sábado, abril 16, 2022

Recordista absoluto, Lula participa pela nona vez de eleições presidenciais


Lula participa direta ou indiretamente das disputas desde 1989

Pedro do Coutto

Numa reunião na quinta-feira com lideranças sindicais em São Paulo, Geraldo Alckmin afirmou que Lula da Silva é o maior líder popular do país. Não está longe da verdade, sem discutir o mérito da questão, pois o país encontra-se dividido, o que se reflete na polarização cristalizada entre o ex-presidente e Jair Bolsonaro que tenta a reeleição nas urnas de outubro.

É interessante assinalar para efeito histórico, creio, o fato de Lula da Silva vir participando direta ou indiretamente das eleições presidenciais do país de 1989 até 2022. Perdeu para Collor, perdeu duas vezes para Fernando Henrique Cardoso e seu candidato Fernando Haddad perdeu para Bolsonaro em 2018. Venceu outras quatro, duas com a sua própria eleição e duas com a eleição e reeleição de Dilma Rousseff.

IMPEACHMENT – O grande fracasso do PT foi com Dilma, sobretudo em seu segundo mandato, que terminou em impeachment. Agora, ele vai às urnas disputar novamente o voto, apresentando-se como uma solução para a retomada do desenvolvimento econômico e social do país, afetado fortemente pela administração atual.

Vai, desta vez, acompanhado e endossado pelo ex-tucano e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin que lhe acrescenta sufrágios, esperam seus partidários, de correntes de pensamento do centro político.  O objetivo de Lula é isolar Bolsonaro na extrema-direita. As urnas vão dizer se está certo ou errado.

As perspectivas são favoráveis a ele, como assinalou a mais recente pesquisa do Datafolha, apontando-o com 43% dos votos contra 26% de Bolsonaro. A margem é grande, mas Bolsonaro recuperou espaços nas últimas semanas. A rejeição popular aos dois principais candidatos é alta, porém a de Bolsonaro é maior.

SEGUNDO TURNO – Em pesquisas anteriores, tanto as do Datafolha, quanto as do Ipec, havia a hipótese de o líder do PT vencer no primeiro turno. O mais recente levantamento do Datafolha, entretanto, aponta uma possibilidade maior para que o pleito seja decidido no segundo turno.

Vai depender do crescimento ou não de candidaturas como as de Ciro Gomes e Simone Tebet. Mas a de Tebet ainda não decolou e se encontra com uma percentagem muito reduzida de intenções de voto. A exaltação de Lula por Alckmin foi divulgada na noite de quinta-feira pela GloboNews e pelo JN da TV Globo, e foi focalizada com grande destaque nas edições de ontem de O Globo e da Folha de S.Paulo.

Marcaram o dia político e deixaram no ar, no caso de um segundo turno, uma perspectiva de apoio do grupo tucano que reúne Fernando Henrique Cardoso e José Serra, do qual Geraldo Alckmin fez parte ao longo de trinta anos. FHC não pode apoiar Bolsonaro que, certa vez, como deputado federal, propôs o seu fuzilamento.

NOVE SUCESSÕES – Um aspecto das eleições deste ano merece ser destacado, pois efetivamente Lula, ao que me lembre, é o único político, não só no Brasil, mas também no plano internacional, que vai se envolver em nove sucessões presidenciais seguidas, claro que nos regimes democráticos. O presidente que mais disputou eleições e reeleições foi Franklin Roosevelt, nos Estados Unidos, e que venceu em 1932, 1936, 1940 e em 1944, o último mandato de sua vida, pois faleceu em abril de 1945.

As suas vitórias sucessivas levaram o Congresso americano a mudar a Constituição, numa das raras emendas aprovadas até hoje. O texto passou a limitar no máximo a uma reeleição. No Brasil, a reeleição existe em escala maior, mas não pode ocorrer seguidamente em mais de um episódio. Pode ser intercalada, nos Estados Unidos não.

Fica aqui o registro que acredito ser interessante, afinal de contas nos últimos 33 anos, Lula não deixou de participar das disputas e agora ressurge novamente como candidato, após ter sido preso por 18 meses, condenado pelo ex-juiz Sergio Moro, mas cuja sentença foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal.

SALÁRIO MÍNIMO –  Fernanda Trisotto e Eliana Oliveira, O Globo desta sexta-feira, e Fábio Pupo, na Folha de S. Paulo, focalizam o projeto de diretrizes orçamentárias do governo para o exercício de 2023. Está estimado um déficit primário de R$ 65,9 bilhões, mas há uma previsão no sentido de que o Produto Interno Bruto cresça 2,5% no próximo ano.

Não está computada nas contas públicas, aliás como sempre, o custo do giro da dívida interna, resultado da incidência da taxa Selic  hoje em 11,75% sobre R$ 5,9 trilhões. Todos os governos, sem exceção, omitem o peso dessa despesa gigantesca com o pagamento de juros.

Sobre o salário mínimo, seu reajuste previsto na escala de 6,7% fica muito abaixo da inflação do IBGE que, nos últimos 12 meses, passa de 11%. Politicamente, sobretudo no caso eleitoral, o anúncio de tal salário mínimo é negativo para o Planalto.

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