Publicado em 15 de novembro de 2025 por Tribuna da Internet

Jorginho Mello evita se posicionar em disputa pelo Senado
Yago Godoy
O Globo
Em meio à acirrada disputa entre o vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) e a deputada federal Carol de Toni (PL-SC) para concorrer ao Senado Federal por Santa Catarina, o governador do estado, Jorginho Mello (PL), permanece sem se manifestar abertamente sobre o imbróglio.
Principal parte interessada no assunto, o mandatário começou a ser cobrado por bolsonaristas por seu apoio ao atual senador Esperidião Amin (PP-SC), que concorrerá à reeleição, deixando apenas uma vaga para o PL na chapa. Ao mesmo tempo, no final de semana, ele elogiou publicamente a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), uma das principais críticas no partido à candidatura de Carlos.
“MENTIROSA” – O acordo com Amin e o PP busca garantir a Jorginho mais tempo de TV e o palanque de um dos políticos mais experientes do estado, na tentativa de conquistar um novo mandato no ano que vem. No fim de outubro, o vereador carioca chamou Campagnolo de “mentirosa” quando ela explicou a apoiadores que o acordo de Jorginho foi uma negociação do próprio PL com o PP, e que Carlos estaria tirando a vaga de Carol de Toni.
Bolsonaristas têm acusado Jorginho, no entanto, de quebrar outro acordo. Em um vídeo publicado no sábado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, sem citar o governador, ser “martelo batido” que seu pai poderá indicar Carlos para uma das vagas. Um eventual “recuo”, segundo o parlamentar, poderia ser visto como uma derrota para o ex-presidente Jair Bolsonaro e um convite para que outros políticos “se rebelem” e deixem de seguir as ordens e acordos firmados com a principal liderança do partido.
— Ana Campagnolo está praticamente, talvez não intencionalmente, convidando todo mundo a se rebelar. Imagina nos 27 estados ter o problema de Santa Catarina, de o deputado estadual mais votado (Campagnolo) não seguir uma diretriz do líder do movimento, e acontecendo isso tudo — frisou o parlamentar em outro momento.
CRÍTICAS – Com o avanço da crise e o silêncio de Jorginho, as redes sociais do governador passaram a ser alvo de críticas de apoiadores, que apontam “decepção” por não endossar a candidatura de Carlos. Outra crítica pública foi do deputado estadual por São Paulo Gil Diniz (PL), que cobrou “explicações aos bolsonaristas de por que deixou Bolsonaro ser tão desgastado” com a indefinição.
Na publicação mais recente do governador na rede social X, sobre a entrega de materiais escolares para estudantes do estado, grande parte dos comentários foi em tom de cobrança a Jorginho. “A culpa dessa briga também é sua, não fuja da responsabilidade”, escreveu um apoiador. “Só aceitamos o que foi combinado com Bolsonaro, você não vai querer os bolsonaristas todos os dias em suas publicações”, publicou outro internauta.
ELOGIO – No evento Rota 22, promovido pelo PL em Blumenau (SC), Jorginho abraçou e elogiou Campagnolo no palco após a deputada discursar. Ele destacou que a parlamentar faz um “grande trabalho” no estado e afirmou que sua votação “vai dobrar” nas eleições de 2026. Também estiveram no local os senadores Jorge Seif (PL-SC) e Rogério Marinho (PL-RN) e os deputados federais Ricardo Ghidi (PL-SC) e Zé Trovão (PL-SC).
— Essa moça bonita e querida aqui, Ana Campagnolo, inteligente, escritora, orgulha o parlamento de Santa Catarina pelo que representa. Eu gosto muito de ouvi-la. Ela tem cultura, sabe colocar as palavras. Eu tenho muito prazer e muito orgulho em ela ser nossa deputada — ressaltou o governador, sob aplausos.
No discurso, a deputada também fez declarações direcionadas a Jorginho. Segundo ela, o estado tem um governador que “gera vida” e faz de Santa Catarina “o melhor lugar do mundo para se viver, não só do Brasil”. Nas redes sociais, ao publicar o vídeo da declaração, a parlamentar também escreveu que os catarinenses têm a “tradição da política propositiva, na qual o Estado serve aos interesses do cidadão, e não o contrário”.
DISCUSSÃO – O afago do governador aconteceu horas depois de Campagnolo discutir com a deputada federal Julia Zanatta (PL-SC), em uma live nas redes sociais, sobre a disputa interna no partido. Zanatta defendeu uma “chapa pura”, ou seja, com as duas vagas para o Senado sendo ocupadas por membros do PL — Carlos e Carol de Toni.
Durante a live, Campagnolo reclamou dos ataques e acusações de “traição” que passou a sofrer de bolsonaristas por conta da discordância. Zanatta, por sua vez, defendeu que a deputada estadual deve se desculpar com Carlos, já que teria angariado a maioria de seus votos apenas pelo apoio da família Bolsonaro.
Eduardo, que em outro momento já teceu críticas a Campagnolo por conta das divergências em relação à candidatura do irmão, já destacou que Jorginho “mostra disposição” para atender aos pedidos do clã Bolsonaro, segundo informou a colunista Bela Megale em maio deste ano. Apontado como um nome com o qual a família do ex-presidente pode contar, ele é um dos poucos governadores de direita poupados por Eduardo nos últimos meses e, ao mesmo tempo, mantém relação próxima com os gestores estaduais já atacados pelo parlamentar.
VISITA – No final de outubro, em meio à disputa, Jorginho foi visitar Bolsonaro em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar. Após o encontro, Carol de Toni informou à rádio catarinense Princesa Xanxerê que, caso não consiga resolver a questão dentro do partido, irá buscar outra legenda para concorrer. De acordo com a deputada, Bolsonaro irá apoiá-la mesmo em outra sigla, mas sem abrir mão de ter Carlos na chapa do PL.
No início deste mês, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou apoio à candidatura de Carol de Toni ao Senado “independentemente da sigla partidária”. Já no próximo dia 21, Campagnolo estará com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), em Florianópolis, para o lançamento de um livro de autoria de ambos direcionado ao público infantil.