sábado, julho 25, 2026

Com medo de perder a presidência do PL, Valdemar quer evitar a eleição de Flávio


Relatora pede quebra de sigilo telefônico de Valdemar Costa Neto

Valdemar aceita perder a eleição, mas não quer perder o PL

Carlos Newton

O Brasil faz questão de ser surrealista e conseguiu criar uma esculhambação política verdadeiramente fora de série. Aqui, do lado debaixo do Equador, a quase totalidade os partidos tem dono. São presidentes vitalícios, que vivem às custas da estrutura partidária e não aceitam perder a boca rica, É assim com Valdemar Costa Neto (PL), Gilberto Kassab (PSD), Carlos Lupi (PDT),  Antonio Rueda (União), Ciro Nogueira (PP) e tantos outros.

Há raríssimos casos de partidos sem patronos, como ocorre hoje com o MDB, que pertencia a Ulysses Guimarães, quando viveu seus melhores momentos, depois passou para o domínio de Michel Temer, em sua pior fase, quando era comandado pela chamado “Quadrilhão do MDB” e teve grande destaque na Lava Jato, mas depois parece não ter mais dono, pois Baleia Rossi ainda não se comporta assim.

MAIOR DE TODOS – Um dos casos mais estranhos é o do Partido Liberal.  Foi criado em 1985 pelo então deputado federal Álvaro Valle, um dos raros intelectuais do Congresso, que teve uma carreira limpa e jamais foi acusado de corrupção. Ele aproveitou o fim do regime militar e fundou seu próprio partido, por ele comandado até sua morte, em 2000.

Valle foi sucedido por Valdemar Costa Neto, um deputado paulista eleito por Mogi das Cruzes e outros redutos do interior. Sob seu comando, o PL perdeu importância e acabou se fundindo com o Prona, de Eneás Carneiro, em 2006, quando virou Partido da República.

Com a morte de Eneas, a fusão se desfez. Valdemar Costa Neto recriou o PL e assumiu a presidência do partido, até ser preso em dezembro de 2013, condenado a 7 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no julgamento do Mensalão.

PENA PERDOADA – Menos de um ano depois, em novembro de 2014, passou para o regime domiciliar, obteve perdão da pena em 2018, quando recuperou os direitos políticos e reassumiu o comando do PL, que se tornara um partido pequeno, sem a menor expressão. Mesmo assim. foi escolhido por Jair Bolsonaro para sair candidato, venceu a eleição e desde então é o maior partido do país.

Oito anos depois, o PL tem candidato a presidente, mas Valdemar Costa Neto não está nada satisfeito. Ele sabe que Flávio, se for eleito, vai usar seu poder para garantir que o clã  Bolsonaro assuma o comando do partido. Sentindo-se ameaçado, o presidente do PL passou a fazer o possível e o impossível para evitar que Flávio Bolsonaro vença a eleição, vejam a que ponto chega a desfaçatez dessa gente.

GUERRA SURDA – É uma guerra por baixo do pano, que transcorre nos bastidores.  Costa Neto não aceita ser expurgado da presidência do PL. Embora esteja cada vez mais rico pelo desvio de recursos do partido, ele sabe que perderá totalmente a importância e se tornará um Valdemar como outro qualquer.

Nesta semana, em entrevista à CNN, ele reclamou que Bolsonaro lançou a candidatura do filho sem consultar o PL, acrescentando que o senador Flávio não estava preparado para ser candidato e não dispunha de uma estrutura pré-organizada.

Disse também que a cúpula do partido avaliou que a situação somente passou a ser “equacionada” meses depois, através do coordenador de pré-campanha, Rogério Marinho.

MAIS UMA – Nesta quinta-feira, dia 24, o presidente do PL deu mais uma porretada em Flávio Bolsonaro. Em entrevista à coluna de Bela Megale, em O Globo, Valdemar Costa Neto apoiou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo, de abrir inquérito para investigar o financiamento do filme Dark Horse, que teve o banqueiro Daniel Vorcaro com maior patrocinador.

— É bom que apure para que tudo fique esclarecido. Acho importante a iniciativa — disse à coluna, relatando que, antes do áudio vir à tona, Flávio Bolsonaro havia garantido não ter tido contato algum com Vorcaro, o que foi desmentido, pois o banqueiro lhe forneceu R$ 61 milhões.

Ainda não satisfeito, o presidente do PL também comentou a contratação do escritório de Flávio por uma empresa ligada ao Banco Master, que pagou R$ 500 mil ao senador. Disse não saber o motivo do “pagamento”.

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P.S. 1 –
Em tradução simultânea, está claro que o presidente do PL resolveu trabalhar contra Flávio Bolsonaro, que jamais se preocupou em se aproximar do presidente do partido e agora está na alça de mira dele. Se Flavio não fechar imediatamente um acordo com Valdemar Costa Neto, sua candidatura vai literalmente para o brejo. (C.N.)


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