quinta-feira, abril 30, 2026

Fila de delatores no caso do Banco Master esbarra em investigações já avançadas

Publicado em 29 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (Instagram)

Raquel Landim
Estadão

Formou-se uma fila de possíveis delatores do caso do Banco Master: o banqueiro Daniel Vorcaro, o cunhado e operador financeiro dele Fabiano Zettel, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. À medida que as investigações apertaram o cerco, todos adotaram a mesma estratégia. Trocaram de advogado e passaram a buscar um acordo.

Seus advogados, porém, têm ouvido a mesma coisa de interlocutores na Polícia Federal, na Procuradoria-Geral da República (PGR), e no gabinete do relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Não vai ser fácil. O mesmo motivo que os levou a buscar uma delação premiada é o que se transforma agora numa barreira para que consigam avançar no caminho do perdão judicial em troca de informações: as investigações da Polícia Federal avançaram demais.

RAMOS DISTINTOS – Entre os investigadores, o caso é Master é tratado por ramos distintos. A trama central – que é a fraude financeira provocada pela quebra do Master e a tentativa frustrada de compra do banco pelo BRB – está praticamente elucidada. Graças ao trabalho inicial do Banco Central, à extração minuciosa da Polícia Federal dos celulares e computadores, e, claro, do descuido dos alvos, poucas vezes se viu uma investigação de corrupção tão bem detalhada.

Já está praticamente comprovada a gestão fraudulenta das carteiras do Master, que provocou um rombo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), e a tentativa de cooptar a cúpula do BRB para tentar encobrir os maus feitos. Aliás, as mensagens entre Paulo Henrique Costa e Vorcaro são para lá de comprometedoras.

O que mais os delatores, incluindo Vorcaro, podem entregar nesse núcleo central? A resposta é simples. Praticamente nada, a não ser que cheguem em eventuais políticos que tenham facilitado as falcatruas. O ex-governador do DF Ibaneis Rocha, por exemplo, tinha ciência do que se passava?

RELAÇÕES COM O STF – Estará Vorcaro disposto a esclarecer as suspeitas sobre suas relações para lá de nebulosas com os ministros do Supremo Tribunal Federal já reveladas pela imprensa? Cabe aqui dizer que não é um caça às bruxas. Os investigadores não têm alvos pré-determinados, porque isso fere o próprio princípio da colaboração. Mas a questão técnica é se os delatores serão capazes de ampliar o escopo da investigação? Isso sem falar no risco de que um delator “esvazie” o outro.

Uma colaboração bem-sucedida precisa de fatos adicionais, tem que oferecer recuperação de patrimônio e entregar provas ou elementos que permitam aos investigadores chegar nessas provas. Caso contrário, nada feito.

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