quinta-feira, janeiro 13, 2022

Joaquim Barbosa coloca um freio na decolagem do candidato Sergio Moro


Barbosa disse a aliados que vê com desconfiança a candidatura de Moro 

Pedro do Coutto

O ex-ministro Sergio Moro visitou segunda-feira, no Rio, o ministro aposentado do Supremo, Joaquim Barbosa, em busca de apoio para a sua candidatura à Presidência da República, mas, revela a reportagem de Julia Chaib e Catia Seabra, Folha de S.Paulo desta quarta-feira, que não obteve o êxito esperado.

Joaquim Barbosa disse a pessoas próximas que recebeu Moro por cortesia, mas que tem restrições à sua aproximação com procuradores e agora também com militares descontentes com o governo Bolsonaro.

FREIO – A posição de Joaquim Barbosa representou, na minha visão, um freio na candidatura daquele que na esteira aberta por Barbosa enfrentou e condenou ladrões de casaca. Entretanto, Joaquim Barbosa, como revela a reportagem, disse que Sergio Moro cometeu um erro crasso aceitando ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.

A restrição de Joaquim Barbosa surgiu num momento muito sensível para a candidatura de Sergio Moro na medida em que este encontra-se num esforço para decolar e com isso tentar transformar-se numa terceira opção, visando sobretudo enfraquecer Bolsonaro. Ele consegue parcialmente isso porque seu potencial de eleitores, localizados nos segmentos de renda mais alta, são justamente aqueles que juntos aos quais Bolsonaro tem melhor colocação.

Junto aos eleitores e eleitoras de renda menor a penetração tanto de Bolsonaro quanto de Sergio Moro é muito pequena, com o agravante para Bolsonaro de o fenômeno resistir às suas ações administrativas, como é o caso do Auxílio Brasil. O Auxilio Brasil é uma concessão, mas não uma interação social entre o concessionário e os que recebem auxílio.

EFEITOS INFLACIONÁRIOS – Conforme começou a ser noticiado nos jornais de terça-feira e ontem na Folha de S. Paulo e no O Globo, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, dirigiu carta ao ministro Paulo Guedes tentando explicar a explosão da meta inflacionária de 2021 como consequência da economia mundial.

Como focalizamos ontem, a carta é a sexta edição de explicações transcorridas ao longo de 12 meses. A meta inflacionária era de 5% e acabou fechando em 10%. Roberto Campo Neto procura explicações que não convencem, é claro. Mas mesmo que convencessem,  falta uma consequência fundamental: os efeitos inflacionários no custo de vida brasileiro e no consumo de nossa população, inclusive as compras nos supermercados. Isso é um problema grave. Qual a solução que Roberto Campos Neto propõe para os efeitos inflacionários? Nenhum.

Quais as medidas esboçadas por Paulo Guedes para conter ou suavizar os efeitos do aumento do custo de vida? Nenhum. Qual a providência do presidente Jair Bolsonaro? Nenhuma. Então a explicação interessa menos do que os efeitos do processo, sobretudo porque refere-se à integridade e à própria vida humana dos brasileiros e brasileiras. Entre os efeitos não compensados da inflação, encontra-se o avanço da fome.

POPULARIDADE DIGITAL –  Reportagem de Carolina Linhares, Folha de S.Paulo de ontem, destaca que segundo pesquisa do Instituto Quaest,  a presença digital de Lula e de Bolsonaro neste ano passou a ser próxima uma da outra, inclusive até o final do ano passado houve um avanço de Lula. O Instituto chama índice de popularidade digital. Lula atinge 60 pontos contra 52 de Bolsonaro. Ciro Gomes é o terceiro e Sergio Moro é o quarto.

A proximidade entre Lula e Bolsonaro é uma consequência do avanço do petista junto ao eleitorado. Ele sempre perdeu a batalha digital para Bolsonaro, mas agora até o supera por pequena margem, consequência de sua popularidade e decorre também da medida em que se aproximam as eleições de outubro deste ano.

RECUO DE RONALDO –  Numa extensa entrevista à Folha de S.Paulo, na edição desta quarta-feira, Ronaldo Fenômeno disse que a cada dia que ele e o seu grupo abrem uma gaveta do Cruzeiro encontram uma surpresa negativa. Na terça-feira surgiu o endividamento do clube da ordem de R$ 1 bilhão. A dívida, disse Ronaldo, é maior do que ele esperava. “Não quer dizer que eu vá desistir, embora no pré-contrato exista tecnicamente a possibilidade de uma desistência”, afirmou.

No processo, estão em processo de análise. Mas na minha opinião, Ronaldo Fenômeno não separou  a parcela de investimentos da parcela da dívida. Isso faz com que o aporte de capital do grupo que ele representa (que o dinheiro não é só dele, é claro),  tenha que atingir a ordem de R$ 1,4 bilhão.

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