
Charge do Alpino (YahooBrasil)
Carlos Newton
Todos se perguntam o que está acontecendo, com o pânico das bolsas de valores do mundo inteiro e o final da ilusão de que o mercado acionário brasileiro poderia funcionar em clima de alta permanente. Não há explicação consensual, porque a economia tem algumas regras, mas não é uma ciência exata. Aliás, muito pelo contrário, precisa ser considerada uma ciência social, que funciona movida a muitos fatores simultâneos.
É fácil atribuir a atual crise ao coronavírus e ao aumento de produção do petróleo da Arábia Saudita, mas na realidade cada pais tem suas características e peculiaridades econômicas e financeiras.
DESESPERO DOS RENTISTAS – No caso do Brasil, em meio ao reflexo internacional da paralisação do crescimento da China, via coronavirus, crie que logo começará a ser superada, e à queda do preço do petróleo, que somente deveria atingir diretamente a Petrobras e outras empresas do setor, estamos vivendo a era do desespero dos rentistas, abalados pela forte queda dos juros.
Os especuladores (não confundir com investidores) querem lucro rápido e fácil. Por isso, correram para a Bolsa de Valores, que se transformou numa espécie de pirâmide acionária. Desde o início do ano, quando o índice Bovespa começou a dar sinais de que a euforia não tinha motivos concretos para se sustentar, os rentistas correram para o dólar.
Agora, o problema da equipe econômica é triplo – a Bolsa despenca, o dólar dispara e a economia continua estacionária. E a única reação é o Banco Central fechar contratos de swap cambial, consumindo preciosos dólares das reservas.
MUITAS INCERTEZAS – É uma festival de insegurança econômico-financeira, porque a Bolsa não voltará a ser o paraíso dos rentistas, que estão no desespero e se atiraram massivamente ao dólar.
Acontece que o mercado do câmbio também tem prazo de validade, o dólar não pode subir indefinidamente e os rentistas logo perceberão essa realidade gravitacional econômica.
Restará a esses especuladores apenas o mercado imobiliário, que já começa a se aquecer, mas não tem liquidez imediata, é preciso pagar escritura, registro, IPTU, condomínio, a coisa se complica.
ECONOMIA IA BEM? No ano passado, quando a Bolsa começou a subir, a equipe economia alegava que isso era sinal de que a economia ia bem, e muita gente acreditava. E agora, o que dizer?
Na verdade, a situação econômico-financeira está muito complicada, porque os investidores estrangeiros, entre eles as grandes corporações multinacionais, colocaram o pé no freio em relação ao Brasil, apesar de todo o entusiasmo com que foi saudada a posse do novo governo.
Em poucas semanas ficou claro que Jair Bolsonaro é inteiramente despreparado para ser Presidente da República, logo de início seu governo resolveu hostilizar importantes países, como a China, a França, a Noruega e a Alemanha – os dois últimos, generosos contribuintes do Fundo da Amazônia.
INSEGURANÇA TOTAL – Rapidamente o governo Bolsonaro formou uma imagem altamente negativa no exterior, especialmente devido à política ambiental. Internamente, o governo distribui diariamente uma sucessão de bravatas, ofensas e calúnias, capitaneadas (a palavra exata é esta) pelo próprio presidente da República, que necessita ser um conciliador, uma postura inatingível para um homem com o temperamento de Jair Bolsonaro.
Seu único ponto a favor é que ainda não houve denúncias de corrupção dentro do governo, embora não faltem acusações de ilegalidades cometidas pela família presidencial. Este é o grande sustentáculo do atual presidente, mas me parece pouco, porque antigamente ser honesto era obrigação de todos, ninguém se orgulhava de ser honesto.
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P.S. – Nesta segunda-feira, a cotação do petróleo chegou a cair 30%. Pelas normas da Petrobras, isso significa que a redução teria de ser repassada ao preço final dos combustíveis, pagos pelo consumidor. Podem esperar sentados. O economista Roberto Castello Branco administra a Petrobras como se fosse uma empresa familiar, ao invés de uma estatal altamente estratégica. Desde sua fundação, a Petrobras era gerida por militares, mas Guedes preferiu colocar um amigo e ex-sócio. (C.N.)
P.S. – Nesta segunda-feira, a cotação do petróleo chegou a cair 30%. Pelas normas da Petrobras, isso significa que a redução teria de ser repassada ao preço final dos combustíveis, pagos pelo consumidor. Podem esperar sentados. O economista Roberto Castello Branco administra a Petrobras como se fosse uma empresa familiar, ao invés de uma estatal altamente estratégica. Desde sua fundação, a Petrobras era gerida por militares, mas Guedes preferiu colocar um amigo e ex-sócio. (C.N.)