| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/L/d/hxtR6BQOuTAcSPQnrLuw/sicario.jpeg)
Repercussão da foto pode ser engolida por tarifaço
Johanns Eller
O Globo
A divulgação da selfie entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, comparsa de Daniel Vorcaro apelidado de “Sicário” e apontado pela Polícia Federal (PF) como chefe da milícia privada do ex-dono do Banco Master, na última quarta-feira (15) teve um impacto reduzido nas redes e com boa parte da repercussão restrita à rede social X, segundo um levantamento da consultoria digital Bites.
A foto foi revelada pelo ICL Notícias. Segundo o site, o registro foi feito em um hotel no Rio de Janeiro em 2022. O aliado do banqueiro se matou após ser preso pela PF em março deste ano. Em reação à divulgação da selfie, o pré-candidato do PL à presidência e sua tropa de aliados nas redes questionaram a autenticidade da imagem e ponderaram que, caso o encontro tenha existido, Flávio é uma figura pública que regularmente tira foto ao lado de apoiadores a pedido deles.
REPERCUSSÃO – Apesar da força-tarefa, os números da Bites apontam que a foto do presidenciável com Sicário foi repercutida em 30 mil posts até o fim da manhã desta quinta-feira, dos quais 97% foram publicados no X.
Esse montante representa apenas 18% das 164 mil publicações que mencionaram Flávio desde ontem no contexto de diferentes assuntos, como os ataques do senador ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes pela decisão que restringe as visitas do pré-candidato a Bolsonaro na prisão domiciliar até o primeiro turno das eleições.
Nas últimas 24 horas, Flávio Bolsonaro inclusive ganhou 10 mil seguidores, o que de acordo com a consultoria é consistente com o padrão de crescimento de suas redes neste mês. É um cenário bem diferente da primeira ocasião em que o noticiário apontou conexões entre o senador e o dono do Banco Master.
DARK HORSE – A associação do presidenciável com Sicário rapidamente foi explorada por opositores do bolsonarismo nas redes, como mostrou O Globo, na esteira da nebulosa relação de Flávio com Daniel Vorcaro revelada em maio pelo site The Intercept. O mal explicado investimento de R$ 134 milhões do CEO do Master na produção do filme “Dark Horse”, longa-metragem sobre a trajetória política de Bolsonaro, foi o estopim para o declínio do filho do ex-presidente nas pesquisas, tendência confirmada pela pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta.
Na ocasião da divulgação das negociações entre Flávio e Vorcaro, a Bites apontou que a maioria das reações nas redes sociais foi negativa para o presidenciável e que mesmo aliados do pré-candidato tiveram dificuldades de fazer frente às críticas ao senador. Foram quase 1 milhão de menções nas principais plataformas em 24 horas o que, no contexto do caso Master, só foi superado quando Vorcaro foi preso pela primeira vez e a instituição liquidada pelo Banco Central, em novembro de 2025.
Em uma tentativa de “vacinar” a campanha presidencial de um novo desgaste, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou à colunista do O Globo Bela Megale que tomou conhecimento da selfie de Sicário há um mês e que Flávio garantiu que não conhecia o comparsa de Daniel Vorcaro.
“A TURMA” – Sicário cometeu suicídio após ser preso pela PF em Minas Gerais no início de março. Integrante do grupo “A Turma”, ele recebia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro em troca dos serviços prestados ao banqueiro, que incluíam obtenção de processos sigilosos, intimidações a desafetos, monitoramento ilegal de pessoas e até o gerenciamento de um grupo de hackers.
Conhecido em Minas pela extensa ficha criminal, Sicário já foi indiciado por furto qualificado, estelionato, associação criminosa e falsificação de documentos e evasão de divisas, entre outros crimes.
ENGAJAMENTO – O diretor-executivo da Bites, Manoel Fernandes, afirmou que o anúncio de um novo tarifaço do governo Donald Trump sobre a economia brasileira, anunciado no fim da noite de quarta pelos Estados Unidos, tende a engolir a repercussão em torno da selfie de Flávio com o comparsa de Vorcaro. “Só até o fim da manhã as menções ao tarifaço nas redes já somavam 8 mil posts. Ao longo do dia o assunto certamente ultrapassará o engajamento sobre a revelação da foto de Flávio com Sicário”, explicou Fernandes.
A repercussão das tarifas, porém, inclui também críticas ao presidenciável do PL pelo fato de Trump ter ameaçado aplicar novas sanções à economia brasileira pouco após a visita de Flávio ao presidente dos EUA na Casa Branca.
O senador foi apelidado de “tariflávio” nas redes e, em uma tentativa de gerenciamento de crise, viajou a Washington no último dia 7 para defender que o governo americano só deliberasse sobre o tarifaço após as eleições de outubro, garantindo que sua campanha contra Lula será vitoriosa.

Crise no bolsonarismo cobra a conta
Letícia Pille
O Globo
A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira causou preocupação em aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mais do que a manutenção da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, integrantes do PL avaliam que o levantamento consolidou, pela primeira vez, os efeitos eleitorais de uma sequência de crises enfrentadas pela candidatura desde maio e reforçou a necessidade de ajustes na condução da campanha.
O levantamento mostrou Lula com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 37% de Flávio. Outro dado que chamou a atenção do entorno do pré-candidato foi a mudança na curva de rejeição de ambos: enquanto a do petista passou de 55% em abril para 50% em julho, a de Flávio subiu de 52% para 57% no mesmo período, tornando o senador o presidenciável mais rejeitado entre os nomes testados.
TURBULÊNCIA – Na avaliação de interlocutores de Flávio, a pesquisa sintetiza um período de turbulência vivido pela pré-campanha. Em maio, antes da revelação da relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro no episódio envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, a Quaest mostrava Lula e Flávio tecnicamente empatados em uma simulação de segundo turno. Desde então, porém, uma sucessão de episódios considerados prejudiciais a Flávio passou a tomar a agenda da campanha.
Primeiro veio o desgaste provocado pelo caso Dark Horse, que colocou o senador na defensiva durante semanas. Depois, a campanha passou a conviver com críticas públicas de aliados de Eduardo Bolsonaro à condução da estratégia eleitoral, questionamentos sobre a comunicação e a organização da pré-campanha, a crise aberta com Michelle Bolsonaro e, por fim, a repercussão da viagem de Flávio aos Estados Unidos em meio ao tarifaço anunciado pelo governo americano sobre produtos brasileiros.
VIRADA DE PÁGINA – Nos bastidores, a avaliação é que uma crise acabou se sobrepondo à outra, impedindo que a campanha conseguisse virar a página e recolocar o senador no centro da agenda política. Embora não haja, neste momento, qualquer discussão sobre mudanças na coordenação da campanha, aliados defendem que o senador intensifique o diálogo com dirigentes partidários, parlamentares e lideranças regionais, além de ampliar a articulação política.
Um interlocutor de Flávio afirma que está na hora de o pré-candidato “trabalhar mais”, ouvir os aliados e demonstrar mais “humildade” na condução da campanha. Outro aliado faz uma avaliação similar e diz que a campanha enfrenta problemas de organização. Na avaliação dele, a estrutura precisa ser reorganizada e ter uma leitura mais realista do cenário eleitoral para conseguir reagir ao momento de desgaste apontado pela pesquisa.
Apesar do impacto da pesquisa, aliados descartam mudanças radicais na estratégia da pré-campanha, sob o argumento de que a disputa ainda atravessará diferentes fases até outubro e que há tempo para reverter parte do cenário atual. Afirmam, ainda, que diversos monitoramentos internos da campanha mostram dados mais positivos.
FATOR MICHELLE – Um ponto, porém, reúne consenso entre o entorno do presidenciável: o desgaste provocado pela crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A Quaest mostrou que 45% dos entrevistados consideram que a madrasta de Flávio acertou ao divulgar o vídeo em que criticou publicamente o enteado, enquanto 38% afirmaram que ela errou. Além disso, 42% disseram concordar mais com Michelle no episódio, contra apenas 18% que declararam apoiar Flávio.
Reservadamente, integrantes da campanha admitem que esse foi o episódio de maior impacto político das últimas semanas. A avaliação é que a crise atingiu principalmente o eleitorado feminino, mas também teve reflexos entre evangélicos, segmentos em que Michelle é uma das principais lideranças do campo bolsonarista.
Desde que a crise veio a público, Flávio passou a intensificar agendas voltadas a esses segmentos. Nesta quinta-feira, o senador lança o programa Brasil por Elas, uma série de propostas para mulheres e que passa a ocupar posição central na estratégia da campanha para tentar recuperar parte desse eleitorado.
APROVAÇÃO DE LULA – Outro dado acompanhado com preocupação está relacionado aos eleitores independentes, que são alvos das duas campanhas: a aprovação a Lula nesse recorte passou de 32% em abril, antes dos desgastes sucessivos de Flávio, para 45% em julho. Já a desaprovação foi em sentido contrário e caiu de 58% a 45% no período.
Apesar do diagnóstico de que a pesquisa exige ajustes na condução da campanha, aliados demonstram confiança de que o cenário ainda pode ser revertido. O senador Izalci Lucas (PL-DF), por exemplo, afirmou acreditar que Flávio pode vencer no segundo turno porque “ ninguém aguenta mais o PT no governo”.
Apesar do ambiente de preocupação, aliados acreditam que há fatores capazes de alterar o cenário nos próximos meses. O principal deles é o fim da intensa agenda institucional do presidente Lula.
BENESSES – A avaliação é que a melhora recente dos índices do presidente foi impulsionada, em parte, pelas benesses distribuídas pelo governo e a sequência de inaugurações, lançamentos de programas e anúncios de investimentos promovidos pelo governo antes do início das restrições impostas pela legislação eleitoral a candidatos que ocupam cargos públicos, o chamado “defeso eleitoral”.
Nos bastidores, integrantes da campanha apostam que, com menos espaço para esse tipo de agenda, Lula poderá perder parte da exposição que contribuiu para a recuperação de sua popularidade e voltar a enfrentar uma alta da rejeição.
Integrantes da campanha atribuem parte da recuperação de Lula nas pesquisas ao conjunto de medidas econômicas anunciadas pelo governo nos últimos meses, especialmente aquelas voltadas à ampliação do crédito e da renda. Entre elas estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, diferentes versões do Desenrola, programas como Gás do Povo e Luz do Povo e novas linhas de crédito.
DESENROLA 2.0 – A pesquisa mostrou, por exemplo, que 35% dos entrevistados afirmaram que o Desenrola 2.0 aumentou significativamente sua renda. A expectativa agora é que, com o fim dessa vitrine institucional, a disputa passe a depender mais da campanha nas ruas e da comparação entre os candidatos do que da agenda de governo.
Outra aposta da campanha está nas disputas regionais, com uma melhora na performance de Flávio em estados considerados estratégicos. A expectativa é puxada por candidatos da base com chance de vencer em primeiro turno, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) em São Paulo.
Além das estratégias de recuperação, a campanha também identificou alguns dados da pesquisa que considera favoráveis ao discurso que pretende adotar nos próximos meses. Um deles é a percepção do eleitorado sobre a investigação envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado e alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).
IMPACTO – Segundo a Quaest, 61% dos entrevistados consideram que Jaques Wagner agiu de forma errada no caso Banco Master. Também há 37% que veem um impacto “muito negativo” na campanha de Lula. Além disso, 43% classificam o episódio como uma questão institucional do governo Lula, enquanto 35% o veem como um problema pessoal do senador.
Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que esses números abrem espaço para intensificar ataques ao governo durante a campanha e deslocar parte do debate sobre o Banco Master para o Palácio do Planalto, com o caso de Jaques Wagner representando um flanco para desgastar Lula, sobretudo após semanas em que o foco das discussões esteve concentrado sobre a relação de Flávio com Daniel Vorcaro.
Publicado em 17 de julho de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Defesa do senador havia pedido a extensão do prazo ...