terça-feira, setembro 22, 2026

Zuenir Ventura, o Mestre Zu



Eu começava minha carreira acadêmica, de pesquisador. Escrevi um texto por encomenda da Organização Mundial do Trabalho sobre a situação social no Brasil. Conversava com frequência sobre política e mudanças sociais no Brasil com Marcos Sá Corrêa. Marcos estava, na época, no JB, o Jornal do Brasil. Ficou interessado na sessão em que eu tratava de pobreza e desigualdade, mas mostrava que o Brasil mudava muito rápido: se urbanizava e a mobilidade social ascendente era fortemente positiva. Ele me propôs uma entrevista mais longa, para o Caderno B. Fui tranquilo para a redação imaginado que seria uma conversa entre nós dois. Ao chegar, descobri que seria com ele e Zuenir.

Eu conhecia o Zu, de encontros episódicos, na vida social. Sabia o tamanho dele no jornalismo e na literatura. Quase me deu um branco. Mas o Zu era tão afável, fazia perguntas tão boas e instigantes que relaxei. Eu sabia que uma entrevista com ele e Marcos seria um baita holofote sobre o meu trabalho. E foi. Mas, minha vida de pesquisador sempre foi muito nervosa e logo eu mergulharia em outras questões que me pareciam relevantes, sem nunca deixar de lado a questão social. Ela ocupa grande parte de meu novo ensaio, A Terceira Margem do Ipiranga. O tema mudou. O importante é que daí em diante, ganhei o Zu como interlocutor e amigo. Foram mais de 40 anos de convivência. Tive, também, o prazer de conviver com Mary Ventura e chegamos a ser colegas quando ela foi secretária de Cultura do estado do Rio e eu secretário de projetos especiais. Breve passagem, mas me valeu a relação pessoal com Mary.

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Fiquei pensando em todos os meus encontros com o Zu, o Mestre Zu. Não me lembrei de um só em que ele não estivesse sorridente e não fizesse alguma observação amável. Tenho dele essa lembrança boa de uma pessoa sorridente e com palavras acalentadoras. Quem nunca frequentou a redação de um jornal, não tem ideia de como é difícil manter a palavra mansa nesse ecossistema.

Zu foi repórter a vida toda, mesmo quando passou a colunista. Belíssimo escritor, fez livros reportagens marcantes, todos resultado da imersão no território em que se passaram os eventos. Destaco Cidade Partida e Chico Mendes: crime e castigo. Escreveu um belo romance, Sagrada Família. O termo “cidade partida” viralizou e se tornou uma expressão idiomática corrente. O subtítulo de “1968, o ano que não terminou”, também. Ele criava expressões indisputáveis. Eu passei por três redações, antes de mudar minha trajetória para a sociologia. Mais tarde voltaria como colunista, sem frequentar as redações. Sei como é incomum um jornalista/repórter ter a palavra mansa, estar sempre sorridente, ser sempre amável.

Mestre Zu, era mestre não apenas do jornalismo, mas de visão de mundo, de gentileza em tempos tão duros, da palavra certa na hora certa. Era mestre de otimismo, de alegria. A merecida fama em vida, jamais mudou sua personalidade e o modo de se relacionar com sua legião de amigos. A humildade e a integridade foram a sua marca d’água. Foi conselheiro e exemplo. Mereceu ser chamado de Mestre Zu. Mestre porque conselheiro, mestre do jornalismo, mestre de destacar o alegre da vida. E Zu, por ser tão afável no trato, tão próximo. Todos que com ele conviviam sentiam como se ele fosse íntimo e desse particular atenção a cada um.

Mestre Zu nos deixa e só tenho boas lembranças. Espero que assim seja com Mary, Elisa e Mauro. Sua neta Alice foi tema de muitas de suas crônicas no Globo. Alice e Erick perderam um avô desses que todos desejam ter. Depois da tristeza da perda, ficarão memórias marcantes de alegria e ternura, porque ele era um avô assim. Adeus nunca é bom. Memórias ricas e felizes são uma forma inestimável de consolo.

Sérgio Abranches sergioabranches@substack.com 

 

A Relativização da coisa julgada:

 

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A Relativização da coisa julgada: Um conflito entre a Segurança Jurídica e a Justiça da Decisão
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Diálogos indicam que Vorcaro usou empresas para bancar homenagem a Fux em NY

 

Diálogos indicam que Vorcaro usou empresas para bancar homenagem a Fux em NY

Por Mateus Vargas/Folhapress

22/09/2026 às 10:55

Foto: Gustavo Moreno/Arquivo/STF

Imagem de Diálogos indicam que Vorcaro usou empresas para bancar homenagem a Fux em NY

Luiz Fux

Mensagens de Daniel Vorcaro indicam que o dono do Banco Master usou duas empresas para custear, em maio de 2024, uma viagem de Luiz Fux a Nova York e um almoço em homenagem ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

As conversas apontam que Vorcaro deu orientações a uma funcionária para a compra das passagens e hospedagens de Fux e da esposa do ministro, Eliane Fux, pedindo que as despesas fossem feitas por meio de Antonio Camarotti, CEO e publisher da revista Forbes no Brasil.

Fux afirma, em nota enviada pela assessoria de imprensa do STF, que nunca trocou mensagens com Vorcaro e que "nunca foi convidado por ele para eventos". O ministro diz que foi "convidado diretamente pela Forbes" e que " proferiu palestra em evento da revista, em maio de 2024, sobre segurança jurídica e o risco Brasil". Também afirma que não teve contato com Vorcaro durante o almoço.

As conversas em que Vorcaro trata da ida de Fux para o evento em Nova York se deram de março a maio de 2024. O telefone do ex-banqueiro foi apreendido em investigação da Polícia Federal.

Em uma troca de mensagens, um funcionário diz a Vorcaro que Camarotti havia confirmado a presença do ministro em um dos eventos que a Forbes realizava em Nova York e afirma: "Nós vamos emitir a passagem e hospedagem dele e esposa. Pode seguir?".

O ex-banqueiro respondeu: "Pode, mas temos que fazer via o Camarotti. Nao podemos nos mesmos fazermos [sic] a emissão."

O almoço em homenagem a Fux foi organizado pela Forbes com o patrocínio da BeFly —empresa do mercado de turismo que teve o banco de Vorcaro como parceiro financeiro. Os diálogos de Vorcaro indicam que ele apoiou os eventos da Forbes por meio dessa agência.

Em nota, a Forbes Brasil afirma que a BeFly patrocinou um almoço promovido em homenagem a Fux e que o Master foi um dos apoiadores da Forbes Party em Nova York, feita no dia seguinte.

"Em ambos os casos, trata-se de relações comerciais de patrocínio, formais, regulares e transparentes, celebradas no curso ordinário da atividade da marca", disse a Forbes. A empresa afirmou ainda que não tinha conhecimento dos fatos e investigações que viriam a público sobre Vorcaro e o Master.

Uma mensagem recebida pelo ex-banqueiro mostra Camarotti citando patrocínio do Master para a festa. "Sobre NY, está fechado: $200k o patrocínio naming rights da festa para o Master (ou outra marca que você escolher)", afirmou o CEO da Forbes no Brasil.

A BeFly disse que mantém, desde 2021, parcerias comerciais pontuais com a Forbes, "por meio do patrocínio e apoio a eventos idealizados e organizados pela publicação, de acordo com sua estratégia comercial e de negócios".

Em um trecho dos diálogos, um interlocutor de Vorcaro diz que o almoço em homenagem a Fux seria contrapartida de "sermos patrocinadores da Forbes Party". Vorcaro, então, pergunta se "é nosso patrocínio" e se teria uma marca no evento de Fux, e recebe como resposta que a marca seria a BeFly.

Os diálogos também mostram Camarotti afirmando que, durante o evento, agradeceria pelo patrocínio da BeFly "na presença do Daniel e do Marcelo" e passaria a palavra a Fux. Marcelo Cohen é o CEO da empresa de turismo.

A BeFly também aparece no convite do evento, chamado "Forbes Power Lunch". Aparecem as marcas da Forbes e da BeFly.

Em outro trecho das mensagens, um interlocutor também diz a Vorcaro que o almoço em homenagem a Fux teria de 30 a 40 pessoas. Não há imagens do almoço divulgadas no site da Forbes.

Já o Forbes Party foi realizado na noite de 15 de maio. Imagens do evento mostram que estavam presentes a esposa de Fux, Eliane Fux, além do filho dele, o advogado Rodrigo Fux.

Mensagens reveladas na última semana já mostraram relação de proximidade do ex-banqueiro com Rodrigo Fux. Em 17 de maio de 2024, quatro dias após o almoço em Nova York, o advogado inicia uma conversa com "Fala irmão. Tudo bem?". Em dezembro do mesmo ano, quando combinavam um horário para uma reunião, Rodrigo escreveu: "Tapete vermelho irmão".

Fux afirmou que esteve apenas no almoço em sua homenagem, feito em 14 de maio, e que não participou de outros eventos organizados pela Forbes ou pelo Master em Nova York na ocasião.

As conversas iniciais também tratavam da ida de Fux para o evento "Person of the Year", do Esfera Brasil, realizado em 13 de maio de 2024 no Rockefeller Center. Vorcaro chegou a receber de um funcionário o modelo de convite para ser enviado ao ministro do STF para o evento do Esfera, com timbre do Banco Master e nome do ex-banqueiro.

Os diálogos não deixam claro se aquele convite foi enviado. A assessoria do STF, porém, afirma que o ministro não participou do evento do Esfera.

Na sessão do STF do último dia 15, em que Flávio Dino pediu vista e suspendeu a análise de relatório sobre as ligações de Alexandre de Moraes com Vorcaro, Fux negou ter tido contato direto com o ex-banqueiro.

"Nunca vi esse cidadão na minha vida, nunca tive relação com ele", disse Fux.

Na sequência, Dino insinuou que existem mensagens de Vorcaro a respeito de Fux e disse que o colega do Supremo teria de "esclarecer isso no momento próprio".

Politica Livre

Por que demoram tanto a investigar os casos do Banco Master e do INSS?


Os governos petistas acumularam uma sucessão de escândalos de corrupção de  grande escala, revelados por investigações como o Mensalão, a Lava Jato e,  mais recentemente, novos episódios envolvendo aposentados e bancos privados.

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Têm muito ainda a ser descoberto no caso dos inquéritos do INSS e do Banco Master. Existe grande número de documentos que o ministro André Mendonça está resistindo a entregar, apesar da pressão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal e do presidente da corte.

Vai  ter de entregar. Aliás, já está entregando a conta-gotas, pois Vorcaro não sai das manchetes da imprensa. Mesmo preso, todo dia solta uma maldade envolvendo ministros da Suprema Corte. Enquanto não for solto, as patifarias de Vorcaro chegarão de mão beijada à imprensa.

A verdade demora, mas vai aparecer. O ruim é que um ministro – ou, quem sabe, três ministros – peçam vista dos processos, para o julgamento ficar para o dia em que o sargento Garcia prender o Zorro.

DIZ O ACADÊMICO – O craque acadêmico e grande figura humana Ignácio de Loyola Brandão manda outra mensagem para este veterano repórter.

Desta vez focalizando meu artigo sobre dois abutres com DNA podre,  pai e filho, Jair e Flávio. O primeiro quase destrói o Brasil. O filho insiste em acabar o trabalho sujo.

“Vicente, este texto tem que percorrer o Brasil. Os partidos políticos, as academias, as universidades, igrejas, templos, terreiros, bares, prostíbulos, ongs, redes sociais, estádios, ginásios, sindicatos, associações, entidades e shows onde um, dois, três, milhões se reúnam”, disse o grande jornalista e escritor.


Dino divulga ofício que pediu apuração conjunta de ministros citados no caso Master

 Ministro questiona decisões de Fachin sobre relatorias e defende que situações conexas recebam análise conjunta.

Da Redação


quinta-feira, 17 de setembro de 2026


Atualizado às 16:29


Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/464775/master-dino-divulga-oficio-que-pediu-apuracao-conjunta-de-ministros


O ministro Flávio Dino, do STF, tornou público o ofício enviado ao decano da Corte, Gilmar Mendes, durante o julgamento de terça-feira, 15, para questionar decisões do presidente do Tribunal, Edson Fachin, que levaram processos de outros ministros à Presidência e alteraram uma das relatorias.


Dino também defendeu que sejam identificados todos os magistrados com indícios de recebimento de dinheiro ou benefícios ligados ao Banco Master, diretamente ou por parentes de até 2º grau, e que os casos conexos sejam analisados conjuntamente.


Ao divulgar a íntegra da questão de ordem no Instagram, afirmou que as medidas configuram “avocação” de relatorias, sem respaldo constitucional, legal ou regimental, e disse publicar o documento “em homenagem ao princípio da publicidade e à transparência”.


Por que Gilmar?


O ofício foi encaminhado a Gilmar porque Dino considera que Fachin e o vice-presidente do STF, Alexandre de Moraes, estão impedidos de decidir a questão. Segundo o ministro, Fachin praticou os atos contestados, enquanto Moraes é parte na Pet 16.662.


Dino sustenta que, nessas circunstâncias, o regimento prevê a substituição do presidente pelo vice e deste pelos demais ministros conforme a ordem de antiguidade, o que, no caso, levaria a questão ao decano.

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Flávio Dino acionou Gilmar Mendes e defendeu análise conjunta de casos de magistrados relacionados ao Banco Master.(Imagem: Rosinei Coutinho/STF)

Retirada de relatorias


Dino aponta dois episódios. Em 9 de setembro, Fachin suspendeu os efeitos de uma decisão proferida por ele na Pet 16.669. Segundo o ministro, a medida utilizada como fundamento pelo presidente não alcançava sua decisão, de modo que Fachin teria exercido jurisdição de ofício.


Três dias depois, Fachin determinou que as Pets 15.041 e 15.556, relatadas por André Mendonça, fossem remetidas à Presidência, juntamente com processos relacionados. Também determinou a substituição da relatoria da Pet 16.662, igualmente atribuída a Mendonça, pela Presidência do STF.


“Verifico que o Ministro Presidente, Edson Fachin, tem proferido decisões que caracterizam ‘avocação’ de processos de relatoria dos demais Ministros desta Corte, sem nenhuma base constitucional ou legal e contra norma expressa no Regimento Interno do STF.”


Para o ministro, não existe previsão constitucional, legal ou regimental que permita ao presidente assumir processos já distribuídos a outros integrantes da Corte. Ele relaciona a prática ao princípio do juiz natural e às regras de distribuição dos processos.


“Em matéria jurisdicional, acima de um Ministro, só existem os órgãos colegiados componentes do próprio Tribunal, organizados como Turmas ou como o próprio Plenário.”


Ao reforçar a igualdade entre os integrantes da Corte, Dino recorreu à simbologia das vestes usadas pelos ministros.


“As togas são pretas, sem adereços pessoais, para simbolicamente remarcar as mencionadas virtudes republicanas em um Tribunal de juízes IGUAIS.”


Risco institucional


Dino afirma que a retirada das relatorias pode afetar a impessoalidade e o devido processo legal. Para ele, a possibilidade de presidentes de tribunais assumirem processos já distribuídos também teria repercussões para o restante do Judiciário.


“Com esta possibilidade aberta, teremos o acirramento das disputas internas dos diversos Tribunais, propiciando uma verdadeira ‘guerra’ no âmbito da magistratura.”


Em outro trecho, o ministro ressalta que as regras processuais devem ser observadas independentemente dos objetivos perseguidos.


“O devido processo legal possui fronteiras intransponíveis, mesmo que seu atropelamento tenha anunciadas boas intenções.”


Dino também afirma que a pauta dos processos não foi publicada regularmente e que, após a retirada do relator original, não houve redistribuição. Segundo ele, os demais julgadores não tiveram acesso à íntegra dos autos e ainda existiriam milhares de documentos não disponibilizados aos ministros e à PGR.


Confira a publicação:


 https://www.migalhas.com.br/quentes/464775/master-dino-divulga-oficio-que-pediu-apuracao-conjunta-de-ministros



Assessora de Flávio tratou de emenda de R$ 199 mil com miliciano condenado pela morte de Marielle

Publicado em 22 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

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