segunda-feira, março 25, 2019

Ponte pode ampliar desenvolvimento, mas não há consenso sobre impactos


por Rebeca Menezes / Lucas Arraz
Ponte pode ampliar desenvolvimento, mas não há consenso sobre impactos
Projeção de cabeceira da ponte no Comércio | Foto: Divulgação
A ideia de se construir uma ponte de bilhões de reais para ligar uma ponta à outra da Baía de Todos-os-Santos (BTS) vai além de diminuir distâncias. Colocada em prática, a construção vai significar a geração de milhares de empregos a curto e longo prazo, além de desenvolver outros eixos do estado fora da Região Metropolitana de Salvador. Mas ainda não há consenso sobre como fazer isso de uma forma sustentável e sem afetar outras potencialidades da região, mesmo após dez anos do projeto ser anunciado (veja aqui).

De acordo com os estudos feitos, o vetor de expansão está concentrado ao norte da BTS, mas o cenário mudaria com a reconfiguração da matriz logística. Porém, é preciso garantir que com o aumento do fluxo de veículos a Ilha de Itaparica não cresça desordenadamente, com especulação imobiliária e falta de estrutura para receber tantas pessoas. 
Foto: Divulgação

Para buscar um desenvolvimento planejado, o governo do Estados e representantes dos municípios de Salvador, Vera Cruz, Itaparica e Jaguaripe assinaram, em fevereiro de 2013, um acordo de cooperação técnica. As recomendações dos estudos de impacto de vizinhança e similares exigidos por lei exigiram adequações nos planos diretores municipais e a reestruturação da mobilidade urbana nas cidades impactadas.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), já foram realizados estudos urbanísticos, incluindo o Plano Urbanístico Intermunicipal da Ilha de Itaparica (PUI), Planos Locais Urbanísticos Municipais (PLURs) e a revisão dos Planos de Desenvolvimento Urbano (PDDUs) dos municípios de Itaparica e Vera Cruz, além do Cadastro Imobiliário da área urbana da Ilha de Itaparica e dos Estudos de Impacto de Vizinhança.

"Estão todos prontos. Inclusive nós já remetemos isso para a Ilha de Itaparica, para o município de Itaparica e para o município de Vera Cruz. Todos os PDDUs estão prontos e já estão sendo analisados pelas Câmaras de Vereadores", garantiu o secretário e vice-governador João Leão, em entrevista ao Bahia Notícias.

Mas um certo receio ainda ronda os moradores da ilha, que temem que não haja estrutura suficiente e cobram mais investimentos na região. Ao BN, a prefeita de Itaparica, Marlylda Barbuda, disse que a Câmara já começou a discussão do PDDU e que a cidade está confiante com a chegada da ponte, mas a gestão alerta para problemas importantes que precisam ser solucionados.
 
"A gente acredita na ponte. A gente entente que irá aproximar tanto Itaparica a Salvador quanto Salvador a Itaparica. A gente só teme as mazelas que podem chegar porventura com a ponte. Então na conversa que tivemos com o vice-governador esta semana, nós falamos sobre isso. A gente tem um problema de abastecimento de água, e no verão a gente sente isso de forma intensa; um problema de saneamento básico, no que tange a malha de esgotamento sanitário - somente 40% da cidade de Itaparica tem malha de esgoto -; tem um hospital que é de média complexidade...", enumerou. Marlylda citou ainda o cuidado com as áreas de preservação e para a agricultura familiar, para que não ocorra "a invasão de grandes resorts". "Temos que ter uma visão para que a cidade possa ser ocupada de uma forma que o povo não sofra as consequências da sua chegada. O PDDU vem pra regular isso". 

A prefeita ainda criticou gestões do Executivo estadual que trataram a cidade como um "apêndice" baiano. "Não estou dizendo que essa é uma questão somente do governador Rui, mas o governo do Estado nos teve como um apêndice dos 417 municípios da Bahia, e a gente tem vários potenciais. A cidade é vocacionada ao turismo, a gente não quer perder essa característica. A gente entende que a ponte traz benefícios, mas está exigindo respeito às características da cidade, para não perder a qualidade de vida que a gente tem, e que possa macular nossa tradição, nossa história", reforçou. 

Já Jorge Carvalho, presidente da Comissão Especial da Ponte na Câmara de Vereadores de Vera Cruz, diz que a Casa está avaliando o texto do PDDU com "muita cautela, porque não foi elaborado pela cidade, mas pelo governo do Estado". "A Bahia discutiu Vera Cruz, mas Vera Cruz ainda não foi ouvida. A população precisa saber o que vem de bom. É uma cidade que ainda está em crescimento, não temos faculdade, não temos hospital com leito de UTI. Então depois da vinda da ponte, a demanda vai ser gigantesca, e nós precisamos saber que tipo de infraestrutura o governo do Estado pensa em mandar pra lá", cobrou. Segundo ele, houve apenas audiências pública setoriais na região, mas nenhuma que apresentou o projeto como um todo e seus impactos.

Jorge afirma que já há consequências da chegada da ponte, como invasão de terrenos e crescimento de venda e construção de novos imóveis, mas que a cidade ainda não tem sequer uma estrutura mínima. "Lá, só temos 3,7% das ruas calçadas, pra se ter uma noção. E vamos implantar uma ponte, com um mega projeto, em uma cidade em que nem as (estradas) vicinais o governo do Estado calçou? Essa é nossa preocupação. Na teoria, é tudo maravilhoso. Depois eles implantam a ponte e largam a gente ao Deus dará. Por isso precisamos do compromisso do governo com a cidade", defendeu, questionando ainda sobre as garantias de preservação ambiental dos ecossistemas da Baía de Todos-os-Santos. Segundo o governo, há um custo estimado com programas ambientais de R$ 18,7 milhões por ano durante a construção, e R$ 5,1 milhões por ano durante a operação.

BAHIA MAIS PRÓXIMA
Segundo Leão, além de desenvolver a região da Ilha de Itaparica, a obra ainda vai deixar os baianos "mais próximos". "O Estado da Bahia vai crescer, e crescer muito, com a conclusão dessa obra. Nós vamos fazer com que 250 municípios do estado fiquem mais perto de Salvador, no mínimo, 100 quilômetros. Belmonte ficará 283 quilômetros mais perto de Salvador. Porto Seguro, 250 quilômetros. Então isso vai fazer com que a Bahia se aproxime", anunciou durante audiência pública sobre a ponte realizada no auditório da Seinfra nesta quinta-feira (21).
Foto: Divulgação

“A ponte será uma grande locomotiva, um novo vetor para desenvolver outras partes da Bahia, com benefícios para 10 milhões de habitantes e mais de 250 municípios. Essa grande intervenção viária vai proporcionar ainda o crescimento socioeconômico da própria Ilha de Itaparica, mas também do sul do Recôncavo e do Baixo Sul. Tudo isto, em virtude do encurtamento da distância para a capital e dos investimentos que serão atraídos para os municípios dessas regiões”, destaca o vice-governador.

Segundo o documento apresentado na última audiência pública, a intenção é aproveitar a "proximidade" para explorar ainda mais as potencialidades turísticas entre a BTS e a Costa do Dendê.

IMPASSE SOBRE ALTURA DA PONTE
Uma outra questão que ainda gera impasse no projeto é a altura da ponte. A projeção inicial era se chegar a um vão com 125 metros de altura, mas o governo atualmente trabalha com um máximo de 85 metros.

A questão foi questionada pelo especialista em Direito Marítimo Zilan da Costa e Silva Moura, que acredita que essa decisão pode limitar a passagem de grandes navios e as manobras das embarcações, além de inviabilizar a existência de plataformas de petróleo na BTS. "O país está desenvolvendo o pré-sal. Tem pré-sal na costa brasileira inteira. Na costa de Sergipe, tem. A Bahia, como é protegida, temos um local privilegiado para serviços de apoio e manutenção de plataformas de petróleo. As plataformas de petróleo não poderão passar”, contou.

A questão também é acompanhada de perto pela Associação de Usuários dos Portos da Bahia (Usuport). Para Paulo Roberto Villa, diretor executivo da Usuport, é preciso garantir a segurança de operação dos navios e dos próprios usuários durante a travessia. "A ponte não pode prejudicar o acesso ao Porto de Salvador, assim como os navios não podem prejudicar a ponte. Com o que foi apresentado, existe o risco sim, esse risco não foi eliminado. Imagina um investimento dessa natureza e um navio atingir (a estrutura)? Vai interromper a ponte por vários anos. Então é uma coisa que tem que ser abordada", defendeu.

Paulo disse ainda que há que se ter cuidado para que o porto da capital baiana não perca um diferencial importante. "O Porto de Salvador é o único do Brasil capaz de receber linhas diretas com navios mãe com mais de 400 metros de comprimento. Nenhum porto do Sul do país tem condição de fazer isso. Nós não podemos perder essa capacidade. Essa é a nossa maior preocupação".

Em nota encaminhada ao BN, a SDE garantiu que os grandes navios de cruzeiro e os porta-contêineres maiores não precisarão passar sob a Ponte, pois continuarão utilizando o Porto de Salvador, e que o governo não acredita que a atividade de manutenção de plataformas, atualmente realizada nos estaleiros, justifique um gasto extra da ordem de R$ 1 bilhão para colocar a ponte a 125 metros de altura.

"Com a execução do projeto da ponte, está garantido mais desenvolvimento, emprego e renda para a Bahia e para os baianos. A construção de plataformas, por sua vez, são apenas possibilidades e não estão garantidas. Sendo assim, o governo optou por uma estratégia que assegure o crescimento econômico das regiões beneficiadas e a geração de postos de trabalho", diz a nota.

Contudo, a SDE reforça que isso não significa dizer que o governo não apoie o desenvolvimento da indústria naval na Bahia. "Ele apenas está fazendo uma análise de custo-benefício. A ponte terá um impacto muito maior na economia baiana do que a manutenção de plataformas. E, além disso, o Estaleiro [de Paraguaçu] terá mais de cinco anos para redesenhar sua estratégia, preparando-se para competir em outras atividades e em várias outras áreas da construção naval, como, aliás, já está fazendo ao obter licença para operar como terminal de combustíveis e ao participar de licitação da Marinha do Brasil destinada à produção de navios de guerra (corvetas)", conclui a pasta.

Bahia Notícias

Anunciada há 10 anos, ponte Salvador-Itaparica só deve sair do papel em 2021


por Rebeca Menezes
Anunciada há 10 anos, ponte Salvador-Itaparica só deve sair do papel em 2021
Foto: Divulgação
No dia 24 de março de 2009, uma terça-feira, o então governador da Bahia Jaques Wagner informou que entregaria à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, um projeto para a construção de uma ponte que ligaria Salvador à Ilha de Itaparica (veja aqui). O anúncio foi feito durante a I Mostra Nacional de Desenvolvimento Regional, que acontecia em Salvador, e citado inclusive pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Aqui na Bahia, só do PAC, previsto de investimentos até 2012 
 Dilma, se eu falar e não for verdade, você fica quieta, se for verdade, você balança a cabeça, que é verdade , ou seja, nós temos R$ 45 bilhões previstos de investimentos aqui para a Bahia. Já não contente com tudo o que recebe, o Wagner me apresenta proposta de um projeto, levando aqui, a ponte atravessando até Itaparica. E ele já me disse que a obra custa mais de R$ 1 bilhão. Certamente, certamente o projeto será olhado com carinho, com paixão e, certamente, Wagner, se eu não fizer, outro fará. Não posso prometer", disse o então presidente para o público que o assistia.

E foi bom não fazer promessas. Dez anos depois da obra ser citada pela primeira vez – que foram completados neste domingo (24) – , Lula está preso acusado em diversas investigações sobre corrupção. Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil por dois mandatos, mas sofreu impeachment. Wagner já foi ministro da Defesa, ministro da Casa Civil, ministro-chefe de gabinete, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e eleito senador pela Bahia. A ponte? Sequer saiu do papel.

A ideia em si surgiu muito antes do anúncio de Wagner. Durante um debate realizado na Universidade federal da Bahia (Ufba) em junho de 2013, o secretário estadual de Planejamento à época, José Sérgio Gabrielli, disse que o projeto original do equipamento é ainda mais antigo. Segundo Gabrielli, em 1967 o arquiteto Sérgio Bernardes formulara uma proposta dentro do Plano Diretor do Centro Industrial de Aratu (CIA), que criava um anel viário, com três tipos de traçados, sendo duas para o trânsito de veículos pesados, além de uma ponte entre a capital e a Ilha de Itaparica.

Ainda assim, as obras não devem começar a curto prazo. Questionada sobre a atual previsão do governo para que a ponte comece efetivamente a ser construída, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), atualmente responsável pelo projeto, respondeu que espera-se que o contrato seja assinado ainda este ano e que as atividades preliminares durem de 6 a 12 meses. Assim, as obras devem começar entre meados de 2020 e o início de 2021. Além da SDE, a ponte também é tocada pela Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) e pela Casa Civil.

Até o momento, o Governo do Estado já investiu cerca de R$ 87 milhões para a elaboração do conjunto de estudos de projetos do Sistema Rodoviário Oeste, o equivalente a 1,2% do valor total das obras previstas para o novo sistema viário, "o que é compatível com os custos esperados para projetos dessa magnitude", segundo a SDE.

Dentre os levantamentos feitos, estão o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental – EIA/RIMA, realizados pelo Consórcio V&S e Nemus, que resultou na Licença Prévia emitida em junho de 2016; os estudos urbanísticos realizados pelo Consórcio Demacamp, Pólis e Oficina, incluindo Plano Urbanístico Intermunicipal da Ilha de Itaparica (PUI), Planos Locais Urbanísticos Municipais (PLURs) e a revisão dos Planos de Desenvolvimento Urbano (PDDUs) dos municípios de Itaparica e Vera Cruz, além do Cadastro Imobiliário da área urbana da Ilha de Itaparica e dos Estudos de Impacto de Vizinhança; Estudos Técnicos de Hidráulica Marítima e ventos realizados pela COPPETEC, da Universidade Federal do Rio de Janeiro; e Estudos de navegação, sondagens, estudos de tráfego e o Projeto Básico de engenharia, elaborado pelo Consórcio COWI, Enescil e Maia Melo. Os levantamentos estão disponíveis no site criado pelo governo para reunir e publicizar as informações sobre o projeto (acesse aqui).

A ponte Salvador-Itaparica terá 12,3 quilômetros de extensão - o que a garantirá a 23ª posição no ranking mundial de pontes. Ela também será a maior ponte sobre lâmina d'água da América Latina, superando a Rio-Niterói, que tem 8,8 km. O custo estimado é de R$ 5,34 bilhões, sendo R$ 1,51 bilhão de dinheiro público.

Em Salvador, o equipamento começa entre a Feira de São Joaquim e o terminal do sistema ferry-boat, conectando-se com a Via Expressa por meio de viadutos e túneis – o atual projeto prevê a construção de quatro viadutos e dois túneis. Apesar de se estudar a possibilidade da cabeceira ser colocada na região do Subúrbio de Salvador, observou-se que a ponte precisaria de quase 7 quilômetros a mais, o que aumentaria os custos. Além disso, um estudo de tráfego apontou que 90% do fluxo originário da travessia irá para as regiões centro e sul da capital baiana, o que geraria um tráfego desnecessário para os usuários.
Fonte: Estudo de Tráfego da TTC, análise da equipe / Governo da Bahia

A ideia é que se tenha 3 pedágios no Sistema Rodoviário Oeste, entre os quais estará o da Ilha, próximo à cabeceira da ponte. Na última semana, durante uma audiência pública sobre o projeto, o governo divulgou os preços estimados que serão cobrados no pedágio para a travessia. Segundo Paulo Henrique Almeida, coordenador Técnico do Projeto, os valores são "salgados", mas são mais baratos do que os motoristas gastariam usando outros meios para chegar de um ponto ao outro. Os valores divulgados são muito próximos ao informado por Gabrielli em 2013: na época, José Sergio argumentou que não se poderia cobrar mais do que o custo para o veículo atravessar por meio do sistema de ferry-boat, por exemplo, o que até então foi mantido. A concessão vai durar 35 anos, contando 5 anos de construção e os demais de operação. 
Arte: Priscila Melo / Bahia Notícias
A OBRA
A primeira etapa de construção do complexo, segundo a SDE, contará com quatro segmentos:
-os acessos em Salvador (viadutos e túneis);
-a Ponte propriamente dita, que liga o bairro do Comércio, na Cidade Baixa, à praia de Gameleira, na Ilha de Itaparica;
-a implantação de uma nova rodovia expressa na Ilha, para o desvio do tráfego de passagem;
-a duplicação da BA 001 entre a nova rodovia e a Ponte do Funil.
 
Já a segunda etapa vai abranger as obras de:
-duplicação ou substituição da Ponte do Funil;
-duplicação das BAs 001 e 046 entre a Ponte do Funil e Santo Antônio de Jesus;
-requalificação da BA 001 entre Nazaré e Valença, e implantação da ligação entre Santo Antônio de Jesus e o entroncamento entre a BR-242 e a BR-116.

Para os trechos entre Salvador e a Ponte do Funil, segundo a secretaria, já estão disponíveis o projeto básico de engenharia e a licença prévia ambiental. Já para a segunda etapa, os investimentos devem ficar em torno de R$ 700 milhões, incluindo o contorno da cidade de Nazaré. Os projetos e os licenciamentos – que devem ser mais simples, já que se trata de duas rodovias já existentes – serão produzidos a partir do início dos trabalhos da primeira etapa. 

Esta parte compreende ainda o trecho da atual BA-001 entre as cidades de Nazaré e Valença. A obra de duplicação ficará a cargo da concessionária, que deverá se comprometer a realizá-la no momento em que o segmento atingir um volume de tráfego preestabelecido no contrato. Até lá, a concessionária será responsável pela conservação da estrada e por sua requalificação, incluindo intervenções pontuais de melhoramento da geometria e inserção de terceira faixa onde necessário.

Por sua vez, os trechos entre as cidades de Santo Antônio de Jesus e Castro Alves, e entre esta e o entroncamento da BR-242 com a BR-116, devem ficar a cargo do governo federal, com a União assumindo a construção como obra pública.
Bahia Notícias

Tribunal manda soltar segundo preso em operação que mirou Temer


por Ana Luiza Albuquerque | Folhapress
Tribunal manda soltar segundo preso em operação que mirou Temer
Foto: Divulgação
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) concedeu neste domingo (24) uma decisão liminar (provisória) para libertar Carlos Jorge Zimmermann, preso na operação Descontaminação, deflagrada na última quinta-feira (21) --a mesma que prendeu o ex-presidente Michel Temer (MDB).

A juíza federal Simone Schreiber, de plantão no tribunal, estendeu a Zimmermann os efeitos da liminar concedida a Rodrigo Neves no sábado (23). 

Neves e Zimmermann haviam sido presos temporariamente, diferente dos demais, entre eles Temer, que foram presos preventivamente. A prisão temporária tem prazo de cinco dias, enquanto a preventiva não tem tempo determinado.

A fundamentação da soltura foi a mesma utilizada para Neves. No sábado, Schreiber afirmou em seu despacho que a prisão do investigado violava "frontalmente" a Constituição. A magistrada defende que a prisão não pode ser utilizada como ferramenta de constrangimento do investigado, para interferir no conteúdo de seu interrogatório policial.

"Entendo que a decretação da prisão temporária com a finalidade exclusiva de compelir o réu a agir de forma contrária aos seus próprios interesses legítimos, no exercício de sua defesa, viola frontalmente a Constituição Federal", escreveu na decisão.

Ela também completou que não analisaria o caso se fosse sobre prisão preventiva, já que na última sexta-feira o relator enviou para a turma os cinco pedidos de liberdade que chegaram ao tribunal. A turma do TRF-2 vai analisar os pedidos de liberdade na próxima quarta-feira (27).

Recorreram ao tribunal os presos Michel Temer, o ex-ministro Moreira Franco, Vanderlei de Natale, João Baptista Lima Filho e Maria Rita Fratezi. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio negou na noite desta sexta (22) um pedido de soltura formulado pela defesa de Moreira Franco. Os advogados haviam alegado que a ordem de prisão, do juiz federal do Rio Marcelo Bretas, deveria ser suspensa, e a investigação, remetida para a Justiça Eleitoral.

Temer e o ex-ministro são suspeitos de receber propina da Engevix relacionada a contratos para a construção da usina de Angra 3, no Rio.

Bahia Notícias

Santo Antônio Além do Carmo: Moradores são resgatados após desabamento de casarão


Santo Antônio Além do Carmo: Moradores são resgatados após desabamento de casarão
Foto: Divulgação
Todos os sete moradores foram resgatados após um casarão de três andares desabar parcialmente na manhã desta segunda-feira (25), no bairro do Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador (veja aqui). Ainda de acordo com o Corpo de Bombeiros, um cão foi também resgatado.

Duas crianças, um idoso e quatro adultos foram salvos pelos bombeiros. O estado de saúde das vitimas é bom. Outras cinco pessoas que também estavam na edificação, numa área que não foi atingida, foram orientadas pelos bombeiros militares a deixarem a estrutura.

Bahia Notícias

Faustão manda indireta e web liga a Bolsonaro: ‘Se não tem competência, pede demissão’

Segunda, 25 de Março de 2019 - 09:00


Faustão manda indireta e web liga a Bolsonaro: ‘Se não tem competência, pede demissão’
Foto: Reprodução / Globo
Durante comemorações pelos 30 anos do "Domingão" neste domingo (24), o apresentador Fausto Silva resolveu falar mais uma vez sobre política. No papo, que incluíam Ana Maria Braga, Marcello Novaes e Tony Ramos, ele comentou sobre o cenário brasileiro e a forma que o País está sendo conduzido. "A sociedade deu a resposta nas urnas, votou em quem quis, já se posicionou. Agora os poderes constituídos tem que dar uma lição de honradez, inteligência. Se não tem competência, que peça demissão. Os Poderes Judiciário, Legislativo, tem que ter equilíbrio. Não estou falando especificamente de uma pessoa. Está na hora de haver, não só por parte do presidente, mas de todos nós, um apelo à conciliação, ao entendimento", disparou para a câmera.

Apesar de dizer que era um recado geral, nas redes sociais, as pessoas associaram o desabafo como uma crítica ao atual presidente Jair Bolsonaro. Ao perceber a fala, Tony emendou: "Sempre achei que não havia nada melhor que a democracia. Não inventem outra coisa. A democracia pode ser difícil, mas sem ela é pior. A democracia é tudo o que nós precisamos. É tão bonita a democracia, ser livre para pensar, ir e vir. Temos um governo que democraticamente foi eleito, vamos dar tempo a eles para que entendam essas mensagens de educação, saúde. Quero um país melhor, onde temos que respeitar o voto e cobrar quando e de direito. O melhor lugar para cobrar é as urnas". Vale lembrar que em janeiro deste ano outra fala do apresentador foi associada ao presidente. Na ocasião, o veterano negou a indireta (relembre aqui).

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Advogados dizem que CPI de Alessandro é “ilegal e inconstitucional” e “contra a democracia”

Folha de São Paulo

Pela segunda vez este ano, o senador Alessandro Vieira (PPS-SE) protocolou pedido de instauração de CPI para “investigar condutas ímprobas, desvios operacionais e violações éticas por parte de membros do STF e dos demais tribunais superiores do País”. Basicamente, pretende averiguar decisões de ministros das cortes superiores, questionando o mérito dos julgados, causas de suspeição e o uso do pedido de vistas.
Geraldo Magela / Agência Senado
O nome fantasia da manobra é “CPI da Lava Toga”, infame golpe de marketing para dar a impressão de que o Judiciário padece dos mesmos males apurados na Operação Lava Jato. Capcioso no nome, o pedido é ilegal e inconstitucional.
Ilegal porque ofende o regimento interno do Senado, que diz que “não se admitirá comissão parlamentar de inquérito sobre matérias pertinentes: (…) às atribuições do Poder Judiciário (artigo 146)”. A proibição é literal. Dispensa comentários.
A inconstitucionalidade do pedido é igualmente flagrante, mas com ares de farsa. De início, o requerimento sustenta que a fiscalização dos tribunais é de responsabilidade do Senado, “conforme preceitua o inciso IV, art. 71 da Constituição da República”.
Ocorre que o inciso IV não diz nada disso. Prevê apenas que o Senado poderá fazer “inspeções e auditorias de natureza contábil financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário”. Ou seja, possui competência constitucional só para auditar aspectos administrativos das unidades do Judiciário, não podendo, jamais, questionar o que ele julga.
O requerimento, além de deturpar dispositivo constitucional, cita equivocadamente trecho de decisão do ministro Celso de Mello, desvirtuando completamente seu sentido. Um pedaço entrecortado de uma frase contida em voto no HC nº 79.441, de 1999, é transcrito pelo parlamentar para transmitir a falsa impressão de que o ministro admite a competência de CPI para investigar atos jurisdicionais de magistrados.
No citado voto, Celso de Mello prega exatamente o contrário. O voto foi proferido no âmbito da “CPI do Judiciário”, instaurada para apurar, como foco principal, ilegalidades administrativas na construção do prédio do TRT-SP. Em sua manifestação, o ministro afirmou “que se revela constitucionalmente lícito”, a uma CPI, apurar “atos de caráter não-jurisdicional emanados do Poder Judiciário”, deixando bem claro que tal competência “não se estende e nem abrange os atos de conteúdo jurisdicional”.
Além de ilegal, a CPI requerida busca atacar o princípio da independência funcional dos juízes, essencial para a democracia. É condição primordial para o funcionamento da Justiça que o magistrado tenha liberdade para decidir de acordo com suas convicções jurídicas, sem que seja prejudicado por suas manifestações, conforme reza a Lei Orgânica da Magistratura.
O Judiciário certamente tem problemas que merecem ser debatidos e solucionados, mas não por uma CPI torta. Enquanto agir ao arrepio da lei e pautado pela ineficiência, demagogia e sensacionalismo, o Legislativo continuará sem credibilidade. E longe do exercício de sua nobre missão.

José Luis Oliveira Lima e Rodrigo Dall’Acqua
Advogados criminalistas e membros do Instituto de Defesa do Direito de Defesa

Há pergunta nova no ar: Vai concluir o mandato?

Há pergunta nova no ar: Vai concluir o mandato?
Até outro dia, piscava no letreiro da conjuntura nacional uma pergunta: Jair Bolsonaro conseguirá aprovar a reforma da Previdência? Hoje, há uma pergunta nova no ar: Será que o presidente termina o mandato? O governo ainda nem completou três meses e a carta do impeachment já voltou para o baralho.
JOSIASDESOUZA.BLOGOSFERA.UOL.COM.BR

Parlamentares do PSL ameaçam rebelião contra o governo Jair Bolsonaro

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Publicado em 10 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Ouvidoria do Senado é comandada por Ciro Nogueira Ra...

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