segunda-feira, abril 06, 2026

BRB de Ibaneis “investiu” R$ 30,4 bilhões no Master, mesmo sabendo da fraude

Publicado em 6 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

🏛️ 𝐃𝐄𝐂𝐈𝐒𝐀̃𝐎 | O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha  (MDB), afirmou que irá recorrer da decisão liminar da Justiça que proibiu o  Governo do Distrito Federal (GDF) de utilizar imóveis públicos

Reprodução do Instagram

Demétrio Vecchio e Isadora Teixeira
Metrópoles

O Banco Regional de Brasília (BRB) comprou R$ 30,4 bilhões em carteiras do Banco Master desde o dia 1º de julho de 2024, como mostram planilhas de prestação de contas obtidas com exclusividade pelo Metrópoles com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).

A este valor somam-se outros R$ 10,8 bilhões em carteiras adquiridas pelo BRB a partir de “substituições”, em que o Banco de Brasília devolvia uma carteira podre do Credcesta ao Master e recebia no lugar novos ativos. A partir desta segunda-feira (6/4), o Metrópoles vai mostrar que esses ativos hoje em posse do BRB também são de baixíssima qualidade.

DESDE 2024 – As compras de carteiras do Master começaram em julho de 2024 e se dividiram em crédito de varejo, atacado, CDI, CRI e fundos. A partir de março de 2025, quando o BRB detectou que parte das carteiras adquiridas do Master era fraudulenta, o banco não interrompeu os negócios – pelo contrário: comprou mais R$ 20,7 bilhões em produtos do Master.

Outro sinal de alerta ao BRB foi a negativa, pelo Banco Central, à compra do próprio Master, em setembro de 2025. Após a rejeição do pedido pelo BC, o BRB repassou ao Master mais R$ 1,9 bilhão.

As aquisições dos ativos seguiram até outubro de 2025, um mês após o Banco Central ter impedido a compra e pouco antes da liquidação do banco de Daniel Vorcaro.

TIPOS DE ATIVOS – No total, o BRB informou à CVM ter realizado 120 aquisições de carteiras de crédito de varejo do Master. A maior parte das compras foi de consignados da Credcesta, mas as negociações também envolviam carteiras de “PIX Crédito”, de parcelamento de faturas e de empréstimo rotativo, por exemplo.

Outros ativos bilionários foram comprados junto ao Master no que o BRB classificou como “crédito atacado”. São basicamente Cédulas de Crédito Bancário (CCB), títulos que registram dívidas assumidas em operações de crédito feitas por empresas e até por uma pessoa física, Bruno Lemos Ferrari, CEO da Oncoclínicas.

Por fim, o BRB informou à agência fiscalizadora que realizou 44 aquisições de CDI (Certificado de Depósito Interbancário), CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e fundos diversos do Master, em transações que somam R$ 8,1 bilhões.

CRÉDITOS PODRES – Metade desse montante diz respeito a substituições de créditos podres, que ocorreram todas entre maio e o começo de agosto de 2025, quando o Banco Central já dava indícios de que não aprovaria a compra do Master pelo BRB.

Em parte dessas transações para devolver carteiras podres, o BRB recebia de volta novos ativos do Credcesta, uma linha de crédito consignado voltada principalmente a beneficiários do INSS, em que as parcelas são descontadas diretamente do benefício.

Em fevereiro, o presidente Nelson Antônio de Souza disse ao Metrópoles que buscava compradores para toda a carteira comprada do Master. Segundo ele, o pacote – que agora se sabe que custou R$ 30,4 bilhões ao Banco de Brasília – estava avaliado em R$ 21,9 bilhões.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente e reveladora matéria, enviada por José Perez, sempre atento ao apodrecimento dos Três Poderes. Aliás, em maio de 2025, já se sabia que o Master estava quebrado e Tribuna da Internet havia enviado dossiês ao Banco Central, à CVM e ao TCU. Mesmo assim, os estelionatários a serviço de Ibaneis Rocha continuaram “investindo” recursos públicos no Master. E até agora ninguém foi preso em Brasília. Que país é esse, minha gente? (C.N.)


Em destaque

Relator pede prorrogação de CPI do Crime Organizado para aprofundar investigações do caso Master

  Relator pede prorrogação de CPI do Crime Organizado para aprofundar investigações do caso Master Por  Isadora Albernaz/Folhapress 06/04/20...

Mais visitadas