
Bolsonaro reedita roteiro usado por Lula em 2018
Bernardo Mello Franco
O Globo
A carta de Jair Bolsonaro guarda semelhança com outra missiva escrita no cárcere e divulgada nas vésperas de uma eleição presidencial. Trata-se da carta em que Lula apontou Fernando Haddad como seu candidato, em setembro de 2018. O petista estava preso em Curitiba e impedido de concorrer ao Planalto.
No documento, divulgado pelo PT, Lula apresentou Haddad como seu representante e porta-voz na campanha: “Se querem calar nossa voz e derrotar nosso projeto para o país, estão muito enganados. Nós continuamos vivos, no coração e na memória do povo. E o nosso nome agora é Haddad”.
SUCESSÃO – Na carta redigida neste sábado, Bolsonaro apontou o filho Flávio como sucessor: “Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”. Bolsonaro parece ter seguido o roteiro de Lula até nos detalhes. Em 2018, o petista batizou a missiva de “Carta ao povo brasileiro”. Oito anos depois, o capitão escolheu o título “Carta aos brasileiros”.
Nesta segunda, o ministro Alexandre de Moraes considerou que a carta de Bolsonaro desrespeitou as condições impostas para sua prisão domiciliar. Ele suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao pai e acionou o Ministério Público Eleitoral para apurar se houve prática de propaganda antecipada. Em decisão anterior, Moraes havia proibido o ex-presidente de usar as redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros”.