Governo reage a tarifaço e promete ajuda a setores afetados

Foto: Evaristo Sa/AFP
No dia seguinte ao tarifaço, o clima no Planalto foi de revolta e busca de saídas para minimizar os impactos das sanções americanas de 25% aplicadas a mais de 3 mil produtos brasileiros. O governo anunciou que lançará um programa para apoiar as empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a medida americana é “injusta e descabida” e disse que a estratégia do governo será preservar empregos, apoiar os setores atingidos e ampliar a abertura de novos mercados para os produtos brasileiros. Segundo ele, a ApexBrasil e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) reforçarão as ações de promoção comercial no exterior. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os instrumentos de apoio já estão preparados e serão incorporados ao programa Brasil Soberano. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão atingidas pela nova tarifa, o equivalente a US$ 7,4 bilhões em vendas. (Globo)
Já o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que a decisão americana teve motivação política e ocorreu porque o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recusou exigências “desmedidas” e “irrazoáveis” feitas pela administração do presidente Donald Trump. O ministro afirmou ainda que o Brasil participou das negociações desde o início da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos, mas manteve sua posição em temas considerados ligados à soberania nacional. O chanceler classificou ainda as declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, de “grosseiras e arrogantes”. (UOL)
Representantes de setores atingidos pelo tarifaço afirmam que a medida poderá provocar perda de competitividade, queda nas exportações e demissões caso não seja revertida rapidamente. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) alertou que a sobretaxa inviabiliza parte das exportações para o mercado americano, principal destino dos calçados brasileiros. Já a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) diz que a tarifa aumenta a incerteza no comércio bilateral e pode elevar custos, reduzir a competitividade e comprometer investimentos. A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) criticou a tarifa adicional sobre o etanol brasileiro e afirmou que a política adotada pelo Brasil está conforme as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio). (Folha)
E pode vir mais. O governo brasileiro reconhece que os EUA devem aplicar uma tarifa adicional de 12,5% acusando o Brasil de falhar em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, a decisão sobre a nova tarifa deve ser divulgada na próxima semana. “[A investigação sobre o trabalho forçado] termina na sexta-feira que vem. Aí nós vamos ficar sabendo se vai ser cumulativo ou não. Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão”, disse Elias. (g1)
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tornou-se o principal alvo da reação nas redes sociais ao tarifaço. Levantamento da agência Ativa Web mostra que a expressão “TariFlávio” concentrou cerca de 7 milhões de menções e interações nas últimas 24 horas, o equivalente a 32% das conversas sobre o tema no Instagram, X e TikTok. Governistas passaram a associar Flávio à ofensiva comercial dos EUA, enquanto o bolsonarismo tenta reverter a narrativa e transferir o desgaste ao governo Lula. (UOL)
O sentimento das redes também foi captado nas ruas. Pesquisa Genial/Quaest indica que a maioria dos brasileiros atribui ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) responsabilidade pelo novo tarifaço. Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados concordam com a versão do governo de que Flávio contribuiu para a adoção da medida pelo governo Donald Trump. Outros 30% avaliam que o senador tentou convencer os Estados Unidos a não aplicar as tarifas, enquanto 19% não souberam responder. (Estadão)
Pedro+Cora. O novo livro dos jornalistas Maggie Haberman e Jonathan Swan, Regime Change, revela os bastidores e como funciona o que eles chamam de “presidência imperial” de Donald Trump. Pedro Doria e Cora Rónai analisam como o sistema político dos EUA está sendo tensionado e o que esse modo de governança significa para a democracia do país. (Meio)
Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que a foto em que aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário de Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi manipulada por inteligência artificial. A imagem foi divulgada pelo ICL, que usou detectores de uso de IA. O g1 também fez essa checagem, e concluiu que há baixa probabilidade de manipulação de IA. A declaração de Flávio foi feita numa live em que o senador anunciou o plano Brasil por Elas, numa tentativa de atrair o eleitorado feminino, perdido especialmente depois da briga com Michelle Bolsonaro. O programa prevê, entre outras coisas, a criação de uma inteligência artificial que ele diz que será “amiga virtual” das mulheres. A economista Daniella Marques (Republicanos), colaboradora de sua pré-campanha e cotada para ser sua vice, estava a seu lado na live. (g1)
Sete plataformas digitais assinaram memorandos de entendimento com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ampliando a rede de cooperação da Corte com empresas de tecnologia para as eleições de 2026. São elas Kwai, Telegram, Meta, TikTok, Google, X e LinkedIn. As empresas de inteligência artificial ElevenLabs, OpenAI e Anthropic aderiram ao Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, defendeu que as empresas adotem medidas preventivas para combater robôs e conteúdos produzidos por inteligência artificial, mas afirmou que a iniciativa não pretende restringir a liberdade de expressão nem “uniformizar o debate político”. (Globo)
Com quem andas
Marcelo Martinez

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a China de ser responsável pelo que chamou de “o maior comprometimento de dados eleitorais da história” em um discurso oficial na noite de quinta-feira. Trump disse que a China obteve ilegalmente registros de 220 milhões de eleitores americanos, incluindo nomes, informações de contato, preferências partidárias e “outros dados sensíveis” durante a eleição presidencial americana de 2020, reiterando a conclusão de um relatório de inteligência desclassificado em 2021. A China nega sistematicamente as acusações de interferência eleitoral por parte de várias nações ocidentais, incluindo os EUA. (CNN Brasil)
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, enfrenta uma das maiores crises políticas internas desde o início da invasão russa em 2022, após a demissão do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov. A destituição de Fedorov, de 35 anos, desencadeou manifestações em Kiev e outras cidades ucraniana, levou à renúncia de um alto comandante da Força Aérea e expôs divergências na base parlamentar de Zelensky. Em entrevista, Fedorov afirmou que sua saída foi resultado de uma disputa de poder com o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi. Segundo ele, ambos pediram ao presidente a demissão um do outro, mas Zelensky só decidiu afastá-lo depois de receber um “ultimato” do chefe militar. (Financial Times)
Nas últimas eleições, o país viveu sob a máxima “o importante é opinar, entender do assunto é opcional”. Falar sobre política virava sempre uma grande discussão. Não precisa ser assim de novo. O Meio Premium propõe outro caminho: nossas produções constroem argumento em vez de grito, promovem debate em vez de guerra, porque é assim que uma democracia se mantém de pé. Ainda dá tempo de embarcar nele antes de outubro. R$ 15 por mês. Assine agora.

Viver
O custo de uma alimentação saudável aumentou 25% em cinco anos, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A despesa diária para comer chega a US$ 4,28 por pessoa, sendo a América Latina a região com maior aumento nesse tipo de despesa, especialmente o Caribe. Os valores elevados fazem com que 2,69 bilhões de pessoas fiquem sem poder arcar com uma alimentação saudável em todo o mundo, cerca de um em cada três habitantes. Produtos de origem animal representam quase 30% do custo, seguidos por frutas e verduras (16%) e cereais e leguminosas, com 13%. (Globo)
A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou o primeiro comprimido capaz de reduzir em até 60% os níveis de colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Os estudos mostram que o Lipfendra (enlicitide) apresenta um desempenho semelhante ao dos inibidores de PCSK9 injetáveis, considerados um dos tratamentos mais potentes disponíveis para diminuir o risco cardiovascular. Como as versões injetáveis têm custo elevado, necessidade de aplicações periódicas e menor adesão ao tratamento, espera-se que o remédio via oral amplie o acesso a esse tipo de terapia. (g1)
Morreu nesta quinta-feira o jornalista Renato Machado, aos 83 anos. A causa da morte não foi revelada. Machado teve uma carreira de mais de 40 anos na TV Globo, onde marcou gerações de telespectadores apresentando os programas Bom Dia Brasil, Jornal da Globo e RJTV, tendo também integrado a bancada do Jornal Nacional. Um dos principais nomes do telejornalismo brasileiro, trabalhou como correspondente internacional e repórter especial, além de receber uma indicação ao Emmy Internacional por seu trabalho no Globo Repórter. (g1)

Cultura

Rio e São Paulo recebem dois festivais bem diferentes neste fim de semana. Com alguns dos maiores nomes do trap mainstream, rola no sábado, no Riocentro, a quinta edição do Alma Festival, com Matuê, Orochi, N.I.N.A. e Major RD na programação. Quem está em São Paulo poderá ver o Quarteto Camargo Guarnieri se apresentar com Horácio Gouveia executando obras de Camargo Guarnieri e Brahms, enquanto a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas toca peças de Brahms e Villa-Lobos. Os cariocas também terão boas opções no teatro, com uma montagem do clássico de Nelson Rodrigues, O Beijo no Asfalto, e nova peça da excepcional Cia Brasileira de Teatro. Leia todas as sugestões no site do Meio.
Estrelado por Jack O'Connell, Guy Pearce e Claire Foy, o filme Ink, de Danny Boyle, vai fazer sua estreia mundial abrindo a 83ª edição do Festival de Cinema de Veneza, que acontece de 2 a 12 de setembro, onde também concorre na seção principal. O longa, que retrata a aquisição e transformação do jornal The Sun por Rupert Murdoch, foi escrito por James Graham. Boyle, também conhecido por dirigir filmes como Quem Quer Ser um Milionário? e Steve Jobs, produz o filme com Tessa Ross (Conclave e Zona de Interesse) e Michael Ellenberg (The Morning Show). (Variety)
Já o Festival de Toronto (TIFF) continua enriquecendo sua edição deste ano, ao anunciar cinco novos títulos à seção de Apresentações Especiais. Entre eles estão Alpha Gang, de David e Nathan Zellner, estrelado por Cate Blanchett, Dave Bautista, Riley Keough, Chris Pine e Lily Rose Depp; e Your Mother Your Mother Your Mother, thriller de ação de Bassam Tariq, protagonizado por Mahershala Ali como Latif, um assassino de aluguel devoto e religioso que embarca em uma jornada desesperada por Houston para proteger seus filhos após a morte de sua esposa. O elenco inclui Giancarlo Esposito, John Cho, Tramell Tillman e Tiffany Boone. A 51ª edição do TIFF ocorre entre 10 e 20 de setembro. (Deadline)

Cotidiano Digital
A Meta anunciou que passará a alertar os pais caso um adolescente fale sobre suicídio ou automutilação com o Meta AI, chatbot de inteligência artificial da companhia. A notificação será enviada mesmo quando a intenção do adolescente não estiver clara, mas todos os chats sinalizados pela IA passarão por revisão manual antes do alerta. O recurso já está disponível para pais que usam a supervisão parental do Instagram nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Austrália e no Canadá, e chega ao restante do mundo até o fim do ano. (Yahoo Tech)
A União Europeia ordenou que o Google remova as restrições que limitam o acesso de empresas rivais de inteligência artificial aos usuários de smartphones Android, sistema que responde por cerca de 60% dos aparelhos na região. Segundo os reguladores, o Google terá que dar aos concorrentes, como a OpenAI e a Anthropic, condições iguais de acesso, inclusive por comandos de voz e delegação de ações em aplicativos, mudança que deve valer até julho do próximo ano. A empresa também terá que compartilhar dados anonimizados do seu mecanismo de busca com concorrentes até janeiro. (New York Times)
Falando em Google, a empresa renomeou o NotebookLM para Gemini Notebook, o que também integra mais uma ferramenta experimental da empresa ao ecossistema do Gemini. A mudança vem acompanhada de uma atualização que transforma cada projeto em um ambiente seguro independente, onde os usuários podem gerar código para análises de dados mais complexas com múltiplas fontes. (TechCrunch)
Você está cansado de encarar telas o dia inteiro? O Meio também existe em podcast, para quem quer se informar sem abrir mais uma aba, mais um app, mais uma leitura. O No Pé do Ouvido resume as notícias do dia logo cedo, o Ponto de Partida analisa a política, o Meio de Campo mergulha no futebol, Pedro+Cora fala de tecnologia, Cá entre Nós traz as análises de Flávia Tavares, e o Central Meio te coloca na escuta da live diária deste Meio. Gratuitos, nas principais plataformas de áudio. Dê o play.


