segunda-feira, outubro 26, 2026

Só 34,3 mil votos foram registrados após as 17h; Lula venceu Flávio por 4,43 milhões


Só 34,3 mil votos foram registrados após as 17h; Lula venceu Flávio por 4,43 milhões

Candidato do PL, que contesta resultado, também pediu que eleição fosse até as 19h, mas só em algumas cidades do Sul e Sudeste

Por Patrícia Campos Mello/Folhapress

26/10/2026 às 17:00

Atualizado em 26/10/2026 às 17:48

Foto: Charles Vieira/Divulgação

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

Apenas 34.330 votos, ou 0,03% do total, foram registrados após as 17h de domingo, segundo registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Embora o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e aliados contestem o resultado eleitoral por causa da decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin de manter as urnas abertas após as 17 horas de domingo, a medida teve impacto ínfimo no número total de votos e não mudaria em nada o resultado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu por uma diferença de 4.430.191 votos.

Após ser derrotado nas urnas, Flávio disse que "é impossível aceitar o resultado dessas eleições", afirmou que pedirá a anulação dos votos e tratou como "sacanagem" a decisão do STF que prorrogou em duas horas o horário da votação.

"O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo, no meio do jogo, às 17 horas e um minuto", disse Flávio.

No domingo (25), diante de pedido da campanha de Lula, Zanin determinou que as urnas se mantivessem abertas até às 19h. A campanha de Flávio também fez um pedido de prorrogação do horário de abertura das urnas, mas restrito a cidades do Sul e do Sudeste onde tinha melhor desempenho eleitoral.

"O que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto de como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vou pedir anulação dessas eleições", afirmou.

Segundo Pedro Burgos, professor do Insper e especialista em jornalismo de dados que fez o levantamento a partir dos dados do TSE, na maioria das zonas eleitorais, esses votos extras aconteceram entre 17h e 17h20, ou seja, eram de pessoas que provavelmente estavam na fila.

"E em São Paulo, por exemplo, 80% das zonas já fecharam de fato às 17h", acrescenta.

Se forem contabilizados os votos que efetivamente só foram possíveis por causa de decisão de Zanin, o número pode ser ainda menor - 5.052. Levantamento do engenheiro de dados e machine learning Apolinário Passos, analisando os registros de todas as urnas publicadas pelo TSE, contou 5.052 votos computados depois das 17h nas 7.352 urnas que ainda estavam abertas e encerraram a votação só depois das 17h45. O corte em 17h45 é uma estimativa para separar as urnas que ficaram abertas até às 19h por conta da prorrogação determinada pelo ministro Zanin daquelas que apenas atenderam as pessoas que ainda estavam na fila às 17h. As filas costumam durar poucos minutos.

Flávio também pôs em dúvida o procedimento do TSE após o término da apuração. "O detalhe que poucos sabem aqui. Os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre [do TSE] a partir do momento que a decisão foi tomada. Então, tem muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que ocorreu agora, nessas eleições", sem explicar qual seria a irregularidade à qual se referia.

Em checagem, o tribunal afirmou ser falsa a afirmação de que representantes do partido foram retirados do local durante a apuração da eleição presidencial, vencida por Lula (PT) contra Flávio.

"A sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação. Todas as demais unidades e áreas do tribunal, como a sala de totalização, podem ser visitadas por fiscais de partidos, observadores internacionais, advogados e membros do Ministério Público, entre outros, que acompanham, de lá, desde o início, a totalização e a divulgação dos resultados do pleito", diz trecho de nota publicada no site da Justiça Eleitoral.

O deputado eikolas Ferreira (PL-MG) também questionou o resultado da eleição e criticou a decisão de Zanin.

"O que a gente está vendo nesse momento é uma eleição que é impossível de reconhecer. É impossível acreditar que, simplesmente o ex-advogado pessoal do Lula toma uma decisão um minuto após encerrar a apuração, nunca antes vista na história desse país", disse Nikolas.

A decisão, na realidade, foi tomada pouco antes do início das apurações.

Politica Livre

Flávio desiste de pedir anulação da eleição e entrará com ação por abuso de poder contra Lula

 

Flávio desiste de pedir anulação da eleição e entrará com ação por abuso de poder contra Lula

Candidato do PL foi convencido a virar a página da derrota, por ter escassas chance de sucesso nos tribunais

Por Fábio Zanini/Folhapress

26/10/2026 às 17:50

Atualizado em 26/10/2026 às 17:47

Foto: Charles Vieira/Divulgação/Arquivo

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi convencido a desistir de pedir na Justiça a anulação da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, menos de 24 horas depois de anunciar a iniciativa.

Em conversas e reuniões nas últimas horas, aliados e advogados argumentaram que ele não deve insistir nesse caminho. Dois pontos pesaram: um a fragilidade jurídica da tentativa de anular a vitória de Lula, que inclui a falta de argumentos concretos e a configuração desfavorável a ele no TSE e no STF.

Além disso, foi feita uma avaliação política de que uma tentativa de melar a votação poderia jogar o país num ambiente de incerteza institucional, prejudicando a própria carreira de Flávio. Foi feita a ponderação de que ele é um político jovem, que teve quase 60 milhões de votos, e futuro promissor na política.

Diversos senadores e governadores defenderam junto a Flávio um recuo, entre eles o de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Eles argumentaram que a eleição é "página virada".

No lugar do pedido de anulação, a campanha de Flávio deve entrar com uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral), pedindo a cassação da chapa de Lula por abuso de poder econômico, em razão das medidas eleitoreiras anunciadas pelo presidente.

A avaliação é que essas ações, no entanto, são consideradas rotineiras em todas as campanhas, e não representariam uma ameaça institucional tão grande.

Politica Livre

Flávio Bolsonaro é intimado pela PF a entregar passaporte por ordem de Moraes e fica proibido de deixar o país

Flávio Bolsonaro é intimado pela PF a entregar passaporte por ordem de Moraes e fica proibido de deixar o país

Por Ana Luiza Albuquerque, José Marques e Ana Pompeu, Folhapress

26/10/2026 às 17:40

Foto: Vittor Sales/Divulgação/Arquivo

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Filho de Bolsonaro disse que foi abordado nesta manhã, ao sair da casa do pai; ordem, segundo ele, foi de Moraes

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial neste domingo (25), foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes (comum e diplomático) e está proibido de deixar o país, por decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Flávio foi intimado pela PF pela manhã a entregar os documentos no prazo de 24 horas. A decisão de Moraes prevê ainda que ele está proibido de se comunicar com Willer Tomaz.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (26), Flávio disse que a motivação teria sido uma declaração de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que afirmou na sexta-feira (23) que o senador deveria deixar o país caso saísse derrotado das eleições.

"Eu nunca falei isso, isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? (...) Se eu tivesse ganhado as eleições, iria acontecer a mesma coisa? Essa PF iria estar do mesmo jeito, me intimando no meio da rua?", questionou o senador.

De acordo com Flávio, ele foi intimado pela Polícia Federal quando deixava a casa do pai, nesta segunda, em Brasília. Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar após ter sido condenado pelo Supremo a mais de 27 anos de prisão por ter tentado um golpe em 2022.

Flávio afirmou ainda que nunca pensou em sair do país e que irá entregar seus passaportes. Nota divulgada por sua assessoria de imprensa diz que a decisão deverá ser cumprida em até 24 horas.

O senador é formalmente investigado no inquérito do Supremo que envolve o filme "Dark Horse", que recebeu ao menos R$ 65 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Ele é alvo ainda de um pedido de inquérito que a Polícia Federal enviou ao STF para apurar a suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo seu amigo, o advogado Willer Tomaz, também investigado no caso das fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O senador também afirmou nesta segunda que irá pedir a cassação da chapa de Lula, alegando que o presidente cometeu abuso de poder político e econômico. No domingo (25), ele havia dito que pediria a anulação do pleito.

No vídeo, Flávio acusa o petista de ter injetado dinheiro público "para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil", fala em "um complexo industrial de fake news" e critica a decisão do ministro Cristiano Zanin de prorrogar o horário da votação até as 19h neste domingo.

O pedido da campanha de Lula para estender a votação foi motivado por evidências de que eleitores enfrentaram dificuldades para chegar ao local de votação, devido à oferta insuficiente de transporte público —especialmente em Salvador e na capital paulista.

A própria campanha de Flávio também pediu a extensão da votação para cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, devido a condições climáticas adversas.

Como mostrou a Folha, apenas 34.330 votos, ou 0,03% do total, foram registrados após as 17h, segundo registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A maioria dos principais partidos do centrão —MDB, União, Republicanos e PSD— já reconheceram a vitória de Lula.

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação do prazo de fechamento das urnas não causou problemas na totalização de votos. Ele também relatou ter telefonado aos dois candidatos à Presidência para confirmar o resultado definitivo.

Politica Livre 

Nikolas diz que chance de anular eleição é quase nula e orienta apoiadores de Flávio a evitarem atos nas ruas

 

Nikolas diz que chance de anular eleição é quase nula e orienta apoiadores de Flávio a evitarem atos nas ruas

Por Isadora Albernaz, Folhapress

26/10/2026 às 17:55

Foto: Vittor Sales/Divulgação/PL/Arquivo

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Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro em ato de campanha

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou nesta segunda-feira (26) que a chance de o segundo turno das eleições ser anulado "é praticamente nula", pregou prudência aos apoiadores do candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e orientou que eles não se manifestem em atos públicos.

Nikolas publicou o vídeo no início da tarde desta segunda-feira, em seu perfil no Instagram, onde acumula cerca de 26 milhões de seguidores. No vídeo, ele critica a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin de estender o horário da votação no domingo (25).

Lula (PT) foi reeleito em uma virada histórica. Como mostrou a Folha, apenas 34.330 votos, ou 0,03% do total, foram registrados após as 17h, segundo registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Lula venceu Flávio por 4,43 milhões de votos.

"Conhecendo o nosso país, a chance de anular essa eleição é praticamente nula. E a prudência agora com as vidas que estão em jogo deve falar mais alto que qualquer ímpeto do nosso coração. Já vimos muitas pessoas pagarem um alto preço de irem para a rua no calor da emoção. Não façam isso", disse Nikolas aos apoiadores.

A fala indica fazer referência aos atos bolsonaristas após a eleição de 2022 que desembocaram no 8 de Janeiro na prisão de milhares no processo da trama golpista.

Naquele ano, após Lula derrotar Jair Bolsonaro (PL), eleitores do ex-presidente bloquearam estradas, acamparam em frente a quartéis militares, invadiram e depredaram a sede dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023. Houve também uma articulação de tentativa de golpe por parte da alta cúpula do então governo, que levou à condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão.

Ao mesmo tempo em que estimula os eleitores a evitar a evitar atos de questionamento, as declarações do congressista repetem a linha usado por Flávio Bolsonaro logo após a proclamação do resultado, no sentido de questionar a confiabilidade do resultado. Na noite de domingo, o candidato do PL disse que "é impossível aceitar o resultado dessas eleições" e que pedirá a anulação dos votos.

Nesta segunda-feira, como mostrou o Painel, Flávio foi convencido a desistir de pedir na Justiça a anulação da eleição, menos de 24 horas depois de anunciar a iniciativa.

Deputado reeleito com mais de 3 milhões de votos, Nikolas Ferreira afirmou que o desdobramento do pleito deixou uma "quantidade de perguntas sem respostas gera insegurança e indignação".

"Primeira vez uma virada, primeira vez que quem perdeu em Minas venceu, primeira vez que quem ganha no primeiro turno perde, e tudo isso sendo a primeira vez que uma eleição é prorrogada na história e pelo ex-advogado do candidato. São muitas as primeiras vezes para a gente simplesmente ignorar e fingir que nada há fora do normal."

Evangélico, Nikolas traz no vídeo —publicado em preto e branco— uma série de mensagens religiosas para embasar uma mensagem antissistema. Como mostrou a Folha, o discurso da guerra espiritual, que transfere a disputa política para um confronto entre o bem e o mal, foi um dos trunfos bolsonaristas nesta campanha.

"Há uma geração que guardará as profundas marcas dessa eleição no coração, e no momento em que Deus permitir, todo esse sentimento atual será lembrado e fará sentido. Nós confiamos não em juízes poderosos, políticos poderosos, nem em instituições que têm poder", afirmou ele em um dos trechos.

Na legenda, Nikolas escreve "O Brasil precisa mais do que respostas. Precisa de Deus."

A prorrogação do segundo turno até as 19h (horário de Brasília) foi feita a pedido das campanhas dos dois candidatos.

Já no fim da tarde do domingo, após o PT apresentar requerimentos ao TSE e ao STF para uma extensão do prazo em razão de problemas na circulação de ônibus em São Paulo e em cidades da Bahia, por exemplo, a equipe de Flávio fez um pedido similar, mas restrito a municípios do Sul e do Sudeste, onde fortes chuvas também impactaram eleitores.

O presidente da corte eleitoral, Kassio Nunes Marques, afirmou, em pronunciamento à imprensa na noite de domingo, que a decisão de Cristiano Zanin, que atuou como advogado de Lula durante a Operação Java Jato, não causou problemas na contagem dos votos.

"Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial", disse.

Até o fim da tarde desta segunda-feira, a publicação do deputado mineiro tinha cerca de 50 milhões de visualizações e 300 mil comentários. Ele é um dos principais expoentes da direita entre jovens e no campo digital.

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