audiências com o prefeito e com os vereadores, inclusive dando todo apoio aos Neguinho de Lié e todos os vereadores da oposição.
  • Enviar e-mails e cartas de reclamação para os órgãos Públicos, a exemplo do TCU, TCM-BA, Ministério Público Federal,  Polícia Federal  e CGU.
  • Divulgar nas redes sociais as denúncias sobre a gestão do governo atual.

É importante que a população se faça ouvir e que exija que o governo atual seja responsável pela gestão da cidade.

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