sexta-feira, junho 04, 2021

Após ser criticado por Bolsonaro, Otto rebate: 'Não sabe diferenciar o real do irreal'

Após ser criticado por Bolsonaro, Otto rebate: 'Não sabe diferenciar o real do irreal'
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

O senador Otto Alencar (PSD-BA) respondeu às críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonado (sem partido) na última quinta-feira (4), numa live realizada no Facebook. O chefe de Estado sugeriu que o parlamentar baiano fica “posando como o pai da medicina” e “humilhando mulheres” (leia mais aqui) – numa referência ao depoimento da médica Nise Yamaguchi, na última terça-feira (1º).

 

Em resposta, Otto afirmou que Bolsonaro é “fraco” e “confuso”. “Quanto às críticas feitas a minha atuação na CPI da Covid, em live, pelo presidente Jair Bolsonaro, reitero o que disse em 3 de abril do ano passado. Meu Deus, como um homem tão fraco, confuso, que não sabe diferenciar o real do irreal e com falsas crenças pode tomar por meio do voto a dianteira em um País tão maravilhoso como o nosso. Triste realidade”, disse, em nota enviada à imprensa.

 

Durante depoimento de Nise, que é defensora do uso dos medicamentos cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento precoce contra a Covid-19, Otto, que é médico, confrontou Nise, e chegou a afirmar que ela foi leviana em pontos da defesa do tratamento precoce que, segundo entidades de saúde, não tem eficácia comprovada no combate ao novo coronavírus (leia mais).

Bahia Notícias

Terceiro Turno': Sombra de Bolsonaro racha patriota na Bahia

Terceiro Turno': Sombra de Bolsonaro racha patriota na Bahia
Arte: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

A possibilidade do presidente Jair Bolsonaro se filiar ao partido Patriota, já ventilada nos bastidores, ficou mais próxima ou mais real com a filiação do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, ao partido nesta semana. O chefe do poder Executivo do Brasil está sem um partido para chamar de seu desde 2019, quando deixou o PSL.

 

Mudanças como esta redesenham alianças. Na Bahia, a novidade em relação a Flávio, e a possibilidade de migração do clã Bolsonaro para o Patriota gerou reações das principais lideranças da sigla em Salvador, que até então marcha com o ex-prefeito da capital, ACM Neto, e que, como todo mundo sabe, tem feito críticas ao presidente.

 

Diante disso as jornalistas Ailma Teixeira, Jade Coelho e Mari Leal discutem, no episódio 80 do Terceiro Turno, as reações, mudanças e projeções para o cenário político na Bahia com a possibilidade do clã Bolsonaro integrar o Patriota.
 

Com edição de Paulo Victor Nadal, o podcast está disponível no nosso site todas as sextas-feiras, sempre às 8h10, e nas principais plataformas de streaming: SpotifyDeezerApple PodcastsGoogle PodcastsCastbox e TuneIn.

Mostrando Cristo no oxigênio, “The Economist” diz que o Brasil precisa tirar Bolsonaro

Publicado em 3 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Capa Economist

Capa da The Economist diz que Brasil enfrenta a década perdida

BBC News Brasil

Um relatório especial da revista britânica The Economist, publicado nesta quinta-feira (03/06), afirma que o Brasil vive hoje “sua maior crise desde o retorno à democracia em 1985” e atribui a maior parte dos problemas ao governo do presidente Jair Bolsonaro. A capa do relatório — que contém sete reportagens em 11 páginas — traz uma imagem do Cristo Redentor usando uma máscara de oxigênio e a manchete “On the brink” (“Na beira”).

“Seus desafios [do Brasil] são assustadores: estagnação econômica, polarização política, ruína ambiental, regressão social e um pesadelo ambicioso. E teve de suportar um presidente que está minando o próprio governo. Seus comparsas substituíram funcionários de carreira. Seus decretos têm forçado freios e contrapesos em todos os lugares”, diz o texto de abertura do relatório assinado pela correspondente do Economist no Brasil, Sarah Maslin.

HORA DE IR EMBORA – No artigo que conclui o relatório — intitulado “Hora de ir embora” — a revista diz que o futuro do Brasil depende das eleições de 2022, e que a prioridade mais urgente do país é se livrar de Bolsonaro.

“Os políticos precisam enfrentar as reformas econômicas atrasadas. Os tribunais devem reprimir a corrupção. E empresários, ONGs e brasileiros comuns devem protestar em favor da Amazônia e da constituição”, diz a revista. “Será difícil mudar o curso do Brasil enquanto Bolsonaro for presidente. A prioridade mais urgente é votar para retirá-lo do poder.”

A revista não sugere qual candidato seria o mais indicado para governar o Brasil. “As pesquisas sugerem que Lula ganharia em um segundo turno [contra Bolsonaro]. Mas, à medida que a vacinação e a economia se recuperam, o presidente pode retomar terreno. Lula deve mostrar como a forma de [Bolsonaro de] lidar com a pandemia custou vidas e meios de subsistência, e como ele governou para sua família, não pelo Brasil. O ex-presidente deve oferecer soluções, não saudades.”

‘DÉCADA DE DESASTRES’ – A publicação afirma que o Brasil já enfrentava uma “década de desastres” antes mesmo da chega do presidente ao poder, mas que agora o país está retrocedendo — com Bolsonaro e com a pandemia de covid-19.

“Antes da pandemia, o Brasil sofria de uma década de problemas políticos e econômicos. Com Bolsonaro como médico, o Brasil agora está em coma.”

A Economist argumenta que Bolsonaro não deu um golpe de Estado — como alguns temiam que pudesse acontecer —, mas possui instintos autoritários que enfraqueceram as instituições democráticas brasileiras, com suas constantes agressões.

INSTITUIÇÕES FRACAS – “Muitos especialistas disseram que as instituições brasileiras resistiriam a seus instintos autoritários. Até agora, eles provaram estar certos. Embora Bolsonaro diga que seria fácil realizar um golpe, ele não o fez. Mas, em um sentido mais amplo, os especialistas estavam errados. Seus primeiros 29 meses no cargo mostraram que as instituições do Brasil não são tão fortes quanto se pensava e se enfraqueceram sob suas agressões.”

A revista diz que Bolsonaro encerrou a investigação da Lava Jato após acusações feitas contra seus filhos — beneficiando “políticos corruptos e grupos criminosos organizados” —, não promoveu mais reformas significativas desde a reforma da Previdência de 2019 e causou danos à Floresta Amazônica, por se solidarizar com madeireiros, mineiros e fazendeiros que promovem o desmatamento.

“Ele levou uma motosserra para o Ministério do Meio Ambiente, cortando seu orçamento e forçando a saída de pessoal competente. A redução do desmatamento requer um policiamento mais firme e investimento em alternativas econômicas. Nenhum dos dois parece provável.”

CRÍTICAS AO PT – Em outra reportagem, a revista afirma que depois de uma “geração de progresso”, a mobilidade social está desacelerando no país. Segundo a revista, anos de políticas voltadas para o controle da inflação e diminuição da pobreza foram seguidos por uma “década de políticas ruins e sorte pior ainda”.

A revista critica as gestões do PT por investirem pouco em infraestrutura, abandonarem reformas pró-negócios e por adotarem políticas semelhante à substituição de importação. Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, também so criticados.

“Guedes se gabava de que seriam feitas reformas para simplificar o código tributário, reduzir o setor público e privatizar empresas estatais ineficientes. No entanto, o espírito reformista se mostrou fugaz. Bolsonaro não é muito liberal. Seu desgosto por reformas duras tornou fácil para o Congresso ignorar a agenda de Guedes.”


Depois de Pazuello ser poupado, o perigo agora é Bolsonaro pensar (?) que manda nos militares

 Publicado em 4 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Se tentar dar o golpe militar, Bolsonaro será o primeiro a ser preso

Carlos Newton

Conforme já explicamos aqui na Tribuna, não existe vazamento em assuntos do Alto Comando do Exército. A única vez que isso aconteceu foi no governo João Goulart, quando Helio Fernandes publicou um documento carimbado de “Confidencial” e a República estremeceu. Jango mandou processar Helio Fernandes no Supremo, porque se recusou a revelar sua fonte. Se fosse condenado, pegaria 4 anos de prisão. Foi uma decisão apertadíssima e o jornalista Fernandes ganhou por 5 votos a 4, numa época em que ainda havia juízes em Berlim, digo, em Brasília.

O vazamento da informação foi assumido publicamente pelo general Cordeiro de Farias, contra a vontade de Helio Fernandes, isso num tempo em que ainda havia generais em Berlim, digo, em Brasília. E não sofreu punição, porque Henrique Lott já havia se reformado e o Exército não tinha mais líder.

A HISTÓRIA SE REPETE – Como os marxistas acreditam que a História somente se repete como farsa, agora o general Pazuello também não foi punido, mas estará para sempre no anedotário nacional, que é uma condenação muito maior do que ser advertido pelo comando. Mas essa não foi a primeira farsa na repetição de casos de generais rebeldes que transgrediram as regras militares e deixaram de ser punidos.

Antecipamos aqui, desde o início, que Pazuello não seria punido, devido aos precedentes de impunidade do general Hamilton Mourão, em passado muito recente.

Em 2015, quando estava à frente do Comando do Sul, Mourão esculhambou a presidente Dilma Rousseff, que disse ter sido torturada no regime militar, e aproveitou para elogiar o coronel torturador e assassino Brilhante Ustra. Mourão não foi punido. O comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, apenas trocou o cargo dele, mas o manteve no Alto Comando do Exército.

NOVA TRANSGRESSÃO – Em 2017, já no governo Temer, Mourão vestiu a farda de gala e fez palestra na Maçonaria de Brasília, onde defendeu a possibilidade de uma nova intervenção militar. E mais uma vez não foi punido. Simplesmente pediu passagem para a reserva e foi presidir o Clube Militar, de onde só saiu quando se elegeu vice-presidente. Ora, um Exército que não pune um encrenqueiro como Mourão, por que iria punir uma puxa-saco como Pazuello? Não faz o menor sentido.

Agora, a especulação da imprensa é sobre o que pode acontecer daqui para a frente. Vem aí muita conversa fiada, porque pode acontecer tudo, ou pode não acontecer nada.

É claro que existe um risco. O presidente Bolsonaro pode pensar (?) que a decisão do Alto Comando significa que ele não somente manda no Exército, como pode fazer o que bem entender, porque o ministro da Defesa, Braga Netto, é uma espécie de Pazuello com quatro estrelas.

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P.S. – 
É somente esse o perigo que corremos, porque, se houver confusão, o Exército então dará o golpe, mas expulsará Bolsonaro do Planalto-Alvorada, pois todo mundo sabe que capitão não manda em general de verdade. (C.N.)

ABI propõe a Bolsonaro que demita Salles no sábado, Dia Mundial do Meio Ambiente


Ricardo Salles passando a boiada

Charge do J. Bosco (O Liberal)

Carlos Newton

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa, jornalista Paulo Jerônimo, enviou uma carta-aberta ao presidente Jair Bolsonaro, propondo que ele demita o ministro Ricardo Salles no próximo sábado, 5 de junho, por ser Dia Mundial do Meio Ambiente.

O texto de Paulo Jerônimo, encaminhado ao Palácio do Planalto nesta quinta-feira, dia 3, é do seguinte teor:

Pelo fato de o tema não ser considerado relevante pelo seu governo, talvez V. Ex.ª não tenha conhecimento de que o próximo sábado, dia 5 de junho, foi declarado pela Organização das Nações Unidas o Dia Mundial do Meio Ambiente.

A iniciativa da ONU teve como objetivo chamar a atenção para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais de nosso planeta.

Duas razões fazem do Brasil um personagem presente quando se trata hoje de meio ambiente em qualquer debate: o fato de termos em nosso território a maior parte da Amazônia, tido como o pulmão do mundo; e a política criminosa que vem sendo desenvolvida pelo governo brasileiro desde que V. Ex.ª assumiu a Presidência.

O desmatamento – que ganha contornos nunca antes vistos – é de tal monta que parece ser uma política deliberada, o que, se verdadeiro, seria um crime inominável.

Forçoso é reconhecer, por questão de honestidade, que a ABI não tem muita esperança de que algo relevante mude na política ambiental brasileira antes de 2023, quando assumirá o novo presidente.

Até lá, talvez tenhamos que nos conformar em fazer críticas, protestar e conviver com um fato vergonhoso: sempre que se debater meio ambiente no plano internacional, um país será apontado unanimemente como vilão. Este país é o Brasil.

De qualquer forma, mesmo sem grande expectativa de que nossa sugestão seja aceita, aproveitamos o Dia Mundial do Meio Ambiente para propor a V. Ex.ª que exonere o ministro Ricardo Salles.

Sim, demita esse ministro que disse ser preciso aproveitar a pandemia para “passar a boiada” e avançar na extinção das normas de preservação do meio ambiente.

Como é de conhecimento de V. Ex.ª, desde o início de seu governo ele sofria pesadas críticas devido ao seu desempenho. Mas, agora, as coisas são mais graves. O ministro enfrenta também denúncias de corrupção.

Salles é alvo de pedido de um inquérito por parte da Procuradoria Geral da República, órgão de seu governo, que fique claro. É suspeito de praticar advocacia administrativa, dificultar a fiscalização ambiental e embaraçar a investigação de infração que envolve crimes de uma organização criminosa.

A denúncia foi firmada pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, e enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Sua relatora é a ministra Cármen Lúcia, tem como base a notícia-crime enviada pelo ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva ao Supremo. A acusação se relaciona com a maior apreensão de madeira da história do Brasil. Foram 226.763 metros cúbicos de madeira, num valor estimado seria de R$ 129 milhões. Segundo o delegado, teria havido interferências indevidas do ministro para proteger os criminosos.

Ricardo Salles é investigado também em outra ação no STF, pelo ministro Alexandre de Moraes, relacionada com a facilitação de exportação ilegal de madeira.

Assim, presidente, mesmo sabendo que os temas que mais lhe agradam são de outra natureza, sugerimos a V. Ex.ª esse gesto em homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente: a demissão do ministro Ricardo Salles.

Tite: Jogadores da seleção brasileira que atuam na Europa não querem disputar Copa América.

 





Os jogadores da seleção brasileira se reuniram com Tite, a comissão técnica do treinador e com integrantes da diretoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para discutir se participam ou não da Copa América, que será disputada no país. A informação é de Bruno Cassucci, no Globo Esporte.

Segundo a Rádio Gaúcha, os atletas que atuam na Europa pediram para não jogar a competição, em consequência dos números elevados de casos e mortes por Covid-19 e o risco que o torneio pode oferecer à população.




Durante coletiva, na noite desta quinta-feira (3), Tite confirmou que estão ocorrendo “conversas internas” na seleção. Porém, não comentou sobre o desejo dos atletas.“Temos uma opinião muito clara e fomos lealmente, numa sequência cronológica, eu e Juninho, externando ao presidente qual a nossa opinião. Depois, pedimos aos atletas para focarem apenas no jogo contra o Equador.

Na sequência, eles solicitaram uma conversa direta ao presidente. Foi uma conversa muito clara, direta. A partir daí a posição dos atletas também ficou clara. Temos uma posição, mas não vamos externar isso agora. Temos uma prioridade agora de jogar bem e ganhar o jogo contra o Equador. Entendemos que depois dessa Data Fifa as situações vão ficar claras. Depois desses dois jogos, vou externar a minha posição”, disse Tite.

Insistência

Os repórteres insistiram com questionamentos sobre o assunto, mas o treinador não revelou mais detalhes.

“Não estou abrindo mão das respostas e estou colocando os fatos, com discernimento e sensatez que tenho. É muito importante a Copa América. Mas mais importante é o nosso jogo amanhã. É jogarmos bem, porque vamos ser cobrados, inclusive com o nosso torcedor. Ele cobra nossa posição. Temos posição clara. Mas deixa a nossa cabeça voltada para o jogo de amanhã. Entendo todos vocês e também entendo que é importante essa posição e não estou me eximindo”, acrescentou Tite.

https://tribunamulungu.com.br/

quinta-feira, junho 03, 2021

Youtube comprova a altíssima irresponsabilidade do “gabinete paralelo” da pandemia


O ex-assessor da Presidência Arthur Weintraub participa de live com o médico Luciano Dias Azevedo, em fevereiro de 2021

No Youtube. Weintraub e Azevedo ridicularixam o uso das máscaras

Fábio Zanini
Folha

Apontado como idealizador do chamado “gabinete paralelo” que assessora o governo federal no combate à pandemia da Covid-19, o ex-assessor da Presidência Arthur Weintraub estimou em cerca de 300 o número de pessoas aconselhando Jair Bolsonaro quanto ao uso da hidroxicloroquina.

Detalhes da concepção e funcionamento desta estrutura, à margem do Ministério da Saúde, são descritos em duas lives realizadas entre Weintraub e o anestesista Luciano Dias Azevedo, um dos médicos mais influentes entre defensores do chamado “tratamento precoce” contra a Covid. As conversas foram promovidas pelo canal de Weintraub no YouTube e tiveram audiência baixa, inferior a 5.000 visualizações cada uma até quarta-feira (2).

COMPROVAÇÃO – A existência de um “gabinete paralelo”, que aconselharia Bolsonaro sobre o uso de drogas ineficazes contra a Covid-19 como hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina, é uma das principais linhas de investigação da CPI da Covid no Senado.

Em 8 de julho de 2020, o então assessor da Presidência e o médico conversaram durante 58 minutos sobre os supostos benefícios do tratamento precoce contra o coronavírus. Na parte final da live, Azevedo explica à audiência que foi Weintraub quem criou o grupo paralelo e o agradece pela iniciativa.

“Eu quero te agradecer [Arthur], muito obrigado por essa jornada, de dias e noites que conversamos tanto, estudamos tanto juntos, discutimos tanta coisa. Você começou isso lá no começo de março [de 2020], pedindo para juntar gente para estudar [tratamento precoce]”, afirma o médico Azevedo. Em resposta, Weintraub retribui a gentileza e estima o tamanho da rede de contatos do interlocutor.

REDE DE CONTATOS – “Você juntou um grupo gigante. As pessoas não sabem. Você deve ter umas 300 pessoas na tua rede de contatos, networking, só da hidroxicloroquina. Você é antenado, você sabe o que está acontecendo lá fora”, diz o então assessor da Presidência.

O médico em seguida emenda: “Agradeço pela oportunidade que vocês me abriram de eu puder juntar esse time para a gente poder estudar juntos e continuar achando soluções”.

A participação de Weintraub na estrutura paralela entrou na mira da CPI da Covid após o site Metrópoles ter revelado o vídeo de um evento dele, em agosto de 2020 no Palácio do Planalto, em que fala sobre seu contato com médicos que defendem o tratamento precoce. Azevedo era um dos presentes à solenidade, na ocasião.

GRUPO DE ASSESSORAMENTO – Nas lives, Azevedo e Weintraub confirmam a existência do grupo de assessoramento, embora não utilizem o termo “gabinete paralelo” em nenhum momento.

Weintraub foi assessor da Presidência até setembro do ano passado, quando ganhou um cargo na OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington, nos Estados Unidos. Ele é irmão de Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, que também vive na capital americana, trabalhando no Banco Mundial.

Sete meses depois da primeira live, em 13 de fevereiro deste ano, os dois amigos voltaram a conversar, desta vez num bate-papo online de duas horas.

TRATAMENTO PRECOCE – O tema principal era o uso medicinal da maconha, mas na parte final eles voltaram a falar sobre tratamento precoce e o grupo de assessoramento paralelo. Weintraub já estava em Washington, em seu novo cargo na OEA.

Dirigindo-se aos que acompanhavam a live, Azevedo diz que Arthur Weintraub foi quem “conectou” os médicos do grupo, que levavam informações a Bolsonaro.

Médico concursado da Marinha, Azevedo explica que integrava o Docentes Pela Liberdade, entidade que reúne professores universitários de direita, e foi nessa condição que se aproximou de Arthur.

CABEÇÃO MÁSTER – Na live, o médico chega a chamar amistosamente o ex-assessor da Presidência, que tem formação jurídica e não médica, de “cabeção que estuda pra caramba”. Revela ainda que Abraham Weintraub, definido como “cabeção master”, também participou da iniciativa.

“Arthur começou a buscar junto com o Abraham para achar soluções para o país e para os hospitais e levava os artigos para o presidente ler. O presidente foi entendendo a doença, foi entendendo as possíveis soluções, o tratamento [precoce] era uma das soluções”, afirma Azevedo.

Em seguida, ele cita diversos médicos que se somaram ao grupo, inclusive Nise Yamaguchi, que prestou depoimento à CPI na última terça-feira (1º).

CHEGANDO MAIS – “Fomos construindo e agregando, aí veio o Zanotto, veio o Paulo, que é um colega da Unifesp que trabalha na área de linguística, o Marcelo, a Nise, o Wong, o Zeballos, a Marina, Luciana, Jorge, Zimmermann, já são mais de 10 mil. Entre fevereiro e março [de 2020] éramos nós que estávamos estudando, o Arthur tentando conectar esse pessoal todo”, relata Azevedo.

Entre os médicos citados estão, além de Nise, Paulo Zanotto (virologista), Anthony Wong (pediatra, morto em janeiro), Roberto Zeballos (imunologista) e Ricardo Zimmermann (infectologista). A Folha não conseguiu identificar os demais.

Azevedo acrescenta ainda que esse grupo fornecia informações bem fundamentadas para Bolsonaro sobre o tema.

TRAZENDO SOLUÇÕES – “Esses caras estavam ouvindo uma gama imensa de gente que estava trazendo soluções de tudo que é jeito para ele [Bolsonaro], de grandes instituições, que estavam tendo reuniões constantes. Isso precisa ser dito”, afirma o médico.

Segundo ele, não eram opiniões soltas. “Não é uma opinião solta, que o presidente da República acordou de manhã e falou ‘eu vou…’ Não, existia um movimento e um porquê, essas pessoas idôneas que tivessem a paciência de virar a noite, estudando e lendo artigos e compartilhando. Foi assim que tudo começou”, complementa.

Em diversos trechos da conversa, ambos fazem defesa enfática do chamado “tratamento precoce”, desaconselhado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela maioria dos especialistas pela ineficácia e riscos envolvidos.

EXEMPLO DO TAMIFLU – “Ah, mas não está cientificamente comprovado. Bicho, tamiflu ali atrás também não estava e foram dando para todo mundo quando teve o H1N1”, afirma Arthur Weintraub na conversa de julho de 2020.

Em outro trecho, Azevedo defende o uso da hidroxicloroquina no primeiro estágio da doença, o da replicação viral. Ele cita como referência o médico ucraniano-americano Vladimir Zelenko, um dos principais difusores da droga no mundo, cujos estudos foram rechaçados pela maior parte da comunidade científica internacional.

“O último manuscrito do dr. Zelenko está mostrando 84% menos de internação e 5% menos de mortalidade naqueles que usam o protocolo de tratamento precoce”, diz o anestesista.

CIÊNCIA DESPREZADA – A dupla também relativiza o peso da ciência no tratamento da Covid-19. Na live de julho, Azevedo diz que “a ciência na verdade é o confronto de ideias, é justamente puxar o lençol cada um para um lado para a gente poder chegar à verdade”.

Já Weintraub, em outro trecho, diz que não se pode esperar pela comprovação científica de drogas contra a doença. “Esses blogs, não vou falar jornal, falam: ‘o remédio não cientificamente comprovado’. Justamente, querem que esperem todos esses estudos para que depois possa utilizar, daqui a um ano, sei lá quando”, diz.

Eles ainda apontam exagero na defesa do uso das máscaras, uma das principais recomendações de médicos para evitar a proliferação do vírus.

USAR MASCARAS – “O que você acha de ter que usar 11 máscaras?”, pergunta Weintraub em tom irônico, em um trecho. Azevedo responde também com ironia, colocando uma bandana no rosto “igual bangue-bangue à italiana”:

“A discussão chegou num ponto tão pouco produtivo que não querem saber se a máscara funciona ou não. Estão te obrigando a passar o dia inteiro e até uma parte da noite reinalando gás carbônico, teu sangue se torna mais ácido, diminui o pH. Virou uma grande loucura”, diz o anestesista, citando suposto risco do uso da proteção facial, algo também sem comprovação científica.

 

Para o médico, usar a máscara se justifica “dentro de um busão”, mas nem sempre ao ar livre. “Você está caminhando sozinho na rua, não vai vir o vírus, não vai ter uma asa que vai dentro do teu nariz e vai te infectar. Temos que trazer as pessoas para a realidade dos fatos.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Como se vê, o clima no “gabinete paralelo” era de altíssima irresponsabilidade. Com assessores desse tipo, Bolsonaro tinha mesmo de derreter. Como se dizia outrora, não há tatu que aguente. (C.N.)

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