quarta-feira, setembro 23, 2026

Gilmar tenta levar ao plenário do STF caso de usinas que expõe relação de ministros com Vorcaro

 

Gilmar tenta levar ao plenário do STF caso de usinas que expõe relação de ministros com Vorcaro

Relator defende que corte deve uniformizar entendimento sobre indenização de empresa sucroalcooleira

Por Isadora Albernaz/Folhapress

22/09/2026 às 19:30

Atualizado em 22/09/2026 às 20:05

Foto: Alejandro Zambrana/STF/Arquivo

Imagem de Gilmar tenta levar ao plenário do STF caso de usinas que expõe relação de ministros com Vorcaro

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes apresentou nesta terça-feira (22) um pedido para levar ao plenário o julgamento bilionário que envolve o setor sucroalcooleiro e opôs o decano a ministros que ocupam uma ala diferente, como Kassio Nunes Marques, em meio à crise da corte.

Na questão de ordem, levada à Segunda Turma, o relator do caso defende que os dez ministros analisem o recurso em que se discute se a União deve indenizar usina do setor sucroalcooleiro pela fixação de preços pelo extinto IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool).

O julgamento foi marcado no plenário virtual do colegiado –onde os magistrados depositam votos em sistema, sem discussão do tema. A análise começa na próxima sexta-feira (25) e vai até 2 de outubro.

Gilmar afirma que a análise é necessária para uniformizar o entendimento do STF sobre a exigência de perícia individual para comprovar o prejuízo das usinas quando os critérios de indenização tiverem sido definidos em sentença transitada em julgado –ou seja, sem possibilidade de recurso.

O julgamento voltou à tona depois de ter sido revelado que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, se reuniu com Gilmar Mendes no dia 11 de abril de 2024 para pedir que ele votasse a favor na causa e beneficiasse empresas do ex-banqueiro.

Gilmar e André Mendonça votaram contra, mas ficaram vencidos por Kassio, Dias Toffoli e Edson Fachin.

Na segunda-feira (21), o portal Metrópoles também mostrou que o Master tinha um contrato que previa honorários de até R$ 427 milhões com o escritório da advogada Camilla Ramos em caso de êxito em 12 processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro.

As ações poderiam render cerca de R$ 8,5 bilhões ao Master. Camilla é apontada ao lado do marido, o juiz federal Newton Ramos, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), como integrante da chamada "Turma do KN", em uma possível referência ao ministro do Supremo.

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