
Flávio perde força nas redes enquanto Lula amplia vantagem
Luciana Casemiro
O Globo
O debate político nas redes sociais entre 14 e 20 de julho concentrou-se na política nacional, que respondeu por 42% das 16.983 publicações monitoradas e por 50% das interações da semana, cerca de 59 milhões. Segundo dados do Instituto Democracia em Xeque, a discussão foi sustentada pela disputa em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro, com o caso Banco Master voltando ao centro do debate e a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) sendo interpretada pela oposição como perseguição.
A prisão de Jair Bolsonaro apareceu em segundo lugar entre os temas mais discutidos, com 19% das publicações e cerca de 24,5 milhões de interações, impulsionada pela decisão do ministro Alexandre de Moraes de endurecer as restrições impostas ao ex-presidente após a divulgação da Carta aos Brasileiros.
DINÂMICAS – O relatório desta semana do Instituto Democracia em Xeque aponta para a consolidação de uma dinâmica negativa para o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e positiva para o presidente Lula no ambiente político das redes sociais.
Segundo Fabiano Garrido, diretor-executivo do instituto, desde o episódio do Dark Horse essa tem sido a tendência predominante, com apenas breves momentos de alívio para o pré-candidato do PL. Embora Flávio Bolsonaro consiga manter a competitividade em alcance e volume de publicações, sua situação qualitativa é mais delicada, avalia Garrido.
— Na última semana, enquanto a campanha e a militância digital de Flávio Bolsonaro se viram envolvidas em agendas defensivas, como a foto com o sicário, a proibição de visita ao pai por descumprimento de ordem judicial, a responsabilização pelo tarifaço e o questionamento de instituto de pesquisa, Lula e seus apoiadores concentraram esforços na divulgação das entregas do governo, na celebração dos resultados da Quaest e na ironização do senador, por meio da alcunha “Tariflávio”, em referência à sua relação com Donald Trump e com o novo tarifaço — diz o executivo.
TARIFAÇO – Na semana que antecedeu a entrada em vigor da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e a intensificação dos ataques no Oriente Médio – implementado nesta quarta-feira – a política externa respondeu por 19% das postagens, impulsionada pelo tarifaço e pelas tensões no Estreito de Ormuz. Já a gestão e as entregas do governo representaram 13% das publicações e foram o único eixo em que a esquerda foi majoritária, com 60% dos posts, ancorados na agenda de obras e saúde.
As pesquisas eleitorais responderam por apenas 7% das publicações, com destaque para o levantamento da Quaest, que mostrou Lula com sua maior vantagem do ano. No recorte por perfil político, a extrema direita repetiu a divisão observada nas semanas anteriores e manteve maioria nos eixos de disputa política e institucional.
— As declarações do senador colocando sob suspeita as urnas eletrônicas diante de uma plateia formada por dezenas de embaixadores apenas aprofundam esse cenário negativo para ele. A quatro dias da convenção que deve oficializá-lo como candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro já enfrentava dificuldades para atrair outros partidos e definir um vice para compor sua chapa. Agora, esse quadro pode se complicar ainda mais — analisa Garrido.
CASO VORCARO – O diretor chama atenção para o fato que o principal eixo de debate da semana reuniu a repercussão do caso Vorcaro, agora associado ao embate com Michelle Bolsonaro, e a interpretação da atuação do STF como perseguição.
A oposição tratou o episódio como um suposto “cerco judicial e financeiro”. No entanto, ressalta, o tema que respondeu por 42% das publicações, foi o de menor presença na imprensa, o que lê como um sinal de que o debate foi conduzido principalmente pela militância dos dois campos.