Publicado em 23 de julho de 2026 por Tribuna da Internet

Federação pede multa e remoção de conteúdos
Catia Seabra
Mariana Brasil
Folha
A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PCdoB, entrou com uma ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra as informações falsas repassadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acerca das urnas eletrônicas na última terça-feira (21).
Na representação, as siglas pedem a remoção de conteúdos publicados por Flávio em suas redes, bem como aqueles postados por outros nomes da direita. A ação também mira os deputados Julia Zanatta (PL-SC) e Gustavo Gayer (PL-GO), além do ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro.
DECLARAÇÕES – O pedido contra as publicações foi motivado pelas declarações de Flávio em evento com diplomatas, em que o senador afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic, o que é falso.
Na representação, também está incluso um pedido para que as principais plataformas de redes sociais vinculadas à Meta, como Instagram, Facebook e X (antigo Twitter), adotem medidas para impedir a veiculação, compartilhamento ou impulsionamento de conteúdo que reitere a associação entre a empresa Smartmatic e as urnas eletrônicas brasileiras, ou outras alegações do gênero.
As siglas também pedem que cada um dos envolvidos pague uma multa de R$30 mil por publicação. A acusação é de que Flávio e os demais parlamentares fazem um “movimento articulado de desinformação” contra a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro e a credibilidade da Justiça Eleitoral.
DESORDEM INFORMACIONAL – Ainda no pedido, as siglas dizem que não buscam, nesse primeiro momento, uma investigação quanto ao abuso de poder político e midiático por parte dos representados. A representação alega que os parlamentares têm potencial para provocar uma “desordem informacional” contra os mecanismos de eleição brasileira.
Na representação dos partidos, está listada uma série de publicações e redes sociais dos parlamentares em que eles endossam os ataques às urnas ou fazem a associação equivocada entre os equipamentos brasileiros e a Smartmatic.
No evento com diplomatas realizado na terça em Brasília, Flávio repetiu um episódio semelhante do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso após ser condenado no processo da trama golpista.
PRECEDENTE – Entre os precedentes apontados na ação, Federação cita o caso em que Bolsonaro se reuniu com embaixadores na residência oficial da Presidência, o Palácio da Alvorada, para apresentar acusações sem provas contra a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. “O paralelo com os fatos ora denunciados dispensa maiores esforços argumentativos, tamanha a sua evidência”, diz trecho da representação.
Diante da plateia estrangeira, o presidenciável afirmou que, segundo um relatório da CIA divulgado na semana passada, a Smartmatic estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012. A agência de inteligência dos EUA diz que a ideia era alterar votos por meio da programação das urnas.
NOTA – Após o episódio, a Folha procurou a assessoria do senador, que afirmou que ele “não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro”. Horas depois, a campanha divulgou outra nota, afirmando que “não é verdade” que o pré-candidato tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil e que ele se limitou a relatar fatos públicos, como o relatório da CIA.
“Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro'”. A nota também diz que ele reafirma “sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas”.