sexta-feira, novembro 08, 2019

Polícia apreende sistema de mídia da portaria do condomínio de Ronnie Lessa e Bolsonaro para perícia


(E) Casa 58 de Bolsonaro e (D) casa 66 de Ronnie Lessa
Vera Araújo
João Paulo Saconi
O Globo
Policiais da Delegacia de Homicídios (DH) da Polícia Civil do Rio e peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) apreenderam nesta quinta-feira, dia 7, o sistema de mídia da portaria do condomínio Vivendas da Barra , na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde morava o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, um dos acusados pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.
Um dos porteiros do condomínio disse à Polícia Civil que liberou a entrada do ex-policial militar Élcio de Queiroz no Vivendas após ter sido supostamente autorizado pela voz do então deputado Jair Bolsonaro — ele também era morador do residencial.
Isso teria ocorrido no dia 14 de março de 2018, horas antes do momento em que Marielle Franco e Anderson foram assassinados. Élcio é suspeito de ter participado do crime junto com Lessa. Naquele dia, Bolsonaro estava na Câmara dos Deputados, em Brasília.
“MENTIRA, EQUÍVOCO OU ESQUECIMENTO” – Na terça-feira passada, o Jornal Nacional noticiou o teor do depoimento do porteiro e explicou que Bolsonaro estava em Brasília naquele momento. No dia seguinte, em entrevista coletiva na sede do Ministério Público do Rio (MP-RJ), a promotora Simone Sibilio afirmou que o porteiro “mentiu” à polícia em seu depoimento. Depois, ela disse que ainda seria esclarecido pela investigação se o porteiro “mentiu, se equivocou ou esqueceu”.
A convicção do MP de que o profissional deu informações falsas à polícia baseou-se na análise da gravação de um diálogo em que o interlocutor do porteiro era Lessa. Os critérios que basearam a análise, feita por peritos do MP, foram definidos pouco mais de duras horas antes da coletiva das promotoras.
CRÍTICA – A perícia foi criticada por não ter analisado o sistema de gravação de conversas da guarita, mas apenas os áudios cedidos pelo síndico em um CD. Procurado, o Ministério Público do Rio afirmou que acompanha todos os atos de investigação relacionados ao caso, mas que as diligências tramitam sob sigilo.
A promotoria também informou que as gravações entregues pelo síndico do condomínio seguiram para o setor de análise no dia 15 de outubro e que, portanto, a perícia do material não foi feita em apenas 2h30m.
INQUÉRITO NA PF –  A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) instaurou na quarta-feira, dia 6, um inquérito para apurar se o porteiro do condomínio cometeu crime ao mencionar o nome do presidente Bolsonaro em dois depoimentos sobre o caso Marielle.
A procuradoria quer que a PF investigue se o profissional cometeu os crimes de obstrução à Justiça, falso testemunho e denunciação caluniosa. Também há um pedido para que seja averiguada a possibilidade de o porteiro ter infringido o artigo 26 da Lei de Segurança Nacional.
INQUÉRITO – A legislação prevê de 1 a 4 anos de prisão para quem calunia ou difama autoridades, como o presidente, imputando a elas fatos criminosos ou ofensivos à reputação. A abertura do inquérito havia sido requisitada na última semana pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.
Em ofício enviado ao procurador-geral da República, Augusto Aras, ele solicitou que fossem verficadas as circunstâncias da menção ao nome de Bolsonaro. Aras expediu um ofício no último 30 demandando o MPF.

Em destaque

Senado impõe sigilo sobre entradas de nomes ligados ao escândalo do Banco Master

Publicado em 10 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Ouvidoria do Senado é comandada por Ciro Nogueira Ra...

Mais visitadas