O DESRESPEITO À VERDADE E A REALIDADE DAS ENCHENTES: UM ARTIGO SOBRE JEREMOABO, O GOVERNADOR JERÔNIMO E A GESTÃO DO PASSADO
Dizer que o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, não fez nada por Jeremoabo e nunca fará, é mais que um exagero — é uma piada de mau gosto ou, pior ainda, uma tentativa clara de zombar da inteligência do povo jeremoabense. Basta ter memória, basta ter honestidade. Os fatos estão aí, documentados, vistos, vividos e sofridos por toda a população ribeirinha.
A Tragédia do Vaza-Barris e o Papel do Governador
Quando o Rio Vaza-Barris transbordou, provocando uma das maiores enchentes já registradas na região, desde o povoado Chanché até a divisa da Bahia com Sergipe, dezenas de famílias viveram um tormento do qual ainda hoje tentam se recuperar. O prejuízo foi incalculável: lavouras devastadas, animais perdidos, plantações inteiras destruídas, casas invadidas pela água e famílias inteiras em desespero.
O povoado Canché foi duramente atingido, assim como o Bairro São José, em Jeremoabo, onde moradores tiveram suas casas inundadas e seus bens arrastados pela força da água.
Diante dessa tragédia, o governador Jerônimo Rodrigues não se escondeu, não ficou no gabinete, não mandou recado. Ele foi pessoalmente até a região de Canudos, acompanhado de equipe técnica, Defesa Civil, secretarias estaduais, para entender os danos e adotar medidas emergenciais. Isso não é opinião: é fato.
A Cena que Jeremoabo Nunca Esquecerá
Jeremoabo também não esquece o momento que tornou-se símbolo da desumanidade da gestão passada. Enquanto Jerônimo buscava soluções para amparar as famílias destruídas pela enchente, o então prefeito Deri do Paloma protagonizou uma cena vergonhosa.
Ao lado do governador, assinou um Decreto de Calamidade Pública, reconhecendo oficialmente a situação gravíssima do município. Até aí, tudo correto. Porém, poucos dias depois — e longe das câmeras — o mesmo prefeito revogou o decreto.
Enquanto isso:
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ribeirinhos do Chanché e adjacências amargavam prejuízos irreparáveis;
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famílias do Bairro São José limpavam lama e choravam perdas;
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agricultores contabilizavam destruição;
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e a cidade permanecia sem apoio adequado.
O gesto do prefeito não foi apenas irresponsável. Foi cruel.
O Rombo Deixado e o Desafio Atual
A herança dessa gestão foi um município quebrado, mergulhado em inadimplência, sem crédito, sem condições mínimas de investimento. Hoje, o prefeito Tista de Deda luta para reorganizar a máquina pública, sanar dívidas, renegociar pendências e recolocar Jeremoabo nos trilhos. Está pagando a conta da irresponsabilidade daqueles que preferiram festas a socorro.
A própria duplicação e adequação da saída de Jeremoabo, da Avenida Barão de Jeremoabo até o entroncamento, permanece paralisada devido a suspeitas de corrupção, fraude e irregularidades na gestão anterior. Era obra do governo estadual, mas foi comprometida pelo uso inadequado dos recursos que deveriam ser destinados a ela.
O Peso da Verdade
Diante de tudo isso, afirmar que Jerônimo “não fez nada por Jeremoabo” é ignorar:
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sua presença durante a crise;
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o apoio oferecido ao município;
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o empenho do governo do estado em mitigar danos;
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e, sobretudo, a difícil realidade vivida pelos ribeirinhos.
O povo de Jeremoabo conhece a verdade. Ele viveu a verdade.
O que não se pode aceitar é transformar mentira em narrativa política, nem permitir que a memória das vítimas das enchentes seja desrespeitada para fins partidários.
Afinal, quem abandonou o povo no momento mais difícil não foi o governador — foi quem deveria ter representado Jeremoabo, mas preferiu o brilho dos palcos ao choro dos ribeirinhos.
E Jeremoabo não esquece.