quinta-feira, julho 15, 2021

Ex-bolsonarista, Dayane aborda críticos do presidente nas redes para 'minerar' votos

por Matheus Caldas

Ex-bolsonarista, Dayane aborda críticos do presidente nas redes para 'minerar' votos
Foto: Divulgação / Facebook

Ex-aliada do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a deputada federal Dayane Pimentel, presidente do PSL na Bahia, vem adotando o que considera uma abordagem mais “personalista” a pessoas que criticam o chefe de Estado em publicações no Instagram.

 

O Bahia Notícias recebeu relatos de pessoas que receberam mensagens da equipe da parlamentar após expor críticas ao presidente em postagens nas redes sociais - alguns destes relatos vêm de leitores do BN que se posicionaram contra Bolsonaro em posts no Instagram do próprio site.

 

Confira abaixo a mensagem enviada pela equipe de Dayane:

 

Foto: Bahia Notícias

 

Em nota, a deputada afirmou que “age assim desde que começou a usar as redes sociais, antes mesmo de ser candidata a deputada federal”. “O diálogo com as pessoas por meio de seus perfis nas redes sociais é uma forma mais personalista, mais próxima e mais acessível de conversar com elas, chamando-as pelo nome e bater papo, independentemente de nos seguirem ou serem eleitores”, afirmou.

 

“Quem me acompanha vê que eu interajo com quem me segue, mas isso não me impede de conversar em outros lugares das redes. Embora outros parlamentares façam isso, quanto a mim, não é estratégia, é minha maneira de ser na vida e nas redes”, garantiu.

 

Autoproclamada "deputada federal de Jair Bolsonaro na Bahia" nas eleições de 2018, Dayane rompeu com Bolsonaro em outubro de 2019 ao não aceitar a articulação do presidente de indicar o filho Eduardo Bolsonaro para assumir a liderança do PSL na Câmara.

 

Em 2020, inclusive, Bolsonaro teria indicado a aliados que aceitaria voltar ao PSL. No entanto, ele condicionaria o retorno à sigla mediante a exclusão de cinco nomes: Dayame, Joice Hasselmann, Júnior Bozzella, Nereu Crispim e o senador Major Olímpio (leia mais aqui) - este último morreu em março deste ano, vítima de complicações da Covid-19 (leia mais aqui). 

 

À época, a dirigente do PSL no estado comparou o rompimento com Bolsonaro ao fim de uma amizade. “É como se eu tivesse uma amiga e de repente fosse traída por essa amiga”, declarou (leia mais aqui).

 

Com o afastamento, Dayane passou a ser opositora ferrenha de Bolsonaro. No início de junho deste ano, ela pediu o impeachment do chefe de Estado. "Parabenizo todos os parlamentares que se reuniram hoje em Brasília, de forma suprapartidária, em busca do impeachment do genocida", escreveu nas redes sociais a parlamentar ao comentar o 'superpedido' de impeachment contra o presidente (leia mais aqui).

 

Antes, ainda em 2020, ela chegou a aparecer na propaganda politica do petista Zé Neto na disputa em segundo turno pela prefeitura de Feira de Santana, de onde ela saiu derrotada no primeiro turno - embora, oficialmente, ela tenha declarado neutralidade, afirmou que não votaria em Colbert Martins (MDB), que saiu reeleito do pleito. Chamou atenção o fato de a política ter se posicionado num campo convergente a um quadro advindo do PT, principal rival do bolsonarismo e um dos principais protagonistas da polarização política instituída no Brasil com a eleição de Bolsonaro, em 2018 (leia mais aqui). (Atualizada às 8h31 para corrigir a informação sobre o apoio de Dayane a  Neto).

Bahia Notícias

Bolsonaro vai permanecer internado para tratamento clínico, indica boletim médico

Bolsonaro vai permanecer internado para tratamento clínico, indica boletim médico
Foto: Marcos Corrêa/ PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vai permanecer internado para receber um tratamento clínico conservador. A equipe médica que o acompanha chegou a essa conclusão após avaliações clínicas, laboratoriais e de imagem.

 

A informação consta no boletim médico divulgado pelo Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, na noite desta quarta-feira (14). Inicialmente, foi afastada a possibilidade de uma nova cirurgia.

 

"O senhor presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, foi transferido na noite desta quarta-feira para o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, após passar por uma avaliação no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, e ser diagnosticado com um quadro de suboclusão intestinal", disse a nota da unidade de saúde.

 

A internação do presidente no hospital de Brasília aconteceu na manhã de ontem depois que ele sentiu dores abdominais na madrugada. Já a transferência para São Paulo foi no início da noite, por volta de 18h50 (saiba mais aqui). Ele foi para o Vila Nova Star, pois é onde atende o cirurgião gástrico Antonio Luiz Macedo, médico que responde pelo tratamento do presidente desde o episódio da facada sofrida por ele em setembro de 2018 durante a eleição.

Desembargadora ganhou relógio avaliado em meio milhão de acusado na Faroeste

Desembargadora ganhou relógio avaliado em meio milhão de acusado na Faroeste
Maria do Socorro | Foto: Divulgação / TJ-BA

A desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Maria do Socorro Barreto Santiago foi acusada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ter ganhado um relógio da marca Rolex, avaliado em R$ 449 mil. A informação é da coluna Bela Megale, do Globo.

 

Segundo os procuradores, o presente foi pagamento de propina feito por um dos alvos da Operação Faroeste, o advogado Adailton Maturino dos Santos.

 

Maria do Socorro foi solta no mês passado por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou o uso de tornozeleira eletrônica. Ela também está impedida de acessar as dependências do TJ-BA (leia mais aqui). Ela é acusada de atuar em benefício do advogado em uma disputa judicial sobre posse de terras no oeste do estado.

 

Adailton Maturino permanece preso. O relógio foi identificado durante buscas em endereços da desembargadora. Após interrogar o vendedor, descobriram que o acessório havia sido vendido para Adailton, que posteriormente o deu para Maria do Socorro.

 

"A dinâmica delituosa deu-se por meio do recebimento de um relógio Rolex, DAYTONA, Oyster Perpetual, caixa e bracelete em ouro amarelo, mostrador na cor preta, referência 116528, calibre 4130, cuja avaliação atual de modelo semelhante gira em torno de R$ 449.227,0038.", escreveu a PGR na denúncia.

Bahia Notícias

TCU aponta uso ilegal de R$ 13,7 milhões de verbas militares para combater Covid


TCU - Plenário

Até micro-ônbus e sorvetes foram comprados com verbas da pandemia

Julia Lindner e Natália Portinari
O Globo

Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) obtido pelo GLOBO mostra que as Forças Armadas teriam usado indevidamente R$ 4,1 milhões dos recursos destinados ao enfrentamento à Covid-19 para outras finalidades durante a pandemia. Outros R$ 9,6 milhões possuem “pendência de comprovação” de sua correlação com ações de combate ao novo coronavírus.

Os dados constam em uma análise preliminar que irá embasar o relatório do ministro do TCU Augusto Scherman Cavalcanti. Ainda não houve apreciação do processo pelo colegiado do tribunal. O documento está em mãos da CPI da Covid, que analisa a conduta do governo na pandemia.

GASTOS IRREGULARES – Dentre os gastos considerados irregulares, estão a reforma de imóveis, a compra de micro-ônibus e aquisição de itens como mochila, porta-celular, coletes e bandeira. Em 2020 o Ministério da Defesa gastou, ao todo, R$ 435 milhões em despesas atribuídas ao combate à Covid-19. O total de recursos que tiveram sua finalidade comprovadamente desviada representa cerca de 1% do total.

“O acompanhamento avaliou cinco riscos relevantes inerentes à execução de uma ação desse porte em um prazo tão curto: desvio de finalidade; dispensa indevida de licitação; restrição à competitividade; aquisições ineficazes, que não atendem à necessidade emergencial de saúde; e aquisições em quantitativos incompatíveis com as reais necessidades”, diz trecho do parecer.

 

Entre os gastos em que a área técnica do TCU considera que há desvio de finalidade comprovado em relação às ações contra Covid-19, há R$ 1,1 milhão pagos pelo Exército para “material de manutenção de bens imóveis/instalações e manutenção e conservação de bens imóveis”, como troca de pisos e telhados.

DESVIO DE FINALIDADE – “Constata-se que houve desvio de finalidade nas despesas no montante de R$ 44.600,68. Tais despesas também caracterizam infração à Diretriz Estratégica para Obtenção e Recuperação de Capacidade para a Operação Covid-19 e o Custeio das Operações, do Comando de Operações Terrestres”, diz o relatório sobre o Exército.

Segundo o Comando de Operações Terrestres, em trecho citado no parecer, “os recursos da Op Covid não deverão ser empregados para atender a demandas regulares da Força, que possuem orçamento próprio”.

Já a Marinha gastou R$ 960,1 mil para adquirir itens como coletes, mochilas, porta-celular e bandeiras. Uma das justificativas seria usar os equipamentos em Operações de Garantia de Lei e da Ordem (GLO), mas o TCU ressalta que a medida não foi aplicada durante a crise sanitária e Que também possui orçamento específico.

DOIS MICRO-ÔNIBUS – A instituição comprou ainda dois micro-ônibus, totalizando R$ 780 mil. Além de não haver relação desses equipamentos com a operação de combate à Covid-19, foi demonstrado pelo Tribunal de Contas que teria sido mais econômico alugar os automóveis, ao contrário do que alegou a Força.

A Aeronáutica, por sua vez, gastou cerca de R$ 95 mil para reformar a entrada do almoxarifado do Laboratório Químico-Farmacêutico da Aeronáutica, no Rio de Janeiro. O relatório frisa que as melhorias deveriam ter sido feitas com ações já existentes para essa finalidade. A equipe técnica do TCU considera que, nessa despesa, houve comprovado desvio de finalidade.

GASTOS ILEGÍTIMOS – As despesas incluem ainda “suspeitas de gastos ilegítimos”, que totalizam R$ 9,6 milhões, com sorvete, refrigerante, mesas de escritório, interruptores, parafusos, chocolate, doce de leite, serviços de engenharia e reformas prediais, escudos, barreiras de contenção, conta de energia elétrica, argamassa, lanternas, coletes e outras dezenas de itens sem relação com o combate à Covid-19.

Em relação a esses itens, as Forças Armadas foram procuradas e não apresentaram evidências de correlação com a pandemia.

O Exército usou parte dos recursos enviados para o combate à Covid-19 para comprar alimentos fora do padrão. No Comando de Operações Terrestres, houve gasto de R$ 97,2 mil com sorvetes, refrigerantes e salgados “típicos de coquetel”. “Alimentos que, em razão de seu baixo valor nutritivo, muito provavelmente não foram utilizados para o reforço alimentar da tropa empregada na Operação Covid-19”, diz o TCU. Além disso, cerca de R$ 1 milhão, metade dos gastos com alimentação do Exército, foi usado em unidades não operacionais, ou seja, aquelas que não se envolvem nas atividades de campo contra o novo coronavírus.

 

A instituição gastou, ainda, R$ 1,2 milhão com contas de energia elétrica, água e esgoto. Desse total, cerca de 50% foi aplicado por organizações militares de apoio administrativo, que não possuem tropas nas ruas. De acordo com o relatório, há “indícios contundentes de que houve desvio de finalidade” neste caso.

 

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A Marinha gastou cerca de R$ 300 mil com a compra de 67 notebooks e microcomputadores com os recursos. Neste caso, o TCU afirmou que não foi demonstrada a “observância dos critérios de urgência e imprevisibilidade” para justificar as despesas.  Em outro item analisado, consta gasto pela Marinha de R$ 122 mil para aquisição de mobiliário, como poltronas, mesas para computador e racks. O parecer do TCU considera que “as informações fornecidas são insuficientes para comprovar o vínculo causal entre as aquisições de diversos mobiliários e as ações de emergência”.

 

“Basicamente foi dito que os bens serviriam para estruturar unidades da Marinha para apoiar as ações de enfrentamento. Todavia, o mobiliário adquirido foi bastante significativo em termos de quantidade e valor”, avaliou o relatório.

 

A análise ressalta que Exército e Aeronáutica tiveram, em contraste, pequenos gastos com mobiliário. Segundo o relatório, a Marinha teve despesas que superaram em 86% o valor total despendido nesse item pelas Forças.

 

No total, a Marinha é campeã dos gastos sob análise do TCU, com R$ 7,2 milhões; seguida pelo Exército, com R$ 5,6 milhões; e pela Aeronáutica, com R$ 685,6 mil. Outros R$ 300 mil foram usados pelo Hospital das Forças Armadas.

Presidenciáveis da terceira via mantêm pé no freio sobre o impeachment de Bolsonaro

Publicado em 15 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Mariano (Charge Online)

Carolina Linhares e Joelmir Tavares
Folha

Apesar de o impeachment de Jair Bolsonaro ser, segundo pesquisa Datafolha, defendido pela maioria da população e pela maioria dos eleitores da terceira via, partidos à direita que compõem o chamado centro político evitam advogar abertamente pela remoção do presidente.

É o caso de PSDB, DEM, PSD, MDB e PSL —que muitas vezes adotam posicionamento de oposição e fazem duras críticas a Bolsonaro, mas se mantêm na defensiva quando o tema é declarar apoio à destituição neste momento.

CÁLCULO ELEITORAL – Luiz Henrique Mandetta (DEM), João Doria (PSDB) e Eduardo Leite (PSDB) não demonstram empenho em favor do impeachment, mas tampouco o descartam. As opiniões envolvem cálculo eleitoral, amarras institucionais, falta de provas e bancadas parcialmente governistas, segundo políticos ouvidos pela Folha.

A maior parte dos eleitores dos três presidenciáveis, porém, defende a deposição, de acordo com a pesquisa divulgada na semana passada.

Entre os que declaram intenção de voto em Mandetta, a proporção é de 62% favoráveis e 34% contrários. Apoiadores de Doria são 59% pelo impeachment e 35% contra, enquanto os de Leite se dividem entre 57% e 40%.

LULA E CIRO – No caso de Lula (PT) e Ciro Gomes (PDT), presidenciáveis que aderiram ao “fora, Bolsonaro”, o percentual de eleitores favoráveis à retirada do presidente alcança patamares maiores. Chega a 82% contra 15% entre quem votaria no petista, e 67% a 28% entre os apoiadores do pedetista.

Na população como um todo, 54% querem o impeachment e 42% consideram que Bolsonaro deve terminar o mandato.

Até agora, a bandeira do impeachment vem sendo levantada por partidos de esquerda, como PT, PSOL, PDT, PSB e PC do B. Houve adesões à direita de parlamentares de PSL, PSDB e DEM, além dos partidos Novo e Cidadania.

CENTRO NO MURO – Caciques de partidos de centro têm evitado se posicionar com base na avaliação de que o impeachment hoje é inviável —não conta com maioria na Câmara e não há disposição do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), em pautá-lo.

Para esses líderes, é preciso haver pressão das ruas para que a conjuntura se altere. Na esquerda, o caminho adotado é o inverso: a adesão dos partidos mobiliza a militância e pressiona os parlamentares.

De qualquer forma, com a sequência de protestos pelo impeachment pelo país e a marca inédita de uma maioria populacional favorável, partidos e presidenciáveis entusiastas da terceira via se veem forçados a escolher um dos lados. O problema é que, para esses presidenciáveis “nem Lula nem Bolsonaro”, a defesa do impeachment pode custar o voto de bolsonaristas em um eventual embate com o petista no segundo turno.

Impeachment de Bolsonaro seria um “golpe de misericórdia” para a nova candidatura de Lula.

Publicado em 15 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Bolsonaro x Lula

Bolsonaro precisa de Lula, que também precisa de Bolsonaro

Carlos Pereira
Estadão

Alguns argumentam que o fato de o Brasil, em pouco mais de 30 anos, já ter abreviado, por meio de impeachments, o mandato de dois presidentes legitimamente eleitos e existir o potencial risco de um terceiro nos próximos meses seria um sinal de que algo não vai bem na democracia brasileira.

Alega-se que um impeachment acentuaria a polarização política… aumentaria o conflito entre partidos… desenvolveria a sensação de crise política permanente e generalizada… chegaria a criar desconfiança nas próprias regras do jogo democrático.

VOTO DE CONFIANÇA – Diferentemente de regimes parlamentaristas, que dispõem de mecanismos flexíveis de término antecipado de governos, como o voto de não-confiança ou mesmo a perda de maioria parlamentar pela saída de parceiros da coalizão governista, presidencialismos não possuem outros mecanismos capazes de quebrar a rigidez de mandato presidencial além do impeachment.

Sem contar os 130 pedidos de impeachment já submetidos a Câmara dos Deputados contra Bolsonaro, já ocorreram 193 pedidos durante o período de 1990 e 2018 no Brasil. Ou seja, somente um pouco mais de 1% dos pedidos foram de fato efetivados.

Como demonstra Mariana Llanos e Anibal Perez-Linán no artigo “Oversight or representation? Public Opinion and Impeachment Resolutions in Argentina and Brazil”, esta marca é muito inferior às democracias parlamentaristas avançadas onde 5% dos votos de não-confiança iniciados levaram de fato a queda antecipada de seus governos.

É PRÁTICA COMUM – Os autores sugerem que a existência de um alto número de pedidos de impeachment sem sua concreta efetivação é o padrão não apenas no Brasil, mas também em outros presidencialismos. Essa é uma evidência de que o artifício institucional do impeachment faz parte do jogo político.

Ou seja, antes de significar fragilidades de desenho institucional, o uso frequente de impeachments representa momentos de efervescência da democracia representativa, sendo também um sinal de aprendizado político. O mais interessante é que o uso desse instrumento, efetivado ou não, tem ocorrido sem rompimentos ou comprometimentos à democracia.

Os pedidos de impeachment que se efetivaram no Brasil seguiram as regras estabelecidas na Constituição e seus procedimentos foram chancelados pela Suprema Corte, o que lhes conferiu legitimidade, independentemente de alegações de uma suposta falta de merecimento dos governantes penalizados.

FENÔMENO COMPLEXO – A interrupção de mandatos presidenciais é um fenômeno complexo que tem várias causas e determinantes, mas todos eles têm um elemento em comum: a quebra de apoio parlamentar seguido da convergência de interesses da maioria da sociedade contra o presidente de plantão.

A gravidade das irregularidades cometidas pelo governante, que configurariam potenciais crimes de responsabilidade, assume um papel secundário nesse jogo. Portanto, é ingenuidade comparar qual governante mereceria mais ou menos ter seu mandato finalizado por uma decisão da maioria qualificada de parlamentares.

Como estratégia política, é evidente que o impeachment interessa a alguns e a outros não. Sempre quem perde com o impeachment tende a alegar defensivamente que foi uma tentativa de golpe contra quem recebeu o mandato da maioria dos eleitores.

TERCEIRA VIA – Na conjuntura atual, uma parcela considerável da população votaria no retorno do ex-presidente Lula ao poder para evitar a reeleição de Bolsonaro. Entretanto, outro contingente expressivo de eleitores está em busca de alternativas. Logo não votaria nem em Lula nem em Bolsonaro, especialmente se essa alternativa for capaz de derrotar Lula ou Bolsonaro no segundo turno. Assim, para Lula, seria vantajoso que Bolsonaro se mantivesse na disputa de forma competitiva.

Se respeitados os procedimentos, um possível impeachment de Bolsonaro não será um golpe – assim como não foi o de Dilma –, ainda que possa servir como um “golpe de misericórdia” para a candidatura de Lula.

Com Mendonça, pastores querem unir Cristo, Tibério, Pilatos e Herodes Antipas


Pastores intercedem por Mendonça, “terrivelmente evangélico”

Pedro do Coutto

Pastores que lideram redutos eleitorais, acentuando suas condições de evangélicos, iniciaram uma ofensiva junto aos senadores no sentido da aprovação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal como propõe o presidente Jair Bolsonaro. Os pastores políticos empenham-se, assim, por uma tentativa de unir figuras tão diferentes como as que separam Jesus Cristo do imperador Tibério, do governador Pôncio Pilatos, indicado pelos romanos, e Herodes Antipas, governador da Judeia, que dividia o palco dos acontecimentos com o procônsul Pôncio Pilatos.

Jesus Cristo nasceu 45 anos após a morte de Júlio César, apunhalado ao sair do senado romano. Jesus Cristo nasceu quando Augusto era imperador de Roma e morreu 33 anos depois, no tempo do imperador Tibério. Roma invadira a Judeia e ocupou o país. Impôs Pôncio Pilatos como governador, mas havia a questão religiosa. Indicou também o governador judeu, Herodes Antipas, filho do rei Herodes, que já havia caminhado para uma eternidade que não o recomenda como exemplo.

AVALISTAS – Os pastores que controlam redutos eleitorais afirmam-se como líderes evangélicos que endossam a indicação de Mendonça. São protestantes, de fato, o que melhor define a condição evangélica, pois os evangélicos são todos os cristãos que seguem o Novo Testamento e os evangelhos de Mateus, Marcos, João e Lucas. Mas essa é outra questão.

Os pastores que professam a religião na Igreja Universal ou nos templos mais próximos a Edir Macedo mobilizaram-se para que o Senado aprove Mendonça, segundo Bolsonaro, “terrivelmente evangélico”. Mas Mendonça enfrenta resistências. Um dos focos tem como protagonista Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).  O senador Omar Aziz, presidente da CPI da Pandemia, também se opõe ao nome indicado pelo presidente da República. Há resistências, inclusive porque, quando ministro da Justiça, Mendonça processou jornalistas e políticos por questões de opiniões.

De qualquer forma, o pastor Silas Malafaia cobra o apoio de Omar Aziz, que o conhece pessoalmente, lembrando surpreendentemente que a sua corrente possui mais de um milhão de membros da Assembleia de Deus no Amazonas. No caso, a cobrança acompanha uma ameaça nas urnas.

RESISTÊNCIAS – O líder da Igreja Sara Nossa Terra, Robson Rodovalho, também coloca a questão de apoio e de votos em contato com vários parlamentares na mesma linha de Silas Malafaia. Por seu turno, o presidente da chamada bancada evangélica na Câmara, deputado federal Cezinha de Madureira, procurou minimizar as resistências no Senado e disse que o fato de Alcolumbre não querer receber Mendonça era por estar ocupado no momento da solicitação. Cezinha de Madureira disse que conta com o apoio de senadores e senadoras e que trabalhará por mais votos favoráveis.

Bernardo Mello, O Globo desta quarta-feira, sustenta que, o que não deixa de ser uma surpresa, o senador Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou favoravelmente a André Mendonça. A reportagem relaciona todos os posicionamentos de Mendonça quando ministro da Justiça e depois como advogado-geral da União. São posições fortemente conservadoras. Aliás, na minha opinião, a religião não é fator a ser acrescentado a quem é indicado para o STF. Estranho também o fato de Silas Malafaia e Robson Rodovalho terem lembrado que comandam bases eleitorais.

O título deste artigo relembra o meu livro “Cristo, o maior dissidente da História”. Dissidente do judaísmo e a maior figura da humanidade. Inclusive porque Jesus Cristo crucificado por Roma estabeleceu um corte na história, dividiu o tempo entre antes e depois Dele. Esta divisão é seguida por todas as demais religiões, nelas se incluindo a judaica, o islamismo e o budismo, para citar algumas que convergem para o encontro com Deus. A exemplo do pintor Michelangelo, na Capela Sistina, na imagem eterna de Deus estendendo a mão para tocar a de Adão e a de Adão estendendo-se para tocar a de Deus.

ELETROBRAS – Reportagem de Daniel Gullino, O Globo, revela que na noite da última terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos a Medida Provisória aprovada pelo Congresso, viabilizando a privatização da Eletrobras. Ela será privatizada através de aumento de capital com a colocação de ações na Bovespa. Todo o processo está previsto para ser implantado no primeiro bimestre de 2022.

O texto original da MP foi elaborado pelo ministro Paulo Guedes. Entre um dos pontos vetados encontra-se o artigo que proibia por 10 anos a extinção ou incorporação de Furnas, da Chesf, da EletroNorte e EletroSul que compõem o universo da produção de energia elétrica no país. Destaque para Furnas, responsável por 19% do abastecimento e 20% da transmissão da energia gerada por Itaipu. São assim 39% do mercado.

Ao que se refere à privatização através da compra de ações na Bovespa fica claro que não existe concretamente injeção de capital porque as ações são de propriedade das empresas que as adquiriram e que podem negociá-las a qualquer momento. O Ministério da Economia considera a operação necessária para que se realizem flexibilizações societárias.

APROVEITAMENTO – Outro ponto vetado foi o que permitia que empregados que vierem a ser demitidos no primeiro ano após a privatização deveriam ser aproveitados em outras estatais. A explicação foi de que violaria o princípio do concurso público e criaria incentivos indesejados. Falso.

Muitos dos funcionários de Furnas, da Chesf, da EletroNorte e EletroSul já foram admitidos através de concursos e outros são bastante anteriores à Constituição de 1988, admitidos dessa forma pela CLT. Aliás, a CLT é o regime aplicado a todos os empregados da Eletrobras. Há dirigentes da holding que ocupam cargos comissionados.

Completando o cardápio de vetos, acrescenta-se aquele que veta a obrigação de licença ambiental para a construção de linhas de transmissão, a exemplo do trecho Manaus-Boa Vista. A dispensa de licença ambiental abre caminho, como ficou patente na administração Ricardo Salles, a empreendimentos que se encontrem incluídos em áreas nas quais vierem a ser implantadas linhas de transmissão. Grande parte das obras previstas nos últimos cinco anos não foram realizadas, prevalecendo ou uma questão de falta de recursos financeiros ou de pura e simples inércia e incompetência.

REFORMA TRIBUTÁRIA – O relator da reforma tributária na Câmara Federal, deputado Celso Sabino, incluiu em seu relatório a extinção do vale-alimentação que as empresas, inclusive as estatais, destinam aos seus empregados.

A Associação Brasileiras de Empresas de Benefícios ao Trabalhador, entre as quais a Sodexo, Ticket e Alelo já começaram a protestar, mas na minha opinião, o protesto maior será o dos próprios trabalhadores pela perda de um direito instituído em uma lei de 1976. Existem dois tipos de vale, o que é aceito pelos restaurantes e o que permite a aquisição de produtos nos supermercados. É incrível que um deputado possa ter uma iniciativa dessa ordem.

MEIO AMBIENTE –  Renato Grandelle, O Globo, é o autor de uma reportagem, edição de ontem, revelando para perplexidade geral que o Ibama no momento só conta com 27% do número de servidores necessário para fiscalizar o desmatamento, a grilagem e os incêndios provocados na região amazônica e no Pantanal de Mato grosso.

Para Denis Rivas, presidente da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema), a um processo de desmonte do Ibama e do crescimento do enorme abate de árvores cujos troncos são negociados tanto no Brasil quanto através de exportações para outros países.

RACISMO – Torcedores ingleses inconformados com a derrota na final da Eurocopa para a Itália, em um atentado social, fixaram cartazes e fizeram caminhadas pelas ruas de Londres culpando Rashford, Sancho e Saka como responsáveis pela derrota do país.

O grande culpado da derrota foi o treinador inglês que colocou Rashford, Sancho e Saka em campo no final da prorrogação com a tarefa de bater os pênaltis. Um erro foi observado também por William Bonner no final do JN de segunda-feira. Os três atletas estavam frios, distantes do ritmo da partida. Por ação tácita foi atribuída a eles uma missão que abalaria o sistema nervoso de qualquer um. Foi o que aconteceu. Se parte da torcida inglesa desejava culpar alguém, que culpasse o técnico e não os atletas.

Secretário está sendo fritado

Rádio Pinhão aumenta mais não inventa, em Jeremoabo as notícias voam como penas soltas jogadas de um morro durante um vendaval..

Ontem à noite recebi uma mensagem contando todos os pormenores da provável queda de um Secretário; todavia, por descuido quando copiei para colar   cliquei no botão excluir.

Comenta-se que um secretário de nome e renome, que ocupa um das mais importantes pasta, está sendo fritado em " banho maria" e em dose homeopática já começou a ser descartado, pelo mesmo grupo que descartou a ex-secretária de Educação.

Fato visível, só não enxerga quem está olhando para o porão do navio.

Nota da redação deste Blog - Para meditar, nada melhor do que esse pensamento abaixo:


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