quarta-feira, abril 13, 2022

Boris Johnson e ministro britânico serão multados por festas



Festas foram feitas durante confinamento, no período da pandemia

Por Andreia Martins 

Londres - O governo britânico anunciou nesta terça-feira (12) que o primeiro-ministro, Boris Johnson, e o ministro das Finanças, Rishi Sunak, vão ser multados por terem participado de festas que violaram as regras vigentes durante o confinamento, em meio à pandemia de covid-19.

A notificação foi enviada pela Polícia Metropolitana de Londres.

Até o momento, não há informações sobre detalhes das multas, incluindo o valor, disse porta-voz citado pela BBC.

A Polícia Metropolitana de Londres investiga denúncias de infrações às normas de contenção da covid-19 em 12 festas que ocorreram nos anos de 2020 e 2021 em Whitehall e Downing Street. Já foram aplicadas 50 multas a funcionários do governo britânico.

Alguns desses encontros ocorreram no momento em que a participação em funerais e a visita a hospitais estava limitada devido à pandemia. O escândalo veio a público no fim de 2021 e ficou conhecido na imprensa por "Partygate". 

O primeiro-ministro britânico garantiu, quando surgiram as denúncias, que todas as regras tinham sido cumpridas, mas acabou por pedir desculpa no Parlamento por ter participado de um dos eventos.

Boris Johnson pediu também desculpa à rainha Elizabeth II por ter participado de outra festa, que ocorreu na véspera do funeral do Duque de Edimburgo, em 16 de abril de 2021.

As autoridades tinham dito que não iriam revelar os nomes dos políticos multados, mas o governo britânico tinha prometido que divulgaria a informação caso Boris Johnson fosse um deles.

Na primeira reação a essas multas, o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, exigiu a demissão dos dois governantes do Partido Conservador.

"Boris Johnson e Rishi Sunak infringiram a lei e mentiram repetidamente ao público britânico. Ambos devem se demitir. Os conservadores são totalmente incapazes de governar. O Reino Unido merece melhor", afirmou o líder trabalhista no Twitter.

O líder dos Liberais Democratas, Ed Davey, disse que o Parlamento britânico deve votar moção de censura contra o primeiro-ministro.

"Esse é um governo em crise, a negligenciar um país em crise. O Parlamento deve ser chamado a votar moção de censura contra o primeiro-ministro", defendeu em tuíte.

Ele considerou que Boris Johnson não pode continuar como premiê. "Nenhum outro líder, em qualquer organização, teria permissão para continuar depois de uma violação da lei nessa escala".

RTP - Rádio e Televisão de Portugal

Agência Brasil

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Boris Johnson é multado por festa durante lockdown

Pressão por renúncia do premiê britânico aumenta após Polícia Metropolitana emitir multa pela realização de eventos na sede do governo enquanto país estava confinado.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e o ministro da Economia, Rishi Sunak, foram multados por terem participado de festas em Downing Street, sede do governo britânico, quando vigoravam restrições devido à pandemia de covid-19, confirmou nesta terça-feira (12/04) um porta-voz do chefe de governo.

"O primeiro-ministro e o ministro da Economia receberam hoje notificações de que a Polícia Metropolitana pretende multá-los", disse o porta-voz do governo. "Não temos mais detalhes, mas entraremos em contato quando os tivermos", acrescentou.

Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, já foram emitidas mais de 50 sanções a funcionários do governo por violar os regulamentos anticovid.

De acordo com a emissora Sky News, tanto o primeiro-ministro quanto sua esposa, Carrie Johnson, tiveram que pagar uma multa de 50 libras (cerca de R$ 300), que foi reduzida por ter sido quitada no prazo de 14 dias.

As forças de segurança estão investigando 12 festas e eventos sociais tanto em Downing Street quanto em outros edifícios governamentais, incluindo pelo menos três em que o primeiro-ministro britânico teria comparecido. Por essa razão, outras multas ainda poderão ser emitidas. As festas teriam ocorrido em oito datas ao longo de 2020 e 2021.

Pressão por renúncia

O chamado "Partygate"causou uma onda de indignação entre os britânicos, impedidos de se encontrarem com amigos e familiares durante meses em 2020 e 2021 para conter a propagação da covid-19. Dezenas de milhares de cidadãos foram multados pela polícia por desrespeitarem as regras.  

Nesta terça-feira, após a notícia das multas, o líder da oposição, Keir Starmer, exigiu que Johnson e Sunak renunciem por terem violado a lei e "mentido repetidamente aos britânicos".

"Os conservadores estão totalmente desacreditados para governar. O Reino Unido merece algo melhor", escreveu Starmer no Twitter.

Embora tivesse pressionado por uma renúncia no começo do ano, Stamer havia pausado as críticas desde que eclodiu o conflito na Ucrânia, temendo uma instabilidade política ainda maior. O mesmo havia ocorrido com colegas de Johnson do Partido Conservador,

Também nesta terça-feira, o primeiro-ministro escocês, Nicola Sturgeon, do Partido Nacional Escocês, e o prefeito de Londres, Sadiq Khan, do Partido Trabalhista, pediram a Johnson que renuncie.

A Scotland Yard disse que está tentando concluir a investigação o mais rápido possível. 

Relatório apontou falhas graves

No final de janeiro, a alta funcionária pública Sue Gray publicou um relatório parcial sobre as festas durante a pandemia, apontando "falhas de liderança e julgamento" por parte do governo por não ter evitado reuniões sociais quando a população britânica estava sujeita a restrições estritas.

Ela também chamou a atenção para o "consumo excessivo de álcool" em Downing Street. O relatório revela apenas parcialmente suas investigações para não interferir na investigação policial em andamento. Gray fez algumas observações duras e críticas no documento de 12 páginas. 

"Houve falhas de liderança e discernimento por diferentes elementos do Número 10 [da Downing Street, em Londres, gabinete do primeiro-ministro] e do Gabinete [governo] em momentos diferentes. No contexto da pandemia, quando o governo pedia aos cidadãos que aceitassem restrições profundas nas suas vidas, alguns dos comportamentos [...] são difíceis de justificar."

"Alguns dos eventos não deveriam ter sido permitidos. Outros eventos não deveriam ter sido autorizados a ocorrer como ocorreram", censura o texto, ressaltando também "o consumo excessivo de álcool" naquele que é um local de trabalho. 

Segundo o relatório, "pelo menos algumas das reuniões em causa representam uma falha grave em cumprir não apenas os altos padrões esperados daqueles que trabalham no núcleo do governo, mas também os padrões esperados de toda a população britânica na época". 

'Em janeiro, Johnson se desculpou perante ao Parlamento britânico por sua conduta'

Johnson pede desculpas

Johnson pediu desculpas nesta terça-feira, mas descartou apresentar sua renúncia, como exige a oposição.

"Com toda a sinceridade, naquele momento não pensei que pudesse ser uma violação das regras", disse o chefe do governo britânico em um vídeo distribuído à imprensa, detalhando que pagou a multa imposta pela polícia por participar de uma festa pelo seu aniversário em seu gabinete em junho de 2020.

"Quero poder continuar com o mandato que tenho e abordar os problemas que o país está enfrentando, garantir que cumprimos com o que o povo deste país espera. Essa é minha prioridade", declarou Johnson.

No vídeo, Johnson descreveu a festa de aniversário como um breve encontro com colegas em Downing Street. 

"Foi uma breve reunião no escritório do gabinete pouco depois das duas da tarde, com duração inferior a dez minutos, na qual as pessoas com quem trabalho gentilmente se aproximaram para me dar parabéns", descreveu.

 Além disso, assegurou que naquele momento não achava que a celebração violasse as restrições impostas pela pandemia de covid-19. "Agora, humildemente, aceito que fiz isso", comentou.

Em relação às demais festas realizadas em gabinetes governamentais durante a pandemia, Johnson assegurou que assume "total responsabilidade por tudo", embora tenha argumentado que existem "centenas e centenas de funcionários" trabalhando para o Executivo e que "não poderia estar em todas as partes ao mesmo tempo". 

Depois que as festas vieram à tona, Johnson já havia se desculpou publicamente e ao Parlamento, em janeiro. "Lamento pelas coisas que simplesmente não acertamos e pela forma como este assunto foi tratado. Não adianta dizer isso ou aquilo, estava nas regras", disse em janeiro.

"Este é um momento em que devemos nos olhar no espelho e aprender. Eu percebo [o problema] e vou corrigi-lo", prometeu.

Entre os outros eventos sob investigação da polícia estão um nos alojamentos privados de Johnson, em 13 de novembro de 2020, quando o assessor Dominic Cummings se demitiu, e dois encontros na véspera do funeral do príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth 2ª, quando o Reino Unido estava em luto oficial.

A polícia recebeu para análise mais de 300 imagens e 500 páginas de informações.

Deutsche Welle

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