quarta-feira, setembro 23, 2026

Jumentos podem desaparecer até 2030; ONGs entregam carta a Lula, mas abate continua

Jessica Balbino jessica.balbino@agenciapautasocial.com.br


Organizações entregaram ao governo federal carta-manifesto cobrando cumprimento da sentença que proibiu a atividade na Bahia; mecanismo de suspensão mantém abates apesar de decisão judicial que reconheceu maus-tratos, falhas sanitárias e risco de extinção


Organizações de proteção animal foram a Brasília para entregar ao governo federal uma carta-manifesto dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo o cumprimento imediato da sentença da Justiça Federal que proibiu o abate de jumentos na Bahia. Apesar da mobilização e da decisão judicial favorável à proteção dos animais, na prática, os abates continuam: os efeitos da sentença permanecem suspensos em razão da vigência de uma Suspensão de Liminar e de Sentença (SLAT), mecanismo acionado sob o argumento de que a interrupção da atividade poderia provocar grave lesão à economia pública.


A carta para Lula, assinada por mais de 50 organizações, coletivos, pesquisadores e entidades de defesa animal, pede que o governo federal adote medidas urgentes para garantir o cumprimento da decisão proferida em abril deste ano e interromper definitivamente o abate. No documento, as entidades afirmam que o governo tem, neste momento, a possibilidade de impedir o desaparecimento dos jumentos nordestinos e cobram uma decisão baseada nas evidências científicas acumuladas ao longo dos últimos anos.


“O jumento não é apenas uma mercadoria ou um item descartável”, afirma o manifesto. O documento recupera a importância histórica desses animais para o desenvolvimento do semiárido brasileiro, onde foram utilizados no transporte de água, alimentos e materiais de construção e contribuíram para a formação da infraestrutura e da vida econômica da região.


As organizações também alertam que, desde 2016, o abate ocorre de forma extrativista, sem uma cadeia produtiva estruturada capaz de assegurar a reposição da população. O principal destino comercial são as peles utilizadas na fabricação do ejiao, produto consumido sobretudo no mercado asiático.


A mobilização em Brasília acontece cinco meses depois de a Justiça Federal determinar a proibição do abate de jumentos, muares e bardotos na Bahia. A sentença foi proferida em 13 de abril de 2026 pela juíza federal Arali Maciel Duarte, da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária da Bahia, na Ação Civil Pública nº 1010977-33.2018.4.01.3300.


A magistrada condenou a União, o Estado da Bahia e a Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), dentro de suas respectivas competências, a adotar providências para proibir o abate, impedir a captura, compra e confinamento desses animais para essa finalidade e encaminhar os sobreviventes a santuários de proteção.


A sentença reconheceu que, embora o abate de equídeos seja permitido pela legislação brasileira quando cumpridas as exigências sanitárias e de bem-estar animal, as provas reunidas no processo demonstraram que a atividade vinha ocorrendo em desacordo com essas normas, com registros de maus-tratos, transporte inadequado, problemas sanitários e ameaça à sobrevivência da espécie.

Mesmo assim, a decisão não interrompeu os abates.


SLAT impede que proibição produza efeitos

O motivo é a vigência da chamada Suspensão de Liminar e de Sentença (SLAT), instrumento jurídico excepcional previsto no artigo 4º da Lei nº 8.437/1992. O mecanismo permite suspender os efeitos de decisões judiciais quando o poder público sustenta a existência de risco de grave lesão à ordem, à saúde, à segurança ou à economia públicas.


No caso dos jumentos, a SLAT não anulou a sentença de abril nem modificou as conclusões da Justiça sobre as irregularidades encontradas. Na prática, porém, impede que a proibição determinada judicialmente produza seus efeitos enquanto perdurar a suspensão.

É justamente essa situação que as organizações tentam reverter ao procurar diretamente o governo federal.


Na carta entregue em Brasília, as entidades afirmam que, embora a Justiça tenha decidido pela proibição do abate depois de anos de tramitação da ação, União, Estado da Bahia e Adab não implementaram a decisão devido à continuidade dos efeitos da SLAT.


Para as organizações, a manutenção desse cenário coloca o Executivo federal diante de uma escolha política e administrativa: continuar sustentando o mecanismo que impede a execução da sentença ou adotar medidas para que a decisão judicial seja cumprida.


Argumento econômico é contestado por estudo

A suspensão ocorre em uma atividade concentrada em poucos estabelecimentos frigoríficos na Bahia e cuja relevância para a economia brasileira é questionada pelas organizações.


Estudo realizado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) apontou que o comércio de peles de jumentos não apresentou impacto significativo no Produto Interno Bruto (PIB) das regiões analisadas e que os produtos derivados desses animais representam uma parcela mínima das exportações brasileiras.


“Esses dados colocam em dúvida a principal justificativa do governo federal e do Estado da Bahia de que o fim do abate representaria um prejuízo grave à economia pública”, afirma a advogada Gislane Brandão, coordenadora da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos. “Por causa de um argumento absurdo, os jumentos nordestinos serão extintos.”


Para Vânia Plaza Nunes, diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, a manutenção da atividade também entra em contradição com o dever do poder público de garantir a proteção dos animais e a segurança sanitária.


“É uma contradição que o governo da Bahia e a Adab se apoiem em uma alegação, no mínimo, equivocada, de grave risco econômico ao Brasil, quando a legislação prevê exatamente o contrário: que o poder público proteja esses animais de maus-tratos, falhas sanitárias e risco de desaparecimento”, afirma.


Justiça manteve entendimento sobre irregularidades

Depois da sentença de abril, o Estado da Bahia e a Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia apresentaram embargos de declaração contra a decisão. Os recursos foram rejeitados pela juíza Arali Maciel Duarte, que entendeu não haver erro, omissão ou contradição que justificasse a alteração da sentença.


A magistrada também reafirmou a responsabilidade da Adab pela fiscalização da atividade. Segundo a decisão, a existência de normas federais regulamentando o abate de equídeos não elimina as atribuições do Estado nem impede sua responsabilização por eventuais omissões.


Documentos da própria Adab integram o conjunto de provas citado pelas organizações. Uma nota técnica de abril de 2020 registrou animais mortos, ausência de Guia de Trânsito Animal e resultados positivos para doenças, incluindo casos de mormo e anemia infecciosa equina.


“Embora a atividade possa ser autorizada quando todas as normas sanitárias e de bem-estar animal são cumpridas, a sentença comprovou que essas exigências não estavam sendo respeitadas na Bahia”, explica Vânia Plaza Nunes.


Organizações alertam para desaparecimento dos jumentos

Entre 2018 e 2024, 248.298 jumentos foram abatidos na Bahia, estado que concentra a atividade no país. Segundo dados apresentados pelas organizações, a população de jumentos, que superava 1,3 milhão de animais na década de 1990, teria caído para aproximadamente 78 mil — redução estimada em 94%.


Pesquisadores alertam que, mantido o ritmo atual de retirada dos animais, o jumento nordestino corre risco de desaparecer do país. O próprio Ministério da Agricultura e Pecuária reconhece, segundo a carta-manifesto, a inexistência de uma cadeia produtiva organizada para a espécie.


O problema é agravado pelas características reprodutivas dos animais. A gestação dura aproximadamente 12 a 13 meses, as fêmeas normalmente geram apenas um filhote e os animais podem levar anos para atingir a idade adulta. A retirada contínua de indivíduos da população, portanto, ocorre em velocidade incompatível com sua reposição.


A carta entregue ao governo também chama atenção para a dimensão genética, cultural e histórica da questão. Para as entidades, o desaparecimento do jumento nordestino significaria a perda de uma população animal geneticamente singular e de uma espécie profundamente ligada à formação social e econômica do semiárido brasileiro.


O manifesto lembra ainda que, em 2024, a União Africana aprovou uma moratória continental sobre o abate de jumentos e a exportação de suas peles, abrangendo seus 55 Estados-membros.


Risco sanitário também está entre os argumentos


Outro ponto destacado pelas organizações é o risco sanitário associado à captura e ao transporte de animais de procedência desconhecida.


A carta cita episódios de detecção de mormo em animais destinados ao abate e sustenta que diferentes doenças infecciosas e transmissíveis já foram identificadas em equídeos apreendidos durante o processo de captura e comercialização.


Para as entidades, a questão deve ser analisada sob a perspectiva de Saúde Única — abordagem que considera de maneira integrada a saúde humana, animal e ambiental.


“A insistência no uso da SLAT e o argumento de lesão econômica grave ao país não é apenas absurda, como negacionista”, afirma Patricia Tatemoto, PhD em Ciências pela USP e consultora de campanha da organização The Donkey Sanctuary no Brasil. “Os cientistas já demonstraram o risco iminente de extinção da espécie, o risco reputacional para o agronegócio brasileiro e a ameaça de crise sanitária devido à contaminação desses animais por doenças infectocontagiosas de caráter zoonótico.”


A disputa judicial ainda não terminou e a sentença de abril pode ser objeto dos recursos previstos na legislação. Para as organizações, porém, a urgência ambiental e sanitária não acompanha o tempo dos tribunais.


É por isso que, depois de anos de manifestações, audiências, estudos científicos, ações judiciais e articulações políticas, as entidades foram a Brasília dirigir o apelo diretamente ao presidente da República.


A carta termina pedindo medidas urgentes do governo federal para garantir o cumprimento da sentença, encerrar o abate e impedir em todo o país uma atividade que, segundo as entidades, ameaça uma população animal geneticamente única.


“É triste assistir ao fim de uma espécie no Brasil”, afirma Patricia Tatemoto.


 

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Influenciadores trumpistas divulgam propaganda paga a favor de Flávio Bolsonaro e de empresa de apostas

 

Influenciadores trumpistas divulgam propaganda paga a favor de Flávio Bolsonaro e de empresa de apostas

Por Ana Luiza Albuquerque/Folhapress

23/09/2026 às 07:16

Foto: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil

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A empresa faz parte de um mercado de previsão, no qual os usuários apostam em qual será o desfecho de eventos futuros, como as eleições brasileiras

Uma série de contas estrangeiras, em sua maioria ligadas ao ecossistema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm publicado conteúdo pago para divulgar a disparada de Flávio Bolsonaro (PL) nas apostas da empresa americana Polymarket, bloqueada desde abril no Brasil.

A empresa faz parte de um mercado de previsão, no qual os usuários apostam em qual será o desfecho de eventos futuros, como as eleições brasileiras.

A Folha contabilizou que, de sexta (18) a segunda-feira (21), ao menos 11 usuários do X, antigo Twitter, publicaram propaganda paga sobre o assunto, por vezes com conteúdo explicitamente elogioso ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acompanhado de um gráfico da Polymarket.

A lei eleitoral veda o impulsionamento de propaganda para qualquer candidato por terceiros e proíbe doações (em dinheiro ou estimáveis) de entidades estrangeiras. Questionada, a campanha de Flávio respondeu que não tem conhecimento sobre os anúncios.

Abaixo das publicações, aparece o rótulo de "parceria paga", sem a identificação do responsável pelos pagamentos. A imprensa americana já noticiou que a Polymarket tem o hábito de contratar influenciadores para divulgar propaganda.

As contas que veicularam o conteúdo nos últimos dias podem ser divididas em dois blocos: um reúne influenciadores que publicam conteúdo alinhado com Trump e seu movimento, o Make America Great Again, e o outro diz respeito a contas que adotam uma estética noticiosa para escrever sobre assuntos geopolíticos, como a guerra na Faixa de Gaza e na Ucrânia.

Um dos usuários envolvidos na veiculação dessa propaganda é o ex-deputado republicano Matt Gaetz, que tem 3,4 milhões de seguidores. Aliado de Trump, ele foi deputado pela Flórida de 2017 a 2024 e chegou a ser apontado pelo presidente para a procuradoria-geral dos EUA. Desistiu, porém, em meio ao avanço de investigações de crimes sexuais, que ele negou ter cometido.

"Flávio pode salvar o Brasil. Este é o grande prêmio nas Américas", escreveu Gaetz nesta segunda.

Outra conta que publicou o anúncio foi a da UHN Plus, com 1,2 milhão de seguidores, que opera da Flórida, publica conteúdos de direita em espanhol e diz no X ser "movida" pela Polymarket.

A empresa associada a esse usuário está registrada no estado sob o nome "UHN Plus Media Network, INC". Seu vice-presidente é o espanhol Javier Negre, que foi sócio do consultor político argentino Fernando Cerimedo no veículo de desinformação de direita "La Derecha Diario".

Cerimedo, que é amigo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), é conhecido por seu envolvimento em campanhas da direita na América Latina e já admitiu o uso de robôs nas redes sociais. Ele foi preso em agosto na Bolívia, onde mora, acusado de ter ordenado o assassinato da então companheira, Nadia Beller.

Ela sobreviveu e conversou com a Folha: disse que o argentino afirmou que lutaria pela eleição de Flávio, que ele se encontrou com Eduardo no início de agosto e que Cerimedo trabalhou na eleição de Jair Bolsonaro em 2022.

O influenciador americano George Behizy, que tem 639 mil seguidores, entre eles o próprio Flávio Bolsonaro, também publicou a propaganda. Behizy é alinhado ao movimento trumpista e disseminou desinformação sobre supostas fraudes nas eleições americanas.

"Tudo está prestes a mudar no hemisfério Ocidental. Flávio Bolsonaro continua em alta, apesar de todas as mentiras de última hora espalhadas pelo governo comunista de Lula", escreveu no anúncio pago, divulgado no domingo (20). "Na verdade, Lula agora está tentando subornar os eleitores com benefícios sociais caso vença a eleição."

Antes dessa onda de propaganda no fim de semana, anúncios do tipo já haviam sido publicados neste ano. O próprio Behizy divulgou um deles, em março, quando Flávio aparecia ligeiramente à frente de Lula (PT) no Polymarket. Na ocasião, o influenciador escreveu que o filho de Bolsonaro também liderava a pesquisa AtlasIntel.

Behizy também tem publicado outros conteúdos favoráveis ao senador sem o rótulo de parceria paga.

O site de notícias americano Politico noticiou em junho que a empresa de apostas pagou, de janeiro de 2025 a fevereiro de 2026, ao menos US$ 350 mil (R$ 1,8 milhão) a influenciadores e criadores de conteúdo.

Em agosto, os senadores americanos Alex Padilla e Mark Warner divulgaram uma carta que escreveram à Polymarket e à Kalshi, outra empresa do meio, manifestando preocupação com a prática de remunerar influenciadores que divulgam informações falsas, "incluindo alegações de que as eleições federais dos EUA estariam sujeitas a fraudes generalizadas".

O filho de Trump, Donald Trump Jr., é conselheiro nas duas empresas de aposta. A empresa de capital de risco 1789 Capital, da qual é sócio, já investiu cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bi) na Polymarket, segundo reportagem do The New York Times.

O fundador da Polymarket é o americano Shayne Coplan. O jornal The Wall Street Journal afirma que ele tentou promover sua empresa com os partidos Republicano e Democrata, mas que teve mais sucesso com o primeiro.

Na convenção nacional de 2024 dos republicanos, narra o jornal em uma reportagem de fevereiro deste ano, Coplan sentou-se ao lado do filho de Trump e de Omeed Malik, fundador da 1789 Capital. Depois da eleição do presidente americano, o dono da Polymarket participou de um encontro de uma rede de doadores aliada a Trump, a Rockbridge, que tem entre seus fundadores o vice-presidente J.D. Vance.

Em maio de 2026, foi constituída no estado do Wyoming a Rockbridge Brazil, como mostrou o site Amado Mundo. O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) tem afirmado que empresários brasileiros articularam com a rede americana financiamento para a campanha de Flávio Bolsonaro, mas ainda não apresentou evidências materiais que comprovem essa denúncia.

Politica Livre

Zanin nega pedido para instalar CPI do Banco Master no Senado

 

Zanin nega pedido para instalar CPI do Banco Master no Senado

Por Redação

23/09/2026 às 09:09

Foto: Rosinei Coutinho/Arquivo/STF

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Cristiano Zanin

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a dar andamento à instalação de uma CPI para investigar as fraudes envolvendo o Banco Master. Segundo Zanin, não ficou comprovada, até o momento, uma omissão da Presidência do Senado na tramitação do pedido. A informação é do jornal O Globo.

No requerimento, Vieira solicitou a investigação de possíveis “relações pessoais, financeiras ou de outra ordem” entre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Para o ministro, porém, o senador não apresentou provas suficientes sobre como esse e outros pedidos de CPI vêm sendo analisados pelo Senado.

Zanin também destacou que o próprio senador reconheceu a existência de um requerimento anterior para criação de uma CPI relacionada aos fatos envolvendo o Banco Master, com objeto mais amplo. Na decisão, o ministro afirmou que não havia elementos nos autos capazes de esclarecer a tramitação desse pedido anterior ou de outros requerimentos sobre os mesmos fatos.

Politica Livre

A POLÍTICA DA RESPONSABILIDADE: Por que a Gestão Tista de Deda Exige Dados e Fatos para Atender às Demandas do Povo

 






A POLÍTICA DA RESPONSABILIDADE: Por que a Gestão Tista de Deda Exige Dados e Fatos para Atender às Demandas do Povo


Por José Montalvão


Na administração pública moderna, o tempo do amadorismo, das promessas vazias e dos pedidos feitos "de orelha" ficou no passado. Em Jeremoabo, a postura do prefeito Tista de Deda tem demonstrado que o atendimento às demandas do município não passa por filtros partidários: para o gestor, não importa se a solicitação parte de um vereador da situação ou da oposição. O critério determinante é único e claro: a proposta deve ser justa, viável e respaldada por elementos técnicos, dados concretos e fatos incontestáveis.

Pedir é fácil; o desafio do legislador é provar, com números e fundamentação, que a medida trará eficiência ao erário e benefício direto à população. É sob essa ótica de responsabilidade fiscal e republicana que surge a proposta para a criação de uma Casa de Apoio para Pacientes em Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

O Instrumento Adequado: A Indicação Legislativa com Estudo de Viabilidade

Para sugerir formalmente que o Poder Executivo alugue e estruture uma Casa de Apoio em centros de referência médica (como Salvador, Feira de Santana, Juazeiro ou Aracaju), o vereador deve utilizar a Indicação Legislativa.

Contudo, para que a Indicação não seja apenas mais uma folha de papel no protocolo da Prefeitura, ela deve vir acompanhada de um minucioso Estudo de Viabilidade Técnica e Financeira. É esse anexo técnico que dá sustentação ao pedido e convence o gestor público de sua exequibilidade.

┌─────────────────────────────────────────────────────────────┐
│ ESTRUTURA TÉCNICA DA INDICAÇÃO LEGISLATIVA │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ 1. DEMONSTRATIVO DE CUSTO-BENEFÍCIO (Atual vs. Projetado) │
│ 2. LEVANTAMENTO DA DEMANDA MENSAL (Dados da Saúde) │
│ 3. PREVISÃO ORÇAMENTÁRIA E FONTE DE RECURSOS (LDO / LOA) │
└─────────────────────────────────────────────────────────────┘

1. Demonstrativo de Custo-Benefício: Economia e Dignidade Humana

O objetivo central do estudo é provar que a manutenção de uma estrutura fixa é financeiramente mais vantajosa para o município do que a pulverização de gastos avulsos:

  • Custo Atual (Disperso e Elevado): O somatório mensal gasto pela Prefeitura com o pagamento de diárias de hotéis e pousadas, alimentação fracionada e custeio repetitivo de passagens de ida e volta para pacientes e acompanhantes;

  • Custo Projetado (Estruturado e Controlado): A consolidação das despesas fixas compreendendo aluguel do imóvel, manutenção (água, luz, internet), insumos para alimentação básica e equipe de apoio (como cozinheira ou zelador);

  • O Ganho Humanitário Inestimável: Para além da equação financeira, a Casa de Apoio oferece ambiente acolhedor, segurança, conforto psicológico e dignidade para cidadãos vulneráveis no momento mais frágil de suas vidas — em especial pacientes em tratamento de hemodiálise, oncologia e cirurgias de alta complexidade.

2. Levantamento da Demanda Mensal: O Perfil da Necessidade

Com base em dados oficiais obtidos junto à Secretaria Municipal de Saúde (via Requerimento de Informação ou relatórios de gestão do SUS), o documento deve mensurar com precisão a dimensão do fluxo:

Indicador de DemandaParâmetro de Análise Técnica
Volume de PassageirosMédia mensal de pacientes e acompanhantes transportados pelo TFD.
Perfil ClínicoEspecialidades médicas de maior recorrência (Oncologia, Cardiologia, Ortopedia).
Tempo de PermanênciaPeríodo médio de estada na cidade de destino para realização de ciclos de tratamento.

3. Previsão Orçamentária: Apontando a Fonte do Recurso

Para que a proposta seja juridicamente viável e respeite a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o vereador deve indicar o caminho orçamentário:

  1. Adequação à LDO e LOA: Verificar as dotações existentes na ação de "Assistência à Saúde" ou "Manutenção do TFD" no orçamento vigente;

  2. Crédito Adicional ou Remanejamento: Sugerir a utilização de superávit financeiro ou a abertura de crédito adicional suplementar/especial para fazer frente às novas despesas fixas;

  3. Compromisso com Emenda Impositiva: O próprio vereador (ou a bancada parlamentar) pode sinalizar a destinação de suas Emendas Parlamentares Impositivas no orçamento subsequente, garantindo o custeio inicial ou a manutenção contínua do imóvel.

Conclusão: Respeito ao Dinheiro Público e Cuidado com o Povo

A exigência do prefeito Tista de Deda por projetos bem fundamentados não é burocracia, é demonstração de respeito ao dinheiro do contribuinte de Jeremoabo.

Quando a oposição ou a situação apresentam propostas embasadas em fatos, números e técnica, quem ganha é a população. A criação da Casa de Apoio para o TFD é uma pauta nobre, justa e necessária — e, com a devida instrução técnica e dotação orçamentária, tem tudo para se transformar em uma grande conquista social para o nosso município!

José Montalvão

Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

Blog de Dede Montalvão: Defendendo a gestão pública responsável, o fortalecimento do TFD e o debate técnico acima das disputas partidárias!

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