Publicado em 14 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Violência contra a população não tem dia e nem hora marcada
Pedro do Coutto
A pesquisa sobre a sensação de pânico que tomou conta das populações do Rio e da cidade de São Paulo está realmente encurralando a sociedade, levando-a a sentir medo até da sombra das árvores e das pessoas que nas filas dos ônibus ou dos metrôs se aproximam para embarcar. A pesquisa é do Datafolha, publicada na edição de terça-feira da Folha de S. Paulo, reportagem excelente de Fernanda Mena.
O medo não se restringe ao assalto na rua, melhor dizendo, nas calçadas. Ele se estende ao temor da violência de ser assassinado que envolve 83% da população carioca e outros 83% dos moradores da capital paulista. Relativamente ao medo de ser atingido por uma bala perdida, também sensação diária, preocupa 82% dos cariocas e 76% dos paulistanos.
TRISTES ESTATÍSTICAS – Sofrer um sequestro é uma preocupação para 71% dos cariocas e 76% dos paulistas. O medo de sofrer um assalto na residência envolve 67% dos cariocas e 75% dos paulistas. Quanto ao medo de ser assaltado no sinal de trânsito, ele atinge 90% dos cariocas e 88% dos paulistas.
O levantamento mostra claramente a situação de insegurança das duas principais cidades do país. Todos os dias, aliás, assistimos casos em sequência de violência. A questão é de polícia, mas é também mais profunda. Ela vem de uma favelização crescente e de um déficit de moradias muito grande que afeta intensamente as cidades do Rio e de São Paulo.
Há causas sociais também. Os programas concentraram a renda e com isso os custos de habitação da casa própria tornaram-se sonhos de uma noite de verão. Falta saneamento, planejamento e atenção do poder público.
CONCETRAÇÃO DE RENDA – Aumentar os preços e reduzir os salários, como faz o atual governo, por exemplo, só agrava o problema social e com isso o da violência. Não quer dizer que a violência só tenha causas sociais, mas também por causa dessa concentração de renda e falta de preocupação com as classes mais afetadas economicamente.
O problema parece não ter solução, pois quando se reforça o policiamento, esse não é acompanhado de ações sociais efetivas que atingem os direitos legítimos das comunidades pobres. Prosseguindo a política de concentração de renda, o problema só vai se agravar e as classes dirigentes sabem disso. Mas não querem enfrentar o problema salarial que no fundo é a única forma possível de distribuição de renda. Já perdemos muito tempo e temos que partir em busca do tempo perdido.
Como se observa na campanha partidária na televisão, diversas legendas se apresentam cada uma mais conservadora do que o outra. Portanto, no fundo, desejam conservar a situação atual e não reformá-la.
TEBET E O MDB – No O Globo de ontem, Bernardo Mello, Bruno Góis e Camila Zarur publicaram reportagem com grande destaque, focalizando o jantar em Brasília que o ex-senador Eunício Oliveira ofereceu ao ex-presidente Lula, reunindo diversos senadores do MDB, líderes do partido e deputados federais. Vários senadores compareceram. Simone Tebet não foi convidada.
Portanto, conforme escrevi ontem, o MDB dividiu-se entre o apoio a Lula e à manutenção da candidatura de Tebet. Mas essa divisão inviabiliza a senadora por Mato Grosso do Sul. Enquanto Lula tem 42% no Datafolha, Simone Tebet oscila entre 1% a 2%. Está evidente que o jantar foi apenas uma primeira etapa de um processo de adesão do partido à candidatura da chapa Lula-Alckmin.
NOVO ATAQUE – O presidente Jair Bolsonaro sentiu o golpe eleitoral contido no jantar de Brasília a Lula da Silva. Tanto assim – matéria de Matheus Vargas, Folha de S. Paulo de terça-feira – que atacou o ministro Alexandre de Moraes dizendo que ele está alinhado com Lula da Silva, pois toma providências com o governo, mas nada fez ou faz sobre as declarações de Lula incentivando eleitores e eleitoras a pressionarem os parlamentares das legendas bolsonaristas em suas residências.
“Acredito que, mais cedo ou mais tarde, chegaremos a um bom termo nessa questão. Pessoas que estão extrapolando serão colocadas em seu devido lugar”, acentuou Bolsonaro. Como se vê, mais uma nova ameaça está no ar.