Carlos Chagas�
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O verdadeiro problema de Dilma Rousseff não se chama Antônio Palocci, apesar do óbvio desgaste causado no governo pelo chefe da Casa Civil. Grave, mesmo, sem que qualquer caneta possa resolver, é o relacionamento da presidente com o PT. Melhor dizendo, do PT com a presidente. Menos pelas origens, porque ela foi fundadora e militante do PDT de Leonel Brizola, mais porque os companheiros não a escolheram. Deglutiram sua indicação, posta goela abaixo pela vontade do todo-poderoso Lula. Durante os oito anos da administração passada o PT comportou-se como um gatinho, sabendo de onde soprava o vento e sem força para impor-se. Aceitou sem reagir a guinada para a direita, em termos de política econômica, assim como não piou diante da composição do ministério e do segundo escalão. Seus líderes chegaram a imaginar que ocupariam todos os espaços num governo fechado, mas o Lula escancarou as janelas para aliados diversos e jamais consultou o partido para tomar decisões e adotar políticas públicas. Para o PT era ficar calado, até crescendo eleitoralmente no vácuo do chefão, ainda que perdendo a personalidade e os ideais de sua fundação. Muita gente até saiu, em especial os ideólogos de esquerda.
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Agora é diferente. Mesmo continuando a reverenciar o Lula, o PT sente a oportunidade de voltar a ter alma e vontade própria. A sucessora não é o antecessor. Faltam a Dilma a popularidade e o comando partidário. Assim, desde o primeiro dia do novo governo, os companheiros fizeram pontaria, aguardando na curva da estrada. Criaram caso com o PMDB, nas nomeações, e ficaram esperando a primeira lambança para demonstrar mais do que independência. Querem a submissão da presidente à sua vontade e nada melhor, para eles, do que o desmonte de Antônio Palocci. Pouco importa que ele pertença ao quadro de fundadores da legenda. Sacrificar o boi de piranha para salvar o rebanho faz parte do jogo.
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Importa olhar para o reverso da medalha: e Dilma? Aceitará marchar para o sacrifício? Irá submeter-se? Como reagir?
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O Lula fez a parte dele. Veio a Brasília, renovou a necessidade do apoio à presidente e até tentou salvar Palocci, mas, a menos que ocupe de imediato o palácio do Planalto, pouco poderá fazer. Popularidade e liderança absoluta não se transferem. E nem ele tem inclinação para coveiro do PT. Enquadrará o partido quando voltar. Antes, é problema dela.
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FALTA DE SORTE
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Ao lançar o programa “Brasil sem Miséria”, quinta-feira, Dilma Rousseff desempenhou sua melhor performance, desde a posse. Com um discurso denso e objetivo, mostrou firmeza e controle da platéia. E abordou tema infinitamente mais importante do que as tricas e futricas verificadas na novela Antônio Palocci. Infelizmente, não teve o espaço merecido na mídia, nem a repercussão devida no Congresso. Em vez de atentarem para o conteúdo do pronunciamento da presidente, parlamentares e jornalistas presentes ficaram de olho no chefe da Casa Civil, até registrando haver ele saído pelos fundos, no fim da cerimônia. �
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AÉCIO FAVORECIDO
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No ninho dos tucanos, ficou clara a prevalência de Aécio Neves sobre as outras lideranças. José Serra acomodou-se, pelo menos até que decida candidatar-se à prefeitura de São Paulo, ano que vem. Geraldo Alckmin esconde-se no palácio dos Bandeirantes, certo de que será reeleito, ainda que sem abandonar a hipótese de concorrer ao palácio do Planalto.
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O ex-governador de Minas sonha com a possibilidade de enfrentar Dilma Rousseff, em 2014, mas não se ilude. Seu adversário deverá ser mesmo o Lula. Dá para encarar?�
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A FALTA QUE O MÃO-SANTA FAZ
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Figura folclórica, o senador Mão-Santa faz falta. Afinal, jamais cassou a palavra de colegas por limite de tempo, nas inúmeras vezes em que presidiu o Senado. Deixava que os colegas falassem e até os estimulava. Dava palpite sobre todos os assuntos. Irritava o governo e não se comprometia com seu próprio partido, quase até o fim o PMDB. Saiu porque seus companheiros do Piauí negaram legenda para candidatar-se à reeleição. Influência de Brasília, certamente.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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