![]() |
|

O país atravessa uma transição silenciosa
Marcelo Copelli
Congresso em Foco
Brasília atravessa uma das mais profundas transformações institucionais desde a redemocratização — não por meio de rupturas abruptas, confrontos explícitos entre os Poderes ou reformas constitucionais de grande impacto, mas através de um processo contínuo e silencioso de redistribuição de influência dentro da estrutura do Estado.
Sem alterar o modelo concebido pela Carta de 1988, o Brasil passou gradualmente a operar sob uma lógica de governabilidade muito mais compartilhada, multipartidária e interdependente do que aquela consolidada nos primeiros anos da Nova República.
CONEXÕES – Ao longo da última década, Executivo, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal passaram a exercer funções crescentemente conectadas dentro de um ambiente político marcado pela pulverização partidária, pela ampliação do protagonismo parlamentar sobre o orçamento e pela judicialização recorrente de disputas administrativas e institucionais.
O resultado desse movimento não foi uma ruptura da ordem democrática nem a substituição do sistema político brasileiro. O que emergiu foi uma nova arquitetura de poder sustentada por negociações permanentes, múltiplos polos de influência e mecanismos mais sofisticados de coordenação entre as instituições. Brasília continua sendo o núcleo decisório da República, mas já não opera sob a mesma lógica de concentração política que predominou nos anos posteriores à transição democrática.
Durante décadas, o sistema presidencial brasileiro funcionou sob relativa previsibilidade institucional. Mesmo diante de crises políticas, escândalos de corrupção e alianças heterogêneas, havia clareza sobre a centralidade do Executivo na coordenação estratégica do Estado. Cabia ao governo federal organizar maiorias parlamentares, conduzir a execução orçamentária, estabelecer prioridades nacionais e estruturar os mecanismos de estabilidade necessários ao funcionamento da República.
CRISES – O Congresso exercia influência decisiva sobre a produção legislativa e sobre as mediações políticas, mas a capacidade de articulação do Executivo permanecia como principal eixo organizador da governabilidade nacional. Esse arranjo começou a se modificar à medida que sucessivas crises desgastaram os mecanismos tradicionais de coalizão e ampliaram os custos políticos da administração federal.
A fragmentação partidária elevou a complexidade das negociações parlamentares, reduziu a previsibilidade na formação de maiorias estáveis e fortaleceu progressivamente o papel do Legislativo na definição das prioridades administrativas do país.
Paralelamente, mudanças legais, alterações regimentais e novas práticas políticas ampliaram de forma consistente a participação do Congresso sobre o orçamento público, permitindo que deputados e senadores passassem a exercer influência muito mais direta sobre a destinação de recursos federais e sobre a implementação de políticas públicas em diferentes regiões.
EMENDAS PARLAMENTARES – A expansão das emendas parlamentares tornou-se o símbolo mais visível dessa transformação silenciosa. Concebidas originalmente como instrumentos legítimos de participação do Legislativo na elaboração orçamentária, as emendas adquiriram dimensão estratégica dentro da nova engrenagem política brasileira. Parlamentares ampliaram significativamente sua capacidade de direcionar investimentos, responder a demandas regionais, fortalecer presença política nos estados e participar diretamente da execução administrativa.
A expansão do protagonismo parlamentar, por si só, não representa anomalia institucional. Democracias maduras convivem naturalmente com Legislativos influentes e amplamente integrados à definição das prioridades nacionais. O principal desafio brasileiro reside em outro aspecto: a velocidade com que esse novo modelo de governabilidade se consolidou superou a capacidade institucional de construir mecanismos equivalentes de transparência, rastreabilidade e fiscalização pública.
Nesse ambiente de redistribuição acelerada de influência política, o debate em torno das emendas parlamentares deixou de ser uma discussão meramente orçamentária para assumir dimensão central na vida institucional brasileira.
MUDANÇA ESTRUTURAL – Mais do que uma controvérsia técnica sobre execução orçamentária, a discussão revelou uma mudança estrutural mais profunda no funcionamento do sistema político brasileiro. O país passou gradualmente a operar sob uma lógica de poder menos centralizada e mais distribuída entre diferentes atores institucionais, tornando a governabilidade dependente de articulações contínuas, negociações multipartidárias e estruturas compartilhadas de decisão.
Relatórios de entidades como a Transparência Brasil apontaram dificuldades de rastreamento em parte da execução das emendas parlamentares e defenderam o fortalecimento dos mecanismos de publicidade e controle sobre a destinação dos recursos públicos.
O debate produzido em torno do tema acabou expondo uma questão decisiva para o futuro democrático brasileiro: como adaptar os instrumentos clássicos de fiscalização e responsabilização pública a uma realidade política cada vez mais descentralizada, negociada e interdependente.
DISPUTAS – Nesse contexto, o Supremo Tribunal Federal passou a ser acionado com frequência crescente em disputas relacionadas ao orçamento, às competências constitucionais e aos limites entre os Poderes.
Em sistemas políticos altamente fragmentados, esse movimento tende a refletir menos protagonismo isolado do Judiciário e mais a complexidade produzida por modelos de governabilidade sustentados em múltiplos polos de influência e negociações permanentes.
À medida que Executivo e Congresso passaram a dividir de forma mais intensa a condução das prioridades administrativas e orçamentárias do país, tornou-se natural a ampliação do papel das instâncias constitucionais de mediação institucional.
RESPONSABILIZAÇÃO – A consequência mais profunda dessa transformação talvez esteja menos na redistribuição formal de competências e mais na alteração gradual da própria lógica de responsabilização democrática dentro da República. Em sistemas fortemente centralizados, a sociedade costuma identificar com relativa clareza os responsáveis pela formulação de políticas públicas, pela condução administrativa e pelos resultados produzidos pelo Estado.
Em ambientes marcados por influência compartilhada, negociações contínuas e múltiplos centros decisórios, essa percepção torna-se inevitavelmente mais complexa. O poder em Brasília não desapareceu. Apenas deixou de permanecer concentrado no mesmo lugar.
As implicações dessa mudança ultrapassam os limites institucionais da capital federal. Quanto mais distribuída se torna a governabilidade, maior também passa a ser a necessidade de coordenação política permanente, construção de consensos duradouros e fortalecimento de instrumentos capazes de assegurar transparência compatível com essa nova realidade institucional.
FISCALIZAÇÃO – Democracias sólidas não dependem apenas da existência formal de eleições livres ou da separação entre os Poderes. Dependem também da capacidade de a sociedade compreender como decisões estratégicas são construídas, quem influencia sua formulação e quais instrumentos existem para fiscalizar o exercício do poder político e a utilização dos recursos públicos.
O Brasil continua presidencialista, mas sua governabilidade já opera sob uma lógica muito mais descentralizada e compartilhada do que aquela concebida pelos arquitetos da abertura democrática. O principal desafio das próximas décadas talvez não esteja relacionado à concentração excessiva de poder em um único ator político, mas justamente à capacidade de preservar legitimidade democrática, transparência pública e responsabilização efetiva em um ambiente sustentado por influência difusa, coordenação permanente e múltiplos centros decisórios.
A história política brasileira sempre foi marcada pela concentração de poder. A transformação silenciosa em curso talvez inaugure justamente o movimento oposto: uma República progressivamente estruturada sobre influência distribuída, interdependência institucional e responsabilidades compartilhadas entre diferentes centros decisórios.
TRANSPARÊNCIA PÚBLICA – O desafio do Brasil, agora, será assegurar que essa nova dinâmica de poder continue sustentada pelos fundamentos indispensáveis de qualquer democracia sólida: transparência pública, legitimidade institucional e capacidade efetiva de controle social sobre o exercício do poder.
Brasília mudou silenciosamente. O centro de gravidade do poder político brasileiro já não opera sob a mesma lógica que moldou grande parte da Nova República, e os efeitos dessa transformação começam a redesenhar gradualmente a dinâmica da governabilidade e da articulação institucional no país. Mudanças estruturais raramente se revelam de forma imediata. Em geral, consolidam-se lentamente e passam a influenciar o funcionamento do Estado antes mesmo de serem plenamente compreendidas pela sociedade.
O Brasil talvez esteja atravessando exatamente um desses momentos históricos: uma transição silenciosa, porém duradoura, na forma como o poder é distribuído, negociado e exercido dentro da República. E compreender a extensão dessa mudança pode ser decisivo para entender o desenho institucional que passará a definir o país nas próximas décadas.

Anúncioprovocou forte reação do governo brasileiro
Pedro do Coutto
A decisão do governo de Donald Trump de propor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos inaugurou um novo capítulo de tensão nas relações entre Brasília e Washington.
Embora a medida ainda esteja sujeita a consultas públicas e possa sofrer alterações antes de entrar plenamente em vigor, o anúncio foi suficiente para provocar forte reação do governo brasileiro, que enxerga na iniciativa não apenas um movimento comercial, mas também um gesto carregado de implicações políticas.
REFLEXO – O impacto econômico imediato tende a ser mais limitado do que sugerem os números apresentados inicialmente. Isso porque uma parcela significativa dos produtos exportados pelo Brasil para o mercado americano ficou de fora da lista de sobretaxação.
Entre os itens isentos estão produtos estratégicos como café, carne bovina, algumas frutas, terras raras, equipamentos aeronáuticos e determinados insumos industriais. Ainda assim, a medida cria insegurança para exportadores, investidores e setores que dependem do acesso competitivo ao maior mercado consumidor do mundo.
O argumento oficial da Casa Branca baseia-se em uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. Entre os pontos levantados estão questões ligadas à propriedade intelectual, ao mercado de etanol, ao combate à corrupção, à política ambiental e, de forma particularmente controversa, ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix.
DISTORÇÕES – O documento americano sustenta que a promoção estatal do sistema poderia gerar distorções competitivas no mercado de pagamentos eletrônicos. O Pix também aparece citado dentro das preocupações americanas relacionadas aos serviços digitais e financeiros.
A inclusão do Pix no centro da disputa chamou a atenção de especialistas e integrantes do governo brasileiro. Criado e operado pelo Banco Central, o sistema tornou-se uma das mais bem-sucedidas inovações financeiras do mundo, servindo inclusive de referência para bancos centrais de diversos países.
Na avaliação de técnicos que acompanham o tema, não existe base consistente para caracterizar o Pix como prática comercial desleal, uma vez que se trata de uma infraestrutura pública destinada a ampliar a concorrência e reduzir custos para consumidores e empresas. A interpretação predominante em Brasília é que o sucesso do sistema brasileiro passou a incomodar segmentos do mercado internacional de pagamentos, especialmente empresas tradicionais de cartões e intermediários financeiros.
REAÇÃO – Foi nesse contexto que o presidente Lula da Silva reagiu elevando o tom político da controvérsia. Lula afirmou que buscará o diálogo direto com Trump e demonstrou expectativa de uma conversa entre os dois presidentes para tentar evitar a implementação definitiva das tarifas. Ao mesmo tempo, acusou setores ligados ao bolsonarismo de atuarem para estimular o endurecimento americano contra o Brasil. Em suas declarações, o presidente chegou a associar a postura do senador Flávio Bolsonaro à escalada da crise, classificando tal atuação como contrária aos interesses nacionais.
A acusação tem evidente peso político. Ao atribuir a aliados de Jair Bolsonaro parte da responsabilidade pela deterioração das relações bilaterais, Lula procura transformar uma disputa comercial em uma narrativa de defesa da soberania nacional. Trata-se de uma estratégia conhecida na política internacional: quando surge uma pressão externa, governos frequentemente tentam converter o conflito em instrumento de mobilização interna. Em ano eleitoral, essa dinâmica ganha ainda mais relevância.
Do lado americano, entretanto, a justificativa oficial não menciona diretamente atores políticos brasileiros. Os documentos do USTR concentram-se em alegações relacionadas a comércio digital, pagamentos eletrônicos, acesso a mercados, propriedade intelectual e questões regulatórias.
TRUMP E CLÃ BOLSONARO – Ainda assim, é impossível ignorar o histórico recente da relação entre Trump e a família Bolsonaro. O presidente americano já havia manifestado apoio público ao ex-presidente Jair Bolsonaro em ocasiões anteriores e chegou a criticar investigações conduzidas contra ele. Esse pano de fundo político inevitavelmente alimenta interpretações sobre motivações que ultrapassam o campo estritamente comercial.
A questão central, porém, permanece econômica. Apesar da retórica mais agressiva, o próprio desenho da medida sugere cautela por parte de Washington. A exclusão de diversos produtos estratégicos indica que o governo Trump buscou evitar impactos inflacionários sobre consumidores americanos e preservar cadeias produtivas consideradas sensíveis. Alguns analistas observam que o resultado poderia ter sido mais severo, especialmente considerando propostas anteriores que chegaram a envolver percentuais significativamente mais elevados.
Para o Brasil, o desafio agora será equilibrar firmeza diplomática e pragmatismo econômico. Uma resposta excessivamente dura pode ampliar prejuízos comerciais e reduzir espaços de negociação. Por outro lado, uma postura excessivamente conciliadora poderia ser interpretada internamente como sinal de fragilidade diante da pressão externa. O governo brasileiro aposta que a fase de consultas públicas e negociações ainda permitirá ajustes ou mesmo a reversão parcial das medidas.
TRANSFORMAÇÃO DA ECONOMIA – Mais do que uma disputa sobre tarifas, o episódio revela uma transformação mais profunda da economia mundial. Sistemas de pagamento, plataformas digitais, regulamentação tecnológica e soberania financeira passaram a ocupar o centro das disputas geopolíticas do século XXI. Nesse cenário, o Pix deixou de ser apenas uma ferramenta de transferência instantânea e tornou-se símbolo de uma nova disputa por influência econômica e tecnológica.
O desfecho dessa crise ainda é incerto. O que já está claro é que a controvérsia ultrapassou os limites do comércio exterior e entrou definitivamente no terreno da política. E, quando economia, soberania e eleições se misturam, raramente as consequências ficam restritas às planilhas de exportação.
Por Laura Intrieri/Folhapress
04/06/2026 às 07:13
Foto: Ton Molina/Arquivo/Agência Senado
Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL) é apontado como culpado por ameaças ao Pix ou pelo novo tarifaço anunciado pelos EUA em 8 de cada 10 mensagens opinativas sobre o assunto trocadas nos mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram monitorados pela empresa de análise de dados Palver.
A responsabilização do pré-candidato do PL à Presidência, direta ou indiretamente, corresponde a 81% das publicações opinativas desses grupos.
A Palver retira dessa análise mensagens consideradas neutras, como links compartilhados sem comentário e disparos automáticos de clipping, que apenas replicam notícias sobre determinado assunto.
O monitoramento se refere ao período de 27 de maio a 2 de junho e está atrelado à viagem de Flávio aos Estados Unidos e à reunião com Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca em 26 de maio.
Desde então, aliados de Lula (PT) passaram a defender em grupos de mensageria e em redes sociais a tese de que essa aproximação representava uma ameaça ao sistema de pagamentos Pix, conteúdo reforçado a partir de segunda (1º), quando houve a nova ameaça de tarifa contra produtos brasileiros —a decisão final depende do aval de Trump.
Apoiadores de Lula tentam emplacar nas redes sociais o termo "Tariflávio" para associar o senador à crise. Políticos do centrão e mesmo aliados de Flávio avaliam que a imposição das novas tarifas é um revés para a campanha presidencial do senador.
Flávio disse que enviou na terça-feira (2) uma carta ao governo Trump para pedir que os Estados Unidos não imponham tarifas de 25% aos produtos brasileiros, como recomendou uma investigação comercial do país americano.
Na carta, endereçada ao secretário de Estado Marco Rubio, Flávio afirma que o Brasil "atravessa um período de grave deterioração fiscal e econômica" e que a imposição de novas tarifas "causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro".
Como mostrou a Folha, o governo brasileiro pretende manter negociações com os EUA e vê chance de evitar a imposição das taxas sugeridas pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) enquanto tentará potencializar ao máximo possível o desgaste de Flávio, principal adversário de Lula nas eleições de outubro.
A decisão negativa para o Brasil acontece na esteira da decisão dos EUA de designar CV e PCC como terroristas e reforça a pressão do governo republicano sobre o governo Lula.
Segundo o relatório da Palver, as publicações predominantes acusam o senador e a família Bolsonaro de "traição à pátria" e de alinhamento a interesses estrangeiros, além de descrever a ofensiva americana como ataque a uma conquista da população brasileira. Esse discurso repetido nas mensagens é semelhante ao que tem sido adotado por Lula em suas manifestações públicas.
Entre as mensagens que isentam Flávio, três linhas de argumentação se destacam: a classificação das acusações como desinformação ou manobra política da esquerda; a negação de risco concreto ao Pix, com publicações afirmando que o sistema não será bloqueado nem afetado; e a defesa de que a atuação do senador nos EUA mirava o combate ao crime organizado.
Essa última vertente também critica o governo Lula por reagir às medidas americanas e usar o tema para desgastar o pré-candidato do PL.
"Bolsonarismo se consolida como principal movimento de traição à pátria da história", diz uma das mensagens. "Fake news", diz outro registro, desta vez defendendo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): "Lula acusa Flávio de pedir tarifa aos EUA. Sem prova. Motivo da mentira? Medo".
O recorte do levantamento reuniu publicações que citam o Pix combinadas a menções a Bolsonaro, Flávio, Trump ou Estados Unidos.
O levantamento da Palver mede o teor das mensagens que circulam em grupos públicos de WhatsApp e Telegram, não a opinião da população. Diferentemente de uma pesquisa eleitoral, não há amostra representativa do eleitorado nem margem de erro, e os números não servem de prognóstico.
Politica Livre

Charge do J.Caesar (Veja)
Duarte Bertolini
Muitas coisas mudam e, velozmente, no Brasil. Mas outras continuam imutáveis e guiando nossos dias. Por exemplo, o bordão de que “o Brasil não é para amadores”. Sempre que deparo com essa citação, fico tomado pela sensação de minha absoluta ignorância.
Agora, tomo conhecimento de que “a PF está pressionando Vorcaro a devolver 60 bilhões de reais aos fundos…”. Diante disso, sou tomado pelo estilo Eremildo, o eterno idiota do Elio Gaspari, e pergunto: Onde estão estes bilhões?
DÚVIDAS – Surgem, então, muitas dúvidas. Estes bilhões estariam no bolso interno da vestimenta de presidiário do banqueiro Vorcaro? Enterrados em lugar ermo com um mapa preciosíssimo que indicaria onde estão? Deveríamos ressuscitar Indiana Jones para achá-los? Ou estariam em alguma conta secreta, em nome de laranjas no Brasil?
É difícil saber… E há outras questões para que a gente possa entender. Como sabem que são R$ 60 milhões? Se estão no patrimônio pessoal ou de outras empresas ligadas à família Vorcaro, não estariam sob a guarda do Banco Central Se essa fortuna está à disposição do Vorcaro, como a PF ainda não achou?
Se o dinheiro está em paraíso fiscal, contas de laranjas, imóveis em nome de terceiros, bitcoins ou similares, os famosos rastreamentos da PF, TCU, AGU, BC, Coaf, Receita etc. não encontraram nenhum rastro?
E O INTERCEPT? – O sempre útil e necessário site Intercept, oráculo de todos os segredos favoráveis à esquerda, não poderia ajudar neste caso? Como o assunto está em toda mídia há sete meses, com atuação exemplar da PF, será que realmente precisamos negociar com o criminoso para que se digne a devolver essa parte do saque?
E o restante? As pesquisas e apreensões seriam somente para animar o telejornal amigo do dia? Se não concordar em devolver, o que vai acontecer com Vorcaro e com os bilhões?
E aí? Vamos ficar aguardando a libertação próxima e inevitável desse chefe de quadrilha, recompensa obvia por sua caridade e espírito cívico?
SISTEMA FALIDO – Poderíamos fazer muitas outras perguntas, mas fiquemos por aqui. Essa situação não pode ser explicada, porque é a demonstração cabal da falência, do servilismo, da incompetência e da corrupção de todo um sistema, seja de justiça, de polícia, de administração e de concepção moral da sociedade, como um todo?
Devemos esperar o próximo escândalo, para ir encobrindo os anteriores? Afinal, ninguém fala mais no resort luxuoso com um cassino embutido. A usurpação de dinheiro dos aposentados também está sendo esquecida. E por aí vamos.
Triste Brasil, sempre fomos uma nação suis generis, mas como chegamos a isto? Tenho algumas teorias, mas desenvolvê-las pode ser perigoso para nosso amor próprio e para nosso amor a esse país.
PF quer pedir quebra de sigilo de fundo que financia 'Dark Horse' Por José Marques e Raquel Lopes, Folhapress 05/06/2026 às 13:09 ...