quarta-feira, setembro 23, 2026

Campanha de Flávio aciona TSE por discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU

 

Campanha de Flávio aciona TSE por discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU

Por Anna Júlia Lopes, Folhapress

23/09/2026 às 16:00

Atualizado em 23/09/2026 às 15:46

Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo

Imagem de Campanha de Flávio aciona TSE por discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU

O presidente Lula (PT) durante o seu discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York

O jurídico da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por conta do discurso feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), na terça-feira (23).

Na peça, os advogados da campanha de Flávio argumentam que a fala do chefe do Executivo em Nova York foi "tipicamente eleitoral", e não um pronunciamento de Estado. A campanha argumenta ainda que a utilização da estrutura pública para fins eleitorais é uma prática em que Lula tem insistido de forma sistemática e reiterada durante a disputa presidencial.

A representação cita, entre os pontos supostamente eleitorais da fala de Lula, a menção ao combate às bets, a defesa da escala de trabalho 6x1 e da soberania nacional em relação aos interesses estrangeiros —ponto que, para a campanha, faz referência à presença de terras raras no território brasileiro. De acordo com o documento, nenhum dos assuntos tem a ver com o que deve ser debatido na Assembleia Geral da ONU.

"A fala de Lula repete peças de campanha eleitoral. A fala de Lula reverbera aquilo que se contém no próprio site de seu partido. A fala de Lula era de um candidato. Não de um Chefe de Estado. A ONU, no entanto, não é palanque", diz a peça apresentada.

O jurídico do senador reclamou ainda que, desde o início do ano, já apresentou cerca de 15 ações junto ao TSE sobre o suposto uso irregular da máquina pública por parte de Lula, como a gravação de lives e podcasts dentro do Palácio do Planalto, mas que grande parte dos processos segue sem um pronunciamento por parte da Justiça Eleitoral.

A campanha diz ainda que reconhecer a irregularidade dos atos praticados pela Presidência não é suficiente, e que é necessário que o TSE impeça a continuidade dessa suposta dinâmica.

Assinada pela ex-ministra do TSE, a advogada Maria Cláudia Bucchianeri, a representação pede ainda para que a corte proíba a campanha de Lula de utilizar, em sua propaganda eleitoral, imagens que reproduzam o discurso feito pelo petista na ONU ou que mostrem qualquer ato durante a viagem aos Estados Unidos.

Além disso, o jurídico de Flávio também solicitou para que o tribunal impeça a campanha do presidente de utilizar bens, solenidades, serviços ou estruturas públicas como suporte para a promoção eleitoral do petista.

Em seu discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, Lula fez uma referência explícita à eleição presidencial e uma crítica direta a Flávio Bolsonaro, seu principal adversário na disputa, segundo pesquisas de intenção de voto.

Como mostrou a Folha, esse tipo de menção ao processo eleitoral é inédita nos discursos de Lula nas Nações Unidas. Em 2006, quando disputava a reeleição, o petista não fez menção. Sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), também abordou o tema em 2014.

Segundo interlocutores do presidente, a menção ao tema se justifica pela possível interferência por parte dos EUA no processo eleitoral brasileiro —uma das possíveis "ameaças" às eleições de 2026, conforme citado em relatório produzido pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Politica Livre

Em destaque

PAUTA: Furtos de gado mudam rotina de pecuarista e tecnologia passa a apoiar monitoramento e segurança do rebanho

  Viviane Passerini - Grupo Texto < viviane@grupotexto.com.br > 22 de set. de 2026, 18:00 (há 1 dia) para Viviane Olá, colega jornali...

Mais visitadas