
‘Nunca fui convidada; se for, vamos pensar’, diz senadora
Alvaro Gribel
Estadão
A senadora Tereza Cristina (Progressistas-MS) afirma que “não chegou o convite” para ser candidata a vice na chapa encabeçada pelo também senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República pelo PL. Se o convite for feito, complementa, irá “pensar mais à frente”.
“Nossa senhora, esse assunto não sai da minha frente. Nunca fui convidada. Se eu for, lá na frente nós vamos pensar. Nunca chegou esse convite”, afirmou em entrevista ao Estadão. A senadora também afirmou que o agronegócio brasileiro tem uma posição pragmática, especialmente os exportadores, e irá se distanciar do presidente dos EUA caso sejam prejudicados pela guerra no Irã travada por Donald Trump.
PRAGMATISMO – “Tem vários agros, mas vamos falar do agro exportador. O agro que é onde (a guerra) pode atrapalhar. O agro exportador é muito pragmático. Se o Trump atrapalhar muito, eles vão ficar contra. Se o Trump atrapalhar menos, eles vão ficar a favor, porque o agro é conservador. Mas, assim, o agro é pragmático”, afirmou.
Nesta semana, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que torce para que uma mulher seja escolhida como vice de Flávio Bolsonaro. “Eu torço para que seja uma mulher. Porque as mulheres, apesar de ter pouca mulher aqui, são muito melhores do que os homens, em todos os sentidos”, afirmou durante evento do grupo Lide, em São Paulo.
PESQUISA – Levantamento do instituto Paraná Pesquisas indica um cenário de disputa acirrada entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno das eleições de 2026, com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PT) numericamente à frente.
De acordo com a pesquisa, Flávio Bolsonaro aparece com 45,2% das intenções de voto, enquanto Lula registra 44,1% – um empate técnico dentro da margem de erro de 2,2 pontos porcentuais da pesquisa.
Outros 6,2% afirmam que votariam em branco ou nulo e 4,5% não souberam ou não opinaram. Em fevereiro, os dois estavam numericamente mais próximos, com 44,4% para Flávio e 43,8% para Lula.
MISOGINIA – Sobre a aprovação no Senado do projeto de lei da misoginia, como voto a favor da senadora, ela diz que o País vive uma violência “fora do normal” contra as mulheres e que se posicionou de acordo com as suas convicções.
“Estamos vivendo um tempo muito complicado para as mulheres. Feminicídio todo dia, uma violência fora do normal, fora dos patamares anteriores. Não sei se é rede social, o que está acontecendo – mas é fato, porque a estatística está aí e a gente tem visto casos aterradores”, afirmou. “É um tema difícil, mas eu acho que precisava ser feito, Eu tenho também as minhas convicções, e eu votei a favor.”
TIPIFICAÇÃO – Aprovado com 67 votos a favor e nenhum contra, a proposta define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres” e altera a redação da legislação vigente para incluir o termo “misoginia” entre as formas de preconceito já tipificadas – como as praticadas por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional.
“O que a gente tem visto é um escândalo nunca visto no Brasil e que pega de A a Z. Pega direita, esquerda, centro, meio, para cima, para baixo, uma coisa que cada dia a gente fica mais estarrecido”, afirma. “Eu acho que todo mundo precisa ser investigado e a verdade tem de vir à tona e, aí, as medidas precisam ser tomadas.”