Publicado em 24 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

Relatório da Abin apontou ameaça de interferência americana
Anna Júlia Lopes
Folha
O jurídico da campanha do presidente Lula (PT) acionou nesta quarta-feira (23) o STF (Supremo Tribunal Federal) para pedir a adoção de medidas urgentes para investigar a possível interferência por parte dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro.
Além do Supremo, o PT também ajuizou ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acusando o candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), de abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação, alegando articulação com o governo Donald Trump com o suposto intuito de interferir nas eleições.
ATOS UNILATERAIS – A ação que tramita no Supremo foi ajuizada anteriormente pelo Instituto Brasileiro de Mineração e teve decisão que firma o entendimento de que atos unilaterais estrangeiros não admitidos pela ordem jurídica brasileira não eram eficazes no país. Além disso, também foi proibida a execução, no Brasil, de imposições ou instrumentos decorrentes desses atos.
Na petição protocolada pela campanha, o PT pede para que seja incluído como parte interessada no processo. O partido solicita ainda para que seja apurada a possível atuação de agentes no Brasil para dar eficácia a atos estrangeiros que o próprio STF teria declarado ineficazes.
Entre esses atos, a peça cita uma série de medidas tomadas pela Casa Branca nos últimos dois anos: o primeiro tarifaço, em 2025; a revogação dos vistos norte-americanos dos ministros do STF; a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes; o segundo tarifaço, em 2026; e a declaração do Comando Vermelho e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas.
INTIMIDAÇÃO – A campanha relaciona essa ação dos EUA aos filhos de Jair Bolsonaro, como a atuação de Eduardo para intimidar o Poder Judiciário brasileiro e o episódio em que Flávio propagou um dado falso sobre as urnas eletrônicas em uma reunião com embaixadores.
Na ação protocolada no TSE, a campanha também levou em conta esses fatos. Segundo a petição, o resultado da combinação das medidas tomadas pelos EUA e da conduta de Flávio e Eduardo é a criação de um ambiente de instabilidade institucional e eleitoral.
“Desse arranjo decorrem danos diretos à soberania nacional, à liberdade do voto e à normalidade do processo eleitoral brasileiro e, mais do que isso, a própria interferência externa no resultado do pleito”, diz o documento.
CASSAÇÃO – Além da inelegibilidade dos irmãos, o PT também pede para que os registros de candidatura de Flávio e de seu candidato a vice, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), sejam cassados.
O PT ajuizou as ações após ser revelado pela Folha relatório produzido pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que aponta a interferência dos EUA como uma das possíveis “ameaças ao processo eleitoral de 2026”.