Pedro Tavares e Breno Pires, de Brasília 19 Set 2026
Da esquerda para a direita: o advogado Willer Tomaz, o empresário Carlos Alberto de Sá e os senadores Weverton Rocha e Flávio Bolsonaro - Crédito: ReproduçãoA piauí apurou que a foto foi enviada no dia 10 de março em um grupo de WhatsApp intitulado “África do Sul”, do qual faziam parte Flávio, Willer, Weverton e suas respectivas esposas. Junto dessa imagem, havia dezenas de outras mostrando elefantes e diferentes animais da savana, fotografados em um safári de que o grupo participou. A Polícia Federal teve acesso a esse material depois de apreender o celular de Weverton no final do ano passado, em uma fase da Operação Sem Desconto, que investiga as fraudes no INSS.
Mas além da dupla Weverton e Willer, há um terceiro personagem que não havia sido identificado na foto e também participava do grupo de WhatsApp: o empresário Carlos Alberto de Sá, conhecido como Carlinhos. E, assim como os colegas, ele também esteve na mira da lei. Em 2021, o relatório final da CPI da Covid pediu seu indiciamento por corrupção ativa e improbidade administrativa. A suspeita da comissão era de que a VTCLog, empresa de logística da qual ele é sócio, havia oferecido vantagens indevidas a um diretor do Ministério da Saúde em troca de um aditivo num contrato para armazenamento e distribuição de insumos, entre eles vacinas. Além disso, segundo o relatório, havia indícios de que o contrato havia sido superfaturado em 17 milhões de reais.
Dois pontos principais chamaram a atenção dos senadores. Um deles foram as frequentes movimentações em dinheiro vivo feitas pela VTCLog. Desde 2018, segundo a CPI, um funcionário da empresa havia sacado 4,7 milhões de reais em espécie. Com o dinheiro em mãos, ele pagou boletos pessoais do então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias. Para os senadores, era um indício claro de corrupção, já que Dias cuidava justamente dos contratos que interessavam à VTCLog. O diretor foi um dos protagonistas da CPI e acabou demitido do Ministério devido a uma suspeita ainda mais grave: a de que pedira propina na negociação da compra de vacinas contra a Covid.
O segundo ponto que chamou atenção dos senadores foi o fato de que a VTCLog venceu a licitação do Ministério da Saúde oferecendo descontos expressivos nos seus serviços para, depois disso, pedir grandes aditivos ao contrato. Segundo o relatório da CPI, tudo indicava ser um “jogo de planilha” – isto é, “artifício utilizado para possibilitar que um licitante vença o certame de maneira aparentemente legal e, posteriormente, ao longo da execução contratual, passe a manipular preços unitários com o intuito de aumentar demasiadamente o valor do contrato, mediante termos aditivos, em prejuízo ao erário”.
O relatório da CPI pediu o indiciamento de Carlinhos e Teresa Cristina Reis de Sá, sua sócia, também acusada de corrupção ativa e improbidade administrativa. Na visão dos senadores, “o fato de serem sócios controladores da empresa e, portanto, beneficiários finais de todas as ações criminosas perpetradas, sugere que tinham domínio do fato ou que tenham até mesmo de algum modo participado das decisões e condutas ilícitas cometidas”. Quanto à VTCLog, a CPI recomendou que fosse submetida às “punições previstas na Lei Anticorrupção, como sua inclusão no cadastro de empresas inidôneas.” Dias antes da aprovação do relatório, uma reportagem do El País revelou que Carlinhos e Teresa eram donos de uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal.
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