sexta-feira, setembro 16, 2022

Bolsonaro vai à Assembleia-Geral da ONU sem bilaterais relevantes na agenda




O presidente Jair Bolsonaro (PL) vai viajar na próxima segunda-feira (19) para Nova York, nos Estados Unidos, para participar da Assembleia-Geral das Nações Unidas, evento que reúne as principais lideranças do mundo e no qual, tradicionalmente, o Brasil faz o discurso de abertura.

Diferentemente de anos anteriores, porém, Bolsonaro não terá encontros em paralelo com chefes de governo de países da Europa Ocidental ou América do Norte, considerados de maior peso no cenário internacional.

Até o momento, estão confirmados encontros do brasileiro com o presidente do Equador, Guillermo Lasso; da Guatemala, Alejandro Giammatte; da Polônia, Andrzej Duda; e da Sérvia, Aleksandar Vucic. Bolsonaro também deve se reunir com o secretário-geral da ONU, o português António Guterres.

Em seu encontro com Guterres, Bolsonaro deve tratar da Guerra da Ucrânia, a crise alimentar no mundo e a recuperação das economias nacionais no período pós-pandemia. Outro tema central na conversa será a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas -a vaga permanente no colegiado é uma demanda antiga da diplomacia brasileira.

No ano passado, o presidente teve um encontro com o então primeiro-ministro do Reino Unido Boris Johnson às vésperas da abertura da Assembleia em Nova York. Na ocasião, trataram de programas de vacinação contra a Covid-19 e dos preparativos para a COP26, realizada posteriormente na Escócia.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil minimizou o significado da agenda, escassa em relevância devido à falta de encontros com chefes de governo de países com mais influência geopolítica.

O secretário de assuntos multilaterais políticos do Itamaraty, embaixador Paulino de Carvalho Neto, atribuiu a falta de nomes mais significativos no roteiro de Bolsonaro à incompatibilidade de agenda, uma vez que o presidente vai passar pouco tempo em território americano, e à possibilidade de que outras reuniões importantes ocorram na véspera, em Londres, durante o funeral da rainha Elizabeth 2ª -no qual também estarão presentes diversos líderes mundiais, incluindo Bolsonaro.

O encontro com o polonês Duda na edição deste ano da Assembleia-Geral repete uma agenda do ano passado.

Na ocasião, Bolsonaro se reuniu com o líder nacionalista e ultraconservador, conhecido por suas medidas contra a liberdade de imprensa e contra direitos da comunidade LGBTQIA+.

Em 2020, devido à pandemia do novo coronavírus, os líderes participaram do evento por videoconferência. No ano anterior, o primeiro de Bolsonaro na Presidência, estavam previstos encontros com Boris Johnson e os presidentes de Estados Unidos, Polônia, Colômbia, Peru, Ucrânia e África do Sul. No entanto, os encontros bilaterais foram todos cancelados, por recomendações médicas, já que o brasileiro havia passado por uma cirurgia dias antes.

Naquele ano, no entanto, Bolsonaro compareceu a um coquetel oferecidos a chefes de Estado e de governo e manteve um encontro reservado nesse evento com o então presidente americano Donald Trump -de quem o brasileiro se considera um aliado.

Bolsonaro viaja a Nova York no mesmo dia da cerimônia no Reino Unido e volta ao Brasil na terça-feira (20). Carlos França, ministro das Relações Exteriores, por outro lado, vai permanecer em Nova York durante toda a semana e tem reuniões marcadas com representantes de uma série de países, como Rússia, Japão, Belarus, El Salvador, Irã, Turquia, além do secretário-geral da Liga Árabe.

FolhaPress / Daynews

Na ONU, Bolsonaro se reunirá com líderes de países que somam 0,75% das exportações do Brasil




Jair Bolsonaro em discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU em 2019

Por Leandro Prazeres, em Brasília

A agenda extra do presidente Jair Bolsonaro (PL) durante sua passagem por Nova York, nos Estados Unidos, na semana que vem, deverá ser marcada por reuniões bilaterais com presidentes de países que, juntos, somam apenas 0,75% das exportações brasileiras.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), há previsão de que Bolsonaro se reúna com os presidentes de Polônia, Equador, Guatemala e Sérvia. Além da relativamente pequena relevância econômica para o Brasil, os quatro países têm, em comum, o fato de serem governados por líderes de direita e conservadores.

Bolsonaro deverá chegar a Nova York na segunda-feira (19/9) para participar da 77ª reunião da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Antes, ele passará por Londres, no Reino Unido, onde irá ao funeral da rainha Elizabeth 2ª.

Como de praxe, Bolsonaro fará o discurso de abertura da reunião, previsto para a manhã de terça-feira (20/9). Tradicionalmente, os presidentes e chefes de Estado que participam da reunião aproveitam o evento para manter reuniões bilaterais com seus homólogos para debater pautas de interesse mútuo como temas políticos ou comerciais.

Neste ano, o que chamou atenção foi o tamanho da participação econômica que os quatro países com cujos líderes Bolsonaro irá se encontrar tem na balança comercial brasileira.

De acordo com dados do Ministério da Economia, as exportações brasileiras em 2021 somaram US$ 280,8 bilhões. Juntos, os quatros países importaram pouco mais de US$ 2,1 bilhões. Isso é o equivalente a 0,75% de tudo o que o Brasil exportou para o mundo inteiro.

No ranking dos principais importadores de produtos brasileiros, a Polônia fica em 49º lugar (US$ 902,5 milhões), seguida do Equador na 50ª (US$ 895,3 milhões), Guatemala na 63ª e Sérvia na 125ª posição.

A relevância diplomática desses países para o Brasil chama atenção especialmente na comparação com a agenda do ano passado, quando Bolsonaro se reuniu com o então primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. Em 2021, o Reino Unido importou US$ 3,07 bilhões em produtos brasileiros e ficou na 21ª no ranking de compradores externos do país.

Agenda apertada e proximidade ideológica

O secretário de Assuntos Multilaterais Políticos, embaixador Paulino Franco de Carvalho Neto, justificou a ausência de reuniões bilaterais do presidente com líderes de países mais influentes no cenário internacional a dois fatores principais: a permanência curta de Bolsonaro em Nova York e a possibilidade de que ele venha a se encontrar com outros chefes de Estado em Londres, durante o funeral da rainha Elizabeth 2ª.

O embaixador também apontou o calendário eleitoral como um fator que limitou a agenda de Bolsonaro nos Estados Unidos.

"Ele (Bolsonaro) está em plena campanha eleitoral e isso não permite que ele fiquem muito tempo fora do país", afirmou o diplomata. Além dos presidentes desses quatro países, Bolsonaro também deverá se encontrar como secretário-geral da ONU, o português António Guterres.

Para o professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Guilherme Casarões, as reuniões previstas de Bolsonaro com os presidentes dos quatro países têm um forte viés ideológico.

"Esses quatro presidentes com quem ele vai se encontrar têm algo em comum: uma agenda conservadora. Eles são conservadores nos costumes e liberais na economia", explicou Casarões.

"A gente vê que esses presidentes estão alinhados com o perfil de Bolsonaro, mas diplomaticamente isso agrega pouco", afirmou o professor.

'Presidente da Polônia, Andrzej Duda, foi reeleito em 2020 e é alvo de críticas de movimentos sociais'

Na Polônia, o presidente é Andrezj Duda. Reeleito em 2020, ele é um político de direita e abertamente conservador.

Nos últimos anos, ele vem sendo criticado por organismos internacionais, inclusive a União Europeia (da qual o país faz parte), pela adoção de uma agenda contrária aos direitos da comunidade LGBTQIA+ e por realizar uma reforma do Poder Judiciário que teria diminuído a independência dos juízes e ministros da Suprema Corte da Polônia.

Durante a campanha à reeleição em 2020, ele chegou a afirmar que uma suposta "ideologia LGBT" seria pior que o comunismo. Bolsonaro e Duda se encontraram em 2021, durante a última Assembleia-Geral da ONU.

'Lasso assumiu a Presidência do Equador em junho de 2021'

No Equador, o presidente é o ex-banqueiro Guillermo Lasso. Também de direita, Lasso se elegeu defendendo uma agenda conservadora, anticorrupção e prometendo reativar a economia equatoriana.

Ele venceu o candidato Andrés Arauz, apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa, principal liderança de esquerda. Lasso é conhecido por ser contrário à descriminalização do aborto.

Em março deste ano, ele vetou parcialmente uma lei aprovada pelo Parlamento equatoriano que permitia o aborto até a 18ª semana de gestação para mulheres vítimas de estupro.

Após o veto, o limite temporal para o aborto nessas situações ficou em 12 semanas. Desde junho, Lasso vem enfrentando uma série de protestos liderados por movimentos indígenas e de trabalhadores que se manifestam contra a inflação e aumento do desemprego no país.

Em junho, ele chegou a decretar estado de exceção em partes do país. Desde então, entidades como a organização não-governamental Human Rights Watch vêm criticando o suposto uso excessivo da força na repressão da polícia contra os protestos.

'Alejandro Giammattei se elegeu prometendo endurecer o combate ao crime organizado'

Na Guatemala, o presidente é o líder de direita e conservador Alejandro Giammattei. Ele foi eleito em 2019.

Ex-chefe do sistema penitenciário do país, ele venceu as eleições prometendo acabar com a corrupção e endurecer o combate ao crime organizado no país. Ele também diz ser contra o aborto e defender a vida desde a concepção.

Giammattei também vem enfrentando protestos em seu país. Em março deste ano, por exemplo, mulheres protestaram pelas ruas do país contra um projeto de lei que previa penas de até 10 anos de prisão para quem se submetesse a um aborto.

Em um movimento que surpreendeu defensores dos direitos humanos, Giammattei anunciou que vetaria uma lei alegando que ela tinha "deficiências" e violaria a constituição do país.

'Aleksandar Vucic foi reeleito em abril deste ano e é conhecido por ser conservador'

Na Sérvia, o presidente é Aleksandar Vucic. Em abril, ele foi reeleito com 58% dos votos. Conservador, Vucic prometeu em sua campanha manter os laços políticos com a Rússia mesmo após o país invadir a Ucrânia.

Em agosto, após protestos pelas ruas da capital, Belgrado, Vucic anunciou que o governo iria proibir a realização de uma parada pan-europeia do orgulho LGBTQIA+. Ele justificou a decisão alegando que o país enfrenta ameaças de grupos de extrema-direita e tensões com o Kosovo. Entidades que defendem os direitos humanos afirmam que irão contestar a decisão judicialmente. 

BBC Brasil

Democracias sofrem erosão antes de ruir




Brasil está entre 12 países onde a democracia está ameaçada, aponta levantamento. Em vez de uma ruptura repentina, cenário mais comum é o de mudanças graduais que apagam o sistema democrático, indica análise da DW.

Por Rodrigo Menegat Schuinski

Antes de ser eleito presidente, em 2018, Jair Bolsonaro exerceu sete mandatos na Câmara dos Deputados. Agora candidato à reeleição, ele se vê diante da possível primeira derrota eleitoral de sua carreira e sugeriu diversas vezes que poderia não reconhecer o resultado das urnas se perdesse. "Só Deus me tira da cadeira presidencial", declarou Bolsonaro, aparentemente ameaçando desafiar o próprio sistema democrático que o alçou ao poder.

Países mundo afora são ameaçados por potenciais autocratas, e o caminho para restaurar a democracia é longo e difícil, aponta uma análise feita pela DW. 

O Brasil é um dos 12 países cujo sistema democrático está pendendo para a autocracia, de acordo com dados publicados pelo Instituto Variedades da Democracia (V-Dem), um grupo de pesquisa independente sediado na Universidade de Gotemburgo, na Suécia. 

As outras 11 nações nessa condição são: Polônia, Níger, Indonésia, Botswana, Guatemala, Tunísia, Croácia, República Tcheca, Guiana, Maurício e Eslovênia.

Além desses 12 países onde crises democráticas ainda se desenrolam, pesquisadores do V-Dem identificaram outros 17 que perderam essa luta na década passada – incluindo a Turquia, as Filipinas e a Hungria.

Não apenas democracias de longa data estão se voltando para o autoritarismo, mas regimes autocráticos estão segurando com mais firmeza as rédeas do poder. Em países como Rússia e Venezuela, governos autoritários têm se consolidado e as liberdades civis vêm sendo reduzidas.

Apesar de hoje existirem mais países democráticos do que há 100 anos, o processo de democratização se estagnou globalmente no início dos anos 2000 — e o de autocratização interrompeu sua trajetória de declínio.

A democracia tem diferentes formatos

Geralmente, imaginamos a democracia como algo binário: ou um país é democrático ou não é. Na verdade, o conceito tem mais nuances. Pesquisadores do V-Dem classificam os países em quatro grandes categorias.

Em autocracias fechadas, como a China e o Catar, não há eleições multipartidárias para chefe do Executivo ou para o Poder Legislativo.

Em autocracias eleitorais, como a Turquia e a Venezuela, há eleições, mas não são livres ou justas.

Em democracias eleitorais, como o Brasil e a África do Sul, há eleições livres e justas, apesar de existir desigualdade e de algumas minorias não terem seus direitos resguardados.

Nas democracias liberais, como a Alemanha e a Suécia, há direitos garantidos para minorias e um sistema funcional de freios e contrapesos entre os Poderes.

Os 179 países classificados pelo V-Dem estão divididos quase igualmente entre autocracias eleitorais ou fechadas e democracias liberais ou eleitorais. Alguns dos países reconhecidos pelas Nações Unidas, como o Vaticano ou San Marino, não têm dados disponíveis.

Essa divisão, porém, pode esconder sutilezas importantes, de acordo com Bastian Herre, pesquisador da organização sem fins lucrativos Our World in Data que estudou a relação entre ideologias de governos e democracia durante seu doutorado em ciência política na Universidade de Chicago.

"Com essa divisão, sabemos que a Coreia do Norte e o Irã não são democracias e que o Chile e a Noruega são", diz Herre. "Mas não sabemos o quão mais democrático o Irã é em relação à Coreia do Norte, nem quão menos democrático o Chile é em relação à Noruega."

Herre diz que essas categorias não são necessariamente úteis para detectar recuos na democracia enquanto eles acontecem. "Se queremos ter um sistema de alerta, essas não são as medidas certas. Elas só iriam aparecer quando uma ruptura democrática já aconteceu", diz.

É aí que o Índice de Democracia Liberal (LDI, na sigla em inglês) entra em ação. Trata-se de um índice que varia de 0 até 1, e quanto mais alto ao valor, mais perto dos ideais da democracia liberal está um país. 

No LDI, diferenças importantes entre países que estão em uma mesma categoria se tornam mais aparentes. O índice também permite que pesquisadores vejam como o estado da democracia em determinado país muda ano após ano. Isso é especialmente significativo porque, hoje, as democracias não costumam morrer do dia para a noite.

Marcha gradual rumo à autocracia

Tanques desfilando, tropas mobilizadas e a democracia indo embora com uma explosão (ou uma série de explosões) – golpes são imagens que geralmente vêm à mente quando pensamos em países que passaram a ter regimes autoritários.

Embora esse tipo de ruptura ainda aconteça, atualmente a marcha rumo à autocracia geralmente é mais gradual, com pequenas mudanças se acumulando até que reste muito pouco do antigo sistema.

Isso é o que aconteceu em alguns dos exemplos mais recentes de democracias estabelecidas que se tornaram autocracias. Essa dinâmica está acontecendo também em países que ainda continuam democráticos, mas que estão na mesma trajetória de declínio.

Os movimentos mais fortes em direção à autocracia costumam coincidir com a eleição de líderes iliberais, como Jair Bolsonaro, no Brasil, Andrzej Duda, na Polônia, Viktor Orbán, na Hungria, Recep Tayyip Erdogan, na Turquia, e Narendra Modi, na Índia.

Entretanto, o pesquisador brasileiro Fernando Bizarro, que estuda instituições de governo na Universidade de Harvard, afirma que a ascensão de políticos antidemocráticos pode ser geralmente atribuída ao agravamento de problemas mais antigos.

"Para que esses líderes cheguem ao poder, você precisa de outros elementos, como uma crise dos partidos tradicionais", afirma. Um aumento da hostilidade política também pode estar entre as causas de crises democráticas, aponta. "A polarização cria o sentimento de que, como você detesta seu oponente, vale tudo para se livrar dele – inclusive destruir a democracia."

Pesquisadores do V-Dem identificaram 81 períodos em que países viveram quedas prolongadas na qualidade da democracia desde 1900 – e 50 destes aconteceram a partir dos anos 2000. Em aproximadamente 75% dos casos, a crise resultou em uma transição completa para um regime autocrático.

"Os atores que promovem a autocratização são geralmente os chefes do Executivo, e eles podem ter grandes maiorias parlamentares", diz Sebastian Hellmeier, um dos pesquisadores que analisou episódios de crise democrática. "No fim, é como se fosse uma 'morte por um milhão de cortes', com muitas mudanças pequenas que são difíceis de impedir até que seja tarde demais."

E as democracias que sobrevivem?

Além de simplesmente detectar quando uma crise na democracia aconteceu, a pesquisa feita por Hellmeier e seus colegas tenta entender por que algumas democracias entram em colapso e por que outras resistem.

Para essa análise, os pesquisadores estavam mais preocupados com a competitividade e a justiça das eleições. Assim, eles usaram uma ferramenta de análise um pouco diferente: o Índice de Democracia Eleitoral (EDI, na sigla em inglês). O EDI funciona quase como o LDI, mas sem considerar elementos como liberdades civis e freios e contrapesos entre os Poderes.

De acordo com os resultados, essa resiliência democrática pode acontecer em duas etapas diferentes. De início, países podem evitar que uma crise se instale. Isso é o que os pesquisadores chamam de "resiliência inicial". Países em que não ocorreram episódios de erosão democrática recentemente, como a Finlândia e o Canadá, são exemplos desse tipo de resistência.

A "resistência a rupturas", por sua vez, ocorre em países onde crises de qualidade da democracia se estabelecem, mas são contidas antes que o sistema político descambe para alguma forma de autocracia. Trata-se de um fenômeno mais raro que a resiliência inicial, mas que aconteceu recentemente em países como Equador e Coreia do Sul.

A análise destaca diversos fatores associados com cada tipo de resiliência. Desenvolvimento econômico, por exemplo, anda lado a lado com a resiliência inicial, mas parece não afetar o desfecho de uma crise uma vez que ela já tenha começado. Por outro lado, ter países vizinhos democráticos parece ser um fator importante para que um país consiga conter a crise antes de uma ruptura.

Uma tradição democrática mais longa e um Poder Judiciário independente estão associados com ambos os tipos de resiliência. De acordo com Hellmeier, a presença de instituições longevas faz com que os cidadãos pensem na democracia como o "único jogo possível", forçando os atores políticos a atuarem de acordo com as regras estabelecidas. Um Judiciário forte, por sua vez, pode agir como último bastião de defesa contra um líder que tente violá-las.

Em alguns casos, especialmente em países com instituições menos desenvolvidas, fatores externos também podem cumprir um papel significativo.

Manter a democracia requer uma oposição

Em 2013, o presidente equatoriano Rafael Correa venceu sua terceira eleição consecutiva. Ele era um político popular, fortalecido pelo crescimento econômico e pelo aumento de políticas de bem-estar social. Seu governo, porém, também foi marcado pela redução de liberdades para a mídia, a oposição e a sociedade civil.

Correa era o tipo de líder que democracias têm dificuldades de controlar. Isso mudou quando o crescimento econômico estagnou, e o presidente viu seu governo mergulhado em um escândalo internacional envolvendo a construtora brasileira Odebrecht.

Correa decidiu não concorrer a mais uma reeleição em 2017, mas declarou apoio ao seu então vice-presidente, Lenin Moreno. Moreno venceu, mas rompeu relações com seu antigo mentor e posteriormente desfez algumas de suas mudanças constitucionais e regulações restritivas.

Melis Laebens, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade DE Oxford, diz que o caso equatoriano é um exemplo de um possível caminho de recuperação para democracias sob ameaça. Mesmo que líderes com pretensões autocráticas tenham um controle firme sobre a política doméstica, eventos internacionais inesperados, como crises econômicas e investigações sobre corrupção, podem deixá-los vulneráveis.

"No caso Odebrecht, o fato de a investigação der internacional fez muita diferença em termos de pressionar os aliados de Correa a mudarem de posição", diz a pesquisadora. "O que importa é que a oposição, quando tem oportunidade, mesmo que não seja capaz de remover o incumbente, consiga ao menos manter algumas fontes legítimas de poder."

O Equador também serve como um alerta sobre o que pode acontecer depois que o retrocesso democrático é aparentemente revertido. Desde então, o país convive com protestos que parecem não ter fim. 

O atual presidente, Guillermo Lasso, acabou de sobreviver a uma votação de impeachment. Correa foi condenado por corrupção e deixou o país, mas ainda tem influências sobre política local e muitos apoiadores.

"Às vezes, um Poder Executivo excessivo pode simplesmente estar se alternando com uma fraqueza excessiva do governo", diz Laebens. "Esses eventos transformam a política no longo prazo. É raro que eles simplesmente desapareçam."

No Brasil, Bolsonaro enfrentará nas urnas o ex-presidente e atual favorito nas pesquisas Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dias 2 de outubro. Caso o atual mandatário saia derrotado da disputa, analistas temem que o país seja palco de violência política e cenas como as vistas durante a invasão de apoiadores do ex-presidente americano Donald Trump ao Capitólio, em Washington. 

Bolsonaro vem espalhando paranoia infundada sobre a confiabilidade do sistema eleitoral e, em recente entrevista ao Jornal Nacional, afirmou que respeitaria os resultados das urnas "desde que as eleições fossem limpas". No 7 de Setembro, o presidente citou episódios históricos de tensão política e ruptura democrática no Brasil, incluindo o golpe militar de 1964, e disse que a "a história pode se repetir".

Deutsche Welle

Sucesso da contraofensiva ucraniana muda perspectiva da guerra para Putin - Editorial




Retomada de território pela Ucrânia redesenha mapa do conflito e impõe dilema político e diplomático à Rússia

A rápida contraofensiva da Ucrânia iniciada na semana passada resultou até agora na retomada de amplas faixas da região de Kharkiv, no norte do país. O êxito militar da operação ucraniana não apenas traz implicações militares desfavoráveis à Rússia, mas também tem desdobramentos na política interna russa e no campo diplomático.

A estratégia ucraniana foi atacar nos dois extremos invadidos pelos russos: ao sul, na área de Kherson, e com grande rapidez ao norte. As tropas russas foram surpreendidas a ponto de, segundo a Inteligência britânica, ter sido aberta uma linha de 500 quilômetros em que as tropas de Moscou ficaram vulneráveis perto de Kharkiv. O comandante em chefe das tropas ucranianas, general Valery Zaluzhny, informou ter retomado 3 mil quilômetros quadrados do território invadido em menos de uma semana. Ao bater em retirada de forma desorganizada, principalmente ao norte, as forças russas deixaram para trás tanques, blindados e munição, que deverão ser usados pelos ucranianos.

Várias razões explicam o sucesso da contraofensiva ucraniana. Uma é o moral da tropa, superior ao da Rússia, que tem enfrentado dificuldades para substituir soldados por combatentes descansados, física e mentalmente. Outra, indiscutível, é o apoio do Ocidente. Não só financeiro, mas sobretudo militar. Destacam-se as armas sofisticadas fornecidas pelos Estados Unidos, uma delas os mísseis inteligentes atraídos por sinais de radar. É o motivo por que a Força Aérea russa, ativa no início da invasão, não tem podido dar o apoio necessário às tropas do Kremlin.

Enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, aproveita a boa fase na guerra para afastar a possibilidade de abrir negociações, aumentando seu poder de barganha, especula-se sobre a melhor alternativa para o presidente russo, Vladimir Putin. Convocar mais jovens para a guerra seria impopular. A artilharia russa tem respondido ao ataque ucraniano sem conseguir contê-lo. Resta a opção de um ataque nuclear “limitado”, desfecho catastrófico para o mundo, incluindo a Rússia e o próprio Putin.

Em Moscou, Putin tem de lidar com uma oposição cada vez maior a sua aventura militar. No início da semana passada, Ivan Safronov, jornalista especializado em assuntos militares, detido em 2020 sob a acusação de divulgar “segredos de Estado”, foi condenado a 22 anos de prisão. No mesmo dia em que recebeu a draconiana sentença, o governo fechou o mais independente e crítico jornal russo, o Novaya Gazeta, dirigido por Dmitry Muratov, Prêmio Nobel da Paz do ano passado.

Perseguir e encarcerar adversários na Rússia não resolve as dificuldades militares de Putin na Ucrânia. Tampouco cortar o fornecimento de gás à Europa. Por ora, ele parece contar com o apoio tácito da China de Xi Jinping e tem uma situação econômica mais confortável do que as sanções decretadas em razão da guerra sugeriam. Mas, com ventos desfavoráveis a Putin no campo de batalha, o tempo agora funciona a favor da Ucrânia.

O Globo

A decisão fatal de Putin




Na Europa, os ditadores que começam guerras de ocupação suicidam-se politicamente. Putin não será uma exceção. Será uma questão de tempo e de muita destruição e sofrimento. 

Por João Marques de Almeida (foto)

Todos os ditadores acabam por tomar decisões fatais para o seu futuro, quase sempre prejudicando gravemente o seu país, e muitas vezes causando danos e sofrimento a países vizinhos. Foi o que fez Putin no final de Fevereiro.

Sem qualquer razão, atacou a Ucrânia e iniciou uma guerra sem fim à vista. Passados seis meses, já se percebeu que a Rússia não será capaz de vencer a guerra, a não ser que use armas nucleares destruindo a Ucrânia.

As ofensivas bem-sucedidas das tropas ucranianas mostraram dois problemas sérios com as forças armadas russas. Em primeiro lugar, os seus soldados estão desmotivados e com a moral em baixo. A maioria dos soldados russos não partilha a visão imperial de Putin. Para eles, a Ucrânia é um país independente. A maioria desses soldados, com menos de 30 anos, nunca viu a Ucrânia integrada na Rússia. Sabem que estão envolvidos numa guerra de conquista e que enfrentam tropas a defender o seu país, as suas casas e as suas famílias. Por isso, fogem quando os combates se tornam difíceis. Os combates serão ainda mais duros no Inverno, e a guerra será um pesadelo ainda maior para as tropas invasoras.

Além da desmotivação das tropas, o equipamento militar russo enfrenta problemas graves. As sanções europeias afectam a capacidade tecnológica russa e tornam muito difícil a substituição do material militar. Os russos recorrem cada vez mais às armas das décadas de 1980 e de 1990. Quando querem equipamento militar novo, têm que o comprar à Coreia do Norte e ao Irão.

Os mais optimistas começaram a falar de dois cenários possíveis. Uns acreditam na possibilidade da Ucrânia vencer a guerra. Apesar dos sucessos recentes, os ucranianos não têm a capacidade militar suficiente para reconquistar o território ocupado pelas tropas russas. Só aconteceria se ocorresse o descalabro no exército russo, o que é improvável.

Outros acreditam que o recuo militar dos russos pode forçar Putin a negociar um acordo de paz. Foi isso que na terça feira o Chanceler alemão, Scholz, pediu ao Presidente russo numa chamada telefónica de 90 minutos. Obviamente, Putin recusou. E continuará a recusar negociações com Zelensky. Um acordo com Kiev significará uma derrota política para Putin. E a Ucrânia não aceitará o fim da guerra sem a retirada total das tropas russas, o que Putin recusará.

Putin meteu-se numa guerra sem fim. Ou melhor, a guerra só acabará quando Putin chegar ao fim. Na Europa, os ditadores que começam guerras de ocupação suicidam-se politicamente. Putin não será uma excepção. Será uma questão de tempo e de muita destruição e sofrimento.

Observador (PT)

STF forma maioria para manter a suspensão do piso da enfermagem

 Quinta, 15 de Setembro de 2022 - 16:40

por José Marques | Folhapress

STF forma maioria para manter a suspensão do piso da enfermagem
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Com voto do ministro Gilmar Mendes nesta quinta-feira (15), a maioria do STF (Supremo Tribunal Federal) votou para manter a suspensão do piso nacional da enfermagem, conforme decidido pelo ministro Luís Roberto Barroso.
 

O tribunal analisa, em sessão do plenário virtual, se mantém a decisão de Barroso que determinou a suspensão da lei que estabeleceu uma remuneração mínima para enfermeiros e auxiliares e técnicos em enfermagem "até que seja esclarecido" o impacto financeiro da medida para estados e municípios e para os hospitais.
 

Seguiram o voto de Barroso os ministros Ricardo Lewandowski, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.
 

A norma aprovada pelo Congresso fixou o salário de, no mínimo, R$ 4.750 para os enfermeiros. Técnicos em enfermagem devem receber 70% desse valor (R$ 3.325), e auxiliares de enfermagem e parteiros, 50% (R$ 2.375).
 

Em contraponto, votaram para derrubar a decisão os ministros Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Edson Fachin. Ainda não votaram os ministros Luiz Fux e Rosa Weber.
 

O julgamento só será encerrado na sexta-feira (16), e os ministros podem modificar seus votos ou interromper a votação. No plenário virtual, cada integrante do Supremo deposita seu voto na plataforma, durante um período determinado de tempo.
 

Desde que decidiu pela suspensão do piso, Barroso tem reiterado que a sua decisão tem o objetivo de criar, de forma consensual, uma fonte de custeio que viabilize o cumprimento da lei.
 

"Minha posição é que é muito justa a instituição de um piso para a enfermagem e para outros profissionais de saúde. Portanto, eu estou empenhado em viabilizar a concretização desse piso", afirmou Barroso após a sessão do STF no último dia 8.
 

"[Mas] minha visão e a de muitos é de que, sem se construir uma fonte de custeio, seria muito difícil tirar do papel esse piso salarial", argumentou. De acordo com Barroso, havia um risco real e iminente de descumprimento geral da lei.
 

Em seu voto, o ministro Gilmar Mendes argumenta que, em relação ao setor privado, parece imprescindível que um piso nacional, como o que se ensaia, leve em consideração as diferenças sociais e econômicas que existem entre as regiões do Brasil: o mesmo piso, que pode ser insuficiente em um Estado como São Paulo, pode afigurar-se impraticável com a realidade de mercado de Estados menos abastados".
 

"Externalidades negativas, como o provável aumento das demissões no setor, bem ilustram que a violação à segurança jurídica sofrida pela parte empregadora também pode ser experimentada pelos profissionais de enfermagem."
 

A decisão de Barroso foi criticada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que afirmou que a suspensão foi tomada por "capricho pessoal".
 

"Não sei como vão votar [no plenário virtual] o Kassio [Nunes Marques] ou o André Mendonça, botei [esses ministros] lá dentro, mas acho que eles devem estar ao lado dos trabalhadores", disse em sabatina do jornal Correio Braziliense, citando os integrantes do STF que foram indicados pelo presidente.
 

Tanto André Mendonça quanto Kassio Nunes Marques divergiram de Barroso no julgamento do plenário virtual. Fachin também acompanhou os dois.
 

De acordo com Mendonça, apesar das peculiaridades do caso em julgamento, os precedentes do Supremo vão de encontro ao voto de Barroso.
 

Segundo o ministro, em hipóteses semelhantes, o STF reconheceu a constitucionalidade do piso salarial nacional dos profissionais do magistério público da educação básica e que, apesar de ainda estar pendente de julgamento a lei sobre piso salarial dos agentes comunitários de saúde, "não se tem notícias de decisão (...) que tenha determinado a suspensão de sua eficácia".
 

Já Kassio afirmou que, apesar de concordar com parte da fundamentação de Barroso, se preocupa também com os impactos da suspensão "em vista das possíveis necessidades econômicas essenciais dos profissionais beneficiados com a nova lei".
 

"Afigura-me bastante provável que o risco de dano inverso decorrente da concessão da liminar possa ser ainda maior do que seu indeferimento", disse Kassio.
 

"Não posso deixar de anotar, ainda, que a classe dos enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem e parteiras enfrentaram, recentemente, com valentia, o combate à pandemia causada pelo vírus da Covid-19."
 

A ação pela suspensão da lei foi apresentada ao Supremo pela CNS (Confederação Nacional de Saúde), que representa hospitais e estabelecimentos da área.
 

O advogado da entidade, Alexandre Pacheco Bastos, afirmou que a realidade dominante no país não é a dos hospitais de ponta de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, mas a de estabelecimentos endividados no interior e "dos mais de 825 municípios em que a respectiva Santa Casa é o único equipamento de saúde à disposição da população".
 

"Essas instituições, como é sabido, já têm contas bastante combalidas pela defasagem da tabela de contraprestação do SUS", afirmou o advogado.

Bahia Notícias

Ator da Globo é preso em flagrante por armazenamento de pornografia infantil

 Quinta, 15 de Setembro de 2022 - 17:51

por Redação

Ator da Globo é preso em flagrante por armazenamento de pornografia infantil
Foto: Reprodução/RecordTV

O ator José Dumont, de 72 anos, foi preso em flagrante na tarde desta quinta-feira (15) por armazenamento de pornografia infantil. 

De acordo com o Polícia Civil do Rio de Janeiro, foram encontradas imagens de sexo envolvendo crianças. A investigação segue sob sigilo por envolver menores de idade. 

 

De acordo com o Notícia da TV, o artista de 72 anos é investigado por ter supostamente mantido um relacionamento com um fã de 12 anos. Ainda conforme informações do portal, José teria oferecido ajuda financeira a menor de idade e, a partir, desse envolvimento, teria iniciado uma troca de beijos e carícias íntima

Essa aproximação foi registrada por câmeras de segurança e usadas como base para a abertura da investigação policial. Os oficiais realizaram um mandado de busca e apreensão na casa de Dumont, cumprido nesta quinta.

Na Globo, o ator atuou em novelas como Nos Tempos do Imperador (2021)
Onde Nascem os Fortes (2018), Velho Chico (2016) e América (2005). Na RecordTV, ele trabalhou na série Milagres de Jesus (2014) e em novelas como Caminhos do Coração (2007) e Ribeirão do Tempo (2010). 

Lei nota na intégra:

"De acordo com a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), o autor foi preso em flagrante pelo crime de armazenamento de imagens de sexo envolvendo crianças. A investigação está sob sigilo".

Após cortes no Farmácia Popular, Bolsonaro diz que governo pode recompor valores em 2023

 Quinta, 15 de Setembro de 2022 - 19:20

por Matheus Teixeira | Folhapress

Após cortes no Farmácia Popular, Bolsonaro diz que governo pode recompor valores em 2023
Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PL) indicou que trabalhará para reverter o corte de 50% das verbas da Farmácia Popular (veja aqui) que consta na proposta de Orçamento para 2023 enviada pelo governo ao Congresso.
 

A ideia de reduzir o programa acendeu um alerta na equipe de campanha à reeleição do mandatário, que reagiu e disse que "ninguém será prejudicado" em seu governo.
 

"Temos recursos porque não roubamos, tem dinheiro sobrando para atender a tudo isso. E será refeito agora pelo parlamento brasileiro e, se não for possível, nós acertaremos essa questão ano que vem", afirmou em entrevista à CNN divulgada nesta quinta-feira (15).
 

O chefe do Executivo disse que "ninguém precisa ficar preocupado porque jamais" abandonaria os "mais humildes na busca de um remédio na Farmácia Popular".
 

Está previsto no orçamento para o próximo ano elaborado pelo Executivo o corte de ao menos 50% no Farmácia Popular e também e no programa Mais Médicos e na saúde indígena.
 

A medida orçamentária atingirá programas centrais no atendimento à população e deflagrou o temor de repercussão negativa nas urnas. Bolsonaro decidiu acionar os ministros Marcelo Queiroga (Saúde) e Paulo Guedes (Economia) para tentar rever o corte no Farmácia Popular.
 

Diante da repercussão negativa das reduções, Guedes saiu a campo e citou o programa ao sinalizar, nesta quarta-feira (14), uma recomposição dos recursos da Saúde por meio de mensagem modificativa do orçamento.
 

Apesar do pedido de Bolsonaro e da sinalização de Guedes, ainda não foi enviada qualquer comunicação formal ao Congresso. Técnicos ressaltam que isso só deve ser feito após as eleições.
 

A redução significativa nos recursos do Mais Médicos -rebatizado pelo atual governo de Médicos pelo Brasil- também já entrou no radar do Ministério da Saúde como um ponto de alerta, embora os dois programas não sejam os únicos atingidos.
 

Como mostrou a Folha, a verba da Saúde para custeio e investimentos sofreu um corte de 42% na proposta para 2023. Para cumprir o gasto mínimo assegurado pela Constituição, o Executivo vai depender das chamadas emendas de relator, instrumento usado como moeda de troca nas negociações com o Congresso. Procurada, a pasta não se manifestou sobre os cortes.

Bahia Notícis

'Qual decreto? Me apresente', diz Bolsonaro sobre acusação de sigilo em informações

 Quinta, 15 de Setembro de 2022 - 20:00

por Redação

'Qual decreto? Me apresente', diz Bolsonaro sobre acusação de sigilo em informações
Foto: Reprodução / Youtube

O presidente Jair Bolsonaro (PL) rebateu as acusações de que teria decretado sigilo para informações do governo federal. Bolsonaro participou de live, nas redes sociais, nesta quinta-feira (15), diretamente do Rio de Janeiro. 

 

"Qual decreto? Me apresente. Não existe nenhum decreto, decretando sigilo, nada. Tem uma lei de 2011 que diz que os assuntos de natureza particular, eu não preciso ceder a lei de acesso a informações. A imprensa pediu meu cartão de vacina. Por essa lei, de 2011, de Dilma. Por minha parte não tem problema. O que mais a imprensa quer saber que eu não mostrou, praticamente nada", disse Bolsonaro. 

 

Bolsonaro apontou ainda que que as gestões petistas também decretaram atos de acordo com a lei citada. "Tem uma diferença muito grande, quando se fala que decretei sigilo. Não tem decreto, você pode usar a lei, para informações pessoais. O que tem é o cartão de vacina. Quem quiser pode olhar, já falei para a assessoria", finalizou. 

 

O governo Bolsonaro e instituições federais já solicitaram 9 vezes a imposição de sigilo a informações por 100 anos desde o início do governo do presidente, entre elas, sobre os gastos com o cartão corporativo (veja aqui). O candidato à reeleição, porém, decretou sigilo sobre outros assuntos via ministérios e instituições do Estado.

Bahia Notícias

Datafolha: Lula segue líder na disputa presidencial com 45%; Bolsonaro cai para 33%

 Quinta, 15 de Setembro de 2022 - 21:20

por Redação

Datafolha: Lula segue líder na disputa presidencial com 45%; Bolsonaro cai para 33%
Foto: Reprodução / TV Band

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue liderando a corrida pela presidência do Brasil, de acordo com a nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgada na noite desta quinta-feira (15) pela TV Globo. O petista manteve o percentual do levantamento anterior e tem 45% das intenções de voto.

 

Em segundo lugar, continua o atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), que possuía 34% no levantamento da última semana e agora tem 33% da preferência dos eleitores brasileiros.

 

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), em terceiro lugar, tinha 7%, oscilou positivamente e agora aparece com 8%. Já a senadora Simone Tebet (MDB) tem 5%, o mesmo percentual da pesquisa anterior.

 

A senadora Soraya Thronicke (União), que tinha 1% na última semana, agora aparece com 2% das intenções de voto. Felipe D’Ávila (Novo), Sofia Manzano (PCB), Vera Lúcia (PSTU), Léo Péricles (UP), Eymael (DC) e Padre Kelmon (PTB) não pontuaram.

 

De acordo com o instituto, se as eleições fossem hoje, Lula e Bolsonaro provavelmente disputariam o segundo turno, pois a soma dos pontos dos adversários (48%) supera as intenções de voto do petista (45%). 

 

O Datafolha entrevistou presencialmente 5.926 eleitores em 300 municípios brasileiros entre os dias 13 e 15 de setembro. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04099/2022.

TSE: Toffoli é eleito para vaga de ministro substituto

 Quinta, 15 de Setembro de 2022 - 21:40

por Redação

TSE: Toffoli é eleito para vaga de ministro substituto
Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli é o novo ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão responsável pela organização das eleições. A votação foi feita, nesta quinta-feira (15), de forma simbólica pelo plenário do STF.

 

No TSE, as vagas de ministros são ocupadas em forma de rodízio entre os membros, sendo composto por sete ministros, sendo três do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois advogados nomeados pelo presidente da República. Toffoli presidiu o tribunal entre 2014 e 2016. 

 

As cadeiras efetivas do STF no tribunal eleitoral são ocupadas pelos ministros Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia. Os ministros Nunes Marques e André Mendonça completam a lista de substitutos.

Bahia Notícias


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