Publicado em 11 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Ciro, Moro e Doria são os mais cotados para a terceira via
Hanrrikson de Andrade e Luciana Amaral
Do UOL, em Brasília
Na avaliação de aliados do presidente Jair Bolsonaro, os cenários conturbados nas áreas social, econômica, política e sanitária do país têm potencial para aproximar a população a um nome da chamada “terceira via” — nem Bolsonaro nem Lula.
A maior preocupação entre os apoiadores do presidente é a possibilidade da transferência de votos ao campo da direita mais moderada no primeiro turno — com destaque ao pré-candidato do Podemos, Sergio Moro, ex-juiz federal, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e um dos principais personagens da Operação Lava Jato.
DIVISÃO NA DIREITA – Nesse caso, eleitores que confiaram em Bolsonaro em 2018, mas que reprovam posições pessoais do governante e/ou estariam insatisfeitos com o clima de polarização, buscariam ser representados por outro nome da direita.
Para políticos ouvidos pela reportagem, os próximos meses revelarão o quanto Moro vai despontar ou naufragar na corrida ao Planalto.
Se o ex-juiz federal crescer demais e, ao lado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), roubar votos antes concentrados em Bolsonaro, tal desenho pode até mesmo favorecer uma eventual vitória de Lula no primeiro turno, embora acreditem que a possibilidade seja remota.
SEGUNDO TURNO – O que deixa os aliados do atual presidente um pouco mais tranquilos é a aposta de que, num segundo turno entre Bolsonaro e Lula, em tese, dificilmente quem votou em Moro votaria no petista, que teve a prisão ordenada pelo então juiz antes das eleições de 2018.
Um parlamentar chegou a classificar os eventuais votos de Moro a serem transferidos para Bolsonaro num hipotético segundo turno como “colchão de proteção” e “poupança”.
Contudo, os aliados de Bolsonaro não descartam que haja uma migração de votos para Lula por parte do eleitorado que, mesmo discordando de condutas do PT no passado, estaria disposto a “perdoar” o ex-presidente por rejeitar ainda mais as posturas de Bolsonaro, especialmente na pandemia. Em todo caso, resta esperar saber o que falará mais alto: se o antipetismo ou o antibolsonarismo.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Interessante e importante a análise dos repórteres do Portal UOL. Mostra que a eleição está longe de ser decidida. Sabe-se que a candidatura de Bolsonaro não está obtendo a resposta esperada, enquanto Lula da Silva permanece estacionário. Essa conjuntura favorece o crescimento de uma opção da terceira via (leia-se: Sérgio Moro, Ciro Gomes ou João Doria, não necessariamente nesta ordem). Dória e Moro já concordaram em se unir em torno do candidato alternativo que tiver mais chance. Só falta Ciro Gomes entrar nesse embalo para tornar viável e altamente competitiva a terceira via. Por enquanto, Ciro bate desesperadamente em Moro, buscando votos que não surgem. Espertamente, Moro não reage e segue em frente. Sabe que no futuro pode herdar os votos de Ciro. O jornalista Guilherme Amado, do site Metrópoles, revela que o líder do grupo Uninter, empresário paranaense Wilson Piclere, maior doador privado de Bolsonaro em 2018, com R$ 800 mil, já pulou do barco. Está ajudando na coordenação de campanha de Moro no Paraná. Bem, este é o quadro atual, mas ainda falta muito tempo. Será uma eleição eletrizante. (C.N.)