Marques disse que não se sentia confortável
Gabriella Soares, Caetano Tonet,
Reynaldo Turollo Jr, Ana Flávia ,
Mariana Laboissière, Gustavo Garcia, Márcio Falcão, Luiz Felipe Barbiéri
G1
O ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido de votar na sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) que analisa a conduta do ministro Alexandre de Moraes após a revelação de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro direcionadas a ele.
Após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, apresentar o seu relatório, o ministro Nunes Marques disse que não se sentia confortável em participar do julgamento na posição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“MISSÃO” – “No entanto, eu entendo que eu tenho uma missão, e que para mim eu entendo que essa missão é mais importante, que é assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026. O TSE tem se mantido equidistante de todos que rondam o processo eleitoral. Eu não tenho dúvida, e os debates vão influir, que esse julgamento pode impactar o processo eleitoral. Então não me sinto confortável em participar desse julgamento. Eu me declaro impedido”, afirmou o ministro. Depois de declarar-se impedido, o ministro Nunes Marques deixou a sessão.
Os nomes de Nunes Marques e de seu filho apareceram em diálogos extraídos do celular de Vorcaro. Em uma das mensagens, o ex-diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, responde a uma mensagem de Vorcaro com dados de Kevin Marques e a menção ao valor de R$ 500 mil por mês.
IRREGULARIDADES – Os pagamentos, de acordo com os diálogos, seriam feitos por meio da Consult Inteligência Tributária. Na sessão desta terça, Nunes Marques falou sobre as mensagens, negou qualquer irregularidade.
“Em relação a mensagens que circulam de ontem, de hoje e que sempre vão rondar autoridades no Brasil, eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco. Isso é fato porque o sigilo bancário já foi quebrado. Não adianta se especular de outra forma porque o sigilo já foi quebrado, contra fatos não existem argumentos. Quanto a isso, eu tenho absoluta isenção. E a minha isenção está calcada e absolutamente comprovada nos votos que eu proferi”, afirmou o ministro.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – Em nota, a defesa de Kevin Marques disse que ele não prestou serviço ao Banco Master nem recebeu dinheiro e Vorcaro. “Como informado anteriormente, o advogado Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da Consult, empresa à qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal”, diz o posicionamento.
Na segunda-feira (14), a Polícia Federal (PF) informou que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido de Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.