O Silêncio das Ruínas – Onde Jeremoabo Enterrou sua Própria História
Existem verdades que doem, mas que precisam ser ditas com todas as letras: Jeremoabo tem sido incompetente na preservação de sua própria memória. Enquanto cidades vizinhas transformam seus casarões e fazendas históricas em museus e pontos de turismo cultural, a nossa terra assiste, de braços cruzados, à ruína física de patrimônios que deveriam ser tombados e reverenciados.
O rastro do descaso nos faz lembrar a dura passagem bíblica que alerta para não darmos "pérolas aos porcos". Afinal, o que são as ruínas da Fazenda Caritá e da Mansão do Coronel João senão pérolas raras da nossa história jogadas na lama do esquecimento?
1. O Berço do Barão de Jeremoabo: O Vento Levou o Nosso Orgulho
Cícero Dantas Martins, o lendário Barão de Jeremoabo, foi um dos homens de maior importância e prestígio no período Imperial e nos primeiros anos da República em todo o país. Nascido em nossas terras, na Fazenda do Caritá, ele projetou o nome de Jeremoabo para as altas esferas do poder nacional.
O local onde esse gigante da nossa história nasceu deveria ser um marco histórico sagrado, um ponto de visitação para estudantes, historiadores e turistas. No entanto, o que vemos lá hoje? Ruínas. O tempo e o descaso levaram embora paredes que guardavam o DNA da nossa fundação política e social. É parte da história documentada de Jeremoabo jogada literalmente na lata do lixo.
2. A Mansão do Coronel João: Outro Gigante no Esquecimento
Como se não bastasse a perda do berço do Barão, outro crime contra a nossa memória foi cometido com a Mansão que serviu de residência ao Coronel João Sá.
O Homem: Uma figura de imenso prestígio e liderança, cuja influência ecoava não apenas em nossa região, mas em todo o Estado da Bahia.
O Imóvel: Um exemplar da arquitetura e da imponência de uma época dourada.
O Resultado: O mesmo destino trágico. O abandono transformou a suntuosidade em escombros, apagando as pegadas de quem ajudou a construir as bases do que somos hoje.
3. Um Povo sem Memória é um Povo sem Futuro
Preservar o patrimônio histórico não é "viver de passado". É dar identidade ao presente e rumo ao futuro. Quando deixamos um casarão cair ou uma fazenda histórica virar tapera, estamos dizendo às futuras gerações que a nossa história não tem valor.
O atual governo municipal vem se esforçando para arrumar a casa, tirando o município da inadimplência e focando no social, mas a sociedade jeremoabense como um todo precisa despertar para a pauta cultural. Não podemos mais aceitar passivamente que os símbolos do nosso passado sejam triturados pelo tempo por falta de sensibilidade e políticas públicas de tombamento e preservação.
Conclusão: Que as Ruínas nos Sirvam de Lição
Que as paredes caídas do Caritá e os escombros da mansão do Coronel João Sá sirvam como um grito de alerta. Jeremoabo é rica em causos, em personagens e em história documentada.
Está na hora de pararmos de tratar nossas pérolas históricas com a negligência descrita na parábola. Se não guardarmos o que fomos, como saberemos para onde estamos indo? A preservação da nossa história é uma emergência.
Blog de Dede Montalvão: A voz que cobra o progresso, mas que não esquece as nossas raízes.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)