sábado, abril 03, 2021

Celso de Mello parabeniza vacinação de Fux contra “práticas negacionistas” e “mentes obscurantistas”

 

O ex-decano elogiou a postura de Fux ao defender a ciência

Pepita Ortega e Rafael Moraes Moura
Estadão

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello cumprimentou o presidente da Corte, Luiz Fux, por sua vacinação contra o coronavírus nesta sexta-feira, dia 2. O ex-decano elogiou a postura de Fux ao defender a ciência e ressaltou que, ‘na situação caótica a que foi irresponsavelmente lançado o Brasil’, a vacina significa a ‘própria exaltação da vida’.

“Parabéns por seu gesto que rejeita, de modo expressivo, aos olhos da Nação, práticas negacionistas irresponsáveis e que repudia, com a elevada autoridade do seu cargo de Chefe nominal do Poder Judiciário nacional, o grito necrófilo, desprezível e infame de mentes obscurantistas que absurdamente cultuam a morte em paradoxal detrimento da preservação da saúde e da intangibilidade da vida de nossos cidadãos”, escreveu Celso de Mello em mensagem enviada a Fux e obtida pelo Estadão.

PRIMEIRA DOSE – Com 67 anos, o presidente do STF recebeu a primeira dose da vacina contra o coronavírus na sede do Museu da Justiça, no Centro Cultural do Poder Judiciário (CCMJ), na região central do Rio. Na saída, afirmou: “Hoje é um dia importante, porque na qualidade de homem público eu transmito o exemplo de ter tomado a primeira dose da minha vacina. Nós, do Judiciário, temos uma profunda deferência à ciência. Por isso é que dizemos sim à ciência e não à morte. Sim à vida e não à morte”.

Além de Fux, outros três ministros do STF já foram vacinados – Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e Ricardo Lewandowski. Entre os chefes de poderes, o presidente do Supremo é o primeiro a ser imunizado contra a covid-19.

“INDECISO” – O início da vacinação para pessoas acima de 66 anos no Distrito Federal neste sábado abriu a possibilidade para que o presidente da República, Jair Bolsonaro, também receba o imunizante contra a covid-19. Em transmissão ao vivo pelas redes sociais nesta quinta, 1º, ele disse que ainda irá decidir se vai se vacinar ou não.

“Está uma discussão agora que eu vou me vacinar ou não vou vacinar. Eu vou decidir. O que eu acho: eu já contraí o vírus”, comentou em transmissão ao vivo nas redes sociais hoje. “Eu acho que o que deve acontecer, depois que o último brasileiro for vacinado, sobrando uma vacina, daí eu vou decidir se vacino ou não. Esse é um exemplo que um chefe tem que dar”, disse.

NA CONTRAMÃO – Mesmo com o registro de casos de reinfecção e novas variantes – além do fato de a vacina ser uma importante ferramenta coletiva de saúde pública – o presidente já chegou a dizer que não tomaria o imunizante porque já havia contraído o coronavírus. Também foi contrário à obrigatoriedade da vacina.

Além disso, Bolsonaro já questionou a eficácia e segurança das vacinas contra a covid-19 em diferentes momentos – até depois de imunizantes receberem o aval da Agência de Vigilância Sanitária.

O governo federal ainda recusou ofertas de vacinas no ano passado. Não respondeu a ofertas feitas pela Pfizer e afirmou que não compraria a Coronavac. Em dezembro, Bolsonaro chegou a afirmar que “a pressa da vacina não se justifica” porque a pandemia estaria “chegando ao fim”.


Em editorial, Washington Post diz que Bolsonaro pode estar ameaçando a democracia

 

Um dos três principais jornais americanos, o Washington Post colocou no ar nesta sexta-feira (dia 2) o editorial “Bolsonaro fracassou em conter a Covid-19. Agora ele pode estar mirando a democracia”.

Em meio a “um dos piores picos de infecção por Covid-19 que o mundo já viu”, o presidente brasileiro tem outra coisa em mente:

GOLPE POLÍTICO – “Em vez de lutar contra o coronavírus, Bolsonaro parece estar preparando as bases para outro desastre: um golpe político contra os parlamentares e eleitores que poderiam removê-lo do cargo. Com alguns no Congresso ameaçando impeachment, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva emergindo como um poderoso adversário nas eleições do ano que vem, Bolsonaro demitiu o ministro da Defesa, e os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica saíram junto.”

Afirmando que “há motivos para preocupação”, citando até o apoio de Eduardo Bolsonaro à invasão do Capitólio nos EUA, o jornal alerta:

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É bonito ler a imprensa americana a se preocupar com “uma das maiores democracias do mundo”. A preocupação é válida, porque antigamente a nossa matriz EUA incentivava golpes militares aqui na sucursal Brazil. É uma evolução, não há dúvida. Devíamos comemorar… (C.N.)

Protesto finca 300 cruzes no Cristo da Barra para lembrar mortes da Covid

 Sáb , 03/04/2021 às 14:46 | Atualizado em: 03/04/2021 às 14:50


Da Redação



Uma manifestação chamou atenção de quem passava neste sábado, 3, pela região do Morro do Cristo, no bairro da Barra, em Salvador. Foram colocadas 300 cruzes, em referência aos mais de 300 mil mortos pelo coronavírus no Brasil.

O protesto também estendeu faixas contra Jair Bolsonaro pela sua atuação na pandemia. Com "Fora Bolsonaro" e "Genocida", os manifestantes lembraram que o Brasil é o país com o maior número de mortes por dia, com mais de 30% das mortes por Covid-19 no mundo.

O protesto foi organizado por sindicalistas e militantes de movimentos populares, que também pedem por um plano nacional efetivo de proteção e de vacinação contra a Covid-19 para a população.

Desde o começo da pandemia, já são 12.910.082 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 70.238 desses confirmados no último dia. Já são 328.206 óbitos acumulados, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Na Bahia, o total de mortes já chega a 15.599. Os casos são 811.808 confirmados desde o início da pandemia, segundo informações da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab)


Fonte A Tarde


Nota da redação deste Blog - Estas fotos abaixo, é de Maria de Lourdes irmã de Lulinha Fio (in memoriam ). em protesto também, já que seu irmão foi mais uma vítima.






Agnaldo Timóteo morre aos 84 anos vítima da Covid-19

Artista estava internado no Rio de Janeiro desde o dia 17 de março

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo
03 de abril de 2021 às 15:47 | Atualizado 03 de abril de 2021 às 15:54
Volume 50%
 

O cantor Agnaldo Timóteo morreu neste sábado (3) aos 84 anos, em decorrência de complicações causadas pela Covid-19. O artista deu entrada no Hospital São Bernardo, no Rio de Janeiro, dia 17 de março e dez dias depois precisou ser intubado.

Os familiares do artista relataram sucessivas pioras no quadro do artista e pediram correntes de oração, no que foram atendidos pelos fãs do cantor. 

A morte aconteceu às 10h45 e foi confirmada pela assessoria do cantor. 

"É com imenso pesar que comunicamos o FALECIMENTO do nosso querido e amado Agnaldo Timóteo. Agnaldo Timóteo não resistiu as complicações decorrentes do COVID-19 e faleceu hoje às 10:45 horas.Temos a convicção que Timóteo deu o seu Melhor para vencer essa batalha e a venceu! Agnaldo Timóteo viverá eternamente em nossos corações!", diz o texto.

Timóteo já havia recebido as duas doses do imunizante contra o coronavírus. No entanto, os médicos acreditam que o cantor foi infectado no intervalo entre a primeira e a segunda dose da vacina.

Natural de Caratinga, em Minas Gerais, Timóteo se mudou para Governador Valadares aos 16 anos, onde se tornou torneiro mecânico. Na década de 1950, em busca do sonho de ser cantor, foi para Belo Horizonte. Embora fosse conhecido como "Cauby mineiro" na cidade, Timóteo não obteve muito sucesso.

Já na década de 1960 mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a trabalhar como motorista particular para o empresário e produtor Kléber Lisboa. Conquistou a admiração da esposa de Kléber, a cantora Angela Maria, consagrada, na época, como a "Rainha do Rádio", que passou a apoiar sua aspiração pela carreira artística.

Ao longo dos mais de 50 anos de carreira musical, Agnaldo Timóteo lançou mais de 30 LPs, mais de 20 CDs e três DVDs. Mesmo tantas décadas depois, o cantor seguia com mais de 100 mil ouvintes mensais segundo o Spotify.

Em 2019, o artista sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e precisou ser colocado em coma induzido. 

Carreira Política

Agnaldo Timóteo se candidatou ao cargo de deputado federal pelo PDT do Rio de Janeiro nas eleições de 1982 e obteve a maior votação daquele pleito: mais de 500 mil votos. Deixou a Câmara no fim da legislatura, em janeiro de 1987, retornando à vida artística.

Em 1990, já no PDS, voltou ao cenário político e disputou o governo do Rio de Janeiro contra seu ex-aliado Leonel Brizola, que venceu o pleito ainda no primeiro turno.

O cantor voltou a se candidatar a deputado federal em 1994. Concorrendo pelo Partido Progressista Reformador (PPR) - resultado da fusão do PDS com o Partido Democrata Cristão (PDC) - obteve votação inexpressiva. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE), diante de uma suspeita de fraude, impugnou as eleições e convocou novo pleito. O desempenho de Timóteo foi o suficiente para conquistar a primeira suplência e o levar à Câmara novamente, em maio de 1995.

Timóteo substituiu o deputado Amaral Neto, que precisou se afastar por motivos de saúde, e atuou como titular nas comissões de Defesa do Consumidor, de Meio Ambiente e das Minorias. Ele atuou também junto à comissão especial criada para analisar a proposta de abertura de cassinos no país.

Com a fusão do PPR com o Partido Progressista (PP) em 1995, o cantor filiou-se ao Partido Progressista Brasileiro (PPB). Com a morte do deputado Amaral Neto, em outubro do mesmo ano, Timóteo foi efetivado na Câmara. Em julho de 1996 tornou-se membro das comissões de Viação e Transportes e de Direitos Humanos.

Nas eleições de 1996, em outubro, concorreu ao cargo de vereador Rio de Janeiro pelo PPB e conquistou 29.383 votos, alcançando a maior votação do partido. Renunciou ao cargo de deputado federal e assumiu o mantado na Câmara Municipal do Rio em janeiro de 1997. Na Câmara dos Deputados, foi substituído pelo suplente Osmar Leitão.

Tentou se reeleger em 2000, mas não obteve sucesso e deixou o cargo em janeiro de 2001. Mudou-se para São Paulo e pelo Partido Progressista (PP) - legenda oriunda da refundação do PPB - voltou a se candidatar como vereador e foi eleito em 2004.

Começou o mandato na Câmara Municipal de São Paulo em janeiro de 2005 e logo em julho do ano seguinte migrou para o Partido Liberal (PL). Seis meses mais tarde, a sigla anunciou a fusão com o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), originando o Partido da República (PR).

Em 2008, foi reeleito para um novo mandato como vereador por São Paulo. Dois anos depois, no mês de outubro, se licenciou do cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. No entanto, conseguiu apenas uma suplência.

De volta ao mandato de vereador, destacou-se na Comissão da Verdade, criada em abril de 2012 para investigar violações de direitos humanos no período do Regime Militar. Apesar de crítico à criação da Comissão, integrou o grupo até agosto.

Nas eleições de outubro de 2012, Timóteo tentou se reeleger, mas não obteve sucesso. Após a derrota, o cantor declarou estar decepcionado com os números e anunciou que iria se retirar das atividades políticas para retomar a carreira artística. 

https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/2021/04/03/agnaldo-timoteo-morre-aos-84-anos-vitima-da-covid-19

Uso da Lei de Segurança Nacional para reprimir opositores desgasta imagem de Mendonça no STF

Publicado em 3 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (domtotal.com)

Rafael Moraes Moura
Estadão

A estratégia do Palácio do Planalto de recorrer à Lei de Segurança Nacional (LSN) como instrumento para reprimir opiniões negativas e ácidas contra o governo do presidente Jair Bolsonaro provocou desgastes à imagem do advogado-geral da União, André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Criticada por integrantes da Corte, a legislação é alvo de quatro ações que tramitam no tribunal. Mendonça deixou o comando do Ministério da Justiça nesta semana e é um dos nomes favoritos para a vaga que será aberta em julho no Supremo, com a aposentadoria compulsória do decano, ministro Marco Aurélio Mello.

COTADO – Bolsonaro já disse, em mais de uma ocasião, que pretende indicar para a Corte um ministro “terrivelmente evangélico”. Mendonça é evangélico e, entre os principais cotados, atrai mais apoio do que o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, e o ministro João Otávio de Noronha, por exemplo. Mas o procurador-geral da República, Augusto Aras, também está nessa disputa.

Integrantes do Supremo ouvidos sob reserva pelo Estadão têm desaprovado, porém, a forte ofensiva do governo contra críticos de Bolsonaro, como o uso da Lei de Segurança Nacional.

Recentemente, Mendonça também se valeu do Código Penal para tentar enquadrar como crime contra a honra os autores de outdoors que divulgaram, em Tocantins, a mensagem de que Bolsonaro “não vale um pequi roído” e que “Palmas quer impeachment já”. O Ministério Público Federal pediu o arquivamento do caso, que tramita na Justiça Federal do DF.

POLÊMICA – Em agosto do ano passado, ainda quando era ministro da Justiça, Mendonça também foi levado para o centro de outra polêmica, envolvendo a elaboração de um dossiê contra servidores antifascistas durante sua gestão. Naquela ocasião, por 9 a 1, o plenário do Supremo decidiu suspender todo e qualquer ato do Ministério da Justiça de produção ou compartilhamento de informações sobre cidadãos que se intitulam antifascistas.

Nenhum dos ministros, no entanto, votou pela abertura de uma investigação para apurar a conduta do então titular da Justiça. “Nós não podemos fazer injustiças com pessoas que dedicam a vida pública ao Estado brasileiro”, afirmou Dias Toffoli, que à época era presidente do STF.

ÁREA SENSÍVEL – O Ministério da Justiça é uma das áreas mais sensíveis aos interesses de Bolsonaro, que se tornou alvo de um inquérito que o investiga sob acusação de interferir indevidamente na Polícia Federal. A denúncia foi apresentada pelo então titular da pasta Sérgio Moro em 24 de abril do ano passado, dia em que ele deixou o cargo.

Após a saída de Moro do governo, ministros do Supremo se manifestaram a favor da escolha de Mendonça para substituí-lo. Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski, expoentes de alas opostas dentro da Corte, se uniram em elogios ao auxiliar do presidente.

GENOCÍDIO – O desgaste na imagem do atual chefe da Advocacia-Geral da União veio com o uso recorrente da Lei de Segurança Nacional. Aplicada por Mendonça e pela Polícia Federal, essa legislação se tornou alvo de ações apresentadas no Supremo por partidos de diferentes matizes ideológicos, como PTB, PSDB, PSB, PT, PSOL e PC do B, que desejam a derrubada, total ou parcial, do texto herdado da ditadura militar.

O relator desses processos é o ministro Gilmar Mendes, que entrou na mira do governo após dizer, em julho do ano passado, que o Exército está se “associando a esse genocídio”, em uma crítica à atuação do governo no enfrentamento da pandemia de covid-19.

CRISE – A declaração de Gilmar provocou uma crise com o Ministério da Defesa, que entrou com representação contra ele na Procuradoria-Geral da República (PGR). A Defesa também recorreu a um dispositivo da Lei de Segurança Nacional, que prevê pena de até quatro anos de prisão para quem incitar “à animosidade entre as Forças Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as instituições civis”. Segundo o Estadão apurou, o caso acabou arquivado pelo Supremo.

Ministros da Corte avaliam que a LSN precisa, sim, de ajustes e de ser interpretada à luz da nova realidade do País – democrática, e não mais ditatorial. Observam, porém, que a edição de um novo texto, para substituir o atual, cabe ao Congresso.

“Não se julga a partir de um ranço. Evidentemente nesse regime (militar), houve a prática de atos positivos e negativos, e apenas estes últimos merecem glosa (supressão). Não me pronuncio ainda sobre o fundo da questão”, disse Marco Aurélio ao Estadão.

FÓSSIL NORMATIVO – Em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais, no dia 20 de março, Lewandowski afirmou que o tribunal tem um “encontro marcado” com o tema. “O Supremo precisa dizer se esse fóssil normativo é ainda compatível, não só com a letra da Constituição de 1988, mas com o espírito da mesma”, argumentou Lewandowski.

Em maio de 2016, o plenário do Supremo anulou a condenação de um homem que havia sido enquadrado na Lei de Segurança Nacional por ter sido preso com duas granadas de uso exclusivo do Exército. Por unanimidade, o STF entendeu que o crime não tinha motivação política – a intenção do réu seria roubar um banco.

TEMPO DA GUERRA FRIA – “Já passou da hora de nós superarmos a Lei de Segurança Nacional, que é de 1983, do tempo da Guerra Fria, que tem um conjunto de preceitos inclusive incompatíveis com a ordem democrática brasileira”, disse Barroso na ocasião.

“Há no Congresso, apresentada de longa data, uma nova lei, a Lei de Defesa do Estado Democrático e das Instituições, que a substitui de maneira apropriada. Portanto (digo isso), apenas para não parecer que estamos cogitando aplicar a Lei de Segurança Nacional num mundo que já não comporta mais parte da filosofia abrigada nessa lei, que era do tempo da Guerra Fria e de um certo tratamento da oposição como adversários”, completou o magistrado.

Em diferentes casos, porém, a Lei de Segurança Nacional já foi utilizada não só pelo governo Bolsonaro, mas pelo próprio STF. A legislação serviu, por exemplo, para fundamentar a prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ), após o parlamentar gravar um vídeo com ameaças e insultos a ministros do STF e fazer apologia ao Ato Institucional número 5 (AI-5), o instrumento mais duro de repressão do governo militar. Silveira foi preso no âmbito do inquérito das ameaças, ofensas e fake news contra integrantes da Corte.

CERCO –  A LSN também foi usada para fechar o cerco à militância digital bolsonarista em outro inquérito que atormenta o Planalto: o dos atos antidemocráticos. “Qualquer atentado à democracia afronta a Constituição e a Lei de Segurança Nacional”, escreveu Augusto Aras, ao solicitar a abertura de investigação sobre a organização e o financiamento das manifestações que pediam intervenção militar e o fechamento do Congresso e do STF.

A lei serviu, ainda, para a Polícia Civil do Rio intimar o youtuber Felipe Neto (após o influenciador digital chamar Bolsonaro de “genocida”) e para o Ministério da Justiça pedir a investigação da publicação de uma charge na qual Bolsonaro aparece transformando a cruz vermelha (símbolo de hospitais) na suástica nazista. O Ministério da Justiça também solicitou abertura de inquérito contra o colunista Hélio Schwartsman por ele ter escrito artigo no jornal Folha de S.Paulo intitulado  “Por que torço para que Bolsonaro morra”.

RÉGUA – Segundo interlocutores de Bolsonaro, é importante que o Supremo se manifeste sobre a validade da Lei de Segurança Nacional e garanta segurança jurídica. Aliados do presidente, no entanto, destacam que o tribunal deve criar “uma régua”, que valha não apenas para o uso que o governo faz da LSN, mas que sirva para o próprio STF. Na avaliação do governo, não há uso excessivo da legislação.

O número de procedimentos abertos pela Polícia Federal para apurar supostos delitos contra a segurança nacional, no entanto, aumentou 285% nos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, quando se compara o mesmo período das gestões Dilma Rousseff e Michel Temer, conforme informou o Estadão. Entre 2015 e 2016 houve um total de 20 inquéritos. Na primeira metade da administração Bolsonaro, o número saltou para 77 investigações.

“Uma lei de segurança nacional pretende proteger as instituições, e não as pessoas investidas nos cargos públicos. O que afronta a segurança nacional não é ofender o presidente da República ou o ministro do STF ou um deputado federal. O que atenta é se manifestar de forma hostil à própria instituição”, disse o advogado Fábio Tofic, mestre em Direito Penal pela USP e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.

VIOLAÇÃO – Para Tofic, o governo Bolsonaro tem usado contra opositores um dispositivo da lei que viola a Constituição – o artigo 26, que prevê pena de até quatro anos de prisão para quem “caluniar ou difamar” o presidente da República.

“O governo não se incomoda com aqueles que atacam as instituições, mas se incomoda quando a pessoa do presidente da República é ofendida. É uma interpretação ainda do regime autoritário, uma leitura tirânica, que pede para banir ofensas contra o presidente, mas não contra quem prega contra o Supremo e o Congresso e louva o golpe de 1964”, afirmou o advogado.


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