segunda-feira, março 15, 2021

Alexandre de Moraes recebe hoje os dois inquéritos da PF que incriminam o “gabinete do ódio”


Tercio Arnaud Tomaz é apontando como um dos gerenciadores da rede de perfis construída para disseminar ataques no Facebook -

Arnaud coordena o “gabinete do ódio na Presidência

Carlos Newton

O jogo ainda não acabou. Como dizia no poeta Cazuza, ainda estamos rolando os dados. Hoje, 15 de março, estão sendo concluídos dois importantes inquéritos conduzidos pelo ministro-relator Alexandre de Moraes, cujas investigações acabaram se interligando, porque ambas foram parar no “gabinete do ódio”, que funciona no terceiro andar do Planalto, próximo à sala do presidente Jair Bolsonaro.

Um dos inquéritos é sobre a criação das “fake news” e o outro apurou a organização, financiamento e execução de atos antidemocráticos, que defenderam o fechamentos do Supremo e do Congresso, com participação direta do presidente Jair Bolsonaro.

CARLUXO E ARNAUD – Quando se diz que os dois inquéritos incriminam o “gabinete do ódio”, deve-se ler Carlos Bolsonaro, o Carluxo, filho 02 do presidente, e Tercio Arnaud Tomaz, assessor especial do Planalto.

Arnaud é considerado um dos maiores peritos em informática do Polo de Tecnologia de Campina Grande. Trabalha para a família Bolsonaro desde 2018 e sua atuação foi fundamental para atrair votos através de “fake news” nas redes sociais.

Após a eleição, Arnaud passou a atuar diretamente no Planalto, como assessor especial da Presidência da República, para coordenar o “gabinete do ódio”, comandado por Carluxo, o vereador carioca que se mudou para Brasília desde a eleição.

PROVAS SE COMPLETAM – A investigação conduzida pela Polícia Federal levantiu separadamente provas sobre “fakes news” e atos antidemocráticos, mas a equipe logo percebeu que todos os caminhos levavam ao terceiro andar do Planalto. Assim, as evidências se complementam. Como se trata do mesmo relator, Alexandre de Moraes pode unificar as “provas emprestadas”, como se diz no linguajar jurídico, e com isso robustecer a incriminação.

Nesta segunda-feira o ministro recebe as conclusões desses dois inquéritos, para decidir se determina ou não a abertura de processos que podem e devem envolver o presidente Jair Bolsonaro.

Moraes relata também um terceiro inquérito, sobre interferência do presidente na Polícia Federal para blindar o filho Flávio Bolsonaro, mas a investigação deve ser prorrogada, porque o chefe do governo ainda não aceitou prestar depoimento.

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P.S. – 
Na Justiça brasileira tudo é possível, todos sabem. Se escapar desses dois inquéritos iniciais, Bolsonaro terá dificuldades com o terceiro, sobre interferência na Polícia Federal, que tem muito mais provas e Bolsonaro é uma espécie de réu confesso. Além disso, há uma quarta investigação, conduzida pela ministra Cármen Lúcia, sobre interferência na Agência Brasileira de Inteligência, para blindar Flávio Bolsonaro, com provas ainda mais robustas. (C.N.)

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