Publicado em 14 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Zé Dassilva (nsctotal.com.br)
Pedro do Coutto
A pergunta que está no título deste artigo, espero, deve ser respondida nas próximas pesquisas do Datafolha e do Ipec, pois se trata de uma situação de inegáveis reflexos políticos e eleitorais, e portanto objeto de destaque nos levantamentos de opinião pública. O presidente Jair Bolsonaro tem se caracterizado por suas posições contrárias à vacinação e agora, mais recentemente, contra a vacinação infantil e à Anvisa.
Como a vacinação é algo extremamente popular, conforme a adesão de pessoas demonstra, é natural que o posicionamento do chefe do executivo gere oposição na opinião pública. Pode-se presumir que as reações dos eleitores e eleitoras seja contrária, porém é preciso confirmar e essa confirmação coletiva só pode ser alcançada por intermédio do Datafolha e do Ipec.
REFLEXO – Importante também é medir o reflexo da nova ofensiva de Bolsonaro contra ministros do Supremo Tribunal Federal, especificamente Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e agora Edson Fachin.
Fachin por um despacho sobre o registro de uma criança em Santa Catarina que desperta dúvidas quanto ao sexo. Numa entrevista ao canal Gazeta Brasil no Youtube, o presidente da República acusou Moraes e Barroso de interferências políticas. “Quem pensa que são ?”, indagou Bolsonaro. “Vão apurar medidas drásticas sobre as redes sociais, ameaçando as liberdades democráticas e a liberdade de expressão?”, acrescentou.
ARSENAL DE ATAQUES – Bolsonaro disse ainda que os dois ministros são defensores da candidatura de Lula. O presidente da República reabriu assim, como acentua Daniel Gullino, O Globo de ontem, seu arsenal de ataques aos integrantes da Corte Suprema. “Que país é esse? Que ministro é esse Alexandre de Moraes, o que ele tem na cabeça?”, questionou.
Bolsonaro voltou a atacar a Anvisa por sua decisão a favor da vacinação infantil e demonstra assim ou um descontrole emocional ou o desejo de radicalizar em profundidade a campanha eleitoral, visando deslocar o desfecho, penso, das urnas para as armas. Mas a posição do Exército, refletida nas recentes palavras do general Paulo Sergio Nogueira ,indicam a existência de forte obstáculo.
FUNDO ELEITORAL – O ministro André Mendonça, do STF, em seu primeiro despacho, pediu informações ao presidente da República e ao Congresso Nacional sobre o valor do fundo eleitoral, que subiu de R$ 2 bilhões em 2020, nas eleições municipais, para R$ 7,5 bilhões, nas eleições gerais deste ano. Nos últimos dois anos a inflação está em cerca de 20%, mas o fundo eleitoral cresceu 270%. Como se vê, doze vezes mais do que o índice inflacionário do IBGE.
Essa importância foi aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente da República, representando uma despesa orçamentária adicional exatamente no momento em que o ministro Paulo Guedes aparentemente defende a contenção de gastos públicos e manutenção do teto orçamentário para este ano, lembro novamente, de R$ 4,8 trilhões.
VOOS DE LUXO – No O Globo de ontem, Daniel Gullino comenta o decreto do presidente da República autorizando os ministros de Estado, assessores e titulares de cargos em comissão,quando em viagens internacionais, a marcarem os seus assentos na classe executiva, cujos preços são duas vezes e meia maiores dos que os da classe comum.
Como as passagens são pagas pelo governo e os ministros e servidores de destaque não pagam as passagens e também recebem diárias proporcionais aos dias em que permanecem no exterior, verifica-se que o decreto de Bolsonaro eleva as despesas do Tesouro. E numa escala elevada, pois o decreto que acaba de entrar em vigor abrange 500 servidores, entre ministros, titulares de cargos em comissão, assessores especiais, entre outros. A medida tem que se ajustar ao orçamento. Um acréscimo desnecessário às despesas públicas.
CUSTO DOS AUTOTESTES – O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, referindo-se à perspectiva de que a população alarmada com os casos de ômicron, inclusive atingindo os vacinados, sugeriu que a população realize autotestes, uma vez que a procura por testes tem sido muito intensa, como era esperado nas redes públicas de Saúde. Porém, estão faltando insumos para os testes de forma geral.
A escassez é objeto de excelente reportagem de Mariana Rosário e Adriana Mendes, O Globo de ontem. Mas mesmo que houvesse insumos no mercado, é indispensável que o Ministério da Saúde explique qual o procedimento e a interpretação sobre o resultado. Mas o problema não termina aí. É preciso considerar o custo dos insumos. Quem pagaria a conta da aquisição do contraste necessário para diagnosticar o resultado e das hastes com algodão na ponta que testam a reação nasal?
Os testes em farmácia têm preço, em laboratórios são mais caros ainda. Os postos de Saúde estão sobrecarregados. A grande maioria da população, cerca de dois terços, não tem condições financeiras para arcar com mais essas despesas.
PROMESSAS DE CAMPANHA – Os cinco principais candidatos à Presidência da República nas urnas de outubro, Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Sergio Moro, Ciro Gomes e João Doria – reportagem de Gustavo Schmitt e Bianca Gomes, O Globo, apresentaram seus planos sintéticos para a Economia do país caso sejam eleitos.
Os planos são sempre importantes e promissores, é claro, pois precisam dizer aquilo o que os eleitores e os empresários precisam ouvir. Como se diz há alguns séculos, o papel aceita tudo. Mas a teoria na prática é diferente e as promessas o vento leva. Vejam o exemplo de candidatos vitoriosos que no poder agiram ao contrário do que disseram em suas campanhas.