sábado, junho 04, 2016

Com a vitória de Carter nos EUA, começou o crepúsculo da ditadura no Brasil

Em 1976, Carter atacou as ditaduras sul-americanas
Pedro do Coutto 


Depois de dar um prejuízo de US$ 1 bilhão à Petrobras, Parente está de volta

Pedro Parente recebe uma segunda chance
Carlos Newton

Dupla rejeição? Na verdade, a grande maioria não quer Dilma nem Temer.

Charge do Iotti, reprodução da Zero Hora
Carlos Chagas

O beijo de Judas de Sérgio Machado e o gravador do Juruna

Juruna era um Sergio Machado com caráter
Sebastião Nery

A Parábola das Quatro Esposas e a lição de Buda sobre a impermanência da vida

Antonio Rocha


Afinal, de que vive o Guilherme Boulos? E o João Pedro Stédile? Quem os paga?

Lula, Stédile, Boulos e Falcão: todos estão desempregados…
Ronaldo Conde
Blog Penedo

Depois dos “processos ocultos”, é preciso acabar com os processos sob sigilo

Charge do Nani (nanihumor.com)
Roberto Nascimento
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO Supremo tem 194 processos ocultos, a grande maioria por causa da Operação Lava Jato. Agora, correrão sob segredo de Justiça, o que não muda nada. Eu disse “correrão”? Desculpem, devia ter dito “devagarão”, porque no Supremo os processos contra autoridades andam devagar, quase parando, em ritmo de Martinho da Vila. À exceção dos processos contra Eduardo Cunha, é claro, os únicos que andam em ritmo acelerado, como seria de se esperar. Quanto aos outros, podemos esperar deitados, porque ficar sentado também cansa. (C.N.)

Machado relata propinas milionárias a Renan, Jucá, Sarney, Lobão e Barbalho

Machado estava com a chave do cofre na mão
Jailton de Carvalho
O Globo

Marcelo Odebrecht já destruiu Dilma Rousseff e agora vai acabar com Lula

Marcelo está destruindo o que ainda restava de Dilma e de Lula
Débora Bergamasco e Sérgio Pardellas
IstoÉ






Operação Lava Jato: delator diz ter repassado R$ 70 milhões a Renan, Jucá e Sarney


Ex-homem de confiança do PMDB, Sérgio Machado complica situação de próceres do partido
Trecho de delação premiada do ex-presidente da Transpetro foi veiculado no site do jornal O Globo. Sérgio Machado diz ter pagado R$ 30 milhões ao presidente do Senado e R$ 40 milhões aos demais caciques do PMDB
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Hora de rever a estabilidade do funcionalismo

Marcelo Odebrecht relata repasse de R$ 12 mi a Dilma

Lungaretti: “Perdemos 36 anos e continuamos a desperdiçar tempo”

s destaques

José Eduardo Cardozo e a presidente afastada Dilma Rousseff

Impeachment: Dilma apresenta recurso contra redução de prazos

Advogado da petista, José Eduardo Cardozo contesta tempo reduzido para alegações finais proposto pela senadora Simone Tebet e acatado pelo presidente da comissão do impeachment.
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nova secretária de Mulheres é acusada de desviar dinheiro

PGR acusou a ex-deputada Fátima Palaes de ter destinado dinheiro de emendas parlamentares para empresas fantasmas e ficado com parte do dinheiro. Nomeação causou polêmica porque ela se declarou contra a descriminalização do aborto
Dilma Rousseff: "Denúncia é totalmente descabida e sem fundamento"

Petrolão pagou gasto pessoal de Dilma, diz O Globo

Informação de que presidente teve cabelereiro pago por dinheiro de corrupção agita as redes sociais. Dilma e Celso Kamura negam irregularidades
Governo garante que não haverá aumento de despesa

Ministério do Planejamento nega criação de cargos

Em nota, o Ministério do Planejamento negou que foram criados mais 14 mil cargos na administração federal. “O que houve foi a compensação com a extinção de outros cargos equivalentes”, afirma

travessia de imigrantes
A corretora de imóveis Iza Bulhões tratou de se inscrever no Miss Bumbum Ela representará o Rio Grande do Norte Corpo de Italo, 10 anos, no banco do motorista de carro importado que foi furtado
Cíntia Francelino chora a morte do filho Menino de 11 anos que participou de furto Cleiton Xavier domina a bola em treino do Verdão

 

Garoto morto
pela Polícia Militar não tinha um lar

Criança de 10 anos vivia em carros abandonados, sob as pontes, em abrigos públicos e em casas de parentes





Temer corta verba de Dilma para suprimentos no Alvorada

Foi suspenso recurso para abastecimento da despensa da presidente afastada e custeio da manutenção do palácio
A presidente afastada Dilma Rousseff – Marlene Bergamo/Folhapress..

Snapchat ultrapassa Twitter em número de usuários ativos por dia

Snapchat ultrapassa Twitter em número de usuários ativos por dia
Foto: Divulgação
Na concorrência por espaço na internet, o Snapchat ultrapassou o Twitter em número de usuários ativos por dia. Segundo dados da Bloomberg, agência de notícias especializadas no mercado financeiro, o Snapchat registra atualmente 150 milhões de usuários por dia. O serviço de microblog ainda tem mais pessoas cadastradas, com 310 milhões de usuários ativos por mês. No entanto, apenas 44% usam a rede social todos os dias, considerando seus 20 maiores mercados. Dessa forma, o número de usuários ativos por dia alcança 136 milhões. Em dezembro, o Snapchat ainda registrava 110 milhões.


Em delação, Cerveró citou negociação de propina para compra de escritório em Salvador

por Guilherme Ferreira
Em delação, Cerveró citou negociação de propina para compra de escritório em Salvador
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil



Peça de torre de shopping despenca e mata mulher em Aracaju

http://g1.globo.com/se/sergipe/noticia/2016/06/peca-despenca-de-torre-e-atinge-duas-pessoas-em-shopping.html

Ministro do STF Gilmar Mendes afirma que o País se estabilizará depois do impeachment e avalia que sem a Lava Jato o PT iria se eternizar no poder

Bom dia, amigos! Esta é a capa do GLOBO neste sábado. http://glo.bo/1ndZKLz ‪#‎JornalOGlobo‬


A capa da Isto É desta semana
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Blog do Josias: Últimas delações dão ao impeachment a aparência de uma guerra entre facções http://bit.ly/1UnOBmh
O conteúdo das últimas delações premiadas da Lava Jato —além das cenas da já conhecida promiscuidade nas altas esferas da política entre os que lutam para se firmar no poder e os que brig...
josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br|Por Blog do Josias

O boxeador Muhammad Ali morreu na madrugada deste sábado aos 74 anos de idade. O ex-campeão mundial era um dos esportistas mais conhecidos do mundo. Ele estava em um hospital na cidade de Phoenix, no Arizona, Estados Unidos. O ex-peso pesado sofria de doença respiratória e Parkinson. Leia mais: http://bbc.in/1VCXeyS Crédito: Getty Images ‪#‎MaiorDeTodos‬ 😭

Boa notícia para consumidores, má notícia para investidores. http://glo.bo/20YjAKs ‪#‎JornalOGlobo‬
oglobo.globo.com
 
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Foto: Nelson Almeida/AFP Photo
correiobraziliense.com.br|Por Correio Braziliense
 
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O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado abriu o verbo em sua delação premiada e revelou que distribuiu R$ 70 milhões em propina para Renan…
jornaldacidadeonline.com.br
 
CBN
Segundo o jornal 'O Globo', só o presidente do Senado teria recebido R$ 30 milhões.
 
Presidente do Congresso Nacional, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) manifestou, por meio de nota oficial, sua contrariedade à decisão da Comissão do Impeachment de diminuir em 20 dias o trâmite do processo que pode cassar o mandato da presidente afastada Dilma Rousseff.
 
Sem prazo de validade, por Ruy Fabiano
Se o governo Temer vier a cair, não terá sido por suas diferenças, mas por suas semelhanças e cumplicidades com a ordem deposta. O ponto nevrálgico é o mesmo: corrupção. Mas as proporções, pelo que até aqui se conhece, são outras. (...)
Leia a íntegra no blog: http://goo.gl/RfydKb
Patrulha recatada e do lar, por Guilherme Fiuza, O Globo
Temer deu posse a Maria Silvia na presidência do BNDES. Silêncio na patrulha progressista.
Explicando melhor: o presidente Michel Temer empossou na presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o maior orçamento público do país, a economista Maria Silvia Bastos Marques, executiva de renome consagrada no Brasil e no exterior.
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sexta-feira, junho 03, 2016

O acerto de R$ 12 milhões

Em acordo de delação, Marcelo Odebrecht revela que a presidente Dilma cobrou pessoalmente doação de campanha para pagar via caixa dois o marqueteiro João Santana e o PMDB em 2014


O diálogo que compromete Dilma

Entre o primeiro e o segundo turno da eleição de 2014, o tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva, cobrou de Marcelo Odebrecht uma doação “por fora” no valor de R$ 12 milhões para serem repassados ao marqueteiro João Santana e ao PMDB.  Marcelo se recusou a fazer o repasse, mas diante da insistência de Edinho disse que iria procurar Dilma.  Dias depois, em encontro pessoal, o empreiteiro e a presidente afastada mantiveram a conversa abaixo:
– Presidente, resolvi procurar a sra. para saber o seguinte: é mesmo para efetuar o pagamento exigido pelo Edinho?, perguntou Odebrecht.
– É para pagar, respondeu Dilma.
No acordo de delação premiada, firmado na última semana, o empreiteiro Marcelo Odebrecht fez uma revelação que, pela primeira vez, implica pessoalmente a presidente afastada Dilma Rousseff numa operação de caixa dois na eleição de 2014 – o que configura crime.  Aos procuradores da Lava Jato, o empresário afirmou que a mandatária exigiu R$ 12 milhões para a campanha durante encontro privado entre os dois. A conversa ocorreu depois do primeiro turno da disputa presidencial. O recurso, segundo Odebrecht, abasteceu o caixa paralelo de Dilma e serviu para pagar o marqueteiro João Santana e o PMDB. A história narrada pelo empreiteiro é devastadora para as pretensões de Dilma de regressar ao poder. Nela, Marcelo Odebrecht atesta que a presidente afastada não apenas sabia como atuou pessoalmente numa operação criminosa. Aos integrantes da força-tarefa da Lava Jato, o empreiteiro desfiou com riqueza de detalhes a ação da presidente. O empresário contou que durante o período eleitoral foi procurado pelo então tesoureiro da campanha, Edinho Silva.

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Alan Marques/Folhapress
O ex-ministro da Secretaria de Comunicação parecia apreensivo e reproduzia o mesmo comportamento persuasivo identificado por outros delatores do esquema do Petrolão, quando abordados pelo tesoureiro. A tensão derivava da urgência em amealhar mais recursos para reforçar o caixa da presidente. Na conversa, em tom impositivo, Edinho cobrou do empresário uma doação por fora que extrapolava o valor já combinado com os petistas anteriormente: um adicional de R$ 12 milhões. Deste total, deixou claro Edinho, R$ 6 milhões seriam para bancar despesas com marqueteiro João Santana e R$ 6 milhões para serem repassados ao PMDB. Oficialmente, o Grupo Odebrecht já havia doado R$ 14 milhões à campanha. Como a quantia extra era alta e, com o acréscimo, o valor doado representaria quase o dobro do acerto inicial, Marcelo ficou intrigado com a abordagem do tesoureiro.
Num primeiro momento, o empreiteiro reagiu de maneira negativa. Disse que se recusaria a fazer o pagamento. Diante da insistência de Edinho, disse-lhe, então, que procuraria pessoalmente a presidente Dilma. Foi o que aconteceu na sequência. Embora estivesse em plena efervescência da campanha eleitoral, Dilma abriu um espaço em sua agenda para receber o empresário. No encontro, segundo relato aos procuradores, Marcelo Odebrecht foi direto ao ponto. Questionou se era mesmo para efetuar o repasse exigido por Edinho. Ao que Dilma respondeu, sem titubear: “É para pagar”.
Ao narrar o diálogo aos integrantes da Lava Jato, Odebrecht compromete a presidente afastada naquilo que ela alardeava como uma vantagem em relação aos demais políticos mencionados no Petrolão: a pretensa ausência de envolvimento pessoal num malfeito. No momento em que a mandatária lutava para ganhar algum fôlego a fim de tentar reverter o placar do impeachment no Senado, a delação de Odebrecht confirmando que ela exigiu R$ 12 milhões do empreiteiro – numa ação nada republicana destinada a abastecer o caixa dois de sua campanha –  cai com uma bomba em seu colo. Pela letra fria da lei, utilizar-se de dinheiro não declarado na campanha eleitoral é fator decisivo para a perda do mandato presidencial. E Dilma não só se beneficiou do esquema do Petrolão como operou diretamente para que um recurso de caixa dois, portanto ilegal, irrigasse os cofres de sua campanha, conforme revelou Marcelo Odebrecht à Lava Jato. Embora não seja este o objeto do processo do impeachment em tramitação no Senado, o depoimento do empresário torna insustentável a situação de Dilma e praticamente inviabiliza o seu retorno à Presidência. Na Lava Jato, a delação de Odebrecht é tida como absolutamente verídica. Os procuradores e delegados têm certeza de que não se trata de apenas uma versão.

ISTOÉ ANTECIPOU Em edição de 20 de abril, reportagem revelou que Giles Azevedo orientou a agência Pepper no esquema de lavagem de dinheiro
ISTOÉ ANTECIPOU Em edição de 20 de abril, reportagem revelou que Giles Azevedo orientou a agência Pepper no esquema de lavagem de dinheiro
Tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria da República já reuniam evidências de que a Odebrecht havia alimentado as contas do marqueteiro João Santana por meio de caixa dois eleitoral. Em relato aos procuradores federais de Brasília na tentativa de sacramentar um acordo de delação premiada, Mônica Moura, mulher de Santana, havia reconhecido que, na disputa de 2014, pelo menos R$ 10 milhões teriam sido pagos a ela e ao marqueteiro fora da contabilidade oficial. Segundo Monica, só a Odebrecht pagou via caixa dois ao menos R$ 4 milhões. Em dinheiro vivo. Pelo acordo firmado com a Lava Jato, ela tinha ficado de relatar de que maneira e por quem foram repassados os outros R$ 6 milhões. Os valores teriam sido entregues diretamente para ela e usados para pagar fornecedores na área de comunicação. Os investigadores e agentes da PF já tinham identificado um depósito para o casal feito pela Odebrecht numa conta na Suíça, não declarada à Receita brasileira, de US$ 3 milhões.
Agora é possível entender a razão do embaraço da presidente afastada ao discorrer sobre o tema em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada no último final de semana. Instada a se manifestar sobre a possibilidade de o empreiteiro a acusar de pedir dinheiro para pagar o marketing da campanha de 2014, a presidente afastada lançou mão de um discurso que, à luz dos fatos novos expostos por Marcelo Odebrecht no acordo de delação, não pára mais em pé: “Eu jamais tive conversa com o Marcelo Odebrecht sobre isso”. “Eu paguei R$ 70 milhões para o João Santana (em 2014). Tudo declarado para o TSE. Onde é que está o caixa dois?”, perguntou ela. Na referida entrevista, Dilma já havia se encalacrado ao negar que tivesse mantido encontros com o empreiteiro no Alvorada e “não se lembrar” de reuniões com o mesmo interlocutor no Palácio do Planalto. De acordo com os arquivos eletrônicos do Planalto, Dilma recebeu Odebrecht quatro vezes desde a sua posse. Duas no Palácio da Alvorada (em 26 de março e 25 de julho de 2014, ano eleitoral) e duas no Planalto (10 de janeiro e 10 de outubro de 2013).

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AFP PHOTO/STR/AFP/STR; José Cruz/Agência Brasil; Moreira Mariz

Unindo as peças do quebra-cabeças disponíveis até agora também é possível entender com mais clareza o motivo pelo qual a presidente Dilma se esforçou pela soltura de Marcelo Odebrecht da prisão: ela temia que viesse a público exatamente o que o empresário revelou aos procuradores da Lava Jato – e que, agora, ISTOÉ divulga com exclusividade.  Em sua delação, Delcídio do Amaral (sem partido- MS) expôs a gigantesca preocupação da presidente com o tema. Disse que Dilma nomeou o ministro Marcelo Navarro ao STJ em troca do seu compromisso de produzir um relatório em favor da liberdade do empreiteiro. Delcídio personifica a chamada prova testemunhal. Segundo ele, a nomeação de Navarro destinada ao propósito de soltar Odebrecht foi tratada por Dilma em conversas com ele próprio, durante caminhadas nos jardins do Alvorada. Como se sabe, Navarro realmente emitiu parecer pela concessão de um habeas corpus a Odebrecht, mas acabou sendo voto vencido no tribunal. Com base no depoimento de Delcídio o procurador-geral da Repúbica, Rodrigo Janot, requisitou ao STF a abertura de um inquérito para apurar se Dilma obstruiu a Justiça, o que também é considerado crime. Quando o então líder do governo assinou o acordo de delação, João Santana e sua mulher ainda desfrutavam a liberdade com o dinheiro das petrotraficâncias.
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Antes mesmo da prisão dos dois, a PF havia recolhido no celular de Marcelo Odebrecht uma mensagem endereçada a um executivo de sua empreiteira crivada de suspeitas: “Dizer do risco cta [conta] suíça chegar na campanha dela.” O cheiro de pólvora resultava do óbvio “risco” insinuado no texto de Odebrecht de que a conta na Suíça fosse descoberta e ficasse estabelecida a conexão com a campanha de Dilma em 2014. Com a delação de Marcelo Odebrecht, surge a peça que restava para compor um cenário letal para a presidente afastada na luta contra o impeachment. A Polícia Federal também já havia anexado ao inquérito da Operação Acarajé documentos apreendidos com a secretária da Odebrecht Maria Lúcia Tavares, presa em março. Uma das planilhas encontradas tinha o título “Feira-evento 14”. O documento detalhava sete pagamentos feitos entre 24 de outubro e 7 de novembro de 2014, totalizando R$ 4 milhões. Os investigadores descobriram que “Feira” era o apelido usado por funcionários da Odebrecht e pelo próprio ex-presidente da empresa para identificar a mulher do marqueteiro, responsável por cuidar das negociações financeiras do casal e da agência de publicidade Pólis, que comandou as campanhas da presidente Dilma Rousseff, em 2010 e 2014, e a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006.
Há duas semanas, em meio à divulgação das conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, soube-se que o meio político, em especial os caciques do PMDB, já precificava o potencial devastador da delação de Odebrecht sobre Dilma Rousseff. Num diálogo com Machado, ex-presidente da Transpetro, o presidente do Senado, Renan Calheiros, diz que a situação de Dilma Rousseff se tornaria insustentável a partir da delação da Odebrecht, porque iria “mostrar as contas” dela. “Mas, Renan, com as informações que você tem, que a Odebrecht vai tacar tiro no peito dela, não tem mais jeito”, disse-lhe o ex-presidente da Transpetro. “Tem não, porque vai mostrar as contas. E a mulher é corrupta”, sapecou Renan. Ao que Machado, na réplica, sentencia o desenlace irremediável da presidente. “Acabou, não tem mais jeito. Então a melhor solução para ela, não sei quem podia dizer, é renunciar ou pedir licença. O ex-senador José Sarney, em outro diálogo, repete o enredo entoado pelo antigo colega de Senado. Diz que a delação da Odebrecht “é uma metralhadora de [calibre] ponto 100”e relaciona a empreiteira a uma ação que a presidente afastada Dilma Rousseff teria feito diretamente durante campanha eleitoral. “Nesse caso, ao que eu sei, o único em que ela [Dilma] está envolvida diretamente é que falou com o pessoal da Odebrecht para dar para campanha do… E responsabilizar aquele [inaudível]”.
Preso desde junho de 2015 nas dependências da PF em Curitiba, Marcelo Odebrecht ainda deverá envolver no que vem sendo chamado de “delações das delações” ou “delação definitiva” ao menos 38 políticos. Um capítulo, em especial, é relativo ao ex-presidente Lula. O empreiteiro promete detalhar como se deram as obras do sítio em Atibaia (SP), cuja propriedade é atribuída ao petista. Outro personagem que também pode vir à baila é Giles Azevedo, braço-direito da presidente afastada, elo de Dilma com a agência Pepper. O empresário ainda pretende contar sobre financiamentos de campanhas eleitorais feitas no Brasil e no exterior – não só a de Dilma Rousseff. Na prática, a delação propriamente dita ainda não foi assinada. Após intensas negociações, a Odebrecht subscreveu um acordo de confidencialidade com a Lava Jato. O termo representa o início formal da negociação de delação. O termo é uma garantia para que o empresário comece a desnudar fatos ocorridos no esquema do Petrolão. Só depois da verificação do teor dos depoimentos pela força-tarefa da Lava Jato é que a Justiça avalizará o acordo. Há a expectativa de que próprio Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, preste depoimentos. No atual estágio, e pela disposição dos envolvidos, é muito difícil que haja um recuo. O próprio juiz Sérgio Moro, num inequívoco gesto de boa vontade, extinguiu na última semana um dos processos contra a empreiteira (leia box na próxima página). Ou seja, está mais do que escancarado o caminho para a oficialização da delação de Odebrecht. Péssima notícia para os políticos. Ótima para o País.

PRESSÃO Ricardo Pessoa, da UTC, também relatou que foi compelido por Edinho Silva a doar mais dinheiro para a campanha de Dilma
PRESSÃO Ricardo Pessoa, da UTC, também relatou que foi compelido por Edinho Silva a doar mais dinheiro para a campanha de Dilma (Crédito:Wilson Dias/Agencia Brasil)

A tática recorrente de Edinho

O delator Ricardo Pessoa, da UTC, relatou aos investigadores que o tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff em 2014, Edinho Silva, o pressionou a doar mais dinheiro. “O Edinho me disse: ‘Você tem obras na Petrobrás e tem aditivos. Não pode só contribuir com isso. Tem que contribuir com mais. Estou precisando’”.
O tesoureiro queria R$ 20 milhões. Pessoa ofereceu R$ 5 milhões no primeiro turno e mais R$ 5 milhões no segundo turno. Mas foram pagos R$ 7,5 milhões. Em delação premiada, Otavio Azevedo, da Andrade Gutierrez, também disse que Edinho Silva o pressionou para doar além do combinado. Pressionado, o executivo transferiu mais R$ 10 milhões para o caixa da petista. O total de doação declarada da empresa à campanha dela foi de R$ 20 milhões.

ELA SABIA Segundo Cerveró, Dilma teve acesso a todas as informações sobre Pasadena
ELA SABIA
Segundo Cerveró, Dilma teve acesso a todas as informações sobre Pasadena (Crédito:Jefferson Rudy/Agência Senado)

“Dilma mentiu sobre Pasadena”

O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró desmentiu versão da presidente afastada, Dilma Rousseff, sobre a compra da refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006. E disse também supor que ela sabia do esquema de pagamento de propinas a políticos com dinheiro da petroleira. Em sua delação premiada tornada pública na quinta-feira 2 consta que a petista, à época presidente do Conselho Administrativo da Petrobras, teve acesso a todas as informações e cláusulas do negócio bilionário que só causou prejuízos à estatal. “Não corresponde à realidade a afirmativa de Dilma Rousseff de que somente aprovou a aquisição porque não sabia dessas cláusulas.” E continuou: “Dilma Rousseff tinha todas as informações sobre a refinaria de Pasadena; que o Conselho de Administração não aprova temas com base em resumo executivo”.
O documento revela ainda “que o declarante supõe que Dilma Rousseff sabia que políticos do Partido dos Trabalhadores recebiam propina oriunda da Petrobras, que, no entanto, o declarante nunca tratou diretamente com Dilma, sobre o repasse de propina.”
Ele também destacou que a transação foi autorizado com muito mais rapidez do que o de costume. “O projeto foi aprovado na Diretoria Executiva da Petrobras numa quinta e na sexta o projeto foi aprovado no Conselho de Administração; que esse procedimento não era usual”, foi registrado pelos investigadores.
Quando já estava preso, Cerveró afirmou ter ouvido do advogado do ex-senador Delcídio do Amaral que Dilma atuaria para “cuidar dos meninos”, tirando Cerveró e o também ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa da cadeia. Além de Dilma, Cerveró revelou que, em 2000, houve orientação da cúpula da Petrobras para contratar a empresa de PRS Energia, de Paulo Henrique Cardoso, filho do então presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

GILES É DILMA Segundo delação de Bené, Giles Azevedo pagou agência que atuou na campanha de Dilma com dinheiro público
GILES É DILMA Segundo delação de Bené, Giles Azevedo pagou agência que atuou na campanha de Dilma com dinheiro público (Crédito:Alan Marques/Folhapress)

Propina paga despesas pessoais

E-mails comprovam que Dilma sabia do Petrolão e teve despesas pagas com recursos do esquema. Segundo o jornal O GLOBO, as mensagens mostram que a compra de um teleprompter para a petista e até os custos do deslocamento de seu cabeleireiro, Celso Kamura, foram bancados por envolvidos nos desvios. Em entrevista à ISTOÉ em 2011, Kamura disse que o marqueteiro João Santana custeava os serviços dele à presidente “em ocasiões de Estado”. As novas evidências contra a petista não param por aí. Em delação, o empresário Benedito Oliveira, o Bené, revelou que Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete de Dilma, firmou contratos do governo com agências para quitar despesas eleitorais. Conforme já havia revelado ISTOÉ, Giles era o braço-direito de Dilma para tarefas espinhosas. Não fazia nada sem seu conhecimento. Como quando indicou para Danielle Fonteles, da Pepper, contas para receber caixa dois de campanha

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