quinta-feira, julho 23, 2026

No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, CRIOLA alerta para a baixa visibilidade do ODS 18


 

Proposto pelo Brasil à ONU, em 2023, o objetivo que busca promover a igualdade étnico-racial e incorporar o enfrentamento ao racismo às políticas de desenvolvimento sustentável ainda tem pouca aderência no país
 

Celebrado em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha reforça a importância de ampliar o debate público sobre as desigualdades raciais que atingem mulheres negras no Brasil e em outros países da região. Na data, CRIOLA, organização de mulheres negras, chama atenção para a adesão ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 18, voltado à promoção da igualdade étnico-racial e adotado pelo Brasil no âmbito da Agenda 2030.
 

Apesar da existência de metas, indicadores e materiais de referência, CRIOLA avalia que o ODS 18 ainda ocupa pouco espaço nas discussões institucionais e públicas, impactando diretamente no acompanhamento das políticas de desenvolvimento sustentável implementadas no país.
 

O ODS 18 é uma iniciativa voluntária e pioneira adotada pelo Brasil para inserir o enfrentamento ao racismo e à discriminação étnico-racial no acompanhamento nacional da Agenda 2030. Foram criadas 10 metas e 133 indicadores, que abrangem trabalho, segurança pública, justiça, representatividade, reparação, habitação, saúde, educação, territórios e saberes, além do enfrentamento à xenofobia.
 

Alguns dados:

  • Mortalidade Materna: Historicamente, embora o Brasil tenha reduzido os índices gerais de morte materna, o recorte racial aponta um abismo. Cerca de 68% das mortes maternas no país ocorrem entre mulheres negras (pretas e pardas) - Fonte: FioCruz
     
  • Pré-Natal e Violência Obstétrica: O indicador 18.7.1 monitora a proporção de grávidas com 7 ou mais consultas de pré-natal. Mulheres negras enfrentam maior escassez no atendimento adequado e são as principais vítimas relatadas de violência obstétrica
     
  • Mercado de Trabalho: apesar de comporem o maior grupo demográfico do Brasil (28% da população), são as que enfrentam as maiores barreiras de inserção econômica - Fonte: IBGE. Ainda sobre o tema, dados apontam que as mulheres negras ganham, em média, menos da metade da renda dos homens brancos (cerca de R$ 1.402 frente a R$ 2.844). Elas também recebem em média apenas 58% do rendimento de mulheres brancas - Fonte: Fundo Agbara
     

Porta-voz:

Lia Manso - Consultora em Incidência Política de Criola está disponível para entrevistas sobre o tema, abordando a importância da participação da sociedade civil no acompanhamento das metas e da inclusão do enfrentamento ao racismo e às desigualdades que atingem mulheres negras às políticas de desenvolvimento sustentável.
 

SOBRE CRIOLA

CRIOLA é uma organização da sociedade civil fundada em 1992 e conduzida por mulheres negras. Atua na defesa e promoção de direitos das mulheres negras em uma perspectiva integrada e transversal, tendo por missão trabalhar para a erradicação do racismo patriarcal cisheteronormativo, contribuindo com a instrumentalização de meninas e mulheres negras, cis e trans, para a garantia dos direitos, da democracia, da justiça e pelo Bem Viver.
 

Assessoria de Imprensa

Marcele Ferraz - marcele@alterconteudo.com.br - (21) 99891-2525

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