domingo, novembro 16, 2025

CNJ investiga juízes e desembargadores por venda de sentenças

Publicado em 15 de novembro de 2025 por Tribuna da Internet

Nota da Redação Deste Blog - A Justiça na Berlinda: Quando o Guardião da Lei Passa a Disputar Manchetes com a Corrupção
Por: José Montalvão

Até pouco tempo, a imprensa brasileira estampava diariamente manchetes envolvendo políticos corruptos, agentes públicos desviando recursos e organizações criminosas enraizadas no poder. Infelizmente, essa realidade, embora persistente, deixou de ser a única protagonista das páginas policiais e dos noticiários. Hoje, o que disputa espaço na imprensa com o velho esquema de corrupção é algo ainda mais alarmante: a própria Justiça sendo acusada de práticas de improbidade, venda de sentenças e conluios criminosos.

O que era para ser o último bastião da moralidade, aquele que aponta o dedo, julga e pune os corruptos, agora se vê exposto em escândalos de igual ou até maior gravidade. A pergunta que ecoa na sociedade é inevitável: a que ponto chegou o nosso país?

A recente decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de instaurar Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra seis desembargadores e dois juízes de primeiro grau, todos suspeitos de participarem de esquemas de venda de sentenças, acendeu um alerta vermelho que o Brasil não pode ignorar.
Esses magistrados já estão afastados de suas funções por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), exatamente para impedir que continuem influenciando processos ou atuando em benefício de interesses escusos.

E o mais revoltante: caso as suspeitas sejam confirmadas, muitos deles poderão ser punidos com a aposentadoria compulsória, mantendo parte de seus salários — um “prêmio” indevido a quem traiu a toga, a Justiça e a confiança do povo. Em casos extremos, pode haver a perda definitiva do cargo, mas a história mostra que isso raramente acontece.

Quando o juiz vira réu, a democracia treme

A venda de sentenças é uma das práticas mais abjetas que podem ocorrer no Judiciário. Cada decisão comprada não é apenas um desvio moral: é uma agressão direta ao cidadão comum, à empresa séria, ao servidor honesto, ao contribuinte que paga impostos acreditando na proteção da justiça.
Quando um magistrado negocia o resultado de um processo, o que ele realmente vende não é um papel: é a confiança de toda a sociedade no Estado de Direito.

Políticos corruptos sempre foram um problema, mas quando o próprio sistema que deveria combatê-los adoece, o país perde o seu alicerce institucional. A justiça fragilizada enfraquece a democracia, alimenta a impunidade e estimula a sensação de abandono.

O Brasil precisa reagir

Diante desse cenário, a sociedade precisa exigir:

  • Transparência nos julgamentos disciplinares

  • Rigor nas punições, sem benefícios indevidos como aposentadorias milionárias

  • Reforma profunda nos mecanismos de fiscalização interna

  • Fortalecimento das corregedorias, que muitas vezes são complacentes por corporativismo

  • Mandatos com avaliação contínua para cargos da alta magistratura

O Judiciário brasileiro, que tantas vezes apontou falhas no Executivo e no Legislativo, agora precisa olhar para dentro de si.
O combate à corrupção só será eficaz quando a limpeza também alcançar aqueles que, por muitos anos, se esconderam atrás da toga, da autoridade e da falsa postura de guardiões inquestionáveis da lei.

Enquanto isso não acontecer, seguiremos vendo manchetes que envergonham o país — manchetes que mostram não apenas a corrupção dos poderosos, mas a decomposição moral de instituições que deveriam ser sagradas.

E o Brasil, mais uma vez, pergunta: quem julgará os juízes?



Em destaque

Corregedoria do TJ-BA instaura processo disciplinar para apurar graves irregularidades em cartório

  Corregedoria do TJ-BA instaura processo disciplinar para apurar graves irregularidades em cartório Por  Política Livre 23/01/2026 às 10:22...

Mais visitadas