É no reflexo desse espelho enfumaçado que os Bolsonaro vêem o Brasil, com a perspectiva de trazer de volta a boiada e o pico do desmatamento, a misoginia e o racismo, minando a força da sociedade civil, a ação coletiva e o respeito pelos direitos humanos, trocando fatos por versões, cindindo a sociedade e invadindo corações e mentes através das Big Techs, que na visão dos Bolsonaro - e de Trump - devem gozar de total liberdade para nos aprisionar. Felizmente não é essa a visão do governo Lula, como vimos na construção do ECA Digital e nas tentativas de regular as redes e submetê-las à lei. Mas sabemos que isso é pouco, sem um pacto social forte, capaz de proteger nossos filhos e netos.
Nesse verão escaldante e de incêndios florestais no hemisfério norte em que o prenúncio do El Niño já se faz sentir por aqui, com risco de tempestades no Rio Grande do Sul, também vemos adolescentes e jovens cada vez mais tristes, imersos nas telas e deprimidos por relações e estereótipos doentios nas redes sociais enquanto o mundo real se torna cada vez mais difícil, e nós, os adultos, parecemos simplesmente distraídos, imersos no cansaço das longas jornadas de trabalho por necessidade ou ambição, entretidos - também os mais velhos - com conteúdos superficiais em nossos celulares. Quem sabe apostando no tigrinho?
Quando o mandato do presidente, dos governadores, senadores e deputados que serão eleitos neste ano chegar ao fim, estaremos em 2030. Se a gente não acordar para firmar um consenso social que pressione pela democracia, liberdade e igualdade de direitos para enfrentar esse momento decisivo, controlando os excessos do poder público e privado, exigindo políticas de bem estar, proteção ambiental e respeito aos povos e culturas ancestrais estaremos compactuando com o sacrifício de gerações de jovens, adolescentes e crianças que, no futuro, talvez não tenham mais nem razões para lutar.
Pense nisso, antes de se distrair com o espetáculo de fatos, imagens e fofocas das campanhas eleitorais - logo, logo na tela mais próxima de você.
Aviso: esta coluna estará de férias até o dia 6 de agosto. Obrigada pela leitura.