sábado, abril 16, 2022

Presidenciáveis veem golpe de Arthur Lira ao liderar adoção do semipresidencialismo

Publicado em 15 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Presidente da Câmara pede “respeito às Leis” e prega pacificação entre  Poderes – Paraíba RádioBlog

Arthur pensa (?) que vai se tornar o novo primeiro-ministro

Danielle Brant e Renato Machado
Folha

Bandeira de Arthur Lira (PP-AL) na Câmara dos Deputados, o semipresidencialismo é considerado “golpe”, “fonte de instabilidade política” e uma “jabuticaba brasileira” pelos pré-candidatos ao Palácio do Planalto nas eleições de 2022. A Folha consultou os presidenciáveis que pontuaram na última pesquisa Datafolha e houve rejeição unânime à proposta, que propõe modificar o atual sistema político e dar mais força ao Congresso.

O pedetista Ciro Gomes (CE), que aparece em terceiro lugar no levantamento, foi um dos mais incisivos contra a mudança. “É golpe porque, na minha opinião de professor de Direito Constitucional, parlamentarista que eu sou, fiz campanha pelo parlamentarismo, mas o plebiscito [de 1993, em que quase 70% dos eleitores rejeitaram o parlamentarismo] transforma o presidencialismo em cláusula pétrea”, afirma.

FOLGADA MAIORIA – “Nem sequer emenda é constitucionalmente tolerável porque o poder constituinte originário, o povo, votou explícita e claramente, por folgada maioria, pelo presidencialismo”, disse Ciro, afirmando ainda que, se a PEC avançar na Câmara, vai entrar na Justiça para barrar a medida.

Empatado com Ciro na terceira posição, o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) — que nos últimos dias afirmou ter desistido por ora de se lançar, mas depois voltou atrás— avalia que o semipresidencialismo, “com a elevada fragmentação partidária brasileira, seria uma fonte de instabilidade política.”

“Além disso, a liderança governamental seria escolhida sem a necessária transparência”, diz.

REGIME HÍBRIDO – O sistema semipresidencialista é uma espécie de parlamentarismo em que o presidente da República conserva um pouco mais de poder nas mãos em relação ao parlamentarismo tradicional e menos do que no presidencialismo atual.

O presidente, eleito pelo voto direto, seria o chefe de Estado, comandante supremo das Forças Armadas e com o poder de dissolver a Câmara em caso de grave crise política e institucional. O presidente seria o responsável por indicar o primeiro-ministro, que é quem governará, de fato, com o conselho de ministros. Mas na Câmara, a minuta de PEC do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) prevê que o primeiro-ministro seria escolhido preferencialmente entre os membros do Congresso, por voto da maioria absoluta dos parlamentares.

Além disso, o plano de governo deve ser aprovado pelo Congresso. Ou seja, o semipresidencialismo dá ao Congresso mais poder do que ele tem hoje. ​Na avaliação do presidente da Câmara, o modelo é uma forma de “estabilizar mais o processo político dentro do Congresso Nacional”.

SÓ EM 2030??? – A ideia de Arthur Lira é debater o tema neste ano, para possível entrada em vigor a partir de 2030. Para isso, ele criou, em meados de março, um grupo de trabalho com prazo de 120 dias de atuação.

O colegiado, coordenado por Samuel Moreira, é composto por deputados e assessorado por um conselho consultivo encabeçado pelo ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Nelson Jobim e formado pelo ex-presidente Michel Temer, por ex-ministros do STF e por juristas.

O tucano João Doria, ex-governador de São Paulo, afirma que o debate é válido, mas não deveria ocorrer em ano eleitoral. “Qualquer mudança constitucional, especialmente sobre os sistemas eleitoral e de governo, deve ser feita com amadurecimento, antecedência e previsibilidade”, diz Doria.

JANONES E SIMONE – Assim como Ciro, o deputado André Janones (Avante-MG) também qualifica o semipresidencialismo como golpe.

“Na prática, olhando o cenário Brasil, o sistema semipresidencialista tira do eleitor o direito de escolher quem vai governar e entrega o governo a grupos fisiológicos, tal como o que já ocorre hoje no governo Bolsonaro, só que de forma institucionalizada.”

Pré-candidata do MDB, a senadora Simone Tebet (MS) diz que uma mudança no sistema político precisaria ter origem na vontade popular. “Eu particularmente até tenho uma simpatia pelo parlamentarismo, mas não pode ser a minha voz a dizer isso. O semipresidencialismo ou semiparlamentarismo, aí tanto faz [o nome], que é uma jabuticaba brasileira, que lá trás também tinha uma certa simpatia minha, ela tem que ser entendida no momento atual. Será que é isso mesmo que nós precisamos, de um semipresidencialismo com esse Congresso?”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Todos os candidatos, incluindo Lula e Bolsonaro, são contra o semipresidencialismo, que é um parlamentarismo sob pseudônimo, igual à maioria dos comentaristas na internet. No entanto, Arthur Lira quer aprovar a mudança no peito e já se sente como primeiro-ministro em 2023. A ideia de jogar a adoção para 2030 é só para enganar os otários. Na hora da votação, arma-se um “destaque” antecipando a data, e estamos conversados. (C.N.)

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