sábado, abril 25, 2026

Governo Trump aprova pelotão de fuzilamento para pena de morte e a volta da injeção letal

 

Governo Trump aprova pelotão de fuzilamento para pena de morte e a volta da injeção letal

Relatório do Departamento de Justiça expande métodos de aplicação da sentença e critica restrições da gestão Biden

Por Folhapress

24/04/2026 às 20:30

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de Governo Trump aprova pelotão de fuzilamento para pena de morte e a volta da injeção letal

O presidente dos EUA, Donald Trump

O governo de Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (24) que permitirá pelotões de fuzilamento e voltará a adotar a injeção letal como parte de um esforço mais amplo para restabelecer a pena de morte nos Estados Unidos.

Em um relatório, Todd Blanche, o secretário de Justiça interino, afirmou que as decisões do ex-presidente democrata Joe Biden de recuar da pena de morte "causaram danos incalculáveis às vítimas de crimes e, em última instância, ao próprio Estado de Direito".

O Departamento de Justiça, disse ele, voltou a autorizou o uso de pentobarbital para executar presos do sistema federal e também permitirá métodos adicionais de execução, como o uso de pelotões de fuzilamento.

O relatório de 48 páginas acrescentou que o Escritório Federal de Prisões (BOP, na sigla em inglês) deveria seguir o exemplo de estados que expandiram seus protocolos de execução em meio a disputas sobre a legalidade e disponibilidade de drogas para injeção letal.

"Os métodos adicionais de execução que o BOP deveria considerar adotar incluem o pelotão de fuzilamento, a eletrocussão e o gás letal —todos considerados consistentes com a Oitava Emenda pela Suprema Corte", disse o relatório, referindo-se à parte da declaração de direitos que proíbe "punições cruéis e incomuns".

O senador democrata Dick Durbin, de Illinois, chamou as medidas de "uma mancha na história da nossa nação".

Durbin acusou o Departamento de Justiça de "voltar no tempo ao fortalecer a prática bárbara da pena de morte federal —uma forma de punição cruel, imoral e frequentemente discriminatória".

Trump havia sinalizado as medidas em seu primeiro dia no cargo, assinando um decreto para reinstituir a pena capital no sistema prisional federal. Durante o primeiro mandato de Trump, 13 pessoas foram executadas no corredor da morte nacional.

Em 2021, o então secretário de Justiça, Merrick Garland, emitiu uma moratória sobre execuções de presos federais e suspendeu o uso de um protocolo de uso de droga letal para o pentobarbital. Em seus últimos dias no cargo, Biden comutou as sentenças de morte de 37 dos 40 condenados no corredor da morte federal.

O governo Trump enfrenta um obstáculo significativo. Segundo a lei, o governo federal só pode realizar execuções em estados que permitem a pena capital e executá-las de acordo com os protocolos estaduais. Por anos, as execuções federais ocorreram em Indiana, que só permite a pena capital por injeção letal.

O Departamento de Justiça, reconhecendo essa limitação em seu relatório, recomenda que o governo federal encontre um novo local para realizar execuções, em um estado que permita outros métodos. O Mississippi, afirma o relatório, permite execuções por eletrocussão ou pelotão de fuzilamento se a injeção letal ou outros métodos não estiverem disponíveis.

O texto pediu que o Escritório de Prisões apresente um relatório "detalhando as opções para realocar ou expandir o corredor da morte federal, ou para construir uma segunda instalação de execução federal em um estado que permita métodos adicionais de execução".

O pelotão de fuzilamento raramente foi usado nos EUA, mas recentemente foi autorizado por vários estados como método alternativo caso caso as unidades federativas não consigam obter as substâncias usadas na injeção letal. Antes do ano passado, as únicas execuções por pelotão de fuzilamento no país em tempos modernos haviam sido realizadas por Utah, em 1977, 1996 e 2010, de acordo com o Centro de Informações sobre Pena de Morte, um grupo de pesquisa.

Mas em 2025, a Carolina do Sul, que havia autorizado o pelotão de fuzilamento em 2021, executou três prisioneiros usando esse método.

Em seu anúncio nesta sexta-feira, o governo Trump disse que estava trabalhando em uma regulamentação destinada a reduzir o processo de apelação federal para casos de pena de morte estaduais, embora, em última instância, os tribunais tenham a palavra final.

O departamento também afirmou que planejava emitir uma regulamentação que imporia novos limites à capacidade de presos condenados à morte de buscar clemência ou indultos do governo federal.

O relatório sugeriu, ainda, expandir os tipos de crimes e os tipos de criminosos elegíveis para a pena de morte federal a fim de "corrigir lacunas e deficiências" na lei atual. O Congresso teria que aprovar qualquer mudança desse tipo com nova proposta legislativa.

Segundo o relatório, o governo federal deveria considerar propor legislação que tornaria elegíveis para a pena de morte "assassinatos de policiais; assassinatos por estrangeiros ilegalmente nos EUA; e assassinatos constituídos ou cometidos na prática de crimes de ódio, perseguição, apoio material ou violência doméstica".

Robin Maher, diretora do Centro de Informações sobre Pena de Morte, disse que o relatório parecia mais focado em queixas contra o governo Biden do que em uma análise direta do protocolo de injeção letal.

"Pareceu-me bastante desonesto no que se refere a refletir a realidade dos problemas" com o uso de pentobarbital em execuções, disse Maher.

O pentobarbital foi usado pela primeira vez em uma execução em 2010, em Oklahoma, e logo se tornou um método comum para executar prisioneiros.

Assim como outras drogas usadas em injeções letais, ela enfrentou contestações na Justiça de prisioneiros e seus advogados, que disseram que ela causava sofrimento aos prisioneiros, mas os tribunais permitiram seu uso, e vários estados a usam como método principal para execução da pena. Ainda assim, alguns estados tiveram dificuldade em obter a droga devido à pressão de grupos médicos e de defesa sobre os fabricantes de medicamentos.

Em janeiro de 2025, o Departamento de Justiça sob Garland, pouco antes de Trump assumir para seu segundo mandato, emitiu um memorando dizendo que "ainda há uma incerteza significativa sobre se o uso de pentobarbital como injeção letal causa dor e sofrimento desnecessários".

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