domingo, novembro 27, 2022

Tarifa zero nos ônibus avança no país e é debatida por equipe de Lula

 

Tarifa zero nos ônibus avança no país e é debatida por equipe de Lula

por Rafael Balago | Folhapress

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Foto: Divulgação / GOVBA

Em 2022, a ideia de tirar a cobrança do transporte público ganha impulso no Brasil. Além de o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciar que analisa a ideia, dezenas de pequenas cidades passaram a adotá-la e o tema é debatido pela equipe de transição do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
 

"O presidente Lula pode dar apoio a essa ideia. Joguei o tema para ser debatido no grupo de trabalho das cidades. Meu papel é ajudar a convencê-lo da necessidade do direito de ir e vir. Assim como a população tem acesso à saúde gratuita e universal, acesso à educação, precisa ter acesso ao transporte", diz Jilmar Tatto (PT), deputado federal eleito por São Paulo e que integra a equipe de transição de governo.
 

Ex-secretário municipal de Transportes de São Paulo, Tatto defende a criação de um sistema integrado de mobilidade, a exemplo do SUS com a saúde, em que o governo federal possa enviar recursos para ajudar as cidades a melhorar a estrutura de transportes. Esse sistema incluiria a adoção de tarifa zero.
 

Uma das questões que poderiam ajudar no avanço da proposta, e que precisa ser resolvida na alçada federal, é a do vale-transporte. Hoje, as empresas pagam o benefício só aos funcionários que usam ônibus e trens. Uma das ideias para custear o passe livre é mudar o modelo: as companhias passariam a pagar ao governo uma taxa de transporte para todos os funcionários, sendo que o valor por empregado seria menor do que o gasto atual com o VT. Assim, haveria um aumento de arrecadação, pois, espera-se, mais empresas passariam a contribuir.
 

"Isso deve reduzir os custos das empresas que pagam muito VT e aumentar os das que pagam pouco, como os escritórios de advocacia, onde muita gente vai de carro", avalia Sérgio Avelleda, coordenador do Núcleo de Mobilidade Urbana do Insper e ex-secretário estadual de Transportes de São Paulo.
 

Os especialistas consideram que poderia se criar uma cesta de várias fontes de recursos para custear a ideia, como verbas de cobrança por estacionamento na rua, pedágio urbano, transferências federais e venda de certificados de potencial construtivo.
 

Até hoje, nenhuma grande metrópole adotou tarifa zero de forma completa, sobretudo porque os custos de manter um sistema para transportar milhões de pessoas por dia são muito elevados. A cidade de São Paulo gastou, em 2021, R$ 3,3 bilhões em subsídios para a rede de ônibus, fora o valor pago pelos passageiros.
 

A capital paulista, no entanto, já foi pioneira em outras mudanças no transporte. Em 2004, lançou o Bilhete Único, que permite mais de uma viagem com uma só cobrança, em determinado período. A mudança abriu mais possibilidades de deslocamento aos usuários, especialmente das periferias.
 

Quando o Bilhete Único foi integrado ao metrô, alguns anos depois, o total de passageiros nos vagões teve forte alta, mostrando que havia uma grande demanda reprimida pelo transporte.
 

Cidades que estão adotando agora a tarifa zero no Brasil também registram forte procura. Em Caucaia (CE), a cobrança foi abolida em agosto de 2021. Desde então, o total de viagens de ônibus passou de cerca de 500 mil para mais de 2 milhões mensais
 

"É uma transferência direta de renda para a população, que pode usar o dinheiro que gastaria no transporte em outras coisas, movimentando a economia da cidade", diz Vitor Valim (sem partido), prefeito de Caucaia, que tem 360 mil habitantes.
 

Valim diz que o transporte consome 3,6% do Orçamento e que fez arranjos nas contas municipais para acomodar o gasto, sem criar novas taxas. "Com vontade política, é exequível", considera.
 

Segundo a NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), há 51 cidades no país com projetos ativos de passe livre no Brasil, a maioria no Sudeste (35).
 

No estado de São Paulo, são 17, entre as quais Holambra, Ilha Solteira, Pirapora do Bom Jesus e Presidente Bernardes. Em Ribeirão Pires, a gratuidade vale só aos domingos e feriados. O segundo estado com mais iniciativas é Minas Gerais, com 12.
 

No Paraná, a cidade de Paranaguá, com 157 mil habitantes, adotou a medida em março. Os moradores e trabalhadores da cidade tiveram de fazer um cadastro para ter direito ao benefício.
 

Paranaguá tentou criar uma nova taxa sobre as empresas para custear a mudança, de R$ 50 por funcionário, mas a medida foi barrada pela Justiça. A cidade então passou a bancar as passagens com recursos já existentes, como os obtidos com publicidade nos ônibus. As empresas continuaram a ter de pagar VT para os colaboradores. O dinheiro vai para o caixa da prefeitura.
 

Em Maricá (RJ), a transição rumo à tarifa zero foi mais longa. O processo começou em 2013. A prefeitura optou por criar uma autarquia, a EPT, para implantar a gratuidade. A empresa começou com frota e motoristas próprios, mas hoje também contrata empresas para operar as linhas gratuitas.
 

No entanto, o serviço grátis foi lançado ao mesmo tempo em que outras, cobradas, continuavam operando. Isso levou os operadores dos ônibus pagos a entrar na Justiça para questionar a mudança, gerando um embate que se resolveu só em 2020, quando os contratos de concessão terminaram. A isenção de tarifa é bancada com recursos de royalties do petróleo.
 

Entre 2021 e 2022, Maricá ampliou a frota de 50 para 115 ônibus. No mesmo período, o total de passageiros se multiplicou, de 40 mil para 120 mil por dia.
 

"Antigamente, quem morava num certo distrito não conhecia os outros distritos da cidade, porque não tinha dinheiro para o deslocamento. A economia não girava. Agora, pode-se ir a qualquer área do município, o que melhora muito o desenvolvimento das regiões", afirma Claudio Haddad, presidente da EPT de Maricá.
 

Já entre as capitais, apenas São Luís (MA) tem um piloto de tarifa zero, oferecida em uma região da cidade e para funcionários do comércio, a partir das 21h, desde outubro do ano passado.
 

Para as empresas de ônibus, a isenção não traria problemas, porque as prefeituras podem remunerar os empresários pelos km rodados por cada ônibus, em vez de pagar por pessoa transportada, como é hoje.
 

Como o número de passageiros teve forte queda com a pandemia, as empresas que tinham o valor da passagem como principal fonte de renda passaram a ter dificuldades. Elas geralmente não podem aumentar a tarifa sem aval da prefeitura, e o custo político de subir os preços, como 2013 mostrou, pode ser alto. Assim, houve casos no interior do país em que empresas desistiram de operar as linhas, deixando as cidades sem transporte.
 

"Uma coisa é a tarifa cobrada do usuário, e outra é a tarifa de remuneração das empresas. A nossa preocupação é ter garantias de que a remuneração dos custos operacionais terá continuidade", diz Marcos Bicalho, diretor da NTU. "É importante primeiro trabalhar nas fontes de recurso para depois implementar a política."
 

"Muitas cidades estão dando subsídio [para as empresas], mas a população não sente diferença. Com a tarifa zero, há transparência para o público e previsibilidade [de receitas] para as empresas", diz Valim, de Caucaia.

Vídeo: Manifestante golpista convoca atiradores para protesto no quartel do Exército


por Redação

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Foto: Reprodução Redes Sociais

Um manifestante golpista usou um palco instalado em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília para convocar atiradores e caminhoneiros para protestos na capital do país. As informações são do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

 

Em vídeo gravado no sábado (26), o manifestante, que se identifica como Milton Baldin, do município de Jurena (MT), instiga grupos de bolsonaristas a se insurgir contra a diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 19 de dezembro.

 

No registro, o bolsonarista diz para empresários do agro liberarem os caminhoneiros por, ao menos, 15 dias, para participarem dos protestos. Ele convoca colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) para “mostrarem presença”, além daqueles com “armas letais”. “Se nós perdermos essa batalha, o que vocês acham que vai acontecer dia 19? Vão entregar as armas? E o que eles vão falar? ‘Perdeu, mané?'”, disse.
 

O manifestante termina o discurso com a Bandeira do Brasil em mãos, dizendo: “Esta bandeira até pode ser vermelha, mas com meu próprio sangue”.

 

Os protestos em frente aos QGs de diversas partes do país começaram após 30 de outubro, quando Jair Bolsonaro (PL) perdeu as eleições em segundo turno para Lula.

 

Bahia Notícias 

Rodrigo Maia processa casal bolsonarista que o hostilizou em hotel da Praia do Forte

domingo, 27/11/2022 - 17h20

por Redação

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Foto: Reprodução Redes Sociais

O deputado federal e ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (PSDB-RJ) pediu à Polícia Civil da Bahia que investigue o casal bolsonarista que o hostilizou no Tivoli Ecoresort, localizado na Praia do Forte, litoral norte, por stalking. Em outra frente, o congressista requereu à Justiça que os condene por injúria e difamação pelas ofensas que recebeu em público. As informações são da colunista Bela Megale do jornal O Globo.

 

Os ataques aconteceram no último dia 20 quando Maia e sua companheira, a advogada Vanessa Canado, foram abordados no café da manhã por Hélio Camargo Junior e Tamara Renno. Enquanto usava um celular para filmar os ataques, Hélio desferiu diversos xingamentos, como:"ladrão" e "filho da p*uta". Os dois bolsonaristas foram identificados a partir de dados fornecidos pelo hotel, após o registro de ocorrência policial.

 

Maia e sua companheira pediram que o casal lhes desse licença e parassem com as ofensas, sem sucesso. O deputado reagiu fazendo a letra“L” com a mão, em referência ao presidente eleito Lula da Silva, que venceu Bolsonaro nas eleições deste ano, com seu apoio. 

 

No pedido de investigação, Maia afirma que a abordagem “intimidatória e agressiva” contra a sua integridade e a da companheira “desencadeou uma onda de xingamentos generalizados, a qual foi registrada em mais e mais vídeos”. 

 

Logo após o episódio, os próprios agressores divulgaram as imagens em redes sociais. “Dessa forma, os autores do fato intensificaram perseguição contra as vítimas, dessa vez atacando-as não mais presencialmente, mas por meio dessa divulgação dos vídeos, tudo para mantê-las em constante estado de abalo psicológico”, dizem os advogados de Maia, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, na peça enviada à polícia.

 

O crime de stalking foi incluído na legislação brasileira no ano passado e consiste em perseguir alguém reiteradamente e por qualquer meio (inclusive pela internet, o que se designa como cyberstalking), “ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade”.

 

“O presente caso, como visto, ao que tudo indica, trata de ambos os casos de stalking, tanto presencial quanto virtual, na medida em que os ataques se iniciam pessoalmente, mas são renovados com a divulgação dos vídeos e posterior desencadeamento proposital de onda de compartilhamentos”, afirma a defesa de Rodrigo Maia.

 

Os advogados do parlamentar também enviaram uma queixa-crime ao Juizado Especial Criminal de Mata de São João, na Bahia na qual pedem a abertura de uma ação e a condenação dos bolsonaristas por injúria e difamação. No documento, Maia afirma que a abordagem foi desproporcional e extrapolou os direitos à crítica e à opinião.

 

Hélio Camargo Junior é sócio de três empresas, segundo os registros públicos da Receita Federal. Duas delas estão na lista da Dívida Ativa da União, com débitos tributários superiores a R$ 1 milhão. Em uma terceira empresa, ele é sócio de um empresário que foi condenado, em 2017, a três anos e meio de prisão por crime contra a ordem tributária. Em 2019, a empresa foi considerada inapta pela Receita Federal, por omissão de declarações.

Bahia Noticias

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Kassab será homem-forte de Tarcísio, já preparando o PSD para a sucessão de Lula em 2026

Publicado em 27 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

Kassab ao lado de Tarcísio durante o anúncio da chapa do PSD com o Republicanos em SP

Kassab desprezou Lula e Bolsonaro, para colar em Tarcísio

Igor Gielow
Folha

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, será o secretário de Governo da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. A indicação, revelada pela Folha, marca a volta formal do cacique a um posto no Executivo desde que passou quase dois anos licenciado da Casa Civil do ex-governador João Doria (ex-PSDB, hoje sem partido), cargo que não chegou a ocupar.

O cargo no comando da Casa Civil será de Arthur Lima, aliado próximo de Tarcísio que trabalhou com ele no Ministério da Infraestrutura do governo de Jair Bolsonaro.

SERÁ ARTICULADOR – A indicação consolida Kassab como o principal articulador político de Tarcísio, um neófito na política sacado do ministério de Bolsonaro para ser o candidato do presidente no principal colégio eleitoral do país. A posição extraoficial já incomodava bolsonaristas do entorno do governador eleito.

Com efeito, Kassab tergiversou ao ser questionado sobre o caso na tarde de sexta (25). Disse que “não recebeu tal convite, mas que ficaria honrado” se o recebesse. Logo depois, em entrevista coletiva, Tarcísio confirmou o aliado e Lima no governo, confirmando o que havia revelado a Folha pela manhã, e anunciou Natália Resende numa supersecretaria unindo Infraestrutura, Meio Ambiente, Logística e Transportes.

O eleito só não quis cravar o cargo de Kassab. “Provavelmente” a Secretaria de Governo, disse. “Vai nos ajudar bastante na interface política, então considero um grande perfil.”

ÊXITO ELEITORAL – Na campanha, Tarcísio logrou ocupar o espaço no centro político e desalojou o governador Rodrigo Garcia (PSDB), ex-vice de Doria, da disputa do segundo turno. Ele ultrapassou todos os rivais e, na segunda rodada, bateu Fernando Haddad (PT) com 55,2% dos votos.

Toda a montagem do arcabouço político entre prefeitos do estado coube a Kassab, que havia apostado em Tarcísio quando viu sua ideia de levar Geraldo Alckmin para disputar o Bandeirantes pelo PSD fracassar: o ex-governador tucano agora é do PSB e vice-presidente eleito na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De toda forma, indicou o vice-governador eleito, Felício Ramuth (PSD), e agora cristaliza sua ascendência sobre a gestão estadual.

VELHA RAPOSA – Kassab é um dos mais experientes quadros políticos do país, com passagem pelo Legislativo e pelo Executivo. Foi vice-prefeito de José Serra (PSDB) em São Paulo (2006) e titular da capital de 2006 a 2012. Ocupou ministérios nos governos Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB).No governo Bolsonaro, manteve o PSD numa distância regulamentar, apoiando pontualmente ações congressuais.

Em entrevista à Folha após as eleições, ele afirmou que sua ideia agora era tornar a sigla uma referência na centro-direita e listou suas condições para apoiar o governo Lula, do qual acabou fazendo parte da transição.

Para Kassab, contudo, voltar a Brasília faz menos sentido do que focar em São Paulo, ainda mais com a turbulência política antecipada na transição de Lula. Tarcísio, mesmo não sendo ainda do PSD, está sob sua órbita política, e não há joia da coroa mais vistosa no país do que o governo paulista.

EQUILIBRAR AS DEMANDAS – Na entrevista, Kassab disse que não precisaria ser necessariamente um secretário de estado para ajudar seu aliado, e lembrou que tem outros ativos importantes pelo país, como o governo do Paraná ou a Prefeitura do Rio.

Na composição interna, contudo, o cacique terá a função de equilibrar as demandas de grupos bolsonaristas desalojados do poder em Brasília, dos ocupantes da máquina estadual durante quase três décadas de governos do PSDB e dos aliados técnicos de Tarcísio —como Lima, que foi diretor da Empresa de Planejamento e Logística da pasta do atual governador eleito.

O pessedista deverá deixar a direção nacional de sua sigla, mas não seu posto de principal líder do partido. Em 2018, ele havia sido indicado por Doria para chefiar a Casa Civil, mas às vésperas da posse foi objeto de uma operação da Polícia Federal que investigava doações consideradas suspeitas da empresa JBS entre 2010 e 2016.

MÁGOA DE DORIA – Kassab sempre negou quaisquer irregularidades, e, segundo ele, 80% dos procedimentos legais do caso já foram encerrados.

Seja como for, ele licenciou-se sem assumir, para evitar constrangimento a Doria.

Aliados dizem que ele nunca perdoou o ex-governador, que teve outros secretários envolvidos em casos considerados mais graves, por não tê-lo reintegrado quando começou a ter vitórias na Justiça. Kassab nega o mal-estar.

Após mais de 500 dias, deixou o governo e qualquer possibilidade de composição com o então tucano na eleição presidencial, que Doria nem chegaria a disputar, porque deixou a política e o PSDB após ter vetada no seu partido a postulação à candidatura presidencial.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Kassab enxerga longe e já está mirando as eleições de 2026, quando Tarcísio poderá se reeleger em São Paulo ou até tentar a Presidência, num outro quadro político de menor polarização. (C.N.)

Elon Musk sonha em ganhar mais dinheiro e quer cobrar 8 dólares/mês pelo Twitter

Publicado em 27 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

O empresário Elon Musk

Musk quer que o usuário pague para operar no Twitter

Pedro Dória
O Globo

Elon Musk é um gestor tão caótico que, em meio à confusão generalizada instalada no Twitter, fica por vezes difícil entender se ele tem alguma ideia do que está fazendo. Mas há pistas de que ele tem, sim, um projeto para a rede social. Sua aposta faz sentido, mas não deixa de ser uma aposta. E, do jeito que ele pretende implementá-la, há riscos.

O primeiro sinal está no serviço de assinatura. A oferta, a princípio, não parece de muito — oito dólares ao mês, sabe-se lá quanto será no Brasil, para ter em troca o selinho azul. Entra no jogo um quê a mais: os tuítes de assinantes pagos terão prioridade na hora de aparecer para quem frequenta a rede.

É UMA NOVIDADE – Nenhuma das grandes redes se baseia num modelo de assinaturas. Em geral, o principal sustento vem de publicidade. É, portanto, ousado. Além disso, o selo azul tinha outro motivo de existência. Foi inventado pelo próprio Twitter, à medida que vinha sendo povoado por gente com influência no debate público.

Servia para garantir, a quem lê, que aquela conta de fato pertence à pessoa ou empresa que assina. Certeza de autenticidade da origem é importante se estamos numa conversa que gera notícia, que tem impacto, que é relevante.

Pois é: o segundo sinal vem de tuítes soltos publicados por Musk. Ele afirmou que vê a plataforma como voltada para notícias grandes em tempo real. Insistindo no conceito, ordenou que toda a equipe do Twitter pusesse todo o foco, nestas semanas, na Copa do Mundo. O bilionário defende que, no universo digital, sua plataforma é e será cada vez mais o melhor local para acompanhar o que está acontecendo no planeta.

VICIAR O USUÁRIO – Juntas, as duas ideias fazem bastante sentido. Dão liga. O mal de origem da desinformação é um algoritmo que procura fazer com que os usuários não saiam nunca da rede. Se viciem. Fiquem voltando e voltando. O sistema procura o tipo de conteúdo que dá maior engajamento e isso, com frequência, é o que insufla rivalidades, mexe com emoções fortes, atiça preconceitos.

É um terreno fértil para políticos demagogos e para quem opera profissionalmente com a mentira. Ganham todos os que desejam uma sociedade artificialmente dividida.

As empresas de redes sociais não mudam esse algoritmo por uma única razão: vivem de publicidade. Precisam que as pessoas voltem muito, com frequência, sejam expostas a propaganda toda hora. No momento em que a empresa faz dinheiro com assinaturas mais que com anúncios, o algoritmo deixa de insuflar o frenesi. Ao contrário, vai querer fazer daquela uma experiência que traga valor real. E, se o objetivo é noticiar, credibilidade passa a ser importante.

ESTILOS DIFERENTES – No mundo da imprensa, já é assim faz muitas décadas. Jornais populares, que vivem da venda em banca um dia após o outro, carregam manchetes e fotos sensacionalistas. Os outros, que vivem de assinantes, precisam oferecer temperança e, claro, credibilidade.

O modelo que Musk tem em mente, portanto, faz sentido para o Twitter. É preciso ver, porém, se pode conviver com a ideologia do empresário por trás da Tesla e da SpaceX. Musk, como libertário, flerta abertamente com a extrema direita e vem trazendo de volta muita gente que foi expulsa por desinformar. Ele próprio dissemina teorias conspiratórias sem piscar. Quando o marido da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, foi atacado e ferido com gravidade, Musk tuitou: “Estava bêbado”. Não, não estava. Fake news da direita trumpista.

O modelo para a rede é bom. A dúvida é se terá chance diante da gestão caótica e da imaturidade política do CEO.

Alckmin descarta volta do imposto sindical e diz que reforma trabalhista será mantida

Publicado em 27 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin. — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Será que Alckmin está autorizado a dar essa declaração?

Ana Paula Castro e Elisa Clavery
TV Globo — Brasília

O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou neste sábado (26) que “não tem nenhuma reforma” aprovada em governos anteriores “a ser desfeita” pelo governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a partir do ano que vem.

Alckmin participou de evento promovido pela organização Esfera Brasil. Também compareceram ao o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas.

NENHUMA REFORMA – Ao ser questionado sobre a possibilidade de desfazer reformas aprovadas em governos anteriores, o vice-presidente respondeu: “Não tem nenhuma reforma a ser desfeita, nenhuma”.

Em seguida, Alckmin negou a volta da obrigatoriedade do pagamento, pelos trabalhadores, do imposto sindical. O pagamento é facultativo desde 2017, quando a reforma trabalhista foi aprovada.

“A reforma trabalhista é importante. Não vai voltar imposto sindical”, disse Alckmin, mas defendeu que é preciso ‘aprofundar’ a discussão sobre a proteção social de trabalhadores de aplicativos, como entregadores.

APROFUNDAR AS COISAS – “Nós estamos frente a uma questão de plataformas digitais, que precisam ser verificadas. Quando você tem um menino lá, entregador de lanche, que não tem descanso semanal, não tem saúde, não tem aposentadoria, não tem nada, é preciso aprofundar essas coisas”, declarou.

O vice-presidente eleito afirmou, ainda, que o ajuste fiscal será feito de forma permanente. “Podem acreditar, vai haver ajuste [fiscal]. E não em uma semana, vão ser quatro anos de ajuste porque você pode todo dia estar melhorando a eficiência do gasto público”, disse.

Alckmin defendeu, ainda, que “governar é escolher” e que há “muitas formas de fazer ajustes”.

CORTAR GASTOS – “Qual é a preocupação que a gente deve ter? Eu não vou gastar mais do que eu arrecado, então eu preciso cortar gastos. Eu vou cortar do salário mínimo? Eu vou fazer ajuste em cima de 71% dos aposentados e pensionistas do Brasil?”, questionou Alckmin.

Também presente no evento, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Bruno Dantas, defendeu um “equilíbrio” entre buscar novas fontes de receitas e cortar despesas.

“Se nós deteriorarmos de alguma maneira, ainda que não intencional, as regras fiscais, o efeito imediato será o Banco Central subir o juro. E olha que a taxa Selic talvez seja a última taxa que sobe”, disse Dantas.

BUSCAR O EQUILÍBRIO – “Temos uma dificuldade que precisa ser posta na mesa que é exatamente buscar o equilíbrio. E equilíbrio não é só buscar fontes de receita e nem é só conter avanço de despesas. É preciso mexer em cima, mexer embaixo e ver exatamente onde nós conseguimos chegar.”

Perguntado sobre quem irá assumir o Ministério da Fazenda, Alckmin respondeu que “cada coisa vem a seu tempo”. Como mostrou o blog da colunista Ana Flor, o nome do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad ganhou força. Em entrevista à Globo News, Haddad afirmou que a escolha cabe ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre as principais pastas que devem ser recriadas no novo governo estão a da Fazenda e a do Planejamento. Hoje, essas duas áreas estão unidas no Ministério da Economia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Alckmin tenta destruir o sonho dos petistas. A volta do imposto obrigatória é considerada essencial para reestruturar a chamada “República Sindicalista”, cuja viabilidade foi desfeita pelo Congresso no governo Temer. Sobre o assunto, Lula não demonstra a ênfase de Alckmin, mas é escorregadio e defende que a contribuição sindical obrigatória seja definida em assembleia dos trabalhadores de cada categoria. É claro que os trabalhadores sindicalizados vão aprovar, porque eles já pagam contribuições normalmente e apenas os não-sindicalizados é que passariam a também pagar, obrigatoriamente, uma circunstância que não é nada democrática. A questão vai dar um rolo danado no governo Lula, com toda certeza. (C.N.)

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