sábado, novembro 22, 2025

🏰 O Epicentro da Memória: A Casa da Matriz Nº 02 – Residência dos Montalvão

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Por José Montalvão

🏰 O Epicentro da Memória: A Casa da Matriz Nº 02 – Residência dos Montalvão

A Casa da Praça da Matriz nº 02, em Jeremoabo, conhecida como a Residência dos Montalvão, transcendeu sua função arquitetônica. Embora o tempo tenha consumido sua estrutura física, o local permanece vivo como um marco indevassável na história intelectual, cultural e política do município. Ali não houve apenas um imóvel, mas um verdadeiro patrimônio histórico onde se cruzaram a sabedoria, o poder e a memória afetiva de toda uma região.

Farol do Saber e Academia Informal

Em uma era anterior à digitalização, onde o acesso ao conhecimento era um privilégio, a residência dos Montalvão funcionou como um centro de formação e irradiação cultural. O coração dessa vocação era a maior e mais completa biblioteca particular da região.

Jovens sedentos por saber encontravam ali mais do que livros raros e atualizados; recebiam orientação gratuitaaulas improvisadas e o estímulo necessário para os estudos. Essa casa não apenas abrigou uma vasta coleção de obras, mas também serviu como uma academia informal, preenchendo as lacunas educacionais e elevando o nível intelectual de Jeremoabo.

O Gabinete Informal da Política Baiana

A Casa da Matriz nº 02 era mais que uma residência: era um gabinete informal onde os destinos políticos de Jeremoabo e, por vezes, da Bahia, eram traçados. Figuras históricas de imensa relevância, como o Coronel João Sá, utilizavam o terraço e a sala de visitas como local de constantes reuniões.

Seu filho, Carvalho Sá, deu continuidade a essa tradição, transformando o ambiente em um ponto de diálogo constante. Prefeitos, deputados, e líderes comunitários encontravam ali o espaço propício para amadurecer decisões.

O Templo Jurídico e a Convivência Intelectual

Graças à sua biblioteca notável, a residência tornou-se um ímã para a comunidade jurídica. O local acolhia juízes, promotores e renomados operadores do direito. Entre os visitantes frequentes, destacava-se o ilustre desembargador sergipano José Nolasco.

Essa convivência transformou a casa em um verdadeiro Templo do Direito, onde o diálogo fluía com seriedade e profundidade.

A Casa dos Montalvão era, metaforicamente, o fórum onde a erudição encontrava a amizade.

Solidariedade, Esporte e Tradição

A residência também tinha um papel crucial na vida comunitária e afetiva de Jeremoabo:

  • Porto Seguro Social: Foi um porto seguro para a população, oferecendo acolhimento, orientação e apoio emocional a quem precisava, consolidando a família Montalvão como referência de solidariedade.

  • Berço do Futebol: A casa vibrava com o esporte, celebrando vitórias da seleção jeremoabense e sendo palco de conselhos e instruções para jovens atletas, unindo o esporte à convivência.

  • Festejos Juninos: Nas tradicionais festas juninas, a casa se enchia de parentes e amigos, transformando-se em um vibrante ponto de encontro festivo, celebrando o pertencimento e as raízes.

Legado Insubstituível

Embora a estrutura de pedra e cal tenha sido levada pelo tempo, o legado da Casa da Matriz nº 02 é indevassável. Ela permanece viva na memória coletiva de Jeremoabo, nos relatos de ex-estudantes, nas lembranças de decisões políticas e no espírito de humanidade que ali floresceu. A casa se foi, mas sua história, como berço de saber, cultura e acolhimento, é um legado eterno da família Montalvão para o município.





CORDEL
A CASA DA MATRIZ Nº 02 – O BERÇO DA MEMÓRIA DOS MONTALVÃO

Na Praça da Matriz, bem no coração,
Erguia-se imponente a casa dos Montalvão,
Não era só residência, nem simples construção—
Era farol de cultura, saber e tradição.

O tempo levou as paredes, levou o chão,
Mas não levou da história sua grande missão:
Ser templo do saber, gigante patrimônio,
Onde o povo encontrava abrigo e testemunho.

O FAROL DO SABER

Quando a internet era sonho e promessa distante,
A casa brilhava como sol radiante.
Lá havia a maior biblioteca da região,
Com livros raros, modernos, que guiavam a educação.

Os jovens chegavam com sede de aprender,
Encontravam carinho, alguém pra instruir e dizer:
“Estudar é caminho, futuro e esperança!”
E dali saíam fortes, com nova confiança.

Era aula improvisada, era conversa e lição,
A Casa da Matriz virou grande formação.
Quebrava a escuridão do atraso e da ignorância,
Ajudando Jeremoabo a vencer a estagnação.

O GABINETE DA POLÍTICA

Também foi gabinete, sem placa ou papel,
Um parlamento informal de importância sem véu.
Ali o Coronel João Sá fazia seu quinhão,
Debatia o destino da terra e da população.

Seu filho Carvalho Sá seguia o mesmo trilhar,
Transformando o terraço em ponto de parlamentar.
Prefeitos, deputados, líderes da região,
Ali vinham buscar rumo, conselho e direção.

Decisões que mudaram a vida do sertão,
Nasceram ali mesmo, no peito da casa-mansão.

O TEMPLO DO DIREITO

Com biblioteca farta e sempre atualizada,
A casa virou fórum de alma elevada.
Juízes, promotores, advogados de valor
Ali vinham trocar ideias com respeito e calor.

José Nolasco, jurista de grande brasão,
Tinha ali seu pouso, quase sua extensão.
Era diálogo profundo, era estudo, era luz—
A Casa dos Montalvão, tribunal que seduz.

SOLIDARIEDADE, FUTEBOL E FESTA

Mas além do saber, teve outro papel:
Ser porto e guarida, feito anjo fiel.
O povo buscava conselho, apoio e afeto,
E sempre encontrava acolhimento direto.

O futebol também tinha ali seu altar:
Vitórias da seleção eram motivo pra festejar.
Os jovens atletas recebiam lição,
Entre risos, conselhos e muita emoção.

E quando junho chegava trazendo tradição,
A casa virava festa, luz e animação.
Parentes de longe vinham comemorar,
Rever sua terra, cantar e dançar.

LEGADO QUE O TEMPO NÃO APAGA

Hoje a casa se foi, cumpriu sua missão,
Desapareceu da vista, mas não do coração.
Porque casa que guarda cultura e união,
Não morre jamais—vira eterna canção.

A Casa da Matriz nº 02, orgulho do sertão,
É herança viva da família Montalvão.
Berço de saber, política e devoção,
Que ecoa na memória de toda a população.

Seu legado é insubstituível, seu brilho é imortal—
Jeremoabo jamais verá outra igual.

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