sábado, março 07, 2020

Neste sábado, Bolsonaro voltou a convocar o povo para os protestos do dia 15


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Bolsonaro discursa e pede apoio as manifestações do dia 15
Eduardo GayerEstadão
Neste sábado, o presidente Jair Bolsonaro convocou hoje a população para participar dos protestos marcados para o próximo dia 15. Em vídeo publicado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Twitter, o presidente aparece dizendo que a manifestação é “espontânea” e “pró-Brasil”, e não contra o Congresso ou o Judiciário.
“Participem e cobrem de todos nós o melhor para todo o Brasil”, declarou em evento em Boa Vista, Roraima, antes de viajar para Miami, nos Estados Unidos.
FACADA NO PESCOÇO – No mesmo discurso, o presidente disse já ter levado “facada no pescoço” dentro de seu gabinete. “Pessoal, não é fácil. Já levei facada no pescoço dentro do meu gabinete. Por pessoas que não pensam no Brasil. Pensam neles apenas. Essa é uma grande realidade”. Entretanto, Bolsonaro não citou nomes.
Bolsonaro ainda afirmou que quem diz que os protestos do dia 15 são contra a democracia está mentindo. “É um movimento que quer mostrar para todos nós que quem dá norte para o Brasil é a população”.
REDE DE CORRUPÇÃO – O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno Ribeiro, também discursou. “Nós estamos diante de uma realidade inevitável. O presidente Jair Bolsonaro fará um novo Brasil e está dando certo. Ele tem encontrado uma resistência muito grande, porque a rede de corrupção que se criou nesse país, que está sendo desbaratada por esse governo, tem prejudicado planos espúrios de muita gente”.
O presidente já havia chamado, por WhatsApp, aliados para participarem do ato, conforme revelado pela jornalista do Estado Vera Magalhães, o que resultou em uma semana de crise entre Legislativo e Executivo.

Damares Alves minimiza e diz que Bolsonaro “apenas reagiu” a ataques de mulheres jornalistas

Damares diz que o “seu presidente” tem um coração enorme
Joelmir Tavares
Folha
A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse em entrevista ao SBT que o presidente Jair Bolsonaro estava reagindo a ataques da imprensa quando insultou as jornalistas Patrícia Campos Mello, da Folha, e Vera Magalhães, do jornal O Estado de S. Paulo e da TV Cultura.
Damares afirmou ao programa “Poder em Foco” que condena agressões a mulheres, mas se recusou a comentar especificamente a atitude do presidente nos dois episódios. Na gravação, ela disse ainda que a “imprensa também é cruel com mulheres” e que ela própria já foi um dos alvos.
ATAQUES MINIMIZADOS – “O meu presidente para toda manhã para conversar com a imprensa, ele quer trazer o diálogo, ele quer se aproximar, mas eles não compreendem, fingem que não compreendem, e muitas dessas situações que acontecem com meu presidente é uma reação”, afirmou a ministra.
Damares fez a declaração quando o apresentador Fernando Rodrigues perguntou se ela aprova o tratamento dado pelo presidente a mulheres. O trecho foi transcrito pela assessoria de imprensa do SBT e antecipado à Folha. A entrevista completa irá ao ar à 0h de segunda-feira, dia 9, fim da noite de domingo, dia 8.
FAKE NEWS –  No mês passado, após uma testemunha mentir à CPMI das Fake News que Patrícia queria informações “a troco de sexo”, Bolsonaro afirmou: “Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo [risos dele e de apoiadores]”. Após uma pausa durante os risos, o presidente concluiu: “A qualquer preço contra mim”.
Dias depois, após Vera publicar que o presidente havia compartilhado no WhatsApp um vídeo de apoio ao ato marcado para 15 de março a seu favor e contra o Congresso, Bolsonaro disse: “Vera Magalhães, eu não sou da tua laia”. Ele também pediu que a jornalista “tenha um pouco mais de vergonha na cara”.
“VÍTIMA”  – Ao SBT Damares afirmou que “gostaria que nenhuma mulher no Brasil fosse agredida” e que todas “fossem respeitadas”. “Mas, com relação ao meu presidente, a imprensa tem sido terrivelmente cruel contra meu presidente”, continuou. “Finge que não compreende ele para atacá-lo o tempo todo, e o meu presidente tem procurado o tempo todo ter uma relação legal com a imprensa.”
A ministra disse que “essa imprensa também machuca mulheres” e que foi vítima de uma “das maiores violências políticas nessa nação cometida pela imprensa”, referindo-se a texto da revista Carta Capital sobre o relato dela de que, quando criança, subiu em uma goiabeira para se matar e desistiu ao ver Jesus.
ALVO – O ministério divulgou nota de repúdio ao conteúdo, em novembro do ano passado. Segundo Damares, sua história foi tratada de forma cruel pela revista. A ministra disse também ser alvo de ataques por causa de sua fé (ela é evangélica) e pediu respeito à experiência espiritual que viveu.
“E esse jornalista fala que eu perdi a chance de ter tido relações sexuais com Jesus aos dez anos em cima de um pé de goiaba. Naquele momento, […] eu disse: pronto, agora a imprensa vem toda dizer ‘não faça isso com uma mulher’, ‘não faça isso com uma menina’. E a imprensa não se levantou.”
O apresentador do “Poder em Foco” insistiu na pergunta sobre a postura de Bolsonaro, indagando se a declaração sobre a jornalista da Folha foi apropriada para um presidente da República. “Eu amo o meu presidente, eu amo e respeito aquele homem. E eu conheço quem é o presidente Jair Bolsonaro. Uma das pessoas mais generosas que eu já vi, de um coração extraordinário, e um homem que respeita mulheres”, respondeu Damares.
REAÇÃO – Novamente inquirida, ela afirmou que, “nesse caso, o presidente reagiu”. “O presidente estava reagindo. Veja só, eu não vou dizer para você: o presidente estava certo em atacar uma jornalista. O meu presidente vive sob pressão que a imprensa faz o tempo todo. E a imprensa faz a pressão já esperando dele uma reação”, disse a ministra.
O entrevistador questionou mais uma vez se ela considera o tipo de reação adequado. Damares, então, pediu: “Não me coloque contra o meu presidente nessa entrevista”. E emendou: “Não vou me manifestar com relação a essa fala dele. Porque a imprensa se cala quando eu ou outra mulher de direita somos barbaramente atacadas no Brasil. […] Se você olhar aquela fala do furo, ele fez uma fala reagindo a uma crítica da imprensa naquele momento”.
As afirmações de Bolsonaro sobre as jornalistas foram repudiadas por entidades de defesa da imprensa e geraram reação de mulheres. Os veículos em que Patrícia e Vera trabalham também se manifestaram. Em nota, a Folha afirmou que o presidente agrediu sua repórter e todo o jornalismo profissional.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É impressionante o discurso de defesa da ministra em relação ao “seu presidente”, contradizendo-se em defender as mulheres e ao mesmo tempo justificar os ataques de Bolsonaro como uma simples “reação”. Quanta parcialidade. (Marcelo Copelli)

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