sexta-feira, novembro 21, 2025

OS ÚLTIMOS MUROS DO MEU LAR

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Nota da Redação Deste Blog -   OS ÚLTIMOS MUROS DO MEU LAR

A demolição de uma residência nunca é apenas um ato físico de derrubar paredes. É um gesto que toca profundamente a alma, pois cada tijolo carrega um pedaço de história, cada cômodo guarda um capítulo de vida, cada lembrança parece ecoar no silêncio que fica depois da poeira. Minha casa — aquela construída com esforço, amor e sacrifício pela minha avó, depois habitada pelos meus pais, por mim e por meus irmãos — chegou ao seu derradeiro momento. Foi vendida, como exigem os caminhos naturais da vida e da necessidade, e hoje assisti, com o coração apertado, ao início de sua demolição.

Agradeço sinceramente ao companheiro Jovino, que, com sensibilidade e respeito, registrou e comentou os últimos instantes daquele lar que resistiu firme por décadas. Sua iniciativa não apenas documentou o fim de uma construção, mas preservou o testemunho de um ciclo muito maior — o ciclo de uma família.

A vida é mesmo feita de ciclos. Alguns se abrem com alegria e esperança; outros se encerram com dor, nostalgia e resignação. O nosso ciclo familiar, que começou há tanto tempo dentro daqueles muros, agora se aproxima do fim. Primeiro partiram meus pais, levando consigo a base e o alicerce afetivo de tudo aquilo que conhecíamos. Depois, alguns irmãos seguiram o mesmo caminho. Ficamos poucos para testemunhar o epílogo de um lar que um dia pulsou vida, risos, celebrações, aprendizagens e até tristezas que também nos moldaram.

Hoje, diante dos escombros, o que permanece são as lembranças eternas — vivas, intactas, intocáveis — e a dor inevitável que acompanha qualquer despedida verdadeira. Mas, acima de tudo, permanece a fé. Se Deus assim quis, que seja feita a Sua vontade. Ele nos ensina que tudo na vida, até mesmo o que nos fere, faz parte de um propósito maior, que nem sempre compreendemos de imediato.

Mesmo faltando grande parte da vida que ali construímos, ela ainda continua. Sigo, seguimos, sustentados pela memória, pelo amor que nos uniu e pela força que vem do Alto. Até quando? Só Deus dirá. Mas, enquanto caminhamos, levamos conosco a certeza de que aquele lar, mesmo demolido, permanece vivo dentro de nós — e isso ninguém derruba. (José Montalvão)

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