sexta-feira, novembro 15, 2019

Em delação, Lelis Teixeira diz que conselheiros do TCM RJ receberam propina para atuar em favor de empresas de ônibus


Vantagens ilícitas direcionavam o posicionamento dos conselheiros
Paulo Roberto Netto
Estadão
Três conselheiros do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCM) foram delatados como beneficiários de esquema de propina da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio de Janeiro (Fetranspor).
As vantagens ilícitas eram usadas para direcionar o posicionamento dos conselheiros em processos da Corte de Contas envolvendo a licitação das empresas de ônibus da capital fluminense, iniciada em 2010 na gestão Eduardo Paes.
CITADOS – O relato consta em anexos da delação premiada do ex-presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira, a qual o ‘Estado’ teve acesso. São 25 anexos que citam políticos, servidores da Receita e da Polícia Federal e magistrados e conselheiros do judiciário fluminense.
Lélis Teixeira cita três conselheiros do TCM em sua delação, que teriam mantido relações e atuado em favor da Fetranspor. Segundo o delator, as relações eram ‘circunstanciais’ e que, ‘em regra’, as empresas de transporte eram procuradas ‘por iniciativa de algum conselheiro específico, e quando havia processos em análise junto ao TCM’.
As informações, diz Lélis, foram repassadas a ele pelo então presidente do Conselho Superior da Rio-Ônibus, João Augusto Morais Monteiro, e o vice-presidente da entidade, Otacílio Monteiro.
CARTEL – Um dos casos se refere à licitação aberta em 2010 na qual 41 empresas participaram. Em julho de 2012, o TCM questionou o certame ao apontar sinais de possível cartel após notar que várias empresas vencedoras já operavam no sistema público de transporte do Rio antes e o endereço listado por quatro consórcios era o mesmo: a sede da Rio-Ônibus. O CNPJ das empresas também tinha sido aberto no mesmo dia.
Sete das empresas listadas pertenciam a Jacob Barata Filho, o ‘Rei do Ônibus’, investigado na Lava Jato. Segundo Lélis Teixeira, o conselheiro Antônio Carlos Flores de Moraes, relator do processo na Corte, propôs a realização de várias diligências e questionamentos à Prefeitura do Rio e aos consórcios vencedores.
PROPINA – “Após o atendimento de várias exigências pela Prefeitura e pelos consórcios vencedores da licitação, houve negociações para pagamento de propina para o conselheiro Antônio Carlos Flores”, delata Lélis.
Segundo ele, as negociações foram realizadas diretamente entre Otacílio Monteiro e Antônio Carlos, na residência do conselheiro. “O pagamento se deu em troca de voto favorável à aprovação e ao arquivamento do Edital”.
ARQUIVAMENTO – Em junho de 2013, Antônio Carlos voltou atrás e, em seu voto 337, determinou o arquivamento do processo no Tribunal de Contas da União. À época, o magistrado descartou a suspeita de cartel com base em informações prestadas pelo ex-secretário de Transportes do Rio, Alexandre Salomão Fontes.
Segundo Fontes apresentou aos autos, a formação de cartel não era possível visto que a Prefeitura tinha o poder de estabelecer, unilateralmente, diversos aspectos do serviço, como tarifas, itinerários e horários — a definição de cartel para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) é a de acordo entre empresas para estipular o valor e a qualidade do produto para eliminar a concorrência e aumentar o lucro dos empresários.
“TEMA SUPERADO” – Após o esclarecimento sobre uma possível configuração de crime contra a ordem econômica, considero nesse instante também o tema completamente superado”, afirmou Antônio Carlos Flores, ao pedir o arquivamento do processo.
Além de Antônio Carlos Flores, o conselheiro Nestor Guimarães Martins da Rocha também votou para arquivar o processo na Corte de Contas. Segundo Lélis, Nestor da Rocha também tinha relações com os empresários.
ACERTOS FINANCEIROS – “Em várias oportunidades, quando havia processos de interesse do setor, o conselheiro Nestor Guimarães da Silva Rocha enviava um assessor de nome Sérgio, que procurava Otacílio [Monteiro, ex-vice-presidente da Fetranspor] com proposta de acertos financeiros”, afirma. O chefe de gabinete do conselheiro Nestor da Rocha se chama Sérgio Santos.
Lélis afirma que não sabe informar detalhes sobre a quantia destinada a Antônio Carlos Flores ou Nestor da Rocha, visto que questões como ‘valores e datas’ eram de conhecimento de Otacílio Monteiro.
MESADA –  O delator da Lava Jato Rio também afirma que tinha conhecimento do pagamento de propina ao conselheiro e ex-presidente da Câmara de Vereadores do Rio Ivan Moreira dos Santos, que teria votado a favor da Fetranspor em processo no TCM sobre o rateio das gratuidades das passagens em troca de uma mesada de R$ 60 mil.
“Houve o pagamento de propina em 2015 por ocasião da decisão em que foi mantida do rateio do valor das gratuidades entre os usuários de ônibus”, delata Lélis.
“Nos anos de 2015 e 2016, houve um acordo com o conselheiro Ivan Moreira dos Santos, que passou a receber do Rio-Ônibus por intermédio do Presidente do Conselho Superior da Rio-Ônibus João Monteiro, mensalmente, o valor de 60 mil reais, para a defesa de todos os interesses das empresas de ônibus”.
TARIFAS OU FNDE – Entre 2015 e 2015, a Corte de Contas se debruçou a esclarecer se o valor repassado às empresas de transporte pela Prefeitura em razão das gratuidades deveria ser incluído no valor das tarifas de ônibus ou deveria ser quitado do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Enquanto no primeiro cenário o valor é dividido entre somente os usuários de ônibus — aumentando o valor da passagem. No segundo caso, o rateio seria pago por todos os cidadãos, tornando o bilhete alguns centavos mais barato.
Inicialmente, o conselheiro Ivan Moreira determinou em junho de 2015 a execução do repasse usando os fundos do FNDE. No entanto, seis meses depois, o conselheiro voltou atrás e decidiu que o a Prefeitura poderia inserir o repasse às empresas no valor das tarifas — na prática, quem paga a passagem também paga, indiretamente, o valor entregue às empresas em razão da gratuidade de alguns passageiros.
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COM A PALAVRA, O CONSELHEIRO DO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO ANTÔNIO CARLOS FLORES DE MORAES
“Não conheci senhor Lélis. Fiz uma série de diligências e nunca houve reunião antes. Fiz várias exigências e vou tudo respondido. Em 2012 tive câncer de intestino e operei no dia 2/08/2012. Fiz a segunda operação em final de fevereiro de 2013. Depois como tudo na Justiça com tranquilidade aprovei a licitação de 2010 em 2013. Não houve nada disso é meu voto tem fundamento jurídico.”
COM A PALAVRA, O CONSELHEIRO DO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO NESTOR GUIMARÃES MARTINS DA ROCHA
“Eu estou indignado. Toda a minha postura foi contra esse setor. É um setor nojento, é um setor que se criou à sombra de boatos de corrupção. Eu nunca conversei com esse Lélis. Todos os meus votos no tribunal foram contra o setor. Eu tô pedindo para levantar no gabinete todos os votos, seja de passe para idosos, de ar condicionado. Eu vou dizer uma coisa: eu só dei cacetada nessa gente. Eu não gosto desse gente, eu nunca gostei. É uma gente que se criou à sombra da sociedade. De qualquer maneira, eu estou preparando tudo o que eu fiz. É um absurdo isso.”
COM A PALAVRA, O CONSELHEIRO DO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO IVAN MOREIRA DOS SANTOS
Desconheço o teor da delação, mas posso afirmar que sempre agi dentro da legalidade e moralidade, em defesa do interesse público.
No caso específico das empresas de ônibus, vale ressaltar que determinei ao executivo que se abstivesse de realizar a revisão de tarifa até o término da auditoria, bem como recomendei a instalação de ar condicionado nos ônibus, dentre outras medidas, que contrariaram interesses do próprio setor de transportes.
Ressalto ainda, que quanto ao rateio das gratuidades, esta questão foi equacionada através do Poder Discricionário do Chefe do Poder Executivo Municipal dentro de suas atribuições.
Estou portanto, com consciência tranquila e a disposição para quaisquer outros esclarecimentos.

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Jungmann diz que com federalização da investigação do caso Marielle, mandantes já teriam sido descobertos


Jungmann critica resistência “injustificável”  do MP-RJ à federalização
Ricardo Brandt
Estadão
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) resistiu de forma “injustificável” à federalização da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), segundo o ex-ministro da Defesa e Segurança Pública, Raul Jungmann.
Em entrevista ao Estado, Jungmann disse que a Procuradoria-Geral da República (PGR) precisou de um mandado de busca e apreensão numa agência dos correios do Rio, em agosto do ano passado, para ter acesso aos documentos da investigação.
Na opinião do ex-ministro, se o caso tivesse sido investigado na esfera federal já se saberia hoje quem foram os mandantes do crime e qual sua motivação. Marielle foi executada em 14 de março de 2018 junto com o motorista Anderson Gomes.
EXECUTORES – A investigação apontou os ex-PMs Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz como autores dos disparos. Ambos negam participação no crime. “Se tivesse remetido o processo para a PGR desde o primeiro momento, nós hoje, muito provavelmente, saberíamos tanto quem foram os executores como o mandante”, disse o ex-ministro.
O MP-RJ repudiou as declarações de Jungmann e afirmou que o acionou formalmente para dar explicações à Justiça. Logo após o crime, a então procuradora-geral, Raquel Dodge, sugeriu a federalização da investigação. O MP-RJ foi contra e conseguiu manter a apuração sob sua competência. Desde então, o caso passou por várias reviravoltas, com troca de delegados e promotores e suspeitas de obstrução.
DENÚNCIA – No último dia de mandato, Dodge apresentou denúncia criminal contra o ex-deputado e conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) Domingos Brazão e quatro pessoas – um delegado federal, um policial federal aposentado, um PM e uma advogada – por tentativa de obstrução da Justiça. No mesmo dia, a PGR pediu a federalização das investigações.
Para conseguir acesso ao processo, a PGR precisou pedir um mandado de busca e apreensão, de acordo com Jungmann – a Polícia Federal (PF) estava sob a administração do seu ministério. Ele disse que os promotores do Rio enviaram à PGR dois números de protocolo para acompanhar o andamento da remessa dos documentos da investigação do caso. Segundo ele, nenhum dos dois códigos foi localizado pela PGR.
BUSCA E APREENSÃO – Para piorar, diz Jungmann, na mesma época “começava um processo de greve” nos Correios. “E a única forma de trazer esses autos para Brasília foi fazer uma retirada via busca e apreensão no próprio Correios”, afirmou o ex-ministro.
Embora relate uma resistência das autoridades cariocas com a federalização, Jungmann destacou que ainda faltam provas sobre os “interesses políticos no crime”. “Efetivamente não chegamos até essas provas. Agora, se fizer um retrospecto de tudo que disse, fica claro que a morte de Marielle é uma imbricação entre interesses lá do Rio de Janeiro de ordem política e que envolve as milícias.”
RESISTÊNCIA – Para o ex-ministro, há indícios claros de que os promotores resistiram de forma “injustificável” à federalização da apuração. “Se você olha no retrospecto, você vê que ao longo do tempo houve sempre uma enorme injustificável resistência de uma federalização desse crime, que acho que era algo que deveria acontecer, que era obrigatório, pelas condições do Rio de Janeiro”, diz Jungmann.
O processo ficou parado por quase um mês devido à divulgação do depoimento de um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, que disse que a entrada de Élcio no local no dia do crime foi autorizada por “seu Jair”, em referência ao presidente Jair Bolsonaro, que também mora lá.
Segundo o MP-RJ, o porteiro mentiu, pois a gravação da portaria do condomínio mostra que a entrada de Élcio foi autorizada por Lessa. Os promotores devem ouvir o porteiro mais uma vez.

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